"... o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. - 08/10/2017 - Mateus 21,33-43

O texto abaixo, do sacerdote espanhol Jose Antonio Pagola, é a reflexão sobre a Parábola dos Vinhateiros Homicidas, deste Domingo (08/10).
É uma reflexão longa, dura, mas necessária.
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A parábola dos vinhateiros homicidas é um relato no qual Jesus vai mostrando, com toques alegóricos, a história de Deus com seu povo eleito. É uma história triste. Deus havia cuidado do povo, desde o princípio, com todo carinho. Era sua vinha preferida.

Esperava fazer deles um povo exemplar por sua justiça e sua fidelidade. Seriam uma grande luz para todos os povos.

No entanto, aquele povo foi rejeitando e matando, um depois do outro, os profetas que Deus lhes ia enviando para recolher os frutos da uma vida justa. Finalmente, num gesto de incrível amor, enviou-lhes o seu próprio Filho. Porém, os dirigentes daquele povo acabaram com Ele. O que Deus pode fazer com um povo que decepciona de modo tão cego e obstinado suas expectativas?

Os dirigentes religiosos que estão escutando, atentamente, o relato respondem espontaneamente nos mesmos termos da parábola: o senhor da vinha não pode fazer outra coisa a não ser matar aqueles lavradores e colocar a sua vinha nas mãos de outros. Jesus tira, rapidamente, uma conclusão que não esperam: “Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

Comentaristas e pregadores interpretaram, frequentemente, a parábola de Jesus como a confirmação da Igreja cristã como sendo o novo Israel em seguida ao povo judeu que, depois da destruição de Jerusalém no ano setenta, dispersou-se por todo o mundo.

Entretanto, a parábola está falando também de nós. Uma leitura honesta do texto nos obriga a fazer-nos graves perguntas: Estamos produzindo, em nossos tempos, os frutos que Deus espera de seu povo: justiça para os excluídos, solidariedade, compaixão para o que sofre, perdão...?

Deus não tem porque abençoar um cristianismo estéril do qual não recebe os frutos que espera. Não tem porque identificar-se com nossa mediocridade, nossas incoerências, desvios e pouca fidelidade. Caso não correspondamos às suas expectativas, Deus seguirá abrindo caminhos novos ao seu projeto de salvação com outras pessoas que produzam frutos de justiça.

Nós falamos de crise religiosa, de descristianização, de abandono da prática religiosa... Não estará Deus preparando o caminho que torne possível o nascimento de uma Igreja mais fiel ao projeto do Reino de Deus? Não é necessária esta crise para que nasça uma Igreja menos poderosa, porém mais evangélica; menos numerosa, porém mais empenhada em construir um mundo mais humano? Não virão gerações mais fiéis a Deus?

DURA CRÍTICA AOS DIRIGENTES RELIGIOSOS

A parábola dos “vinhateiros homicidas” é, sem dúvida, a mais dura que Jesus pronunciou contra os dirigentes religiosos de seu povo. Não é fácil remontar ao relato original, porém, provavelmente, não era muito diferente daquele que podemos ler hoje na tradição evangélica.

Os protagonistas de maior relevo são, com certeza, os lavradores encarregados de trabalhar na vinha. Sua atuação é sinistra. Não se parecem, absolutamente, com o dono que cuida da vinha com solicitude e amor para que não careça de nada.

Não aceitam o senhor ao qual pertence a vinha. Querem ser os únicos donos. Eles vão eliminando, um atrás do outro, os servos que ele lhes envie com paciência incrível. Não respeitam nem a seu filho. Quando chega, “jogam-no para fora da vinha” e o matam. Sua única obsessão é “ficar com a herança”.

O que pode fazer o dono? Acabar com estes vinhateiros e entregar a vinha a outros “que lhe deem os frutos”. A conclusão de Jesus é trágica: “Eu vos asseguro que o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

A partir da destruição de Jerusalém no ano 70, a parábola foi lida como uma confirmação de que a Igreja havia sucedido a Israel, porém nunca foi interpretada como se no “novo Israel” estivesse garantida a fidelidade ao dono da vinha.

O Reino de Deus não é da Igreja. Não pertence à hierarquia. Não é propriedade destes ou daqueles teólogos. Seu único dono é o Pai. Ninguém deve sentir-se proprietário nem de sua verdade nem de seu espírito. O Reino de Deus está no “povo que produz seus frutos” de justiça, compaixão e defesa dos últimos.

A maior tragédia que pode acontecer ao cristianismo de hoje e de sempre é matar a voz dos profetas, é os sumos sacerdotes se sentirem donos da “vinha do Senhor” e que, entre todos, se deixe o Filho “fora”, sufocando seu Espírito.

Se a Igreja não corresponde às esperanças que nela o Senhor depositou, Deus abrirá novos caminhos de salvação em povos que produzam frutos.

Cabe aqui uma reflexão de Luis Espinal, sacerdote jesuíta, assassinado em 1980 na Bolívia. Ele diz assim:

“Passam os anos e, ao olhar para trás, vemos que nossa vida foi estéril.
Não passamos por ela fazendo o bem.
Não melhoramos o mundo que nos deixaram.
Não vamos deixar rastros.
Fomos prudentes e cuidamos de nós.
Porém, para quê?
Nosso único ideal não pode ser atingir a velhice.
Estamos sufocando a vida por egoísmo, por covardia.
Seria terrível desperdiçar esse tesouro de amor que Deus nos deu”.

"...vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele" - Mt 21,28-32 - 01/10/2017

“Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele.”

No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para cumprir a vontade do Pai do Céu. O Decisivo não são as palavras, promessas e orações, mas os fatos e a vida do cotidiano. 

Pois, diante de Deus, o importante não é “falar”, mas “fazer”. Neste caminho que percorremos, vão na frente não aqueles que fazem solenes profissões de fé, que gostam de serem vistos por todos, mas os que verdadeiramente se abrem a Jesus Cristo, dando passos concretos de conversão ao projeto do Pai.

No Entanto, hoje e sempre, a verdadeira vontade do Pai e feita por aqueles que traduzem em atos concretos o Evangelho de Jesus e os que se abrem com simplicidade e confiança ao seu perdão. Deus quer unicamente que seus filhos e filhas vivam desde agora uma vida digna e feliz, pois somente um coração aberto é capaz de acolher seu perdão.

Reflexão feita pelos noviços da Ordem dos Frades Menores.
(fonte: www.franciscanos.org.br)

O Reino de Deus é de Graça! - Mt 20, 1-16 - 24/09/2017

O evangelho de hoje é “escandaloso”. O patrão sai a contratar diaristas para a safra da uva. Sai de manhã cedo, às nove, ao meio-dia, às três da tarde, e ainda uma vez às cinco da tarde.
Na hora do pagamento, começa pelos últimos contratados, paga-lhes a diária completa; e depois, paga a mesma quantia aos que passaram o dia todo no serviço…

Será justo que alguém que trabalhou apenas uma hora pode ganhar tanto quanto o que trabalhou o dia inteiro?

Alguém que viveu uma vida irregular, mas se converte na última hora, pode entrar no céu igual aos piedosos? Aos que se escandalizam com isso, o “senhor”responde: “Estás com inveja porque eu estou sendo bom?”

Quando Deus usa da mesma bondade para com os que pouco fizeram e para com os que labutaram o dia todo, ele não está sendo injusto, mas bom. Já no Antigo Testamento, Deus se defende contra a acusação de injustiça por perdoar ao pecador (1ª leitura).

Deus não pensa como a gente. Nós raciocinamos em termos de discriminação; Deus, em termos de comunhão. Nós pensamos em economia material, Deus segue a economia da salvação.

Sua graça é infinita; ninguém a merece propriamente, e todos podem participar, por graça, se estão em comunhão com ele. Nós, facilmente achamos que os outros não fazem o suficiente para participar do Reino; não se engajam, não se esforçam…

Mas quem faz o suficiente? O que importa não é o quanto fazemos: será sempre insuficiente! Importa que queiramos participar, ainda que tarde. E uma vez que está participando, a gente faz tudo…

O dom de Deus não pode ser merecido; é graça. Claro, quem trabalha na vinha do Senhor, se esforça. Mas esse esforço não é para “merecer”, mas por gratidão e alegria, por termos sido convidados, ainda que tarde – pois, em relação ao antigo Israel, nós “pagãos” somos os da undécima hora… Nosso empenho não é trabalho forçado, mas participação.

Não somos movidos pelo moralismo, mas pela graça. Se entendermos bem isso, valorizaremos mais aquela humilde, mas autêntica boa vontade daqueles que sempre foram marginalizados, na Igreja e na sociedade, e que agora começam a participar mais plenamente: a Igreja dos pobres.

Então, tem ainda sentido falar em “merecer o céu”? Estritamente falando, é impossível. O céu não se paga. Mas se essa expressão significa nossa busca de estar em comunhão com Deus e viver em amizade com ele, tem sentido. Inclusive, essa busca já é o começo do céu.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

Celebração das Chagas de São Francisco - 17 de Setembro de 2017

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