"Domingo da Ascensão do Senhor" e "Dia das Mães" - 13/05/2018

Reflexão de Frei Gustavo Medella, OFM sobre a "Ascensão do Senhor"

Reflexão sobre o "Dia das Mães" - Frei Vitório Mazzuco, OFM

"Sobre o materno modo de amar"

Se perguntasse pela capacidade de amar do ser humano encontraria muitas respostas, porém existe um único e incontestável modelo: amor de Mãe! Persistência, fé, entrega, disciplina, jeito prestativo, cuidado caseiro, lágrimas silenciosas, horizonte largo de inúmeras preocupações, de ver só qualidade no filho mesmo quando o filho, muitas vezes, é só estrada e distância.

Podemos até entrar nesta fome de comprar, visitar vitrines, escolher presentes para o Dia das Mães, mas nada é maior do que o presente que recebemos: ter uma mãe, ou como no meu caso, uma mãe já estabelecida na eternidade. Que presente é este? Ter sentimentos para sempre, saudades para sempre, certeza de pertencer a esta substância humana e divina que somos, porque uma raiz espiritual foi plantada em nós pela prece frequente de mãe. Sentir-se ovelha pequenina conduzida por divina pastora que jamais deixa de estar perto do rebanho.

Penso em mãe e penso naquele Amor de rotina e trabalho prazeroso, tolerância, carinho, habilidade em administrar conflitos, responsabilidade, atividade criativa em ajeitar gavetas, guardar roupas espalhadas, espanar poeira, ter tempo para a cozinha, trabalhar dentro e fora e ainda pintar as unhas maltratadas por detergentes e dizer baixinho: ainda sou a estética feminina unindo beleza a tanta coisa para arrumar.

Será que a espécie humana estaria ainda viva sem ela? Último ponto de encontro do clã, da família, daquele costume de ir à casa dela num domingo de tarde, para, num café com bolo, viver a única sociedade possível: aquela que se encontra ao redor de uma mesa para jogar conversa fora. Casa de mãe é uma praça de união simbiótica: viver separadamente juntos, mas correr na hora que há necessidade de alimento, alento e proteção. Alguém de nós esqueceu o cheiro da casa da mãe? Perfume da terra de nossa infância, de nossos brincantes quintais, de crise de choro e aquelas palmadas pedagogicamente corretas que mandaram andar direito. Na mãe nascemos plenamente cada dia.

A mãe nos ensinou que amor é ação, doação desinteressada, fez deste modo de dar-se não um sacrifício, mas uma virtude, uma expressão de potência, porque em cada detalhe do amoroso cuidado, entrega a sua inteireza. Neste modo encontramos a afirmação incondicional da vida. Do ventre materno saímos e na medida do mesmo amor nos encontramos neste segundo domingo de maio.  À minha mãe que já está no céu, peço a bênção! A todas as mães que necessariamente devem ser celebradas, o meu abraço e beijo! Feliz Dia das Mães!

 Frei Vitório Mazzuco, OFM


"Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós" - Jo 15, 1-8 - 29/04/2018

Na Liturgia deste V Domingo da Páscoa, vemos, na 1a Leitura (At 9,26-31), a volta de Paulo a Jerusalém, depois da conversão e das dificuldades por ele encontradas para integrar-se na comunidade cristã. O caminho da integração da vida requer determinação e paciência. A comunidade precisa ter o coração aberto a novos membros que vêm de experiências diferentes, Deus não nos pede licença para agir diferente da forma que pensamos, rezamos e agimos. Cristianismo não é só um encontro pessoal com Jesus Cristo, mas também uma experiência de partilha da fé e do amor com as pessoas.

Na comunidade, não existe só perseguição, o texto mostra as comunidades em paz e em comunhão de amor. Para crescer na fé e viver bem em comunidade, temos que ter as seguintes características, que estavam presentes no Apóstolo Paulo:

- Encontrar-se com o Senhor;
- Escutar a Palavra, dialogar com Deus e com as pessoas;
- Permanecer em oração;
- Mudar atitudes e agir com humildade, sem resistências diante das adversidades;
- Comungar a vida, o espírito de partilha e o compromisso com o projeto do Reino de Deus.

Na 2ª Leitura (1Jo 3,18-24), o Apóstolo João destaca que o verdadeiro amor não se manifesta apenas com palavras, mas também e, principalmente, com gestos concretos, sinal seguro de que o Espírito de Cristo permanece em nós. Uma das exigências para ser um bom cristão é o testemunho de vida. Não haverá humanidade nova, se não houver, em primeiro lugar, pessoas novas que firmaram suas vidas na potência divina. “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou, então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”, já dizia o Papa Paulo VI (Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi sobre a Evangelização no Mundo Contemporâneo, 41).

A dimensão horizontal da vida se torna, assim, critério da dimensão vertical, isto é, geralmente, se vive, como se reza. Se rezamos bem, viveremos bem, caso contrário, devemos ver a forma que estamos rezando, pois é impossível fazer a experiência de Deus e viver uma vida incoerente com a fé que professamos. Crer em Deus é dar crédito a Ele como valor absoluto, por ele fazemos o bem, somos capazes de renúncias, sacrifícios e gestos heroicos. Quando amamos a Deus de forma absoluta, somos livres e ninguém nos tirará essa alegria, amaremos as pessoas não porque necessariamente merecem, mas porque obedecemos a Deus, Ele determina o nosso agir.

No Evangelho (Jo 15,1-8), o povo de Deus é apresentado sob a imagem agrícola da vinha. O critério para saber se existe comunhão com Deus são os frutos, manifestados pela observância dos mandamentos e pelo amor fraterno. Algumas questões fundamentais deste evangelho: Que frutos produzimos para o projeto do Reino? É possível viver a fé sem vínculo com a comunidade?

O Apóstolo Paulo, após a experiência com o ressuscitado, viveu sozinho ou em comunidade? Diante dos fracassos dos outros, como nos comportamos? Depois que entrei para determinado seguimento pastoral, aumentou a caridade em mim, sou mais humilde, sou fiel ao dízimo? Sempre comento com alguns irmãos no ministério e com alguns seminaristas que duas coisas que admiro nos consagrados e, também, nos líderes cristãos são: se são trabalhadores e se vivem a caridade, pois alguns sabem tudo de ritos litúrgicos, de baixar a cabeça, erguer a cabeça etc., mas se esquecem de que a maior virtude é a caridade.

Em comunidade, podemos nos digladiar em debates calorosos, discordar nas ideias, defender nosso ponto de vista, mas, acabando este momento, amar a pessoa como ícone de Deus.

Se, por causa de uma discussão, nos fecharmos aos outros, é sinal de grande imaturidade. “Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade (Santo Agostinho).

Pe. Leomar Antonio Montagna