Mensagem para o Natal, do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Fr. Michael A. Perry, OFM

Para ler a mensagem de Natal do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, ao qual o nosso Santuário está ligado, clique na imagem abaixo.
 
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A Boa Notícia! - 2° Domingo do Advento/2014 - Mc 1, 1-8

Deus se volta para nós, voltemos para Ele!

A Boa Notícia começa com um grande chamado à conversão (Mc 1,1-15; cf. Mt 3,1-17; Lc 3,1-22). Em que sentido a conversão é “boa notícia”? Conversão, na Bíblia, significa volta (como se faz uma conversão com o carro na estrada).

Conversão não é coisa trágica. Deus já voltou seu coração para nós; resta-nos voltar o nosso para ele.
Ao proclamar o batismo de conversão (evangelho), João Batista pressentia a proximidade de uma “entrada gloriosa” de Deus. Como símbolo da “volta” usava a água do rio Jordão, que lembrava a travessia do povo de Israel pelo Mar Vermelho e pelo rio Jordão, rumo à terra prometida. Reforçava sua mensagem repetindo o texto de Is 40,3: “Preparai uma estrada…”.

Vestia-se com um rude manto feito de pêlos de camelo e alimentava-se com a comida do deserto – mel silvestre e gafanhotos -, como o profeta Elias, o grande profeta da conversão, cuja volta se esperava (cf. Ml 3,1.23-24 e Eclo 48,10). Mas João ainda não é aquele que deve vir, apenas prepara a chegada deste, o “mais forte”, que virá “batizar com o Espírito Santo” (cf. a efusão do Espírito de Deus no tempo do Fim: Jl 3,1-2; Ez 36,27 etc).

Devemos sempre viver à espera dessa “entrada gloriosa”de Deus. Jesus veio e inaugurou o reinado de Deus, mas deixou a nós a tarefa de materializa-lo na História. Entretanto, Deus já coroou com a glória a vida dele e a obra que ele realizou: reunir as ovelhas como o pastor descrito por Isaías.

No tempo dos primeiros cristãos, muitos imaginavam que Jesus ia voltar em breve com a glória do céu, para arrematar essa obra iniciada. Depois de alguns decênios, porém, começaram a se cansar e a viver sem a perspectiva da chegada de Deus, caindo nos mesmos abusos que vemos hoje em torno de nós. Por isso foi necessário que a voz da Igreja lembrasse a voz dos profetas: Deus pode tardar, mas não desiste de seu projeto. Mil anos são para ele como um dia (2Pd 3,8), mas seu sonho, “um novo céu, uma nova terra, onde habitará a justiça”, fica de pé.

Não vivamos como os que não têm esperança. Não desprezemos o fato de Deus estar voltado para nós. Voltemos sempre a ele.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

"Vigiai!" - 1° Domingo do Advento/2014 - Mc 13,33-37

Vinde trazer-nos a Salvação

Iniciamos o tempo do Advento. A palavra Advento significa vinda, chegada. Deus vem ao nosso encontro para oferecer a salvação, isto é, a vida plena. A liturgia continua a temática da vigilância.

Não se trata de ficar preocupado, mas ocupado com toda boa obra. Nosso presente está em tensão permanente para a conclusão de nosso tempo. O fato de não sabermos a data do fim, é um estímulo a vivermos bem o tempo todo. É como diz o Evangelho: “Vigiai, porque não sabeis quando o dono da casa chegará… para que não suceda que, vindo de repente, ele vos entre dormindo… O que vos digo, digo a todos; Vigiai!” (Mc 13,35-37). A expectativa não bloqueia a vida, mas a enriquece. O tempo que nos é dado é tempo de salvação.

A frágil condição humana é uma súplica para que Deus venha nos restaurar. Lemos: “Ah! se rompesses os céus e descesses” (Is 63,19b). Em seu sofrimento, mesmo tendo consciência de seu pecado, o povo clama a Deus, pois só Ele pode reparar esse mal: “Tu te irritastes, porque pecamos”… “Todos nós nos tornamos imundícies, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento” (Is 64,4-5). Na profunda miséria clama por salvação e tem confiança: “Tu és nosso Pai, nosso redentor; eterno é teu nome” (Is 63,16b)… A confiança vem da certeza de sua benevolência: “Nunca se ouviu dizer… que um Deus, exceto Tu, tenha feito tanto pelos que Nele esperam” (Is 64,3). Deus cuida de nós como o oleiro de sua obra: “Somos barro; tu nosso oleiro, e nós todos, obras de tuas mãos” (7). A salvação só acontecerá se voltamos aos caminhos certos: “É nos caminhos de outrora que seremos salvos” (4). As más escolhas só se reparam com escolhas melhores.

Ricos em tudo

A liturgia nos ensina o sentido da vigilância a partir do que Deus nos oferece. A vida cristã não é tanto a conquista das riquezas de Deus, mas o acolhimento dos preciosos dons que oferece.

São maiores que nossa capacidade de vivê-los. Paulo lembra aos coríntios: “Dou graças a Deus a vosso respeito, por causa da graça que vos concedeu em Cristo” (1Cor 1,4). Esta graça é a palavra, o conhecimento e o testemunho de Cristo. E continua: “Não vos falta nenhum dom, vós que aguardais a revelação de Nosso Senhor. Ele também vos dará a perseverança em vosso procedimento irrepreensível” (1Cor 1,5.7-8).

A vigilância é viver intensamente o que recebemos. O momento final não é assustador. Éa hora da recompensa por termos participados da vida de Cristo e andado como Ele andou (1Jo 2,6). Participamos de seus sofrimentos, como disse aos discípulos: “Vós sois os que permanecestes comigo em minhas tentações; também Eu disponho para vós o Reino, como o meu Pai o dispôs para mim” (Lc 22,28-29).

Ele vem na fragilidade

É tempo de correr com as boas obras ao encontro de Cristo que vem (oração). Rezamos: “Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do Céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. Aprendemos a vigilância e nos preparamos para o Natal que vem. É uma vigilância ativa e não medrosa. Somos frágeis. Mas encontramos em Cristo não um Juiz perigoso, mas uma terna criança. Podemos dizer que é um poderoso Senhor com a simplicidade do pastor e o coração de uma criança. Frágeis mas fortes em Cristo.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, CSSR

VIVA CRISTO REI! 23/11/2014

http://franciscanos.org.br/?p=73057
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(fonte: www.franciscanos.org.br)

Parábola dos Talentos - 16/11/2014 - Mt 25,14-30

Trecho de uma audiência de 2013, na qual o Papa Francisco fala a respeito da Parábola dos Talentos e o que representa para nós, cristãos.

"...
A segunda parábola, dos talentos, faz-nos meditar sobre a relação entre o modo como usamos os dons recebidos de Deus e a sua vinda, quando nos perguntará como os utilizámos (cf. Mt 25, 14-30).

Conhecemos bem a parábola: antes de partir, o senhor confia a cada servo alguns talentos, a fim de que sejam usados bem durante a sua ausência. Ao primeiro dá cinco, ao segundo dois e ao terceiro um. No período de ausência, os primeiros dois servos multiplicam os seus talentos — trata-se de moedas antigas — enquanto o terceiro prefere enterrar o seu talento e restituí-lo intacto ao senhor.

Quando regressa, o senhor julga a acção deles: elogia os primeiros dois, enquanto o terceiro é expulso para as trevas, porque teve medo e manteve escondido o talento, fechando-se em si mesmo. O cristão que se fecha em si próprio, que esconde tudo o que o Senhor lhe deu é um cristão... não é cristão! É um cristão que não dá graças a Deus por tudo o que recebeu! Isto diz-nos que a espera da volta do Senhor é o tempo da ação — nós vivemos no tempo da ação — o tempo no qual frutificar os dons de Deus, não para nós mesmos mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar fazer crescer sempre o bem no mundo. E em particular, nesta época de crise, hoje é importante não nos fecharmos em nós mesmos, enterrando o nosso talento, as nossas riquezas espirituais, intelectuais e materiais, tudo o que o Senhor nos concedeu, mas abrir-nos, ser solidários e atentos ao próximo.

Vi que na praça há muitos jovens: é verdade? Há muitos jovens? Onde estão? A vós, que estais no início do caminho da vida, pergunto: pensastes nos talentos que Deus vos concedeu? Pensastes no modo como Não enterrai os talentos! Apostai em ideais grandes, nos ideais que ampliam o coração, nos ideais de serviço que fecundarão os vossos talentos. A vida não nos é concedida para que a conservemos ciosamente para nós mesmos, mas para que a doemos. Caros jovens, tende uma alma grande! Não tenhais medo de sonhar coisas grandes!..."

Papa Francisco
Vaticano, Praça de São Pedro, Quarta-feira, 24 de Abril de 2013