"...As coisas que saem de dentro da pessoa é que a tornam impura..." - Mc 7,1-8.14-15.21-23 - 30/08/2015

A melhor coisa, quando se corrompe, vira a pior.

Isso acontece com a Lei, dada por Deus a Israel mediante Moisés, quando deixada nas mãos de mestres que lhe desconhecem a intenção originária. A 1ª  leitura de hoje descreve muito bem o alto valor da Lei: um tesouro de sabedoria, que supera as leis e filosofias dos outros povos.

Diz direitinho o que é para fazer e para deixar. A Lei servirá para garantir a posse pacífica da Terra Prometida. E mais: servirá como um testemunho de Deus entre as nações, pois qual é o povo que tem um Deus tão sábio?

Esta última frase revela que essas palavras foram escritas, não no tempo de Moisés, mas no tempo em que Israel, novamente, vivia no meio das nações, no exílio babilônico. Para os judeus exilados, a “conversão” à prática da Lei seria o meio para voltar à Terra Prometida e, entretanto, já servia de testemunho entre as nações (cf. a vocação do Servo do Senhor a ser “luz das nações”, Is 42,6; também da situação do exílio).

Por isso, era importante observar a Lei da melhor maneira possível, sem nada tirar ou acrescentar, para não obscurecer a palavra divina por invenções humanas.

Para proteger a “árvore da vida”, que é a Lei, os escribas montaram ao redor dela a cerca de suas interpretações, tradições, jurisprudências etc. Querendo protegê-la, tomaram-na inacessível para o povo comum, e ainda a sufocaram na sua intenção principal, que é: ser a expressão do amor de Deus.

Para não cair no erro se proíbe uma série de outras coisas, porque “nunca se sabe … “. Traços disso existem ainda no judaísmo atual, onde a cozinha para a carne é separada da cozinha para as comidas com leite, pois poderia acontecer que, sem o saber, a gente cozinhasse carne numa panela com um restinho de leite do mesmo animal, e a Lei proíbe cozinhar um animal com seu leite …

O exagero se transformou em critério de boa conduta. Os fariseus inventaram que só os que observavam essas invenções exageradas eram realmente bons judeus. Os outros, que nem conheciam a Lei (e as suas interpretações), eram desprezíveis: os “ignorantes”.

Jesus escandaliza por seu comportamento (evangelho). Se ele fosse um verdadeiro “rabi”, ele deveria, em primeiro lugar, ver se as pessoas com quem lidava eram puras ou não. Pelo contrário: toca num leproso (Mc 2,41), deixa-se tocar por uma hemorrágica (5,27), presta ajuda a uma pagã (7,24-30).

Por trás da pergunta por que os discípulos de Jesus comem com as mãos “impuras” (não lavadas), está toda a crítica do farisaísmo à conduta global de Jesus. A resposta de Jesus é violenta: a religião dos fariseusé invenção humana, e não a vontade de Deus, o que ele demonstra com o exemplo dos votos feitos ao templo em detrimento dos próprios pais (7,8-13, infelizmente eliminado da perícope litúrgica). E mais: toda essa questão de puro e impuro é uma farsa, pois o que deve ser puro é o interior, do copo e da gente, não o exterior.

A podridão não é coisa de fora que entra na gente, como a comida, que sai novamente e vai à fossa (16-20, suprimido na liturgia!). A podridão está no coração da gente! Assim, Jesus não apenas declara todo alimento puro (19b), restituindo a criação de Deus, que fez as coisas boas (cf. At 10,15), mas ainda ensina ao homem olhar para dentro do próprio coração.

Jesus aqui demonstra espantosa liberdade face às tradições humanas, considerado o ambiente rígido em que vivia: o judaísmo lutando contra as influências estrangeiras, procurando conservar sua identidade, mediante a (exagerada) observância da Lei. Aos olhos dos “bons”, Jesus estava destruindo o povo de Deus. Coisa semelhante acontece hoje. Os que procuram garantir a “identidade”, não apenas dos cristãos, mas da “civilização cristã ocidental”, não admitem nenhum comportamento divergente das normas tradicionais que garantiram sucesso à cristandade.

E, contudo, para “restituir a Lei a Deus”, para fazer com que ela seja expressão do amor de Deus, talvez seja preciso me­xer com as tradições esclerosadas e com as estruturas sociais que sustentaram a cristan­dade tradicional juntamente com seu maior inimigo, a sociedade do lucro individual e do ateísmo prático.

O cristão deve sempre ter claro que só a Lei de Deus é intocável; as interpretações humanas, por necessárias que forem, não. Por isso, Jesus reduziu a Lei de Deus ao es­sencial: amor a Deus e ao próximo (nem mesmo o sábado sobrou no seu “resumo” … ). Quando nossas interpretações contrariam a causa de Deus, que é a causa do homem, estamos no caminho errado, no caminho dos fariseus.

E, por falar em vontade de Deus, não basta escutar sua formulação na Lei; é preci­so executá-la. Verdadeira religião não é doutrina, mas amor prático, para com os mais humildes em primeiro lugar; é o que nos ensina a 2ª leitura, de Tiago.

Do livro Liturgia Dominical, Johan Konings, SJ.. Editora Vozes
fonte: www.franciscanos.org.br

"Palavra dura de escutar"-Jo 6,60-69-23/08/2015

A opção por Cristo não um peso, mas uma libertação.

É uma escolha que exige deixar os muitos deuses. Josué continua na disposição de servir o Senhor.

Ao escolher Jesus, os discípulos são desafiados a um novo modo de vida a partir de Jesus. Isso exige fé e entrega. No ensinamento sobre o Pão da Vida, muitos dos discípulos que O escutaram disseram: “Esta Palavra é dura! Quem pode escutá-la?” O sentido dessa palavra (dabar), em hebraico, significa duro de compreender e de escutar.

É dura porque envolve ver e praticar. Era abominável para o judeu beber sangue e comer a carne de alguém. Em segundo, como aceitar que um homem como nós se põe como Deus? Vemos na prática que os cristãos mantêm a recusa dessas palavras duras e não se aproximam da Eucaristia. Pior, é tomar a Eucaristia sem perceber sua intensidade espiritual e a conseqüência humana.

Se eles se escandalizaram com o discurso do Pão da Vida, mais ainda se escandalizarão quando Jesus subir ao Céu. Como um homem pode ir ao Céu glorificado?  Jesus responde a esses questionamentos apresentando que o que se refere a Deus, somente se entende a partir do Espírito Santo. Afirma: “O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada” (Jo 6,63).

Somente o Espírito pode fazer-nos compreender que a Eucaristia, pão e vinho consagrados, são o Corpo e Sangue do Senhor Jesus em seu Mistério Pascal de vida, morte e ressurreição. Por isso Jesus ensina: “As palavras que digo são espírito e vida” (63). Ninguém pode vir a mim, a não ser que lhe seja concedido pelo Pai (65).
Até entre os discípulos mais próximos, os apóstolos, há os que não acreditavam apesar de tudo o que Jesus demonstrara.

Tu és o Santo de Deus

Ao ver que muitos se afastavam Dele, pergunta aos discípulos: “Vós também não quereis ir embora?” (67). Em nome de todos Pedro responde: “A quem iremos, Senhor? Só Tu tens palavras de vida eterna.

Nós cremos firmemente e reconhecemos que Tu és o Santo de Deus” (Jo 6,68-69). É a entrega de fé. É a resposta a todo o mistério da Eucaristia. Assim foram também as palavras de Josué: “Nós serviremos ao Senhor porque Ele é nosso Deus” (Js 24,18b) 

Nós imploramos para dar a mesma resposta: “Dai ao vosso povo amar o que ordenais e esperar o que prometeis, para que, na instabilidade deste mundo fixemos nossos corações onde se encontram as verdadeiras alegrias”.

Deus não obriga a servi-Lo como diz Josué: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia ou aos deuses dos amorreus?” (Js 24,15).

Nosso Deus faz hoje a mesma pergunta não impondo, mas propondo um caminho. Atualmente vemos que muitos se afastam de Jesus como os discípulos e preferem se entregar a ideologias e aos muitos deuses que a sociedade fabrica.

Fruto da Eucaristia no amor

Reconhecemos que a Eucaristia tem uma força transformante: “Fazei agir em nós o sacramento do vosso amor, e transformai-nos de tal modo pela vossa graça que em tudo possamos agradar-Vos” (Pós comunhão).

Não basta receber a Eucaristia. É preciso coerência. Sem isso ela perde o sentido. Não basta por a santa Hóstia na boca, é preciso guardá-la no coração. Paulo, na Carta aos Efésios, orienta a vida dos casais para viver no amor como Cristo Se doa à Igreja e dela recebe a entrega total.

Família nasce da Eucaristia, pois não há amor matrimonial que não seja continuação do amor de Cristo. Como Cristo é um com a Igreja, o casal é unidade espiritual e carnal. São espelho do amor de Deus.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira

Festa de Nossa Senhora da Assunção - 16/08/2015

A mulher toda gloriosa

Frei Almir Guimarães

Estamos acostumados a ver Maria mais vestida com trajes esplendorosos, cercada de anjos, com auréola dourada, quase sempre representada como uma habitante das alturas do que uma mulher da terra dos homens. Compreende-se. Ela é a Senhora da Glória.

Vale a pena ler esse texto de Pio XII na declaração do dogma da Assunção: “Desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e consequências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa de seus privilégios”. Assim, ela é a Senhora da Glória.

Necessário, no entanto, contemplar a singeleza humana dessa mulher ímpar que temos a alegria de chamar de nossa Mãe.

Uma mocinha de um canto perdido da Palestina, uma moça que fora criada na fé de seus pais e que deve ter tido forte influência da espiritualidade de Abraão, uma mulher que estava acostumada a olhar as nuvens dos céus que deveriam chover o Justo.

Dela se aproxima a força do Altíssimo, o Senhor chega na singeleza dessa Maria de Nazaré. Pede-lhe assentimento e quer associá-la ao seu desejo de mostrar aos homens seu amor através do Filho. Maria é escolhida para ser Mãe daquele que se tornou a luz do mundo, o pastor das ovelhas desgarradas, o transformador de nossa vida banal em vida plena. Essa mocinha dá seu assentimento.

Cuida do menino, vê o menino crescer, busca-o no templo, pede que ele seja razoável em suas afirmações porque pode morrer, está a seu lado em todos os momentos, sempre levando todas as coisas para o fundo do coração, sempre reiterando o sim do começo, corroborado de modo especial na hora da cruz quando a mãe ouve o Filho pronunciar a palavra do salmo: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”. Mulher, simplesmente mulher, mulher mãe, mulher das coisas de todos os dias, mulher fiel… Mãe do Menino e Mãe de Deus.

E assim a Assunção de Maria é o dia glorioso em que ela foi elevada ao céu. Novamente Pio XI, na declaração do dogma: “Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita de seu Filho, o imortal rei dos séculos”.

“Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois, preservastes da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável vosso próprio Filho feito homem, autor de toda a vida” (Prefácio da Assunção de Maria).

(fonte: www.franciscanos.org.br)

Dia dos Pais - 09/08/2015

Dia dos Pais/2015 

Oração pelos Pais

Venho hoje a Ti, Senhor, pedir que estenda Tuas Mãos Divinas sobre todos os Pais, abençoando-os.

Abençoa, Senhor, o Pai amigo e companheiro, o Pai sempre presente, que oferece o colo e estende a mão, mas  também o Pai ausente colocando todo Teu Amor em seu coração.

Abençoa, Senhor, o Pai que hoje recebe o abraço de seus filhos e o Pai que chora a ausência do filho que partiu para Teus braços. Dai-lhe o consolo da mansa saudade e enxuga, com Teu Divino Manto, as lágrimas que vertem de seus olhos.

Estenda, Senhor, Tuas mãos de Amor sobre todos os Pais, concedendo a eles os dons da paciência, compreensão, tranqüilidade, ternura, justiça, fé na vida  e em seus filhos, e Amor, muito Amor, para que cada filho seja, para seu pai, um pai, e para que cada pai seja, para seu filho, um filho.

E aos filhos, cujos Pais estão junto a Ti, dai a Fé e o entendimento de que os Pais  nunca vão embora... Eles apenas mudam de lugar...

Amém. FELIZ DIA DOS PAIS.

Festa da Porciúncula - 02 de agosto de 2015

Clique na imagem abaixo para acessar o conteúdo sobre a Festa de Nossa Senhora dos Anjos (também chamada de Porciúncula). Preparado por Por Frei Régis Daher, OFM.
http://www.franciscanos.org.br/?p=19242