As Bem-Aventuranças - 30/01/2001

Segundo a tradição do Primeiro Testamento, a Moisés, na montanha, foi atribuída a Lei, a qual, usada como instrumento de favorecimento das elites religiosas e econômicas, se tornou extremamente opressora e excludente do povo.

Os trabalhadores empobrecidos, em condições precárias de vida, não tinham como observar os inúmeros preceitos da Lei, sendo considerados "pecadores", e ficavam em débito com os códigos de purificação a serem cumpridos no Templo de Jerusalém, mediante ofertas e sacrifícios.

Por outro lado, as elites religiosas e econômicas vinculadas ao Templo e às sinagogas, cumprindo esses códigos, julgavam-se "puras", "justas" e "santas".

Agora, na montanha, Jesus proclama as bem-aventuranças como o caminho da libertação e do amor, para ser o fermento da transformação do mundo.

As bem-aventuranças não têm o mesmo caráter que os mandamentos. Elas são um convite e uma proposta de vida nova, na prática da justiça que conduz à paz (cf. primeira leitura).

Priorizando o direito à vida plena, conforme a vontade do Pai, Jesus empenha-se em remover as cadeias da lei injusta e opressora. Realiza-se o anúncio de Maria em seu cântico por ocasião da visita a sua prima Isabel, ambas grávidas: "[Deus] agiu com a força de seu braço, dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias" (Lc 1,51-53). Lucas, no seu evangelho, apresenta quatro bem-aventuranças para os pobres em contraste com as quatro lamentações sobre os ricos (Lc 6,20-26).

A esperteza, a ambição da riqueza, a sede de poder na acumulação de bens, que são a "sabedoria" deste mundo, representam na realidade loucura e perdição diante de Deus; por sua vez, os pobres que se reúnem fraternalmente nas comunidades dos discípulos de Jesus, encontram a vida em abundância, em comunhão com Deus (cf. segunda leitura).

Os pobres descobrem seu espaço nas novas comunidades onde se vive a partilha. Os que choram passam a sorrir no novo convívio fraterno. Os mansos cativam os corações aproximando-os entre si. Os que têm fome e sede de justiça clamam e questionam a sociedade opressora, exploradora e excludente, empenhando-se na construção de uma nova sociedade, justa e fraterna.

Os misericordiosos, cheios de compaixão, libertam aqueles que têm a consciência carregada de culpabilidade, moldada sob a ideologia do sistema opressor. Os de coração puro são sensíveis a tudo o que há de bom e digno nos irmãos, valorizando cada um, sem nenhuma discriminação.

Os pacíficos se comprometem na construção de um mundo livre da ambição e da violência daqueles que, seduzidos pela acumulação de riquezas, fazem a guerra e tiram o alimento dos pobres para transformá-lo em armas de destruição maciça.

A prática libertadora do amor subverte a ordem dos ricos poderosos e violentos. Quem assume essa prática fica sob a ameaça da perseguição e da difamação. E muitos foram os que tiveram a vida imolada por sua solidariedade com os empobrecidos, humilhados e explorados. Porém, a alegria de unir sua vida com a vida de todos, em comunhão com o Pai, é eterna.

Na narrativa deste evangelho pode-se reconhecer toda a teologia do evangelista, cuja essência resume-se na Justiça de Deus.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(fonte: http://www.teologiafeevida.com.br/)

A esperança começa na Galiléia - 23/01/2011

(continua a Campanha em favor das Vítimas das Enchentes,
para saber mais, clique
aqui)

Para ver melhor, vamos recuar um pouco... Sete séculos antes de Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para a Assíria, e povos pagãos tomaram seu lugar. A região ficou conhecida como “Galiléia dos pagãos”.

Naquele mesmo tempo, o profeta Isaías anunciou que o novo rei de Judá poderia ser uma luz para as populações oprimidas (1ª leitura). Sete séculos
depois, Jesus começa sua atividade exatamente naquela região, a Galiléia dos pagãos. Realiza-se, de modo bem mais pleno, o que Isaías anunciara.

É o que nos ensina o evangelho de hoje.

Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus. Mas não o faz sozinho. Do meio do povo, chama os seus colaboradores. Dos pescadores do Lago da Galiléia ele faz “pescadores de homens”. Eles deixam seus afazeres, para se dedicarem à missão de Jesus: anunciar a boa-nova, a libertação de seu povo oprimido. Esse anúncio não acontece somente por palavras, mas também por ações.

Jesus e os discípulos curam enfermos, expulsam demônios... Anunciar o reino implica aliviar o sofrimento, pois é a realização do plano de amor de Deus.

Nosso povo anda muito oprimido pelas doenças físicas, mas sobretudo pelas doenças da sociedade: a exploração, o empobrecimento dos trabalhadores etc. Deus é sua última esperança. O povo entenderá o que Jesus pregou (justiça, amor etc.) como boa-nova à medida que se; realize algum sinal disso em sua vida (alívio de sofrimento pessoal e social). Um desafio para nós.

Jesus chama seus colaboradores do meio do povo. Ora, na Igreja, como tradicionalmente a conhecemos, os anunciadores tornaram-se um grupo separado, um clero, uma casta, enquanto Jesus se dirigiu a simples pescadores que trabalhavam ali na beira do lago.

Ensinou-lhes uma outra maneira de pescar: pescar gente. Onde estão hoje os pescadores de homens, agricultores de fiéis, operários do Reino – chamados do meio do povo? Por que só os intelectuais podem ser chamados, para, munidos de prolongados estudos, ocuparem “cargos”eclesiásticos, à distância do povo? Não é ruim estudar; oxalá os pescadores e operários também pudessem fazer.

Mas importa observar que a evangelização, o anúncio do Reino, puxar gente para a comunidade de Jesus, não é tarefa reservada a gente com diploma. E a Igreja como um todo deve voltar a uma simplicidade que possibilite que pessoas do povo levem o anúncio aos seus irmãos e assumam a responsabilidade que isso implica.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO EM PROL DAS VÍTIMAS DAS ENCHENTES

O Santuário está promovendo uma CAMPANHA DE ARRECADAÇÃO DE DONATIVOS para as vítimas das enchentes do Rio.

A Cruz Vermelha orienta a doação de:
- água mineral
- alimentos de pronto consumo (massas e sopas desidratadas, biscoitos, cereais)
- leite em pó
- roupas

As doações podem ser entregues na Secretaria do Santuário, no Largo Marquês de Monte Alegre 13, de 3a. a 6a. feira, das 9h00 às 18h00.

DOAÇÕES EM DINHEIRO podem ser feitas nos bancos abaixo:

Caixa Econômica Federal – número 2011-0, agência 0199, operação 006.

Bradesco – O beneficiário da conta é o Fundo Estadual da Assistência Social, agência 6570-6, conta corrente 2011-7.

Itaú Unibanco – Aceita doações em favor de Fundo Estadual de Assistência Social do Estado do Rio de Janeiro: Itaú (341), Agência 5673, Conta 00594-7, CNPJ: 02932524/0001-46. Podem ser feitas pela internet, rede de agências e nos caixas eletrônicos Itaú.

Cruz Vermelha – A entidade abriu uma conta para receber doações em dinheiro (Banco Real Ag. 0201 c/c 1793928-5).

"...eis o Cordeiro de Deus" 16/01/2011

Os domingos do tempo comum seguem, em grandes linhas, os passos da vida pública de Jesus, desde seu batismo por João (Batismo do Senhor, fim do tempo de Natal) até o conflito final em Jerusalém e o anúncio do Último Juízo (cf 32°-34° dom, com.). Em regra, segue-se a leitura contínua do evangelho de Mt. Hoje, porém, é intercalado um trecho de Jo (que normalmente não é lido no tempo comum).

Na festa do Batismo do Senhor figurou o relato mateano deste fato. Hoje, o evangelho traz como que a “interpretação” por Jo do mesmo fato (Jo 1,29-34). Enquanto Mt conta o acontecimento sob o ângulo do cumprimento da vontade de Deus, Jo o considera sob o ângulo da revelação: João Batista veio para que o “Cordeiro de Deus” seja conhecido por Israel (Jo é o evangelho da manifestação de Deus em Jesus Cristo e atribui ao Batista o papel de testemunha; cf. Jo 1,6-8.15; cf. v. 34).

No testemunho do Batista segundo Jo podemos destacar dois elementos: 1) A antítese ”batizar com água” – “batizar com o Espírito Santo” (cf. Mt3, 11 = Mc 1,7-8 Lc 3,16).

Mas, enquanto para os evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc) isso significa que em Jesus vem até nós o batismo escatológico (“em espírito santo e fogo”; Mt 3,11), Jo reinterpreta isso a partir de sua experiência eclesial: desde a morte e ressurreição de Cristo, a Igreja é guiada por seu Espírito.

Cristo é aquele que dá o Espírito como dom permanente: o espírito desce sobre Jesus e permanece. 2) 0 evangelho de Jo atribui a Jesus o título bem particular de Cordeiro de Deus.

É uma alusão ao Servo de Deus, que, tal um cordeiro, não abre a boca e dá sua vida em prol dos seus irmãos. Mas isso parece relacionar-se com o cordeiro pascal e com o dom do Espírito (cf. os cânticos do Servo de Deus, esp. Is 42,1). Pois tirar o pecado do mundo é precisamente o legado que Jesus, com o dom do Espírito, deixa aos seus quando de sua ressurreição (Jo 20,19-23; cf. Pentecostes).

É nesta perspectiva que devemos ler a 1ª leitura, o 2° Canto do Servo de Deus (Is 49,3.5-6). Ele é chamado, desde o seio de sua mãe, para reerguer Israel e - conforme a teologia específica do Segundo Isaías - ser uma luz diante das nações, no meio dos quais o povo vivia disperso.

O Servo é também o protótipo veterotestamentário do “Filho” de Deus, como Jesus é proclamado na hora de seu batismo. O salmo responsorial mostra a prontidão do justo para assumir o chamamento do Senhor.

A 2ª leitura se une às duas outras mediante o tema da vocação - vocação de Paulo como apóstolo, vocação dos fiéis de Corinto (e de toda a Igreja) à santidade. Toda vocação participa da vocação que Deus suscitou nos seus “filhos”, desde antigamente; participa, especialmente e de maneira incomparável, da vocação de Cristo.

A oração do dia reza por todos os que se empenham pela justiça de Deus, os “servos” e “filhos” de Deus, pois o tema de hoje é a vocação a ser filho de Deus, conforme o modelo de Jesus Cristo, proclamado tal na ocasião de seu batismo.

A nossa vocação é uma participação na do Cristo, mediante o Espírito que permanece nele e nos faz permanecer nele, para que nós, como novos servos de Deus, tiremos de todos os modos possíveis o pecado do mundo, empenhando-nos pela justiça de Deus. A oração final pede que este Espírito, dom permanente de Cristo, nos faça viver unidos no amor do Pai.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

BATISMO DO SENHOR - 09/01/2011

Com toda clareza, constata-se nos quatro evangelhos que o ministério de Jesus tem início a partir do seu batismo por João Batista. Evidencia-se assim a importância de João Batista no projeto de Deus, ao assumir em plenitude sua humanidade a partir da encarnação de Cristo.

Lucas realça essa importância quando, em seu evangelho, faz um paralelo entre o anúncio da concepção e nascimento de João Batista e de Jesus. Jesus, reconhecendo a autenticidade do anúncio de João Batista, abandona sua rotina de vida em Nazaré da Galiléia e vai ao encontro de João na região do além-Jordão para receber o batismo.

Mateus também ressalta o encontro de Jesus e João. Porém, em outras palavras, o evangelista quer nos mostrar que Jesus é o Servo fiel e o Filho amado do Pai.

A partir desse encontro, começa a formar seu próprio discipulado dentre os discípulos de João para, a seguir, iniciar o próprio ministério, assumindo elementos do anúncio de João Batista. O batismo de João é mencionado onze vezes no Segundo Testamento, sempre com acento no seu caráter de fundamento ao ministério de Jesus.

Os evangelhos citam que mesmo Jesus, quando questionado pelas autoridades do Templo, dá a entender que o batismo de João é do céu.

Em Atos dos Apóstolos, no momento da escolha do sucessor de Judas, Pedro estabelece o critério básico para ser apóstolo: "É necessário, pois, que, dentre estes homens que nos acompanharam todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu em nosso meio, a começar do batismo de João até o dia em que foi arrancado dentre nós, um destes se torne conosco testemunha da sua ressurreição" (At 1,21-22).

Também em sua fala, em casa de Cornélio, Pedro faz alusão ao começo do ministério de Jesus na Galiléia depois de ser batizado por João, conforme se lê em At 10,37-38.

Vejam: João Batista anunciava a conversão à prática da justiça como caminho para remover o pecado do mundo. A aspiração a uma realidade de justiça e paz já está presente em alguns textos do Primeiro Testamento, quando o povo vivia oprimido e explorado primeiro pelas cortes reais e, depois, pelas elites religiosas sediadas no Templo de Jerusalém.

No texto do "servo" de Isaías, conforme lemos na primeira leitura, encontramos o sonho de consolidação do direito e da justiça. Ao pedir o batismo de João, Jesus diz que "é assim que devemos cumprir toda a justiça!".

Depois de ser batizado, o seu gesto é confirmado pelo Espírito Santo e pelo Pai, com a proclamação: "Este é o meu Filho amado; nele está meu pleno agrado". Jesus, assumindo e renovando a mensagem de João Batista, declara a conversão com a prática efetiva da justiça como vontade do Pai e como bem-aventurança pela qual se entra em comunhão de vida eterna com Deus.

Posteriormente, Pedro, fiel ao Mestre, afirma, ainda em casa de Cornélio: "Estou compreendendo que Deus não faz discriminação entre as pessoas. Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença".

Esta é a verdadeira perspectiva universalista, em que todo aquele que se empenha na luta pela justiça, cultivando a vida, é agradável a Deus e entra em comunhão com ele, em qualquer época, povo ou nação.