Festa de Santa Clara | Dia dos Pais - 11/08/2019

Festa de Santa Clara de Assis
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Dia dos Pais
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Pelo respeito à vida e à criação, contra toda e qualquer forma de violência - Julho/2019

Com efeito, há “propostas de internacionalização da Amazônia que só servem aos interesses econômicos das organizações internacionais”. É louvável a tarefa de organismos internacionais e organizações da sociedade civil que sensibilizam as populações e colaboram de forma crítica, inclusive utilizando legítimos mecanismos de pressão, para que cada governo cumpra o dever próprio e não delegável de preservar o meio ambiente e os recursos naturais de seu país, sem se vender a espúrios interesses locais ou internacionais.
(PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica Laudato Si’, 38).

São Paulo, 29 de julho de 2019.

Paz e Bem!

Na qualidade de filhos de São Francisco de Assis, inspirador principal do Santo Padre na elaboração da Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da Casa Comum, nós, Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil, da Ordem dos Frades Menores, sentimo-nos na obrigação de manifestar nosso pesar e nossa máxima preocupação no que diz respeito aos rumos quem têm sido dados à política ambiental em nosso país e seus nefastos resultados, presentes e vindouros.

Em primeiro lugar, somos solidários e fazemos coro a nossos irmãos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quando, pautados na exatidão de dados da ciência, advertem a sociedade e o governo sobre o avanço de 88% no desmatamento da Amazônia em relação ao ano passado. Às vésperas do Sínodo Pan-Amazônico, quando a Igreja Católica do mundo todo lança seu olhar sobre este território fundamental para a manutenção do equilíbrio do planeta, desejamos nos unir num grande alerta em favor da preservação deste bioma.

Também manifestamos irrestrita solidariedade aos povos indígenas, habitantes originários de nossas terras. Cada declaração infeliz que os desautorize ou menospreze sua luta por direitos legítimos e inalienáveis, cada gesto de violência e ódio contra eles desferido é um golpe fatal no coração da humanidade e na essência da proposta Evangélica de Jesus Cristo, de “vida, e vida plena, para todos” (Jo 10,10). Não podemos aceitar passivamente episódios como o assassinato do líder indígena Wajãpi, morto de forma violenta na última semana, no Amapá, e de muitos outros que vêm tombando de forma violenta pelo fato de lutarem por justiça.

Cada vez mais percebemos com clareza o discurso excludente, violento e dominador que dá origem às mais variadas formas de destruição, tanto da natureza em geral quanto da dignidade humana. Em total sintonia com os apelos do Papa Francisco, tanto na Encíclica Laudato Si’, quanto em seus muitos pronunciamentos, queremos conclamar à esperança ativa nossos confrades, os demais coparticipantes de nossa Missão Evangelizadora, a Família Franciscana e todos os irmãos e irmãs que acreditam na resistência pacífica como forma legítima e eficaz de transformação da realidade.

Com estima fraterna e na certeza de que não estamos a sós e contamos com a força de Deus,

Frei César Külkamp, OFM
Ministro Provincial
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Jesus, Marta e Maria - Lc 10,38-42 - 19/07/2019


O Direito de sentar-se

(*) José Antonio Pagola

Mais uma vez, Jesus aproxima-se de Betânia, uma aldeia próxima de Jerusalém, para hospedar-se na casa de uns irmãos muito amigos seus. Ao que parece, Ele o faz sempre que sobe para a capital. Estão em casa apenas as mulheres. As duas adotam posturas diferentes. Marta se queixa e Jesus pronuncia umas palavras que Lucas não quer que sejam esquecidas entre os seguidores de Jesus.

Marta é quem “recebe” Jesus e lhe oferece sua hospitalidade. Desde que Ele chegou desvela-se para atendê-lo. Isso nada tem de estranho. É a tarefa que cabe à mulher naquela sociedade. Esse é seu lugar e sua incumbência: fazer o pão, cozinhar, servir ao varão, lavar-lhe os pés, estar ao serviço de todos.

Enquanto isso, Sua irmã Maria permanece “sentada aos pés” de Jesus, em atitude própria de uma discípula que ouve atenta sua palavra, concentrada no essencial. A cena é estranha, porque a mulher não estava autorizada a ouvir como discípula os mestres da lei.

Quando Marta, sobrecarregada pelo trabalho, critica a indiferença de Jesus e pede ajuda, Jesus responde de maneira surpreendente. Nenhum varão judeu teria falado assim.

Ele não critica a Marta sua acolhida e seu serviço. Ao contrário, fala-lhe com simpatia, repetindo carinhosamente seu nome. Não duvida do valor e da importância daquilo que ela está fazendo. Mas não quer ver as mulheres absorvidas somente pelos afazeres da casa: “Marta, Marta, andas inquieta e nervosa com tantas coisas. Só uma coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada”.

A mulher não deve ficar reduzida às tarefas do lar. Ela tem direito a “sentar-se”, como os varões, para escutar a Palavra de Deus. O que Maria está fazendo corresponde à vontade do Pai. Jesus não quer ver as mulheres só trabalhando. Quer vê-las “sentadas”. Por isso, acolhê-as em seu grupo como discípulas, no mesmo plano e com os mesmos direitos que os varões.

Falta-nos muito, na Igreja e na sociedade, para olhar e tratar as mulheres como o fazia Jesus. Considerá-las como trabalhadoras ao serviço do varão não corresponde às exigências desse reino de Deus que Jesus entendia como um espaço sem dominação masculina.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia
 Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma 
e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém

"Vá, e faça a mesma coisa" - Lc 10,25-37 - 13/07/2019

(*) Frei Clarêncio Neotti, OFM

A lição de Jesus está em dizer que a misericórdia exige que se deixe de lado o bem-estar pessoal para socorrer um necessitado. Mas suponhamos que se insista na desculpa de não se poder tocar no defunto, para melhor servir a Deus no culto, observando a lei. 

É justamente nesse ponto que Jesus dá a grande lição: o irmão necessitado tem precedência, e, se não lhe dermos precedência, nossa oração será falha e errado será nosso culto. Em outra ocasião, Jesus foi ainda mais explícito, citando o profeta Oseias (Os 6,6): “Quero misericórdia e não sacrifícios” (Mt 9,13 e 12,7). Jesus referia-se aos sacrifícios dos animais no templo. 

A misericórdia tem precedência até mesmo sobre a obrigação da Missa dominical.

Observe-se que Jesus não menciona a nacionalidade ou a religião do infeliz que caiu na mão dos ladrões. Mas fica claro que quem fez a pergunta era um doutor da lei, judeu, portanto. 

E os judeus, sobretudo os do partido dos fariseus, restringiam muito os que podiam ser denominados próximo: eram só os familiares, os que tinham o mesmo sangue, os compatriotas observantes da Lei Mosaica, os pagãos que adotassem as leis, a fé e as tradições judaicas, desde que circuncidados. 

Ficavam expressamente excluídos os estrangeiros, os que trabalhavam para estrangeiros, os inimigos de qualquer espécie, a plebe ignorante, os que exerciam certas profissões que facilitavam a impureza legal – a pesca, o pastoreio, o curtimento de couros -, os pobres e os leprosos. A lição de Jesus é clara, nova e forte: a misericórdia não tem fronteiras religiosas, geográficas ou de sangue. 

A misericórdia não faz restrições. É obrigação de todos.

(*) FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.