Epifania do Senhor - 05/01/2020 - Mt 2,1-12

O universo inteiro aos pés de Jesus

Frei Clarêncio Neotti


Houve cientistas que saíram à procura da estrela que orientou os magos. Fizeram cálculos para mostrar o aparecimento no céu, de determinado cometa nessa época. Não há necessidade. 

Assim como os magos simbolizam a humanidade toda, a estrela simboliza o firmamento que desce das alturas para reverenciar seu Criador, agora na gruta de Belém. Trata-se de linguagem poética, facilmente compreensível. 

Afinal, Jesus não veio apenas salvar o homem, mas redimir a natureza inteira, incluídos os animais e os astros. Além do mais, esse texto foi escrito por Mateus, que procura mostrar a realização das profecias. E há uma no livro dos Números (24,17) que diz assim: “Eis que vejo, mas não agora, percebo-o, mas não de perto: de Jacó desponta uma estrela, de Israel se ergue um cetro”.

A ideia de os animais (representados pelo boi [vaca] e pelo burro), os astros (a estrela caminhante), as pedras (a gruta), as plantas (o feno) e, sobretudo, os homens de todas as raças e de todas as classes sociais (os pastores são os pobres e marginalizados; os reis magos, a classe alta) se achegarem ao Menino para adorá-Lo é um quadro lindo e necessário: o universo, criado por amor; inclina-se humilde e reverente diante do Criador que, por amor, fez-se criatura semelhante a todas as criaturas, sem deixar sua condição divina. 

Santo Agostinho viu nos pastores os homens de perto e nos magos viu os homens de longe: o perto e o longe se encontram hoje aos pés de Jesus, porque, a partir de agora, não existem distâncias possíveis para separar Deus e a humanidade, o Criador e as criaturas. E muito menos razão de separação entre os homens. 

“Todos são membros de um mesmo corpo, coparticipantes em Cristo Jesus” (Ef 3,6), como lemos na segunda leitura. É o mesmo São Paulo a nos lembrar (Ef l,lO) que esse Menino, deitado na manjedoura, “é a cabeça de todas as criaturas, tanto as que estão no céu quanto as que estão na terra”, por isso descem as estrelas, movimentam-se as criaturas racionais e irracionais e se encontram na gruta de Belém, para reconhecer o Senhor. A primeira leitura (Is 60,1-6) parece até a crônica desse encontro, em que as trevas e a luz se abraçam para desenhar a aurora da missão salvadora de Jesus e tudo e todos “proclamam as obras do Senhor”.

FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Durante 20 anos, trabalhou na Editora Vozes, em Petrópolis. É membro fundador da União dos Editores Franciscanos e vigário paroquial no Santuário do Divino Espírito Santo (ES). Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.
(www.franciscanos.org.br)

Mensagem para o Dia Mundial da Paz/2020 - Papa Francisco


"A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica" é o tema escolhido pelo Vaticano para a tradicional mensagem do Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1º de janeiro de 2020.


O texto, que foi divulgado nesta quinta-feira (12) pelo Vaticano, trouxe como referência o Sínodo dos Bispos para a Amazônia, que foi feito em outubro, e a visita de Francisco ao Japão, em novembro.

"Uma má compreensão dos nossos próprios princípios muitas vezes nos levou a justificar os maus-tratos à natureza, a dominação despótica do ser humano sobre a criação, as guerras, a injustiça e a violência", lamentou o líder da Igreja Católica.

O Papa ainda afirmou que a humanidade precisa de uma "conversão ecológica", pois devemos "cultivar e manter para as gerações futuras os recursos naturais e muitas formas de vida e a própria Terra".

Na mensagem, Francisco diz que as guerras tiveram "uma capacidade destrutiva crescente" na humanidade e resultaram na "exploração e corrupção", que "alimentam o ódio e a violência".

"Não podemos pretender manter a estabilidade global por medo da aniquilação, em um equilíbrio mais do que nunca instável, suspenso à beira do colapso nuclear. [É essencial] Um relacionamento pacífico entre as comunidades e a Terra, entre o presente e a memória, entre experiências e expectativas", disse Francisco.

O Dia Mundial da Paz, celebrado no primeiro dia de cada ano, foi criado em 1967 pelo Papa Paulo VI.                       (fonte: ANSA-Brasil (Agência Italiana de Notícias - www.ansabrasil.com.br)


 Para acessar a íntegra do documento, direto do site do Vaticano, clique no link abaixo:


Os "Franciscos" e o Presépio (o Santo e o Papa)

Papa Francisco contempla o 
Mistério da Encarnação de Deus através do Presépio!


Venha partilhar da mesma emoção do Papa Francisco,
venha contemplar os Presépios da 26ª Exposição de Presépios do Valongo

Missa Solene de Inauguração: 15/12 (Domingo) 19h00


Festa da Imaculada Conceição - 08/12 :: Papa: "ser cristão é estar ao lado dos pobres" - 06/12

Importante: embora nesta data celebremos o segundo Domingo do Advento, por uma especial deferência da Santa Sé e autorização da CNBB, a liturgia refere-se à celebração da
Imaculada Conceição de Maria.
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Maria, modelo da Igreja
José Antonio Pagola

No começo de seu evangelho, Lucas nos apresenta Maria acolhendo com alegria o Filho de Deus em seu seio. Como enfatizou o Concílio Vaticano 11, Maria é modelo para a Igreja. Dela podemos aprender a ser mais fiéis a Jesus e ao seu Evangelho. Quais podem ser as características de uma Igreja mais mariana em nossos dias?

Uma Igreja que fomenta a “ternura maternal” para com todos os seus filhos e filhas, promovendo o calor humano em suas relações. Uma Igreja de braços abertos, que não rejeita nem condena, mas acolhe e encontra um lugar adequado para cada um.

Uma Igreja que, como Maria, proclama com alegria a grandeza de Deus e sua misericórdia também para com as gerações atuais e futuras. Uma Igreja que se transforma em sinal de esperança por sua capacidade de transmitir vida.

Uma Igreja que sabe dizer “sim” a Deus sem saber muito bem para onde a levará sua obediência. Uma Igreja que não tem respostas para tudo, mas que busca com confiança a verdade e o amor, aberta ao diálogo com os que não se fecham ao bem.

Uma Igreja humilde como Maria, sempre à escuta de seu Senhor. Uma Igreja mais preocupada em comunicar o Evangelho de Jesus do que em ter tudo bem definido.

Uma Igreja do Magnificat, que não se compraz nos soberbos, nos poderosos e nos ricos deste mundo, mas que procura pão e dignidade para os pobres e famintos da Terra, sabendo que Deus está do seu lado.

Uma Igreja atenta ao sofrimento de todo ser humano, que sabe, como Maria, esquecer-se de si mesma e “andar depressa” para estar perto de quem precisa de ajuda. Uma Igreja preocupada com a felicidade dos que “não têm vinho” para celebrar a vida. Uma Igreja que anuncia a hora da mulher e promove com prazer sua dignidade, responsabilidade e criatividade feminina.

Uma Igreja contemplativa que sabe “guardar e meditar em seu coração” o mistério de Deus encarnado em Jesus, para transmiti-la como experiência viva. Uma Igreja que crê, ora, sofre e espera a salvação de Deus anunciando com humildade a vitória final do amor.
Pe. JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, o Pontifício Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém.

Dúvida: "A quem se refere a Imaculada Conceição"?

Há uma ideia popular de que se refere à concepção de Jesus pela Virgem Maria. Entretanto, não é a este fato que se refere esta solenidade, mas sim à maneira especial em que Maria foi concebida. Esta concepção não foi virginal (ou seja, ela teve um pai humano e uma mãe humana), mas foi especial e única de outra maneira …

A explicação está no Catecismo da Igreja Católica:

490. Para vir a ser Mãe do Salvador, Maria “foi adornada por Deus com dons dignos de uma tão grande missão”. O anjo Gabriel, no momento da Anunciação, saúda-a como “cheia de graça”. Efetivamente, para poder dar o assentimento livre da sua fé ao anúncio da sua vocação, era necessário que Ela fosse totalmente movida pela graça de Deus.

491. Ao longo dos séculos, a Igreja tomou consciência de que Maria, “cumulada de graça” por Deus, tinha sido redimida desde a sua conceição. É o que confessa o dogma da Imaculada Conceição, proclamado em 1854 pelo Papa Pio IX:

“Por uma graça e favor singular de Deus onipotente e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha do pecado original no primeiro instante da sua conceição (concepção)”.

                                                         


Papa: ser cristão é estar ao lado dos pobres

“Para os cristãos o discernimento dos fenômenos sociais não pode ser independente da opção preferencial pelos pobres”, afirmou o Papa Francisco no encontro com os componentes da redação da revista sobre atualizações sociais formada por jesuítas e leigos.
Para acessar a matéria na íntegra, clique aqui: Papa Francisco...



Ficai atentos e preparados! - 1º Domingo do Advento/2019 - Mt 24,37-44

Frei Ludovico Garmus, OFM

O tema do Evangelho é a vinda do Filho do Homem e como preparar-se para recebê-lo. 
A vinda do Filho do Homem é certa, mas a hora é incerta. 

No versículo anterior ao texto hoje proclamado, o próprio Jesus diz: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho do Homem, mas somente o Pai”. 


As comparações ilustram como será essa vinda do Filho do Homem e nos convidam à vigilância: Por ocasião do dilúvio, 

Noé construiu a arca porque foi advertido por Deus. Todos os outros homens apesar dos avisos de Noé continuaram sua vida normal, cheia de violência e maldade. Noé salvou sua família e os animais recolhidos na arca enquanto as outras pessoas pereceram porque não se converteram. 

E Jesus explica: “Assim acontecerá também na vinda do Filho do Homem (v. 37-39). O exemplo dos lavradores (v. 40) e das donas de casa que trabalham juntas (v. 41), ou do dono da casa que deve estar atento para impedir que o ladrão lhe arrombe a casa (v. 43) ilustram a necessidade de aguardar vigilantes a vinda do Filho do Homem. 


No evangelho, Jesus fala quatro vezes da vinda do Filho do Homem. Como não sabemos quando o Senhor virá, fiquemos atento e vigilantes, bem preparados para recebê-lo com alegria. Que o Senhor nos encontre ocupados servindo com amor ao próximo.



FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano.