Festa da Imaculada Conceição - 08/12 :: Papa: "ser cristão é estar ao lado dos pobres" - 06/12

Importante: embora nesta data celebremos o segundo Domingo do Advento, por uma especial deferência da Santa Sé e autorização da CNBB, a liturgia refere-se à celebração da
Imaculada Conceição de Maria.
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Maria, modelo da Igreja
José Antonio Pagola

No começo de seu evangelho, Lucas nos apresenta Maria acolhendo com alegria o Filho de Deus em seu seio. Como enfatizou o Concílio Vaticano 11, Maria é modelo para a Igreja. Dela podemos aprender a ser mais fiéis a Jesus e ao seu Evangelho. Quais podem ser as características de uma Igreja mais mariana em nossos dias?

Uma Igreja que fomenta a “ternura maternal” para com todos os seus filhos e filhas, promovendo o calor humano em suas relações. Uma Igreja de braços abertos, que não rejeita nem condena, mas acolhe e encontra um lugar adequado para cada um.

Uma Igreja que, como Maria, proclama com alegria a grandeza de Deus e sua misericórdia também para com as gerações atuais e futuras. Uma Igreja que se transforma em sinal de esperança por sua capacidade de transmitir vida.

Uma Igreja que sabe dizer “sim” a Deus sem saber muito bem para onde a levará sua obediência. Uma Igreja que não tem respostas para tudo, mas que busca com confiança a verdade e o amor, aberta ao diálogo com os que não se fecham ao bem.

Uma Igreja humilde como Maria, sempre à escuta de seu Senhor. Uma Igreja mais preocupada em comunicar o Evangelho de Jesus do que em ter tudo bem definido.

Uma Igreja do Magnificat, que não se compraz nos soberbos, nos poderosos e nos ricos deste mundo, mas que procura pão e dignidade para os pobres e famintos da Terra, sabendo que Deus está do seu lado.

Uma Igreja atenta ao sofrimento de todo ser humano, que sabe, como Maria, esquecer-se de si mesma e “andar depressa” para estar perto de quem precisa de ajuda. Uma Igreja preocupada com a felicidade dos que “não têm vinho” para celebrar a vida. Uma Igreja que anuncia a hora da mulher e promove com prazer sua dignidade, responsabilidade e criatividade feminina.

Uma Igreja contemplativa que sabe “guardar e meditar em seu coração” o mistério de Deus encarnado em Jesus, para transmiti-la como experiência viva. Uma Igreja que crê, ora, sofre e espera a salvação de Deus anunciando com humildade a vitória final do amor.
Pe. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, o Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.

Dúvida: "A quem se refere a Imaculada Conceição"?

Há uma ideia popular de que se refere à concepção de Jesus pela Virgem Maria. Entretanto, não é a este fato que se refere esta solenidade, mas sim à maneira especial em que Maria foi concebida. Esta concepção não foi virginal (ou seja, ela teve um pai humano e uma mãe humana), mas foi especial e única de outra maneira …

A explicação está no Catecismo da Igreja Católica:

490. Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria “foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão”. O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como “cheia de graça”. Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.

491. Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, “cumulada de graça” por Deus, tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX:

“Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição (concepção)”.

                                                         


Papa: ser cristão é estar ao lado dos pobres

“Para os cristãos o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser independente da opção preferencial pelos pobres”, afirmou o Papa Francisco no encontro com os componentes da redação da revista sobre atualizações sociais formada por jesuítas e leigos.
Para acessar a matéria na íntegra, clique aqui: Papa Francisco...



Ficai atentos e preparados! - 1º Domingo do Advento/2019 - Mt 24,37-44

Frei Ludovico Garmus, OFM

O tema do Evangelho é a vinda do Filho do Homem e como preparar-se para recebê-lo. 
A vinda do Filho do Homem é certa, mas a hora é incerta. 

No versículo anterior ao texto hoje proclamado, o próprio Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente o Pai”. 


As comparações ilustram como será essa vinda do Filho do Homem e nos convidam à vigilância: Por ocasião do dilúvio, 

Noé construiu a arca porque foi advertido por Deus. Todos os outros homens apesar dos avisos de Noé continuaram sua vida normal, cheia de violência e maldade. Noé salvou sua família e os animais recolhidos na arca enquanto as outras pessoas pereceram porque não se converteram. 

E Jesus explica: “Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem (v. 37-39). O exemplo dos lavradores (v. 40) e das donas de casa que trabalham juntas (v. 41), ou do dono da casa que deve estar atento para impedir que o ladrão lhe arrombe a casa (v. 43) ilustram a necessidade de aguardar vigilantes a vinda do Filho do Homem. 


No evangelho, Jesus fala quatro vezes da vinda do Filho do Homem. Como não sabemos quando o Senhor virá, fiquemos atento e vigilantes, bem preparados para recebê-lo com alegria. Que o Senhor nos encontre ocupados servindo com amor ao próximo.



FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano.

Solenidade de Cristo Rei - 24/11/2019 || Carta de Clara e Francisco

Reflexão de Frei Gustavo Medella, OFM  - Cristo Rei


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Carta de Clara e Francisco – Direto do Brasil para o Encontro Mundial em Assis
Clique na imagem para acessar o texto da carta.
É longo, mas vale cada palavra!




"...nosso Deus é Deus dos Vivos..." Lc 20,27-38 - 10/11/2019

A questão central do nosso texto gira à volta da ressurreição, um tema que não significava nada para os saduceus.

Percebendo que, quanto a essa questão, a perspectiva de Jesus estava próxima da dos fariseus, os saduceus apresentaram uma hipótese acadêmica, com o objectivo de ridicularizar a crença na ressurreição: uma mulher casou, sucessivamente, com sete irmãos, cumprindo a lei do levirato (segundo a qual, o irmão de um defunto que morreu sem filhos devia casar com a viúva, a fim de dar descendência ao falecido e impedir que os bens da família fossem parar a mãos estranhas, cf. Dt 25,5-10). Quando ressuscitarem, ela será mulher de qual dos irmãos?

A primeira parte da resposta de Jesus (vers. 27-36) afirma que a ressurreição não é (como pensavam os fariseus do tempo) uma simples continuação da vida que vivemos neste mundo (na linha de uma revivificação - ideia apresentada na primeira leitura), mas uma vida nova e distinta, uma vida de plenitude que dificilmente podemos entender a partir das nossas realidades quotidianas. A questão do casamento não se porá, então (a expressão "são semelhantes aos anjos" do vers. 30 não é uma expressão de depreciação do matrimônio, mas a afirmação de que, nessa vida nova, a única preocupação será servir e louvar a Deus).

O poder de Deus, que chama os homens da morte à vida, transforma e assume a totalidade do ser humano, de forma que nascemos para uma vida totalmente nova e em que as nossas potencialidades serão elevadas à plenitude. A nossa capacidade de compreensão deste mistério é limitada, pois estamos a contemplar as coisas e a classificá-las à luz das nossas realidades terrenas; no entanto, a ressurreição que nos espera ultrapassa totalmente a nossa realidade terrena.

A segunda parte da resposta de Jesus (vers. 37-38) é uma afirmação da certeza da ressurreição. Como não podia apoiar-se nos textos recentes da Escritura (como Dn 12,2-3), que sugeriam a fé na ressurreição (pois esses textos não tinham qualquer valor para os saduceus), Jesus cita-lhes a "Torah" (cf. Ex 3,6): no episódio da sarça-ardente, Jahwéh revelou-Se a Moisés como "o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob"...

Ora, se Deus Se apresenta dessa forma - muitos anos depois de Abraão, Isaac e Jacob terem desaparecido deste mundo - isso quer dizer que os patriarcas não estão mortos (um homem "morto" - ou seja, um homem reduzido ao estado de uma sombra inconsciente e privada de vida no "sheol", segundo a ideia semita corrente - tinha perdido a proteção de Deus, pois já não existia como homem vivo e consciente).

Na perspectiva de Jesus, portanto, os patriarcas não estão reduzidos ao estado de sombras na obscuridade absoluta do "Sheol"(*), mas vivem atualmente em Deus.

Conclusão: se Abraão, Isaac e Jacob estão vivos, podemos falar em ressurreição.

(*) Sheol, segundo a crença hebraica, era o lugar para onde iam os mortos, 
por isso é sinônimo de sepultura, ou lugar de silêncio dos mortos

Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
(www.dehonianos.org)


Finados e Celebração de Todos os Santos

Finados

São Francisco de Assis, segundo o seu biógrafo Tomas de Celano, chegava a convidar para louvor até a própria morte, que todos temem e abominam. Para ele, a morte não era a negação total da vida, mas a passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno.

É assim também que os cristãos veem a morte. Dando sua vida em sacrifício e experimentando a morte, e morte na cruz, Cristo ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que, para quem crê, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai. Por isso, São Francisco chama a morte de “Irmã Morte” no Cântico do Irmão Sol.

Encontramos a celebração da missa pelos mortos desde o século V. Santo Isidoro de Sevilha, que presidiu dois concílios importantes, confirmou o culto no século VII. Tempos depois, em 998, por determinação do abade santo Odilo, abade de Cluny, todos os conventos beneditinos passaram, oficialmente, a celebrar “o dia de todas as almas”, que já ocorria na comunidade no dia seguinte à festa de Todos os Santos. A partir de então, a data ganhou expressão em todo o mundo cristão.
(fonte: www.franciscanos.org.br)
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Celebração de Todos os Santos 

Bem-aventuranças: anseio por um mundo novo - 03/11/2019 - Mt 5,1-12ª

1 Jesus viu as multidões, subiu à montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino do Céu. 4 Felizes os aflitos, porque serão consolados. 5 Felizes os mansos, porque possuirão a terra. 6 Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. 8 Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu. 11 Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. 12 Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu.

Comentário:

O Sermão da Montanha é um resumo do ensinamento de Jesus a respeito do Reino e da transformação que esse Reino produz. Moisés tinha recebido a Lei na montanha do Sinai; agora Jesus se apresenta como novo Moisés, proclamando sobre a montanha a vontade de Deus que leva à libertação do homem.

As bem-aventuranças são o anúncio da felicidade, porque proclamam a libertação, e não o conformismo ou a alienação. Elas anunciam a vinda do Reino através da palavra e ação de Jesus. Estas tornam presente no mundo a justiça do próprio Deus. Justiça para aqueles que são inúteis ou incômodos para uma estrutura de sociedade baseada na riqueza que explora e no poder que oprime. Os que buscam a justiça do Reino são os «pobres em espírito.» Sufocados no seu anseio pelos valores que a sociedade injusta rejeita, esses pobres estão profundamente convictos de que eles têm necessidade de Deus, pois só com Deus esses valores podem vigorar, surgindo assim uma nova sociedade.

Bíblia Sagrada - Edição Pastoral - Ed. Paulus