Quem tem ouvidos para ouvir, ouça! Mt 13,24-43 - 20/07/2014

Como já notamos, o capítulo treze do evangelho de Mateus nos apresenta um leque de parábolas sobre o Reino. Todas elas destacam que a presença do Reino na História supõe um processo.

O Reino não chega subitamente, implica acolhida da nossa parte, aceitação que se dá no tempo.Esse texto continua o capítulo 13 de Mateus, onde se proclamam as parábolas do Reino.

Hoje lemos três parábolas, que comparam o Reino de Deus a um campo de trigo, um grão de mostarda e o fermento na massa, quando se faz pão. Termina com uma explicação alegórica do sentido da parábola do trigo de do joio. Podemos entender essas parábolas todas como uma mensagem de esperança para a comunidade pequena mateana - e para nós hoje. Uma leitura atenta delas deve nos reanimar para a nossa caminhada e luta em favor do Reino, sem desânimo nem desesperança.

Isso fica patente nas pequenas parábolas do grão de mostrada e do fermento na massa. A semente de mostarda é minúscula, mas quando brota, forma um arbusto viçoso. Quando se faz pão, não se usa mais do que uma pequena porção de fermento, mas é o suficiente para levedar a massa toda. O efeito é desproporcional ao tamanho ou peso do grão e do fermento. Pois, eles têm um dinamismo interno que dá resultados inesperados.

Jesus aplica essas observações ao Reino de Deus. O seu crescimento depende de pessoas e coisas que aparentemente são insignificantes. Porém, onde existe uma real comunidade de discípulos; há um dinamismo interno que causa efeitos muito maiores do que a sua força humana, pois é movido pela força do Espírito de Deus.

Com certeza, no tempo da redação desse evangelho, a comunidade mateana estava sentindo-se fraca

demais para enfrentar a polêmica e a luta com o judaísmo rabínico formativo. Diante das expulsões das sinagogas e das famílias, da rejeição dos discípulos por seus pares, e diante da ameaça de perseguição real, muitos devem ter desanimado, sentindo-se fracos demais para esta caminhada.

Algo semelhante facilmente ocorre hoje - diante do rolo compressor da globalização do mercado, do projeto neo-liberal, muitos acham que nós não temos forças para resistir, pois somos fracos e insignificantes nos olhos dos donos do poder. Mas, isso é julgar somente com critérios humanos.

É fácil esquecer a ação do Espírito e que para Deus nada é impossível. Essas duas parábolas nos ensinam a valorizar o nosso grão de mostarda e a nossa medida de fermento - ou seja, as pequenas ações e gestos de solidariedade, que trazem o dinamismo do Espírito e podem alcançar resultados surpreendentes.

Olhando as estatísticas da diminuição da mortalidade infantil no Brasil, diante de quais os governantes se ufanam, quem não sabe que em grande parte é resultado do trabalho humilde e perseverante dos membros da Pastoral da Criança, que, mesmo diante de décadas de descaso governamental diante da saúde pública, fazem verdadeiros milagres em favor da vida. E poder-se-ia multiplicar os exemplos.

Olhemos com os olhos de fé e de Deus e não com os olhos do mundo, que só valoriza a força do dinheiro, do poder e da dominação.

Nesse contexto pode-se ler a parábola do campo onde foi semeado joio (erva daninha) junto com o trigo. Os servos querem arrancar à força o joio, mas o patrão não permite, pois talvez faça mais mal do que bem. Aqui o campo é o mundo, a comunidade, a Igreja. Somos uma comunidade santa e pecadora, como reza a oração eucarística. Cada comunidade, cada pessoa é ao mesmo tempo trigo e joio.

A parábola alerta contra dois perigos muitas vezes presentes nas Igrejas. Uma é a tendência do puritanismo - de criar uma comunidade de “santos” ou “eleitos”, intolerante com os pecadores e com as fraquezas humanas, criando uma religião rígida e fria, que esconde o rosto misericordioso de Deus.

O outro perigo é o oposto - simplesmente ignorar o joio, e assim correr o perigo que a erva daninha (os males e erros) sufoquem o trigo na comunidade. A parábola aconselha paciência e cautela, e assim quer evitar os dois entremos de “elitismo” e de "laissez-faire", pois ambas as atitudes teriam como resultado a destruição da comunidade.

O Reino é de Deus e Ele não falha. Somos convidados a caminhar juntos na construção lenta, mas segura, desse Reino, apesar de sermos joio e trigo, confiantes no dinamismo do Espírito que faz com que o nosso grão de mostarda e fermento na massa dão frutos, muito além das expectativas humanas

Pe. Helder Salvador

"Não tenhais medo" - Mt 10, 26-33 - 22/06/2014

Homília do PadreWilson Ramos, cp


Padre Wilson Ramos da Silva é sacerdote missionário da Congregação da Paixão de Jesus Cristo (PASSIONISTAS), graduado em Filosofia e Missiologia pela PUC-PR e teologia pelo ITESP
(Instituto Teológico São Paulo).

...rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor... - Jo 14,15-21 - 25/05/2014

O tema central do Evangelho deste domingo é a promessa do envio do Defensor, o Espírito da Verdade.

Aos que amam Jesus e observam seus mandamentos é dito que, mediante a intervenção do Filho, o Pai dará outro Defensor "para que permaneça convosco para sempre". O termo Paráclito significa literalmente "chamado para junto de alguém".

A menção ao Defensor e sua definição como o "Espírito da Verdade" ocorrem somente nos escritos de S. João. Essa definição remete à proclamação "Eu sou o caminho, a verdade e a vida", que qualifica o Espírito de Jesus-verdade, evocando não apenas a sua revelação mas também a discriminação que esta opera entre os homens segundo a sua resposta.

Com efeito, a figura do "Espírito da verdade' é, por sua vez, especificada pelo contraste - na acolhida que se faz a ele - entre o "mundo" e os fiéis; aqueles que rejeitam crer no Filho não podem receber aquele que desconhecem.  Mas, aos discípulos Jesus diz: "Vós o conheceis porque ele permanece junto de vós e estará em vós."

Na pessoa de Jesus, o Espírito estava junto dos discípulos, e eles podiam, portanto, reconhecê-lo; ele "permanecia" sobre Jesus de Nazaré, cujas palavras eram "espírito e vida" (Jo 6,53). Mas o Espírito não se achava ainda agindo neles. "   

Agora, ele estará em vós"; este anuncio exprime o cumprimento da profecia relativa à Aliança última: "Eu porei meu Espírito em vós." Depois da glorificação do Filho, o Espírito estará no interior dos fiéis como um rio de água viva em cada um deles. "Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora,  quem me ama,  será amado por  meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele".

Peçamos a Deus para estarmos abertos ao Espírito da Verdade. Seguindo os impulsos do Espírito Santo saibamos acolher os ensinamentos de Jesus e transformá-los em vida. A "experiência decisiva" do Espírito Santificador mude os corações dos fiéis e a prática das comunidades!

Frei Aloísio de Oliveira, OFM Conv

"Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" - Jo 14,1-12 - 18/12/2014

Como nós precisamos do Reino de Deus acontecendo no meio de nós! E se ele não acontece no meio de nós é porque falta, da nossa parte, crer no nome do Senhor e fazer com que Sua obra aconteça também em nosso meio.

Neste quinto domingo da Páscoa, nós queremos ir até o coração do Mestre Jesus, que nos aponta o caminho, que nos aponta a direção da vida, que nos convida a olharmos para Ele e encontrarmos n’Ele o sentido da vida.

Jesus diz hoje para nós que quem crer n’Ele, quem acreditar n’Ele, quem colocar n’Ele a sua confiança, fará as obras que Ele mesmo fez! E em Seu nome e por causa do Seu nome fará ainda obras maiores do que todas aquelas que Ele fez.

Vamos então por parte: a primeira coisa necessária, para isso ocorrer, é crer n’Ele, é saber que Ele é o enviado do Pai e que Ele é um só com o Pai e o Espírito Santo. Mas aqui não basta uma fé racional, aqui é preciso uma convicção ou mais do que convicção racional: é preciso uma fé carismática, que nos dá a certeza e nos impregna do Espírito do Senhor para sabermos que – tudo que Jesus realizou e fez no meio de nós – é digno de crédito, de confiança e de convicção plena.

Quando nós cremos n’Ele, nós assumimos Seu Espírito, nós assumimos o Seu modo de ser e de agir, e aí podemos fazer as obras que Jesus mesmo fez. Quando falamos das obras de Jesus, nós logo vamos pensar em milagres e curas, e o Senhor nos diz que isso podemos fazer também ao agirmos no nome d’Ele e Ele em nós. A grande obra de Jesus foi primeiro anunciar o Reino de Deus, a grande obra de Jesus foi amar os Seus inimigos, amar os pobres, os doentes, os enfermos. A grande obra de Jesus foi fazer o Reino de Deus acontecer no meio do Seu povo.

Como nós precisamos do Reino de Deus acontecendo no meio de nós! E se ele não acontece no meio de nós é porque falta, da nossa parte, crer no nome do Senhor e fazer com que Sua obra aconteça também em nosso meio.

É verdade, meus irmãos, o nosso dever é implantar o Reino de Jesus! Fazer as obras de Jesus não é promover espetáculos, curas, libertações; esses são também os sinais do Reino de Deus, mas o grande sinal do Reino de Deus é fazer as obras do Mestre, é olhar para o Seu coração manso, humilde, bondoso e misericordioso e saber que é a nossa condição humana – se cremos n’Ele – primeiro Ele pode nos libertar daquilo que nos escraviza e pode nos ensinar a viver neste mundo do jeito que o Pai deseja que vivamos.

Que hoje olhemos para Jesus com toda fé e convicção para que Ele  possa realizar no meio de nós as obras do Seu Reino!

Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo, comunidade Canção Nova