A esperança começa na Galiléia - 23/01/2011

(continua a Campanha em favor das Vítimas das Enchentes,
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Para ver melhor, vamos recuar um pouco... Sete séculos antes de Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para a Assíria, e povos pagãos tomaram seu lugar. A região ficou conhecida como “Galiléia dos pagãos”.

Naquele mesmo tempo, o profeta Isaías anunciou que o novo rei de Judá poderia ser uma luz para as populações oprimidas (1ª leitura). Sete séculos
depois, Jesus começa sua atividade exatamente naquela região, a Galiléia dos pagãos. Realiza-se, de modo bem mais pleno, o que Isaías anunciara.

É o que nos ensina o evangelho de hoje.

Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus. Mas não o faz sozinho. Do meio do povo, chama os seus colaboradores. Dos pescadores do Lago da Galiléia ele faz “pescadores de homens”. Eles deixam seus afazeres, para se dedicarem à missão de Jesus: anunciar a boa-nova, a libertação de seu povo oprimido. Esse anúncio não acontece somente por palavras, mas também por ações.

Jesus e os discípulos curam enfermos, expulsam demônios... Anunciar o reino implica aliviar o sofrimento, pois é a realização do plano de amor de Deus.

Nosso povo anda muito oprimido pelas doenças físicas, mas sobretudo pelas doenças da sociedade: a exploração, o empobrecimento dos trabalhadores etc. Deus é sua última esperança. O povo entenderá o que Jesus pregou (justiça, amor etc.) como boa-nova à medida que se; realize algum sinal disso em sua vida (alívio de sofrimento pessoal e social). Um desafio para nós.

Jesus chama seus colaboradores do meio do povo. Ora, na Igreja, como tradicionalmente a conhecemos, os anunciadores tornaram-se um grupo separado, um clero, uma casta, enquanto Jesus se dirigiu a simples pescadores que trabalhavam ali na beira do lago.

Ensinou-lhes uma outra maneira de pescar: pescar gente. Onde estão hoje os pescadores de homens, agricultores de fiéis, operários do Reino – chamados do meio do povo? Por que só os intelectuais podem ser chamados, para, munidos de prolongados estudos, ocuparem “cargos”eclesiásticos, à distância do povo? Não é ruim estudar; oxalá os pescadores e operários também pudessem fazer.

Mas importa observar que a evangelização, o anúncio do Reino, puxar gente para a comunidade de Jesus, não é tarefa reservada a gente com diploma. E a Igreja como um todo deve voltar a uma simplicidade que possibilite que pessoas do povo levem o anúncio aos seus irmãos e assumam a responsabilidade que isso implica.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

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