Jesus Cristo, Rei do Universo

Para coroar o ano litúrgico, celebramos o solene encerramento, a festa de Cristo-Rei. Jesus é apresentado como rei nosso e do universo. Mas, o que significa chamar Jesus de “rei”? Não temos em nosso meio experiência próxima daquilo que é um rei. Por isso convém prestar bem atenção à
1ª leitura, que narra a consagração de Davi como rei de Israel. Davi não é apenas chefe do Estado e tampouco um rei considerado deus como os reis do Egito e da Babilônia. Ele é “filho de Deus”, chamado a exercer o reinado em obediência a Deus, o Único Senhor.

Ora, se Davi era um rei diferente, Jesus muito mais, como poderemos perceber no evangelho. Seu governo tem alcance além da morte, além do mundo; e este domínio, que supera tudo, ele o abre para o pecador que se converte, o “bom ladrão” crucificado ao seu lado. Jesus não é rei sobre um determinado pedacinho de nosso planeta, mas submete a si a morte e o pecado (cf. 1Cor 15,25-26). Tudo o que existe para a glória de Deus – de modo especial, a Igreja – encontra em Jesus seu chefe, sua cabeça – diz a 2ª leitura. Ele é rei por seu sangue redentor, pelo dom de sua vida, que vence o ódio, o desamor, o pecado.

Estamos aos poucos redescobrindo que o Reino de Deus, inaugurado por Jesus, deve ser implantado aqui na terra, na justiça e no amor fraterno. Mas não devemos perder de vista a dimensão eterna deste reino. Ele supera as realidades históricas, “encarnadas”. Ele atinge a relação mais profunda e invisível entre Deus e o homem. Ele é universal, não apenas no tempo e no espaço, mas sobretudo na profundidade, na radicalidade.

O projeto de Deus, que Jesus veio, definitivamente, pôr em ação, não termina no horizonte de osso olhar físico. Seu alcance não tem fim. É uma grandeza que vence todo o mal, muito além daquilo que podemos verificar aqui e agora. É um reino que não apenas conquista o mundo, mas muda a sua qualidade. Por isso dedicamo-lhes todas as nossas forças e não ficamos de braços cruzados.

Este reino supera o pecado, como Jesus mostra, acolhendo o “bom ladrão”. Pois é o reino de amor. Porém, não legitima o pecado: Zaqueu, depois que se converteu, começou vida nova (Lc 19, 1-10). Se o bom ladrão tivesse continuado com vida, deveria ter mudado radicalmente seu modo de viver... Assim, para participarmos, já agora, deste reino de amor, justiça e paz, devemos deixar acontecer em nós a transformação que Jesus iniciou e pela qual ele deu a sua vida.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

"...nem um fio de cabelo vosso será perdido..." Lc 21,18

 partir da admiração de algumas pessoas diante da beleza do Templo, Lucas apresenta uma fala de Jesus sobre a destruição do mesmo. É o chamado "discurso escatológico", narrado também por Marcos e Mateus.

O Templo de Jerusalém construído por Salomão foi destruído pela Babilônia. Depois foi reconstruído por Zorobabel, na volta do exílio.

Cerca de treze anos antes do nascimento de Jesus, herodes inicia a reforma do Templo, tornando-o mais luxuoso ainda, com grande quantidade de ornatos de ouro.

Com toda esta ostentação de riqueza e luxo, provocava no povo o sentimento de humilhação e submissão.

Através dele desfilavam multidões de populares e camponeses, tímidos e humilhados, os quais, com grandes sacrifícios, traziam suas ofertas de obrigação aos cofres do Tesouro do Templo.

Diante desta situação, Jesus denuncia que o Templo tornou-se um antro de ladrões (cf. 19 nov.). Seis anos depois que seus luxuosos acabamentos foram concluídos, no ano 70 d.C., o Templo foi destruído pelos romanos.

As obras suntuosas são usadas pelos exploradores para intimidarem e submeterem o povo humilde, porém não resistem ao tempo. "Tudo será destruído." Neste texto, vários sinais indicam a falência dos poderosos deste mundo.

Falsos profetas que prometem a felicidade a partir da conquista do poder, guerras dos poderosos e guerrilhas dos oprimidos, e também sinais da natureza ferida pelo progresso a serviço do lucro.

Por outro lado, os pobres e humildes percebem os sinais da presença de Jesus entre eles, transformando o mundo por sua palavra e sua prática amorosa.

A Relação Fé e Vida

Hoje o evangelho parece descrever cenas da vida atual: fala de violência, destruição, tragédias naturais e sociais, opressão, exploração do mais forte sobre o mais fraco, abusos de poder por parte dos que governam etc.

Tudo isso não significa o fim do mundo nem é castigo de Deus; antes, porém, é um alerta sobre o nosso comportamento violento em relação aos outros, à natureza e, principalmente. Em relação às leis de Deus.

Deste modo, diante desse quadro sombrio, a liturgia deste Domingo torna-se fonte de vida e esperança para todos nós na luta pela sobrevivência a fim de que todos possam ter a vida.

Fundamentados na Palavra de Deus, aprendemos que nossos esforços, desde que fundamentados em atitudes honestas, não são inúteis, pois se permanecermos fiéis e firmes à Palavra, transformaremos a violenta realidade na qual vivemos em realidade de paz, na qual, a partir de nossa disponibilização como instrumentos dessa Palavra transformadora faremos, à medida de nossas capacidades, nascer e brilhar o sol da justiça para todos os filhos e filhas de Deus.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

A comunhão dos Santos

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma idéia muito restrita a respeito de quem são os santos...

Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que “combinam com ele”. Assim, carcterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação.

Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª Leitura): já fomos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e a assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br