Quem não toma sua cruz não pode ser meu discípulo (Lc 14,25-33)

Deus nos concede a graça de, hoje, nos reunirmos para que possamos enfrentar, com consciência, os desafios que Jesus nos propõe, a fim de nos tornarmos seus fiéis seguidores.

Para podermos entender a proposta que Jesus nos faz, via Lucas, primeiramente busquemos ver que o evangelista exalta o ministério itinerante de Jesus afirmando que grandes multidões o acompanhavam, e insere o tema das exigências do seguimento de Jesus. Por mais outras duas vezes Lucas retoma este tema (9,57-62 e 18,24-30) em seu Evangelho.

No entanto, observemos que Jesus está em contato com as multidões, tomadas por um misto de curiosidade e esperança. Ele quer atraí-las ao seu seguimento, porém, conscientes do compromisso a que são chamadas. Com duas sentenças seguidas de duas curtas parábolas intercaladas e uma sentença conclusiva, Jesus, conforme Lucas, apresenta as condições para este seguimento. Veja que cada sentença está incluída na estrutura frasal: "Se alguém (ou: quem) não [.], não pode ser meu discípulo!".

Assim, nos deparamos com três condições para o seguimento de Jesus. Vejamos:

A primeira condição é a libertação em relação aos laços tradicionais de família, estabelecidos como forma de conservadorismo ou privilégios raciais, principalmente quando evocados alegando-se a eleição divina. A opção deve ser radical por Jesus e pela proposta do Reino.

A segunda condição é o "carregar a sua cruz", que passou a ser uma expressão comum entre os discípulos, após a morte de Jesus. O carregar a cruz foi o auge da repressão sofrida por Jesus, da parte dos poderosos da sociedade, ao longo de sua vida. Assim, o discípulo deve estar disposto a enfrentar a repressão ao exercer o serviço da palavra e do testemunho, sem medo da morte.

A terceira condição é totalizante. É a renúncia a tudo o que se tem. É a conquista da liberdade total, da liberdade do medo da morte, o que transforma o discípulo em um ágil, fiel e solidário seguidor de Jesus, o qual tem a Sabedoria e o Espírito de Deus , conforme nos é relatado na primeira leitura.

No entanto, para nos ajudar e facilitar a nossa reflexão, em Paulo, que no fim da vida preocupa-se com a libertação do escravo Onésimo (veja novamente a segunda leitura), temos um exemplo de quem renunciou a tudo, coerente com a visão que tinha de Jesus.

Mas há algo que não devemos esquecer: as duas curtas parábolas mostram a necessidade de perceber bem as consequências nas tomadas de decisões importantes para não vacilar, depois, diante das dificuldades, particularmente quando se trata da própria decisão de seguir Jesus.

Deste modo, como seguidores de Jesus, por intermédio de uma opção livre e consciente, devemos, como cristãos, retomar o seu itinerário, de forma que possamos nos tornar verdadeiros e autênticos propagadores de seu Reino e lutar por um mundo mais igual e mais comum a todos os filhos de Deus, fazendo com que, através de nossa perseverança, prevaleça a justiça sem privilégios.

Oração
Pai, reforça minha disposição a ser discípulo de teu Reino, afastando tudo quanto possa abalar a solidez de minha adesão a ti e a teu Filho Jesus.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(www.teologiafeevida.com.br)

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