Domingo da Santíssima Trindade/2016

Domingo da Santíssima Trindade. Reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM
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01 de maio - Dia do Trabalhador - Dia de São José Operário

São José Operário

Cardeal Orani Tempesta
No dia 1º de maio, Dia de São José Operário, comemoramos o Dia do Trabalhador. São João Paulo II, em sua encíclica sobre o trabalho humano — Laborem exercens —, recordou com muita clareza que a Igreja é a favor da luta pela justiça. Com efeito, pregando o respeito pelos direitos humanos, a Igreja não pode deixar de se engajar, a seu modo, repudiando os métodos violentos, numa luta pela justiça. Assim faz a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –, assim cada batizado é chamado a fazer. E é o que cada um é chamado a fazer em nome do Evangelho de Jesus Cristo.

Para celebrar este dia, de modo próprio, a Igreja, pela ação do Romano Pontífice Pio XII, introduziu a Festa de São José Operário. A solenidade do Pai Adotivo de Jesus ocorre no dia 19 de março, quando ele é focalizado como Padroeiro da Igreja e dos Agonizantes (da Igreja, que é o Corpo de Cristo, de quem ele foi na Terra o Pai de Criação; e dos Agonizantes, porque São José teve na hora de sua morte a presença de Cristo e de Maria).

A 1º de maio nos é apresentado o Homem do Trabalho, pobre, que ganhou o pão de cada dia com o suor de seu rosto. O exemplo de São José é contemplado pelo do próprio Jesus, que até os 30 anos de idade trabalhou também como operário.

A Igreja ensina a dignidade do trabalho humano, qualquer que ele seja. Cristo dignificou o trabalho por seu exemplo. São Paulo nos fala, na Carta aos Tessalonicenses , que quem não trabalha não deve comer, enunciando assim uma obrigatoriedade do trabalho.

Sinteticamente podemos dizer que o pensar da Igreja acerca do trabalho consiste em que o trabalho dignifica o homem e deve aperfeiçoá-lo e deve ser uma contribuição para a sociedade. Quem trabalha se realiza, constrói a sociedade e presta um serviço aos irmãos e irmãs. Existem, porém, os que exploram seus semelhantes formando uma sociedade injusta e perversa. Além disso, existem as situações de “trabalho escravo”, ainda hoje, que tiram toda a beleza da dignidade humana.

Portanto, ao lado de tanta beleza da importância do trabalho não podemos nos esquecer das situações injustas. E neste tempo, especificamente em nosso país, o grande número de desempregados, que não têm como sustentar sua família devido à situação de crise nacional.

Toda sociedade e nosso Brasil dependerá de se integrar à dignidade do trabalho ou não na ‘civilização do trabalho’, como dizia Alceu Amoroso Lima. Afinal, o trabalho é a base da sociedade, pois o trabalho não é apenas uma condição de sobrevivência, mas uma forma necessária de realização da personalidade.

O Santo Padre, o Papa Francisco, nos convida neste Ano Santo Jubilar da Misericórdia a vivermos gestos concretos de compaixão. Precisamos viver a solidariedade e promover a geração de emprego e renda.

Lembra o Papa Francisco, profeticamente, que: “Eu gostaria de estender a todos o convite à solidariedade e, aos chefes do setor público, convidá-los ao encorajamento, a fazer de tudo para dar um novo impulso ao emprego; isso significa se preocupar com a dignidade da pessoa, mas, acima de tudo, vos exorto a não perderem a esperança; São José também teve momentos difíceis, mas nunca perdeu a confiança e soube superá-los, na certeza de que Deus não nos abandona.

E agora gostaria de falar especialmente a vocês, meninos e meninas, a vocês jovens: se esforcem em suas tarefas diárias, no estudo, no trabalho, nas relações de amizade, contribuindo com os outros, o vosso futuro também depende de como vocês vão viver esses preciosos anos de vida. Não tenham medo do compromisso, do sacrifício e não olhem para o futuro com medo, mantenham viva a esperança: há sempre uma luz no horizonte ”.

Reflitamos sobre a dignidade do trabalho humano, consagrado pelo exemplo de São José Operário e do próprio Cristo, e nos preparemos para a luta pela justiça social! A luta pela justiça, na qual todos nós devemos estar empenhados, sem deixar de ser luta, não é uma luta contra os outros. Que São José interceda por todos os trabalhadores e por aqueles que ainda não têm um trabalho, mas buscam sem cansar para suster a dignidade humana.

Nestes tempos de tantos obstáculos, a solidariedade entre os cristãos deve ser concretizada em gestos que ajudem a minimizar as dificuldades dos desempregados, a luta pela melhoria do país para que volte a ter emprego para seus filhos, a busca de dignidade do trabalho para todos. Este Dia do Trabalhador, de modo especial, nos empenha seriamente em um tempo de compromisso sério com a dignidade do trabalho e na luta pela justiça social.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito - Jo 14,23-29 - 01/05/2016

No 5º Domingo da Páscoa ouvimos que a essência da vida cristã está no mandamento do amor. A medida para vivermos o amor fraterno é o exemplo de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Vimos que este é o testamento de Jesus aos seus discípulos, antes de morrer. No Evangelho de hoje Jesus continua falando do amor, enquanto nos une a Cristo, ao Pai e ao Espírito Santo. Isto é, enquanto estamos mergulhados no mistério da Santíssima Trindade.

Da parte de Deus este amor é gratuito, é fiel. De nossa parte exige guardar sua palavra, isto é, colocar em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou. Quando observamos o mandamento do amor a exemplo de Jesus somos introduzidos na família divina: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…”.

Depois da última ceia estava para se cumprir a “exaltação” de Jesus, isto é, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu (próximo domingo). Por isso Jesus fala do Espírito Santo, “que o Pai enviará em meu nome”. Cristo Jesus continuará a nos ensinar pelo Espírito Santo: “Ele vos ensinará e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Recordará e ensinará sempre de novo o mandamento do amor, legado por Jesus.

A paz que Jesus nos deixa vem da fé: Quando vivemos o amor a exemplo de Jesus, tornamo-nos a morada da Santíssima Trindade: “… meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Deus vem morar conosco para que nós possamos viver para sempre em sua companhia (2ª leitura). A escuta e a prática do mandamento do amor, nos coloca em comunhão com Deus, já na vida presente.

Que o Espírito Santo, enviado a nós pelo Pai em nome de seu Filho Jesus, nos recorde sempre o mandamento do amor. Ensine-nos a descobrir quem é o nosso próximo, a quem devemos servir e amar como Cristo nos amou.

Frei Ludovico Garmus, ofm
(fonte: www.franciscanos.org.br)

"Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros" - Jo 13,31-33a.34-35 - 24/04/2016


Um Mandamento novo para um mundo novo

Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis, que sempre de novo inflamam por baixo das brasas. Populações africanas que se apagam pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio das crianças meninas na China. Violência em nossos bairros, corrupção em nossas instituições. E mesmo na Igreja …

Existe alguém que possa dar um rumo a este mundo? A resposta é: você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor: com vocês, como comunidade. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” – isto é, até o fim, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o evangelho de hoje.

Não há governo ou poder que nos possa eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida, o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado, que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente como Jesus nos tem amado, o mundo vai mudar. Por que, então, depois de dois mil anos de cristianismo, o mundo está tão ruim assim? A este respeito podem-se fazer diversas perguntas, por exemplo: Será que os homens se têm amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria o mundo se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior ainda?

É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade ec1esial deve transformar-se em amor, irradiando um mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos. Ao invés de ver somente o lado ruim da Igreja – talvez porque nosso olho é ruim -, vamos tratar de ver a Igreja como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que aos poucos vai sentindo quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar aos nossos irmãos, não em palavras, mas com ações e de verdade.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

(fonte: http://www.franciscanos.org.br)