Solenidade de S. Pedro e S. Paulo - Mt 16, 13-19 - 01/07/2018


SÓ JESUS EDIFICA A IGREJA

O episódio tem lugar na região pagã de Cesareia de Filipe. Jesus se interessa por saber aquilo que se diz entre o povo sobre a sua pessoa. Depois de conhecer diversas opiniões que existem no povo, dirige-se diretamente aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que eu sou?».

Jesus não lhes pergunta o que eles pensam sobre o sermão da montanha ou sobre sua atuação curadora nos povoados da Galileia. Para seguir Jesus o decisivo é a adesão à sua pessoa. Por isso, quer saber o que captam nele.

Simão toma a palavra em nome de todos e responde de maneira solene: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Jesus não é um profeta a mais entre os outros. É o último Enviado de Deus ao seu povo eleito. Mais ainda, é o Filho do Deus vivo. Então Jesus, depois de felicitá-lo porque esta confissão somente pode provir do Pai, lhe diz: «Agora eu te digo: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja».

As palavras são muito precisas. A Igreja não é de Pedro, mas de Jesus. Quem edifica a Igreja não é Pedro, mas Jesus. Pedro é simplesmente «a pedra» sobre a qual se assenta «a casa» que está construindo Jesus. A imagem sugere que a tarefa de Pedro é dar estabilidade e consistência à Igreja: cuidar para que Jesus a possa construir, sem que seus seguidores introduzam desvios e reduções.

O Papa Francisco sabe muito bem que sua tarefa não é «fazer as vezes de Cristo», mas cuidar para que os cristãos de hoje se encontrem com Cristo. Esta é sua maior preocupação. Desde o começo de seu serviço como sucessor de Pedro dizia assim: «A Igreja deve levar a Jesus. Este é o centro da Igreja. Se alguma vez acontecer da Igreja não levar a Jesus, será uma Igreja morta».

Por isso, ao tornar público seu programa de uma nova etapa evangelizadora, Francisco propõe dois grandes objetivos. Em primeiro lugar, encontrarmo-nos com Jesus, pois «ele pode, com sua novidade, renovar nossa vida e nossas comunidades... Jesus Cristo pode também romper os esquemas aborrecidos nos quais pretendemos fechá-lo».

Em segundo lugar, considera decisivo «voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, pois, sempre que o fazemos, brotam novos caminhos, métodos criativos, sinais mais eloquentes, palavras carregadas de renovado significado para o mundo atual». Seria lamentável que o convite do Papa para impulsionar a renovação da Igreja não chegasse até os cristãos de nossas comunidades.

OUVIR O OUTRO

Para crescer na fé não basta ler livros sobre temas religiosos nem escutar as palavras e discursos que
pronunciam outros que creem, ainda que estes sejam eclesiásticos [padres, frades, monges, bispos etc.] de prestígio.

O importante é saber escutar, como Pedro, o que nos revela interiormente não alguém de carne e osso, mas o Pai que está no céu e no íntimo de nós mesmos.

Escutar Deus sempre é um dom, algo que nos é presenteado gratuitamente, porém, ao mesmo tempo, é algo que deve ser recebido e preparado por nós.

A nós se pede para removermos os obstáculos que nos impedem de estar atentos e em silêncio. Descermos ao fundo de nós mesmos e da vida. Superar a dispersão e a superficialidade. Consequentemente, deixar que em nosso interior «aconteça algo».

Porém, isto é possível alimentando-nos, exclusivamente, por jornais, rádio ou televisão que não nos permitem escutar em nós outra voz que não seja aquela do ruído dos acontecimentos diários?

Isto é possível quando vivemos ocupados por essa atividade tão absorvente, a qual é o meio mais eficaz, na realidade, para esquecermos quem nós somos, o que buscamos e para onde caminhamos?

Cada vez há mais coisas que temos de fazer e os compromissos que temos de atender. Talvez nos programamos inconscientemente assim com a oculta intenção de carecer de tempo para pararmos.

Vivemos guiados por um slogan verdadeiramente perigoso: «Apresse-se», o que, no fundo, quer dizer «não penses», «não escutes», «viva atordoado», «fuja fora de si mesmo».

Consciente desta nossa vida tão agitada e atropelada, atrevo-me, no entanto, a recolher aqui o convite tão conhecido de Santo Anselmo em seu Proslogion porque o considero de total atualidade.

Alguns lerão estas frases apressadamente e terão a impressão de que as entendeu porque compreendeu a conexão entre umas palavras e outras.

Entretanto, somente entenderá essas palavras quem ler nelas um convite a viver em sua própria experiência o que essas palavras sugerem:

«Olá, homem, deixa por um momento tuas ocupações habituais;
entra por um instante em ti mesmo, longe do tumulto de teus pensamentos.
Joga para fora de ti as preocupações opressoras;
afasta de ti tuas inquietações trabalhosas.
Dedica algum tempo para Deus
e descansa ao menos um momento em Sua presença.
Entra no aposento de tua alma;
exclui tudo, exceto Deus e o que possa ajudar-te a buscá-Lo;
e assim, fechadas todas as portas, vai atrás d’Ele.
Diz a Deus: Busco o Teu rosto; Senhor, anseio por ver o Teu rosto».

Padre José Pagola

Traduzido do espanhol por Padre Telmo José Amaral de Figueiredo.
(fonte: http://padretelmofigueiredo.blogspot.com)

As festas de Junho

Efervescência cultural em torno das festas juninas revela a criatividade popular, que transforma o penar do dia a dia em festa, agregando valor à vida e sentido para a história.
Por Felipe Magalhães Francisco*

(Clique nos links que estão no artigo para acessá-los)
Em nossas tradições populares, as que se dão no mês de junho são as mais esperadas. Trata-se de ocasião bastante diversa da do carnaval e também de outras festas de cunho mais religioso, tal como o natal e a páscoa. A efervescência cultural em torno das festas juninas revela a criatividade popular, que transforma o penar do dia a dia em festa, agregando valor à vida e sentido para a história. Revela, também, a flexibilidade com a qual as pessoas vivem a própria fé.
Essa flexibilidade é própria da religiosidade popular, que lida com a dimensão oficial e tradicional da fé de maneira livre e criativa. A religiosidade popular é a maneira que o povo encontrou para viver a própria fé, de maneira não tutelada pela hierarquia religiosa, criando seus próprios mitos e narrativas, símbolos e ritos, de modo inter-religioso e sincrético. As festas juninas são o sinal mais vivo dessa forma criativa de viver a fé, que está iminentemente ligado à alegria, à superação das dificuldades diárias e à esperança. Exemplo disso são as tão iminentemente tradições religiosas ligadas à devoção a Santo Antônio e a São João, sobretudo, nesse período junino.
Refletindo sobre A religiosidade das festas juninas: tradição na modernidade, Alex Kiefer da Silva nos propõe o primeiro artigo de nossa matéria especial. No texto, o autor remonta às origens das festividades próprias deste período que marcam o solstício de verão, no hemisfério norte, e o solstício de inverno, no hemisfério sul, lendo-as em seu caráter religioso, bem como sua ressignificação cristã. Trazidas para o Brasil, essas festividades ganharam nova luz. Na modernidade, tal luz vem acompanhada de novos sentidos, que também contribuem para a mediação entre os sujeitos religiosos e o Sagrado.
Numa leitura propriamente cristã da religiosidade popular, temos o artigo: A piedade popular e os santos do mês de junho, de Rodrigo Ferreira, no qual nos aponta o valor da piedade popular, como força criativa e mantenedora da fé. No texto, o autor reflete a piedade popular, para além de sua origem junto ao povo, bem como sua recepção por meio de documentos oficiais da religião instituída.
 Fazendo uma leitura fenomenológica das festas juninas, temos o artigo Amores e quermesses juninas. No artigo, Rodrigo Ladeira reflete sobre as festas, em seu caráter de acontecimento. Elas retomam o específico do cristianismo, que é celebração de encontro de amor e alegria. O artigo-convite retoma elementos importantes dessas tradições populares, trazendo à luz seus significados e inspirações.
Boa leitura!
*Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião deste portal. É autor do livro de poemas Imprevisto (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com. (fonte: domtotal.com)

Dia de Portugal/2018

Nona edição da maior festa da comunidade portuguesa na região ocorrerá no Largo Marquês de Monte Alegre, em frente ao Santuário Santo Antonio do Valongo.

A comunidade do Santuário sente-se honrada por poder compartilhar da alegria da Colônia Portuguesa, não somente pelos laços que unem os dois povos como também a origem de nosso Padroeiro: Santo Antonio.

Santo Antonio de Lisboa e de Pádua

O nome original de Santo Antônio era Fernando de Bulhões. Ele nasceu em 1195, em Lisboa, numa família nobre e rica. Educado em Coimbra, tornou-se membro da Ordem de Santo Agostinho e foi ordenado sacerdote aos 25 anos. Desejoso de conhecer Francisco de Assis foi à Itália. Daí em diante, convidado por São Francisco a lecionar Teologia aos frades, o Santo permanece na Itália até falecer, em Pádua, em  13 de junho de 1231.

Participação do Santuário

Além da Missa Campal, que será celebrada às 9h00, em frente ao Santuário, também estaremos juntos com a colonia portuguesa e todo o público presente ao evento. Para isso, o Santuário permanecerá aberto durante todo o dia e nossa Quermesse funcionará normalmente.


A Festa

Um dia repleto de sons, cheiros, cores e tradições. Assim pode ser descrito o Dia de Portugal, que será realizado em 10 de junho (domingo). O evento está em sua nona edição e já se consolidou como a maior festa da comunidade portuguesa na região, atraindo milhares de pessoas todos os anos. A festa será no Largo Marquês de Monte Alegre, no Centro Histórico de Santos, das 9 às 18 horas. Haverá apresentações de fadistas, grupos musicais e ranchos folclóricos, além de artesanato, comidas típicas, os tradicionais e deliciosos doces portugueses e sorteios de brindes.
Clique para ver a Programação da Festa
O evento, que é voltado para a comunidade portuguesa e os moradores da região, costuma atrair de três mil a cinco mil pessoas a cada edição. Famílias inteiras tingem de verde e vermelho o Centro Histórico da Cidade, ao lado do Santuário do Valongo e do Museu Pelé. A programação cultural terá várias apresentações. Fadistas, grupos musicais e ranchos folclóricos ligados à Portugal levarão ao palco modas cantadas e bailadas de diversas regiões de Portugal, com trajes genuínos e utensílios típicos. Uma oportunidade para portugueses, descendentes, santistas e turistas, que poderão conhecer melhor ou simplesmente matar saudade da rica cultura lusitana (clique programação, abaixo). Mais do que uma ótima opção de lazer para crianças, jovens, adultos e idosos, o Dia de Portugal visa resgatar a cultura portuguesa na Baixada Santista e valorizar a forte influência lusitana na formação do povo e da cultura santista. A fim de movimentar ainda mais o Centro Histórico e contribuir com a festa, restaurantes do entorno estarão abertos, servindo pratos típicos da culinária portuguesa.


Artesanato e comida

Durante todo o dia, quem quiser conhecer um pouco mais da cultura lusitana poderá visitar as tendas com artesanatos. Como nas edições anteriores, também estarão lá os famosos trabalhos manuais das Bordadeiras do Morro São Bento, que perpetuam em Santos a arte secular da Ilha da Madeira. Sucesso de crítica e público, os tradicionais pratos típicos da culinária portuguesa também estarão à venda. Quem comprar, além de se deliciar com receitas doces e salgadas, ainda estará ajudando a Escola Portuguesa, que atende crianças carentes, e que receberá a renda obtida durante a festa. Aqueles que quiserem guardar uma lembrança do evento também poderão comprar camisetas, canecas e chaveiros com a logomarca do Dia de Portugal. E, como sempre, para que todos entrem no clima da festa e a colaborem para a deixar ainda mais bonita, os organizadores sugerem ao público que vá vestido com adereços ou roupas que lembrem as cores de Portugal.


Apresentações

A programação terá início às 9 horas, com missa campal em frente Santuário Santo Antônio do Valongo. Às 10 horas, haverá apresentação do Orfeão do Centro Cultural Português, seguida pela solenidade de abertura, às 10h30, com autoridades locais e representantes de entidades da comunidade portuguesa. As apresentações musicais terão início em seguida, às 11 horas, e seguirão até as 18 horas. A 9ª Edição do Dia de Portugal é uma realização do Consulado Honorário de Portugal em Santos e do Conselho das Comunidades Portuguesas, com o apoio da Prefeitura de Santos.