Começar 2011 com 1 segundo para Deus

Frade franciscano apela a uma «elevação espiritual» que toque «todos os povos», sem a «euforia neurótica» que marca a passagem de ano

O frei Fernando Ventura quer que o primeiro instante de 2011, um segundo, seja dedicado à comunhão espiritual com todas as pessoas do planeta, independentemente das suas convicções religiosas.

“A ideia é de que, à medida que o novo ano fosse entrando em cada fuso horário, houvesse alguém com vontade de sair de si, em oração, independentemente da sua sensibilidade religiosa”, promovendo “acima de tudo um encontro de humanidade”, explica o religioso católico à Agência ECCLESIA.

O biblista pretende que o início de 2011 constitua, do “Oriente ao Ocidente”, uma “elevação espiritual” que possa “tocar todos os povos”, incluindo as “sensibilidades não religiosas” que “partilham o ser pessoa”.

A iniciativa ambiciona fazer “de uma nova década o início de um novo ciclo, aumentando a consciência universal da necessidade absoluta de ir para além das fronteiras religiosas, percebendo que Deus não tem religião nem limites filosóficos”, diz Fernando Ventura.

A proposta nasceu de um desafio deixado na página do Facebook do franciscano capuchinho por Abraão Rafael, que o religioso ainda não conhece pessoalmente, mas que acredita, pelos contactos que tem estabelecido, não “vir do mundo cristão”.

“É uma provocação o mais possível”, acentua frei Fernando Ventura, que qualifica de “meteórica” a adesão registada naquela rede social da Internet poucas horas após a apresentação da ideia, que em 2011, diz, será uma espécie de “ensaio geral”.

O animador bíblico admite que a proposta “pode provocar algumas reacções epidérmicas de alergia”, mas ainda assim já a levou à hierarquia da Igreja: o sacerdote sugeriu a D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, que a Conferência Episcopal Portuguesa aderisse à iniciativa e o prelado “disse imediatamente que sim”.

O religioso de 51 anos admite que um segundo “não é de todo suficiente, mas é um primeiro passo”: “Não podemos pedir demais. Para o ano vamos pedir dois…”, diz.

“O ser um segundo é uma provocação. É evidente que não chega. Mas devagarinho, talvez consigamos passar uma mensagem diferente, que não seja só a do Natal ‘made in China’ [fabricado na China] ou da euforia neurótica dos gritos dos primeiros momentos do ano”, sublinha.

A iniciativa tem também como objectivo purificar as crenças religiosas de concepções que instigam a guerra: “Penso que estamos no tempo de matar as religiões que matam”, frisa frei Ventura, para quem a actual “crise das religiões” é “querida por Deus”.

“Uma relação de fé com Deus implica uma relação de intimidade com os outros”, pelo que as religiões têm deixar de ser “combustível” para conflitos que não são mais do que políticos, defende.

Fernando Ventura fala de um “casamento de Deus com a História” para evocar a tradição judaico-cristã que salienta o desejo de harmonia e comunhão entre o divino e todas as culturas.

Nas primeiras linhas do Génesis, livro que abre a Bíblia, “Deus começa solteiro”, manifestando-se num “espírito que paira sobre a superfície das águas”, e na última linha do Apocalipse, texto que encerra a Escritura, descreve-se “o encontro final” entre Deus e a humanidade, sintetiza o religioso.

Um belo exemplo!

Jovens da JUFRA (Juventude Franciscana) do Valongo, em Santos-SP, voluntários da Ordem Franciscana Secular e da comunidade oferecem um Natal mais digno a moradores de rua.
Além do almoço, eles puderem tomar banho, ganharam um kit de higiene e roupas.

Especial de Natal/2010

Clique na imagem abaixo para acessar, no site dos Franciscanos, o especial de Natal/2010.

Começar 2011 com 1 segundo para Deus

Frade franciscano apela a uma «elevação espiritual» que toque «todos os povos», sem a «euforia neurótica» que marca a passagem de ano

O frei Fernando Ventura quer que o primeiro instante de 2011, um segundo, seja dedicado à comunhão espiritual com todas as pessoas do planeta, independentemente das suas convicções religiosas.

“A ideia é de que, à medida que o novo ano fosse entrando em cada fuso horário, houvesse alguém com vontade de sair de si, em oração, independentemente da sua sensibilidade religiosa”, promovendo “acima de tudo um encontro de humanidade”, explica o religioso católico à Agência ECCLESIA.

O biblista pretende que o início de 2011 constitua, do “Oriente ao Ocidente”, uma “elevação espiritual” que possa “tocar todos os povos”, incluindo as “sensibilidades não religiosas” que “partilham o ser pessoa”.

A iniciativa ambiciona fazer “de uma nova década o início de um novo ciclo, aumentando a consciência universal da necessidade absoluta de ir para além das fronteiras religiosas, percebendo que Deus não tem religião nem limites filosóficos”, diz Fernando Ventura.

A proposta nasceu de um desafio deixado na página do Facebook do franciscano capuchinho por Abraão Rafael, que o religioso ainda não conhece pessoalmente, mas que acredita, pelos contactos que tem estabelecido, não “vir do mundo cristão”.

“É uma provocação o mais possível”, acentua frei Fernando Ventura, que qualifica de “meteórica” a adesão registada naquela rede social da Internet poucas horas após a apresentação da ideia, que em 2011, diz, será uma espécie de “ensaio geral”.

O animador bíblico admite que a proposta “pode provocar algumas reacções epidérmicas de alergia”, mas ainda assim já a levou à hierarquia da Igreja: o sacerdote sugeriu a D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa, que a Conferência Episcopal Portuguesa aderisse à iniciativa e o prelado “disse imediatamente que sim”.

O religioso de 51 anos admite que um segundo “não é de todo suficiente, mas é um primeiro passo”: “Não podemos pedir demais. Para o ano vamos pedir dois…”, diz.

“O ser um segundo é uma provocação. É evidente que não chega. Mas devagarinho, talvez consigamos passar uma mensagem diferente, que não seja só a do Natal ‘made in China’ [fabricado na China] ou da euforia neurótica dos gritos dos primeiros momentos do ano”, sublinha.

A iniciativa tem também como objectivo purificar as crenças religiosas de concepções que instigam a guerra: “Penso que estamos no tempo de matar as religiões que matam”, frisa frei Ventura, para quem a actual “crise das religiões” é “querida por Deus”.

“Uma relação de fé com Deus implica uma relação de intimidade com os outros”, pelo que as religiões têm deixar de ser “combustível” para conflitos que não são mais do que políticos, defende.

Fernando Ventura fala de um “casamento de Deus com a História” para evocar a tradição judaico-cristã que salienta o desejo de harmonia e comunhão entre o divino e todas as culturas.

Nas primeiras linhas do Génesis, livro que abre a Bíblia, “Deus começa solteiro”, manifestando-se num “espírito que paira sobre a superfície das águas”, e na última linha do Apocalipse, texto que encerra a Escritura, descreve-se “o encontro final” entre Deus e a humanidade, sintetiza o religioso.

Deus mesmo é a esperança do fiel-12/12/2010

Ele não é um castigador, um fiscal de nossos pecados e nem mesmo da “desordem estabelecida” na sociedade em que vivemos. Ele não deseja castigar, mas transformar aquilo que está errado: ele vem salvar.

Esta é a esperança anunciada pelos profetas (1ª leitura).

Com a vinda de Jesus começou irreversivelmente a realização desta esperança, a realização da profecia. João Batista não percebe bem o que Jesus está fazendo. Manda perguntar se ele é o Messias, ou se é para esperar outro (evangelho). Jesus aponta os sinais que ele está realizando: aquilo que os profetas anunciaram. Daí a conclusão: já não precisamos aguardar outro.

Ora, Jesus apenas iniciou. Implantou. A plantação deve ainda crescer. Com a paciência e a firmeza do agricultor, devemos esperar o amadurecimento de seu reino na História. Com o “sofrimento e paciência dos profetas que o anunciaram...(2ª leitura)

A esperança suscita em nós alegria confiante: Deus deu início à realização de seu projeto. Quando se olha com objetividade o que a palavra de Cristo já realizou no mundo, apesar das constantes recaídas de uma humanidade inconstante, reconhecemos que ela foi eficaz. Devemos também olhar para os sinais que se realizam hoje: a transformação impulsionada pelo evangelho de Cristo se reflete na nova consciência do povo, que assume sua própria história na construção de uma sociedade mais fraterna.

A esperança fundamenta uma firmeza permanente, confiante de que Deus erradicará o mal que ainda persiste.

A esperança exterioriza-se na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança.

A esperança do cristão é Jesus. Ele é aquele que havia de vir. Não precisamos ir atrás de outro messias, oferecidos pelo mundo do consumo, por promessas políticas ambíguas e assim por diante. Consumo e política são propostas humanas, e podemos servir-nos delas conforme convém, com liberdade. Mas o Messias vem de Deus; ele merece nossa adesão, nele podemos acreditar. Chama-se Jesus. Feliz quem não se deixa abalar em relação a ele (cf. Mt 11,6)!

Esperamos que o amor e a justiça que Cristo veio trazer ao mundo, e nos quais somos chamados a participar ativamente, realizem o plano de Deus para a humanidade, desde já e para sempre, “assim na terra como no céu”.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Missa no Parque Balneário - 05/12/2010

Abaixo matéria da TV Tribuna, sobre a Missa celebrada no Shopping Parque Balneário, no Domingo, 05 de dezembro de 2010, por Frei André Becker - reitor do Santuário Santo Antonio do Valongo.

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Festa da Imaculada Conceição

Clique abaixo para acessar o riquíssimo material preparado pelos frades menores sobre a Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Jesus Cristo, Rei do Universo

Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à
1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.

Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado.

Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade.

O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados.

Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver... Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

"...nem um fio de cabelo vosso será perdido..." Lc 21,18

 partir da admiração de algumas pessoas diante da beleza do Templo, Lucas apresenta uma fala de Jesus sobre a destruição do mesmo. É o chamado "discurso escatológico", narrado também por Marcos e Mateus.

O Templo de Jerusalém construído por Salomão foi destruído pela Babilônia. Depois foi reconstruído por Zorobabel, na volta do exílio.

Cerca de treze anos antes do nascimento de Jesus, herodes inicia a reforma do Templo, tornando-o mais luxuoso ainda, com grande quantidade de ornatos de ouro.

Com toda esta ostentação de riqueza e luxo, provocava no povo o sentimento de humilhação e submissão.

Através dele desfilavam multidões de populares e camponeses, tímidos e humilhados, os quais, com grandes sacrifícios, traziam suas ofertas de obrigação aos cofres do Tesouro do Templo.

Diante desta situação, Jesus denuncia que o Templo tornou-se um antro de ladrões (cf. 19 nov.). Seis anos depois que seus luxuosos acabamentos foram concluídos, no ano 70 d.C., o Templo foi destruído pelos romanos.

As obras suntuosas são usadas pelos exploradores para intimidarem e submeterem o povo humilde, porém não resistem ao tempo. "Tudo será destruído." Neste texto, vários sinais indicam a falência dos poderosos deste mundo.

Falsos profetas que prometem a felicidade a partir da conquista do poder, guerras dos poderosos e guerrilhas dos oprimidos, e também sinais da natureza ferida pelo progresso a serviço do lucro.

Por outro lado, os pobres e humildes percebem os sinais da presença de Jesus entre eles, transformando o mundo por sua palavra e sua prática amorosa.

A Relação Fé e Vida

Hoje o evangelho parece descrever cenas da vida atual: fala de violência, destruição, tragédias naturais e sociais, opressão, exploração do mais forte sobre o mais fraco, abusos de poder por parte dos que governam etc.

Tudo isso não significa o fim do mundo nem é castigo de Deus; antes, porém, é um alerta sobre o nosso comportamento violento em relação aos outros, à natureza e, principalmente. Em relação às leis de Deus.

Deste modo, diante desse quadro sombrio, a liturgia deste Domingo torna-se fonte de vida e esperança para todos nós na luta pela sobrevivência a fim de que todos possam ter a vida.

Fundamentados na Palavra de Deus, aprendemos que nossos esforços, desde que fundamentados em atitudes honestas, não são inúteis, pois se permanecermos fiéis e firmes à Palavra, transformaremos a violenta realidade na qual vivemos em realidade de paz, na qual, a partir de nossa disponibilização como instrumentos dessa Palavra transformadora faremos, à medida de nossas capacidades, nascer e brilhar o sol da justiça para todos os filhos e filhas de Deus.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

A comunhão dos Santos

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma idéia muito restrita a respeito de quem são os santos...

Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, carcterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação.

Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br

Deus justifica os humildes e pecadores

A 1ª leitura (que poderia ser estendida um pouco para que melhor aparecesse seu sentido) fala de que Deus não conhece acepção de pessoas e faz justiça aos pequenos (pobres, órfãos, viúvas, aflitos, necessitados). Isso é dito em oposição à maneira dos poderosos, que querem agradar a Deus por meio de sacrifícios perversos (Eclo 35, 14-15ª [11]. Deus não se deixa comprar pelas coisas que lhe oferecemos, pois não necessita de tudo isso. Mas nos considera jutos, amigos dele, quando lhe oferecemos um coração contrito e humilde (Sl 51 [50], 18-19).

Neste sentido, engana-se completamente o fariseu de quem Jesus fala no evangelho: acha que pode impressionar Deus com suas qualidades aparentes, seus sacrifícios e boas obras puramente formais, sem extirpar de seu coração o orgulho e o desprezo pelos outros. A atitude contrária é que encontra ouvidos junto a Deus: a humilde confissão de ser pecador (cf Sl 51 [50], 3). O publicano, que reza de coração contrito, volta para casa justificado. Lc acrescenta uma lição moral: quem se enaltece, será humilhado; quem se humilha, será enaltecido. Mais profunda ainda é a lição propriamente teológica, repetida por Paulo: quem se declara justo a si mesmo - como faziam os fariseus, convencidos de que a observância da Lei lhes dava “direitos” perante Deus - já não pode ser declarado justo por Deus; e isso é grave, porque, diante de Deus, todos ficamos devendo; cf. Sl 51 [50],7). Além de serem orgulhosos, os que se justificam a si mesmos são pouco lúcidos! Portanto, melhor fazer como o publicano: apresentarmo-nos a Deus conscientes de lhe estar devendo e pedir que ele nos perdoe e nos dê novas chances de viver diante de sua face, pois sabemos que Deus não quer a morte do pecador e sim que ele se converta e viva (Ez 18,23).

A mensagem de hoje tem duplo efeito. Deve extirpar a mania de se achar o tal e de condenar os outros: a auto-suficiência. Mas, para que isso seja possível, deve produzir primeiro um outro efeito: a certeza de sermos pecadores. Ora, isso se toma cada vez mais difícil numa civilização da sem-vergonhice. O ambiente em que vivemos trata de esconder a culpabilidade e, inclusive, condena-a como desvio psicológico. Que a culpabilidade neurótica passe do confessionário para o divã do psicanalista é coisa boa. Mas não se pode encobrir o pecado real. Tal encobrimento do pecado acontece tanto no nível do indivíduo quanto no da sociedade: oficialização de práticas opressoras e exploradoras nas próprias estruturas da sociedade, leis feitas em função de uns poucos etc. A autojustificação, entre nós, já não acontece ao modo do fariseu que se gabava da observância da Lei e das boas obras. Acontece ao modo do executivo eficiente que tem justificativa para tudo: para as trapaças financeiras, a necessidade da indústria e do desenvolvimento nacional; e para as trapaças na vida pessoal, o perigo de “estresse” e a necessidade de “variação”... Hoje, já não são os fariseus que se autojustificam, mas os “publicanos”. Só algum antiquado ainda se autojustifica “fazendo alguma coisa para Deus” no meio de uma vida cheia de egoísmo...

Saber-se pecador é o início da salvação. Isso vale para todos, ricos e pobres. Os pobres estão com tantas coisas em dívida, que se dão mais facilmente conta disso. Os ricos é que são o problema. Pecador não é apenas o que transgride expressamente a Lei, mas todo aquele que não realiza o bem que Deus lhe confia. Sabendo isso, é fácil reconhecer-se pecador. Por isso, cada liturgia começa como ato penitencial. Hoje, pode ser acentuado um pouco mais.

Paulo sabia-se pecador, mas pecador salvo pela graça de Deus (1Tm 1,13; cf. Gl 1,11-16a; 1 Cor 15,8-10). Na base desta experiência, anela pelo momento de se encontrar com aquele que, por mera graça, o tornou justo, o “Justo Juiz”, que o justificará para sempre, enquanto diante do tribunal dos homens ninguém tomou sua defesa (2Tm 4,16; 2ª leitura).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

TRÍDUO DE S. FRANCISCO


Santuário de Santo Antônio do Valongo

Tema: São Francisco e a Natureza

Lema: Com Francisco encante a natureza: Revele a Vida

Missa às 19:00 horas

01/10 – Francisco e a busca de Deus

02/10 – São Francisco e a Fraternidade -

Missa será celebrada na Paróquia Nossa Senhora da Assunção

- Concentração na frente do Santuário às 18:00 horas

- 18:15 Caminharemos em procissão à Igreja de Nossa Senhora da Assunção, a frente irá a Cruz de São Damião.

03/10 – Com Francisco encante a Natureza: Revele a Vida

Missa do Trânsito de São Francisco

Responsáveis: Jufra e OFS

04/10 – São Francisco e a Natureza

Somos simples servos

Quem não gosta de um elogio? Não estão nossas igrejas tradicionais cheias de inscrições elogiando os generosos doadores dos bancos, dos vitrais ou da imagem de Santa Filomena?

Ora, o Evangelho nos propõe uma atitude que parece inaceitável a uma pessoa esclarecida, hoje em dia: o empregado não deve reclamar

quando, depois de todo o serviço no campo, em vez de ganhar elogio, ele ainda deve servir a janta. Ele é um empregado sem importância; tem de fazer seu serviço, sem discutir.

Jesus nos quer ensinar a estar a serviço do Reino sem darmos importância a nós mesmos. Ele mesmo dará o exemplo disso, apresentando-se, na Última Ceia, como aquele que serve (Lc 22,27).

Isto não rima com a mentalidade calculista e materialista da nossa sociedade, que procura compensação para tudo o que se faz – aliás, compensação superior ao valor daquilo que se faz...

Se levarmos a sério a parábola de Jesus, como então ensinamos aos empregados e operários reivindicarem sempre mais (porque, se não reivindicam, são explorados)? Certamente, Jesus não quer condenar os movimentos de reivindicação. A questão é outra.

Ele quer apontar a dedicação integral no servir. Interesse próprio, lucro, reconhecimento, fama poder... não são do nível do Reino, mas apenas da sobrevivência na sociedade que está aí.

A parábola não serve para recusar as reivindicações de justiça social, mas para declarar impróprios os interesses pessoais no serviço do Reino.

Convém fazer um sério exame de consciência sobre a retidão e a gratuidade de nossas intenções conscientes e de nossas motivações inconscientes.

Na Igreja, tradicional ou progressista, quanta ambição de poder, quanto querer aparecer, quantas compensaçõezinhas!

E mesmo com relação às estruturas da sociedade, a parábola de Jesus hoje nos ensina a não focalizarmos única e exclusivamente as reivindicações.

Estas são importantes, no seu devido tempo e lugar, para garantir a justiça e conseguir as transformações necessárias.

Mais fundamental, porém, na perspectiva de Deus, é criar o espírito de serviço e disponibilidade, que nunca poderá ser pago.

Quem vive no espírito de comunhão nunca achará que está fazendo demais para os outros.

“Somos simples servos”. Antigamente se traduzia: “Somos servos inúteis”.

Tal tradução era psicológica e sociologicamente nefasta, pois fomentava a acomodação, além de contraditória, pois servo inútil não serve...

Servindo com simplicidade, não em função de compensações egoístas, mas em função da fidelidade e da objetividade, somos muito úteis para o projeto de Deus.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

"Se eles não escutaram Moisés nem os profetas, não crerão, mesmo que alguém ressuscite."

Dureza, isolamento, incredulidade: eis as conseqüências de viver para o dinheiro. Podemos verificar esse diagnóstico em redor de nós, cada dia, e, provavelmente, também em nós mesmos. Porque a pessoa só tem um coração; se ele se afeiçoa ao dinheiro, fecha-se ao irmão.

Os ricos são infelizes porque se rodeiam de bens como de uma fortaleza (cf. os condomínios fechados). São “incomunicáveis”. Vivem defendendo-se a si e a suas riquezas. Os pobres não têm nada a perder. Por isso, “as mãos mais pobres são que mais se abrem para tudo dar”.

Em nosso mundo de competição, a riqueza transforma as pessoas em concorrentes. A riqueza é vista não como “gerência” daquilo que deve servir para todos, mas como conquista e expressão de status.

Tal atitude marca a riqueza financeira (capitalização sem distribuição), a riqueza cultural (saber não para servir, mas para sobrepujar) e riqueza afetiva (possessividade, sem verdadeira comunhão). Considera-se a riqueza recebida como posse em vez de “economia” (palavra grega que significa: gerência da casa).

Não se imagina o tamanho deste mal numa sociedade que proclamou o lucro e a competição como seus dinamismos fundamentais. Até a afetividade transforma-se em posse. As pessoas não se sentem satisfeitas enquanto não possuem o objeto de seu desejo, e, quando o possuem, não sabem o que fazer com ele, passando a desejar outro... Pois não sabem entrar em comunhão.

Assim, a parábola de hoje é um comentário do “ai de vós, ricos” (Lc 6,24).

O testemunho de Cristo neste mundo não é nada pacífico. É uma luta: o bom combate. Devemos travá-lo até o fim, para que vivamos para sempre com aquele que possui o fim da História. Poderíamos acrescentar à leitura os versículos que seguem (1Tm 6,17-19): uma lição do que o cristão deve fazer com seus bens.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Os filhos deste mundo são mais espertos dos filhos da luz” (Lc16, 8).

“E o Senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos dos filhos da luz” (Lc16, 8).


A parábola que Jesus narra no Evangelho de hoje termina com uma moral, que tão moral não parece. Porque será que Jesus elogia a esperteza do administrador desonesto?

Além do mais, porque Jesus elogia uma pessoa desonesta: não é uma grande contradição perante tudo aquilo que ele vem pregando de amor, respeito e tudo mais? Na realidade, se prestarmos bem atenção às palavras de Jesus, Ele não elogia nem a desonestidade nem a esperteza, mas sim a criatividade do homem.

De fato, o protagonista da Parábola, usou ao maximo a própria inteligência para se sair bem de uma situação que tinha tudo para ser ruim pra ele. Esta historia traz pra nós um grande ensinamento. O questionamento que Jesus traz por dentro da comunidade dos discípulos, entre os quais estamos hoje também nós, é este: o que estamos fazendo da Palavra de Jesus e do Seu Espírito Santo?

O Espírito Santo em Jesus agiu de uma forma que progressivamente transformou toda a sua humanidade em amor, doação, partilha. Alem do mais, o Espírito em Jesus o levava a criar continuamente novas situações para que o reino de Deus fosse anunciado.

O exemplo mais claro são as parábolas que ele inventava para chamar á atenção do povo e, assim, induzi-lo a pensar, refletir sobre a própria vida, se converter á Cristo. A verdade do Espírito Santo que Em Cristo agiu desta maneira e que Ele entregou pra nós em cima da cruz (cf. Jo 19, 30), não pode ser desperdiçado, mas deve gerar continuamente amor e, sobretudo, de uma forma criativa. O problema, então, é esse: porque somos tão resistentes á ação do Espírito Santo?

O que em nós está bloqueando o Espírito Santo, impedindo que invente algo de novo? Porque somos tão passivos, renunciatarios e preguiçosos a ponto de prejudicar a obra criativa de Deus? Varias poderiam ser as respostas: vou apontar somente algumas.

Em primeiro lugar, aquilo que atrapalha a ação do Espírito Santo na nossa vida é o medo. Este medo se manifesta de muitas formas e maneiras: medo que o outro não goste de nós; medo de dizer algo que fere os outros; medo de não sermos aceitados.

Ficamos trancados em nós mesmos para não correr o risco de ficarmos ofendidos, de sofrer por causa de uma magoa: a que ponto chega o nosso egoísmo, não é? E assim perdemos a ocasião de experimentarmos o prazer e a felicidade de uma vida diferente, uma vida de doação aos irmãos e as irmãs, uma vida fora da rotina corriqueira, mais criativa e dinâmica.

É o dinamismo do Espírito que impulsiona a nossa vida a criar situações sempre nova para permitir a graça e Deus de moldar a humanidade através da nossa disponibilidade. É a força daquele mesmo Espírito que levava Jesus a enfrentar com coragem os poderosos do tempo, que deve agir em nós para não ficarmos calados perante a injustiça que encontramos no mundo, mas sim inventarmos novas situações para que o povo mais simples possa viver num mundo mais justo e solidário.

Somos passivos porque amedrontados daquela diferença qualitativa que o Evangelho nos apresenta e que em Jesus se tornou bem visível. Tememos o julgamento dos amigos, dos colegas, até dos familiares e, por causa disso recuamos, voltamos atrás, preferindo a tristeza da vidinha medíocre da massa, á grande felicidade dos poucos discípulos de Cristo...

Pe. Paolo Cugini, Pintadas-BA
(fonte: http://abibliainterpretada.blogspot.com)

Quem não toma sua cruz não pode ser meu discípulo (Lc 14,25-33)

Deus nos concede a graça de, hoje, nos reunirmos para que possamos enfrentar, com consciência, os desafios que Jesus nos propõe, a fim de nos tornarmos seus fiéis seguidores.

Para podermos entender a proposta que Jesus nos faz, via Lucas, primeiramente busquemos ver que o evangelista exalta o ministério itinerante de Jesus afirmando que grandes multidões o acompanhavam, e insere o tema das exigências do seguimento de Jesus. Por mais outras duas vezes Lucas retoma este tema (9,57-62 e 18,24-30) em seu Evangelho.

No entanto, observemos que Jesus está em contato com as multidões, tomadas por um misto de curiosidade e esperança. Ele quer atraí-las ao seu seguimento, porém, conscientes do compromisso a que são chamadas. Com duas sentenças seguidas de duas curtas parábolas intercaladas e uma sentença conclusiva, Jesus, conforme Lucas, apresenta as condições para este seguimento. Veja que cada sentença está incluída na estrutura frasal: "Se alguém (ou: quem) não [.], não pode ser meu discípulo!".

Assim, nos deparamos com três condições para o seguimento de Jesus. Vejamos:

A primeira condição é a libertação em relação aos laços tradicionais de família, estabelecidos como forma de conservadorismo ou privilégios raciais, principalmente quando evocados alegando-se a eleição divina. A opção deve ser radical por Jesus e pela proposta do Reino.

A segunda condição é o "carregar a sua cruz", que passou a ser uma expressão comum entre os discípulos, após a morte de Jesus. O carregar a cruz foi o auge da repressão sofrida por Jesus, da parte dos poderosos da sociedade, ao longo de sua vida. Assim, o discípulo deve estar disposto a enfrentar a repressão ao exercer o serviço da palavra e do testemunho, sem medo da morte.

A terceira condição é totalizante. É a renúncia a tudo o que se tem. É a conquista da liberdade total, da liberdade do medo da morte, o que transforma o discípulo em um ágil, fiel e solidário seguidor de Jesus, o qual tem a Sabedoria e o Espírito de Deus , conforme nos é relatado na primeira leitura.

No entanto, para nos ajudar e facilitar a nossa reflexão, em Paulo, que no fim da vida preocupa-se com a libertação do escravo Onésimo (veja novamente a segunda leitura), temos um exemplo de quem renunciou a tudo, coerente com a visão que tinha de Jesus.

Mas há algo que não devemos esquecer: as duas curtas parábolas mostram a necessidade de perceber bem as consequências nas tomadas de decisões importantes para não vacilar, depois, diante das dificuldades, particularmente quando se trata da própria decisão de seguir Jesus.

Deste modo, como seguidores de Jesus, por intermédio de uma opção livre e consciente, devemos, como cristãos, retomar o seu itinerário, de forma que possamos nos tornar verdadeiros e autênticos propagadores de seu Reino e lutar por um mundo mais igual e mais comum a todos os filhos de Deus, fazendo com que, através de nossa perseverança, prevaleça a justiça sem privilégios.

Oração
Pai, reforça minha disposição a ser discípulo de teu Reino, afastando tudo quanto possa abalar a solidez de minha adesão a ti e a teu Filho Jesus.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(www.teologiafeevida.com.br)

A verdadeira honra

Jesus é um destes hóspedes que não ficam reféns de seus anfitriões.

Já o mostrou a Marta (16º dom); mostra-o também hoje (evangelho). O anfitrião é um chefe dos fariseus.

A casa está cheia de seus correligionários, não muito bem-intencionados (14,2).

Para começar, Jesus aborda o litigioso assunto do repouso sabático, defendendo uma opinião bastante liberal (14, 3-6). Depois, numa parábola, critica a atitude dos fariseus, que gostam de ser publicamente honrados por sua virtude, também nos banquetes, onde gostam de ocupar os primeiros lugares.

Alguém que ocupa logo o primeiro lugar num banquete não pode mais ser convidado pelo anfitrião para subir a um lugar melhor; só pode ser rebaixado, se aparecer alguma pessoa mais importante. É melhor ocupar o último lugar, para poder receber o convite de subir mais. Alguém pode achar que isso é esperteza. Mas o que Jesus quer dizer é que, no Reino de Deus, a gente deve estar numa posição de receptividade, não de auto-suficiência.

A segunda parábola relaciona-se também com o banquete: não convidar os que nos podem convidar de volta, mas os que não têm condições para isso. Só assim nos mostraremos verdadeiros filhos do Pai, que nos deu tudo de graça. Claro que esta gratuidade pressupõe a primeira atitude: o saber receber.

Portanto, a mensagem de hoje é: saber receber de graça (humildade) e saber dar a graça (gratuidade).
Graça, gratidão e gratuidade são os três momentos do mistério da benevolência que nos une com Deus. Recebemos sua “graça”, sua amizade e bem-querer.

Por isso nos mostramos agradecidos, conservando seu dom em íntima alegria, que abre nosso coração. E deste coração aberto mana uma generosa gratuidade, consciente de que há mais felicidade em dar do que em receber (cf. At 20,35). O que não quer dizer que a gente não pode gostar daquilo que recebe. Significa que só atingirá a verdadeira felicidade quem souber dar gratuitamente. Quem só procura receber, será um eterno frustrado.

Com vistas à comunicação na magnanimidade, a humildade não é a prudência do tímido ou do incapaz, nem o medo de se expor, que não passa de egoísmo. A verdadeira humildade é a consciência de ser pequeno e de ter que receber, para poder comunicar. Humildade não é tacanhice, mas o primeiro passo da magnanimidade. Quem é humildade não tem medo de ser generoso, pois é capaz de receber. Gostará de repartir, porque sabe receber; e de receber, para poder repartir. Repartirá, porém, não para chamar a atenção para si, como o orgulhoso que distribui ricos presentes, e sim, porque, agradecido, gosta de deixar seus irmãos participar dos dons que recebeu.

Podemos também focalizar o tema de hoje com uma lente sociológica. Torna-se relevante, então, a exortação ao convite gratuito. Jesus manda convidar pessoas bem diferentes daquelas que geralmente se convidam: em vez de amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos, convidem-se pobres, estropiados, coxos e cegos – ou seja, em vez do círculo social da gente, os marginalizados. E na parábola seguinte, do grande banquete, o “senhor” convida, finalmente, exatamente as quatro categorias mencionadas (Lc 14,21).

O amor gratuito é limitação do amor de Deus. A autenticidade do amor gratuito se mede pela pouca importância dos beneficiados: crianças, inimigos, marginalizados, enfermos (cf. tb. Mt 25, 31-46). Jesus não proíbe gostar de parentes e vizinhos. Mas realmente imitar o amor gratuito, a hésed de Deus, a gente só o faz na “opção preferencial” pelos que são menos importantes.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Vocação Universal à Salvação

Embora homem da cidade, Lucas gosta de apresentar Jesus atravessando os lugarejos do interior.
Para a mensagem de hoje, esta representação é significativa: a todos deve ser apresentado o convite do Reino (evangelho).

De fato, à preocupação apocalíptica de saber o número dos eleitos e as chances que a gente tem (cf. o vestibular), Jesus responde: o número dos eleitos não importa; importa a conversão, esforçar-se para entrar e não ficar gracejando, dando um ar de interessado, sem nada empreender; pois vem o momento quando o dono da casa se levanta e fecha a porta; então, não reconhecerá os que estiverem com ele nas praças, mas só "de corpo presente", sem dar audiência à sua palavra.

Ora, a festa em si, ela está aberta a todos os que quiserem esforçar-se.

A crítica se dirige àqueles em cujas praças Jesus ensinou (13, 26): deixaram-no falar, mas não obedeceram a seu apelo de conversão, talvez porque estavam seguros de pertencer ao número dos eleitos.

Eles são os primeiros, que viram últimos, enquanto os últimos - os desprezíveis pagãos -, quando se convertem, se tornam os primeiros, para sentar com Abrão, Isaac e Jacó (que provocação para os judeus!) na mesa do banquete escatológico, vindos de todos os cantos do mundo.

Esta mensagem não perdeu sua atualidade. O que Jesus recusa é o calculismo e a falsa segurança a respeito da eleição.

A eleição não responde a nenhum critério humano. É a graça de Deus que nos chama a sua presença.
Diante deste chamado, todos, seja quem for, devem converter-se, pois ninguém é digno da santidade de Deus, nem de seu grande amor.

Ninguém se pode considerar dispensado de lhe prestar ouvido e de transformar sua vida conforme a exigência de sua palavra. Não existe um número determinado de eleitos ( é bom repeti-lo, com vistas a certas seitas por aqui).

O que existe é um chamado universal e permanente à conversão. E este vale também para os que já vêm rotulados como bons cristãos. Pois a fé nunca é conquistada para sempre. É como o maná do deserto: se a gente o quer guardar até a manhã seguinte, apodrece (cf. Ex 16,20)!

Quem não retorna diariamente o trabalho de responder à Palavra com uma autêntica conversão, gritará em vão: "Senhor, eu participei de retiros e assisti a pregações, palestras e cursos em teu nome ( e também comi e bebi nas suas festinhas paroquiais...)"...

E também hoje os últimos poderão ser os primeiros: os que não vão à igreja, porque não têm roupa decente, porque devem trabalhar, porque têm filhos demais, ou, simplesmente, porque se sentem estranhos entre tanta gente de bem... Para chamar a eles é que Jesus não ficou nos grandes centros, mas entrou nos bairros e vilarejos.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Assunção de Nossa Senhora


Quando os evangelistas tratam do relacionamento entre João Batista e Jesus, o fazem em uma perspectiva teológica, no sentido de afirmar a subordinação de João a Jesus. Na realidade, muitos discípulos de João Batista, após sua morte, ficaram à parte do movimento de Jesus, fiéis à figura de João. O realce da submissão de João a Jesus visa atrair estes discípulos para o movimento de Jesus.

No episódio da Visitação a supremacia de Jesus sobre João é colocada em evidência desde os ventres maternos. Duas mulheres, mães grávidas, cheias do Espírito Santo, se encontram e se regozijam pelo andamento dos fatos em cumprimento à vontade de Deus. Uma, Maria, esposa de
um operário de Nazaré, na Galileia, e outra, Isabel, esposa de um sacerdote do Templo de Jerusalém. Em seus ventres se concretiza o projeto salvífico de Deus. É do ventre feminino que brotam o Precursor e o Filho do homem, Filho de Deus eterno, que vem comunicar sua vida a todos.

Em resposta à saudação de Isabel, Maria pronuncia seu cântico, no qual, com brevidade, apresenta a obra salvífica de Deus, em relação a ela, à humanidade em geral e aos remanescentes de Israel.

Maria exalta a Deus e se alegra porque, nela, em sua humildade, Deus fez coisas grandiosas, concedendo-lhe a maternidade divina.

Em sua misericórdia para com os oprimidos, Deus dispensa os ricos poderosos e coloca o mundo nas mãos dos pobres famintos e humildes.

E com a mesma misericórdia acolhe, dentre os descendentes de Abraão, os remanescentes fiéis que buscam sinceramente a Deus. Maria manifesta sua fé humilde, consciente e comprometida com a causa dos pobres.

Oração

Pai, conduze-me pelos caminhos de Maria, tua fiel servidora, cuja vida se consumou, sendo exaltada por ti. Que, como Maria, eu saiba me preparar para a comunhão plena contigo.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

O tesouro e o mal empregado


Resultam-me encantadoras as palavras de Jesus: "Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino". Jesus contemplava a sua pequena comunidade, da qual ele se sentia líder e pastor, como uma pequena comunidade agraciada com o tesouro do Reino de Deus. Jesus convida-a a não temer. Os Evangelhos fazem-nos ver como os temores comunitários provem frequentemente da diminuição ou da falta de fé-confiança.

A comunidade de Jesus superará qualquer tipo de temor se de fato confia. A desconfiança, no entanto, faz surgir os temores. Quando um grupo, uma comunidade se deixa dominar pelos temores, só procura segurança e normas. Uma sociedade atemorizada converte-se pouco a pouco num cárcere.

Jesus não queria que suas comunidades, por pequenas que sejam, vivam submergidas no temor, no medo, mais na mais absoluta confiança no Tesouro que receberam: Deus reinando e, portanto tudo sob controle divino, sob a influência da boa vontade de Deus!

A experiência do pequeno rebanho muitos de nós a temos. Mas isso não nos deprime. Menos os 12 ou os 72 com os quais tudo começou! Nunca nos tem prometido a maioria numérica, mas a qualidade suprema: o presente do Reino de Deus. Ali onde Deus Pai está Jesus se faz presente e o Espírito atua, ali está o sumo valor: não há o que temer! Que poder têm milhões de células cancerígenas ante o pequeno, mas potente antídoto! Quem tem mais poder, um numeroso exército que mata, ou uma mulher que dá a luz um menino?

A comunidade de Jesus tem o poder da vida, do Reino. Não temos de temer. Mas também não confiar em nossas estratégias de segurança. Não precisamos nos dar demasiadas leis para nos defender do inimigo. Não precisamos depósitos para a segurança. Só confiança em nosso Deus!

Recebemos um Tesouro. E só nele deve estar nosso coração. Porque quando damos categoria de tesouro àquilo que não o é, ficamos muito degradados.

Podem alguns desprezar o clero ou a vida religiosa ou os praticantes cristãos envelhecidos e em estado de diminuição, mas o mais interessante é a qualidade. E entre elas e eles há tanta riqueza, tanta sabedoria, tanta bondade, santidade, misericórdia... Temos tesouros e desprezamo-los e abandonamos; temos água viva e a ocultamos; temos sabedoria e lhe tampamos a boca.

O ministério na Igreja não é para "pegar os moços e as raparigas", para se aproveitar dos privilégios que dá o poder, nem para suplantar ao Senhor ausente, senão para administrar bem todos os bens do Senhor. Para atuar como o mesmo Senhor! Pedir-se-á contas a quem não valoriza os tesouros que Deus põe entre nós. Um governo eclesial que não conta com todos, senão só com os “amigos”, com os do próprio “grupo” e exclui aos demais, me recorda ao mal empregado da parábola. Por algo semelhante, perguntou o perspicaz Pedro: "Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?”.

Às vezes na Igreja há gente, grupos que temem, precisamente porque lhes parece que se impõe o critério numérico e não o qualitativo. A estes grupos há que lhes recordar as palavras de Jesus: "Não temas, pequeno rebanho". A estes grupos há que lhes pedir resistência, porque se os maus administradores e empregados os maltratam, quando cheguar o amo eles mesmos receberão "muitos açoites".

Jesus agradece o Abbá o tesouro que nos concedeu: seu Reino, sua presença entre nós. Que não nos preocupemos com o futuro, que confiemos só em Vós e não em nós. Ajuda-nos Jesus a sermos bons administradores: a servir a nossos irmãos e irmãs, a valorizá-los e confiar em todos eles, sem exclusivismos, a ser como Tu que derramaste teu sangue "por todos".

Pe. José Cristo Rey Garcia Paredes.

A riqueza não garante a vida

No Evangelho de hoje temos um dos quatro textos exclusivos de Lucas que, de modo contundente, denunciam a ambição e a acumulação das riquezas. Os outros três são os seguintes: o Cântico de Maria (Lc 1,52-53), os quatro "ais" (Lc 6,24-26) e a parábola do pobre Lázaro (Lc 16,19-31).

No Evangelho de hoje, Jesus é procurado por alguém do meio da multidão pedindo-lhe que intervenha na partilha de uma herança. Esta partilha devia obedecer a critérios previstos na Lei religiosa e poderia ser submetida ao julgamento de algum doutor da Lei. Jesus rejeita desempenhar tal papel de mediador nesta questão de partilha da riqueza. Ele não fica na casuística, mas vai ao fundo da questão, aproveitando este caso para a denúncia da ambição e da acumulação de riquezas. Dirige-se, então, não só ao homem que o procurou, mas a todos, em todos os tempos, prevenindo contra a ganância.

Devemos compreender que, toda acumulação de bens, a partir do trabalho de outros, é injusta e inaceitável. Mas mesmo que a posse de bens acumulados seja resultado de uma herança, tal posse não pode ser o sentido da vida.

Assim, Jesus conta, então, a parábola do homem rico que armazenou a abundante colheita de sua terra em grandes celeiros, pensando que, assim, poderia gozar sua vida em segurança. Tolice! A riqueza não garante a vida e perturba o sono (cf. primeira leitura). Devemos compreender que a fonte da vida é Deus, e dela usufrui quem se dedica aos valores do Reino.

Na parábola é dito: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita [.]; vou construir maiores celeiros e neles guardar o meu trigo [.]". hoje podemos dizer também a este homem: quem colheu, quem construiu os celeiros e quem guardou a colheita nos celeiros foram os trabalhadores explorados. A tua falsa segurança é uma riqueza injusta, e a tua ganância o afasta de Deus. Estejamos atentos, também, à segunda leitura! Ora, qual cristão participante não sabe que somente o respeito à dignidade do irmão e a prática da partilha é que nos levam à comunhão de vida eterna com Deus.

Para entendermos melhor, reportamo-nos, aqui, aos fins do século IV, buscando como exemplo a São João Crisóstomo que afirma em sua homilia sobre a Primeira Carta a Timóteo, ao dizer que: "não é possível enriquecer sem cometer mil iniquidades", e quem recebe a herança de seu pai "recebe o que foi juntado à força de iniquidades", por aqueles que "se apoderaram e beneficiaram do alheio".

Como seguidores de Jesus nosso compromisso é ser, em primeiro lugar, testemunhas da justiça. Devemos deixar de lado as teorias (através das quais falamos, falamos e falamos... E não fazemos nada) para, ao contrário, sermos um pouco mais práticos, ou seja. Sim. Vamos falar menos e agir mais em prol do Reino de Deus. Vamos sair de nosso estado de estagnação e vamos partir para a ação.

Na maioria das vezes, nosso agir cristão, em decorrência de muita teoria, é puramente mecânico: Falamos... Falamos, e falamos, e não fazemos nada. Em decorrência disso, nem percebemos que os nossos braços já estão acomodados de tanto ficarem cruzados. Em outras palavras: mais cruzados do que abertos. Por quê agimos assim? Se pensarmos que é porque nos julgamos ricos, estamos muitos muito enganados. Na verdade, é porque temos uma fraca participação na Igreja da qual fazemos parte e, então, se insistimos em pensar, a exemplo do homem rico, exemplificado no evangelho de Lucas, estaremos enganando a nós mesmos.

Devemos ter cuidado! Se cruzarmos nossos braços para as coisas do Reino de Deus, jamais ousemos proferir que somos felizes. Jamais ousemos dizer que temos tudo de bom que precisamos para muitos anos. Jamais poderemos dizer que estamos prontos para descansar. Jamais deveremos dizer que temos tudo para comer ou beber. Jamais.

Se, enquanto formos cristãos – seguidores de Jesus - houver um irmão caído, explorado, espoliado, perseguido, maltratado, injustiçado, traído, enganado, faminto, pobre e miserável, nunca que deveremos permitir rigozijo e descanso para nossas almas, pois, em relação ao nosso agir, deveremos tomar muito cuidado, pois, estaremos sujeitos a ser chamados de “tolos!” e, quando resolvermos abrir os nossos olhos, talvez, será tarde demais, porque poderemos estar já, em outra dimensão, isto é: mortos. Apesar de sabermos que Deus é imensuravelmente misericordioso. Devemos entender que Ele – Deus - não é tolo e, que a sua justiça não falha nunca. Pensemos nisto...

Oração
Pai, preserva-me do apego exagerado às riquezas, as quais me tornam insensível às necessidades do meu próximo. Que eu descubra na partilha um caminho de salvação.



Prof. Diácono Miguel Teodoro

"...Ensina-nos a orar..."

O traço mais característico do Pai, transmitido nos Evangelhos, é a misericórdia.

Por isso, ao ensinar os discípulos a rezar, Jesus revela-lhes o rosto misericordioso do Pai, e os exorta a contar sempre com ele.

Um dado fundamental: é preciso ser perseverante, quando se trata de recorrer ao Pai.

Só ele conhece o momento oportuno de atender a quem lhe pede ajuda. Contudo, ninguém perde por esperar.

A argumentação de Jesus funda-se na insuperável misericórdia divina. Se nenhum pai humano, por pior que seja, responderia à súplica de um filho, dando-lhe algo nocivo, quanto mais o Pai celeste.

Sua bondade infinita responde generosamente a quem lhe suplica. E ninguém fica decepcionado, pois é garantida a sua intervenção em favor de seus filhos.

A oração do Pai-Nosso é o resumo de tudo de que há de bom e que o discípulo pode desejar obter do Pai.

Para rezá-lo, o orante deverá despojar-se de suas ambições pessoais e sintonizar-se com a misericórdia divina.

Por isso, seu desejo é ver santificado o nome do Pai celeste, e concretizado seu Reino, na história humana. Seus anseios abrem-se para as relações interpessoais e se manifestam na esperança de ver o pão ser partilhado entre todos, os pecados, perdoados, e o ser humano, livre das insídias do Maligno.
Só um coração misericordioso, à imitação do Pai, poderá nutrir tais desejos!

Prece
Espírito que despoja do egoísmo, sintoniza-me com a misericórdia do Pai, tirando de mim tudo quanto me fecha nos estreitos limites de minhas ambições pessoais.

Pe. Jaldemir Vitório

"Vai e faze o mesmo"

Ao vermos tantas situações de injustiça, ambição, corrupção, calamidade moral, às vezes parece impossível que este nosso mundo tome jeito.

Os mandamentos e o Evangelho estão nos dizendo o que Deus quer: respeito à vida, honestidade, fraternidade, amor a Deus e ao próximo...

Será esse programa impossível?

A leitura não diz que será fácil, mas afirma que o caminho da fidelidade à lei do Senhor é uma estrada aberta, onde se pode de fato andar. No Evangelho, vemos alguém querendo saber como se agrada a Deus. Se agradar a Deus bastasse, o assunto já estaria resolvido.

Mas não é essa a prova do vestibular para a vida eterna.

Jesus conta a parábola do bom samaritano para dar a esse “candidato a próximo” uma fisionomia definida. O próximo não é só o parente, o amigo, o conterrâneo; próximo é aquele de quem eu devo tornar-me próximo.

É o caído nas estradas da vida, o que tem feridas físicas, econômicas, emocionais, intelectuais, afetivas. O próximo é aquele que precisa ser, de algum modo, socorrido.

Quem precisa de mim, me convida a tornar-me próximo. Não faz sentido fazer imensas orações de agradecimento e adoração, se não nos comprometermos a ser, nós também, agentes de reconciliação e construtores de fraternidade. Não adianta se emocionar com o sangue da cruz.

Cabe honrar esse sacrifício mostrando que ele não foi em vão, respondendo ao chamado como discípulos que entenderam o recado e seguem com
autenticidade seu Mestre: “Vai e também tu faze o mesmo”. Que o Pai misericordioso venha ao nosso encontro e nos ajude neste caminho.
Padre Cremilson Silva Gomes (Paróquia Santa Luzia - Pancas - Diocese de Colatina)