"...eis o Cordeiro de Deus" 16/01/2011

Os domingos do tempo comum seguem, em grandes linhas, os passos da vida pública de Jesus, desde seu batismo por João (Batismo do Senhor, fim do tempo de Natal) até o conflito final em Jerusalém e o anúncio do Último Juízo (cf 32°-34° dom, com.). Em regra, segue-se a leitura contínua do evangelho de Mt. Hoje, porém, é intercalado um trecho de Jo (que normalmente não é lido no tempo comum).

Na festa do Batismo do Senhor figurou o relato mateano deste fato. Hoje, o evangelho traz como que a “interpretação” por Jo do mesmo fato (Jo 1,29-34). Enquanto Mt conta o acontecimento sob o ângulo do cumprimento da vontade de Deus, Jo o considera sob o ângulo da revelação: João Batista veio para que o “Cordeiro de Deus” seja conhecido por Israel (Jo é o evangelho da manifestação de Deus em Jesus Cristo e atribui ao Batista o papel de testemunha; cf. Jo 1,6-8.15; cf. v. 34).

No testemunho do Batista segundo Jo podemos destacar dois elementos: 1) A antítese ”batizar com água” – “batizar com o Espírito Santo” (cf. Mt3, 11 = Mc 1,7-8 Lc 3,16).

Mas, enquanto para os evangelhos sinóticos (Mt, Mc e Lc) isso significa que em Jesus vem até nós o batismo escatológico (“em espírito santo e fogo”; Mt 3,11), Jo reinterpreta isso a partir de sua experiência eclesial: desde a morte e ressurreição de Cristo, a Igreja é guiada por seu Espírito.

Cristo é aquele que dá o Espírito como dom permanente: o espírito desce sobre Jesus e permanece. 2) 0 evangelho de Jo atribui a Jesus o título bem particular de Cordeiro de Deus.

É uma alusão ao Servo de Deus, que, tal um cordeiro, não abre a boca e dá sua vida em prol dos seus irmãos. Mas isso parece relacionar-se com o cordeiro pascal e com o dom do Espírito (cf. os cânticos do Servo de Deus, esp. Is 42,1). Pois tirar o pecado do mundo é precisamente o legado que Jesus, com o dom do Espírito, deixa aos seus quando de sua ressurreição (Jo 20,19-23; cf. Pentecostes).

É nesta perspectiva que devemos ler a 1ª leitura, o 2° Canto do Servo de Deus (Is 49,3.5-6). Ele é chamado, desde o seio de sua mãe, para reerguer Israel e - conforme a teologia específica do Segundo Isaías - ser uma luz diante das nações, no meio dos quais o povo vivia disperso.

O Servo é também o protótipo veterotestamentário do “Filho” de Deus, como Jesus é proclamado na hora de seu batismo. O salmo responsorial mostra a prontidão do justo para assumir o chamamento do Senhor.

A 2ª leitura se une às duas outras mediante o tema da vocação - vocação de Paulo como apóstolo, vocação dos fiéis de Corinto (e de toda a Igreja) à santidade. Toda vocação participa da vocação que Deus suscitou nos seus “filhos”, desde antigamente; participa, especialmente e de maneira incomparável, da vocação de Cristo.

A oração do dia reza por todos os que se empenham pela justiça de Deus, os “servos” e “filhos” de Deus, pois o tema de hoje é a vocação a ser filho de Deus, conforme o modelo de Jesus Cristo, proclamado tal na ocasião de seu batismo.

A nossa vocação é uma participação na do Cristo, mediante o Espírito que permanece nele e nos faz permanecer nele, para que nós, como novos servos de Deus, tiremos de todos os modos possíveis o pecado do mundo, empenhando-nos pela justiça de Deus. A oração final pede que este Espírito, dom permanente de Cristo, nos faça viver unidos no amor do Pai.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

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