"Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua Justiça..." 27/02/2011

Dizem que se deve escolher entre a tecnologia e a divina Providência.
Quem tem a coragem de viajar de avião não deve pensar na Providência, e sim na segurança da tecnologia... Deus não deve intervir a qualquer momento, as leis da ciência e suas aplicações é que devem estas seguras... Não diminui a fé na providência a responsabilidade humana?

A 1ª leitura ensina a jogar-nos com toda a confiança nos braços de Deus: seu amor não desiste de cuidar de nós. E no evangelho, Jesus dirige nosso olhar para os pássaros do céu e os lírios do campo.

Mas ele não ensina a despreocupação. Ele nos ensina a atitude certa para o serviço do Reino de Deus: procurar primeiro o reino e sua justiça. Então, podemos contar com a providência de Deus, para que possamos cumprir a missão que ele nos confia.

Não a despreocupação, mas a liberdade e a simplicidade no serviço do Reino é a mensagem da parábola dos lírios. Quem procurar estar a serviço do Reino receberá como graça de Deus as coisas necessárias para viver.

Tal atitude é totalmente contrária à atitude dos que procuram antes de tudo riqueza, propriedades, prestígio, poder, prazer... Será difícil conseguir tudo isso e além disso “ter Deus”!

Melhor é procurar primeiro Deus e receber, além dele, o resto... Assim, o evangelho se opõe também aos despreocupados, que deixam tudo correr para não se incomodarem e por isso se tornam cúmplices daqueles que querem tudo para si.

O certo é primeiro empenhar-se pelo serviço de Deus, da justiça e do amor que Jesus nos ensina.

Então, sempre teremos a certeza de ter feito o que devíamos fazer. Se Deus nos concede uma vida longa e materialmente sucedida, para assim servi-lo, tudo bem; e se ele nos conduz ao sacrifício, não teremos nada a reclamar.

A confiança na Providência assim entendida não é contrária à responsabilidade e ao engajamento.

É sua condição necessária. Pois quem sempre está calculando como salvará seus interesses próprios, nunca se engajará com liberdade evangélica. Neste sentido, a confiança na Providência não é alienante, mas libertadora! Não tira a nossa responsabilidade, mas nos dá maior liberdade e coragem para assumir nossa responsabilidade na construção do reino.

Quanto mais confiamos em Deus, tanto mais cresce nossa responsabilidade. Devemos confiar como se tudo dependesse de Deus e nos empenhar como se tudo dependesse de nós (cf. Sto, Inácio de Loyola) .

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

"Não vim para acabar com a Lei ou os Profetas" 13/02/2011

Mateus, no seu evangelho, apresenta às suas comunidades oriundas do judaísmo Jesus como sendo aquele que vem atender às expectativas suscitadas pelo Primeiro Testamento. Contudo, conforme vimos no 4º domingo do Tempo Comum, com a proclamação das bem-aventuranças, Jesus transmite seus novos mandamentos, e afirma que quem viver estas bem-aventuranças é grande no Reino dos Céus.

Jesus não pretende reformar o complexo doutrinal do judaísmo, mas vem revelar que qualquer doutrina ou lei só tem sentido se contribuir para o desabrochar da vida. Ele não propõe uma doutrina, mas ensina a prática restauradora da vida. Logo de inicio, no Sermão da Montanha, Jesus faz seis contraposições entre o que foi dito aos antigos, isto é, a doutrina do Primeiro Testamento, e o seu anúncio da novidade do Reino dos Céus.

No evangelho de hoje temos quatro destas contraposições. A primeira contraposição é entre o antigo mandamento: "não matarás", e a nova prática de Jesus que descarta mesmo qualquer ofensa, ódio, ou difamação ao irmão, com o empenho em reconciliar-se com ele, caso haja qualquer desavença.

A segunda contraposição acontece entre o mandamento: "não cometerás adultério", e um novo comportamento em que o próprio desejo do adultério não crie raízes no coração.

Em seguida temos a contraposição entre o direito do homem despedir sua mulher, respaldado pela Lei de Moisés, e a remoção deste direito, pois o homem que assim fizer torna-se responsável caso a mulher se torne adúltera.

Finalmente, a quarta contraposição é feita entre os antigos mandamentos de "não jurar falso" e "cumprir os juramentos feitos ao Senhor", e a rejeição de qualquer forma de juramento.

Cabe a cada um assumir com responsabilidade seus atos, agindo de maneira coerente, refletida, e consequente, decidindo-se, simplesmente, pelo sim ou pelo não, pois Deus respeita as nossas escolhas e, por isso, cada um tem a liberdade de escolher entre o bem e o mal, porém, teremos que nos conscientizar que nossas escolhas estarão sob a égide do julgamento de Deus, cuja justiça não falha. Que nossos atos, gestos, ações e palavras não nos conduzam ao legalismo e farisaísmo que nos afastam de Deus.

(Prof. Díácono Miguel A. Teodoro)
(fonte: www.teologiafeevida.com.br)

Ser sal e luz - 06/02/2011

Novo bispo franciscano ordenado. Frei André representou a comunidade.
Continua a Campanha em favor das Vítimas das Enchentes,  clique aqui


Ao ouvir o trecho do Sermão da Montanha do evangelho de hoje, alguém pode perguntar: "Que pretensão é essa de dizer que os seguidores de Jesus, gente simples e sem brilho, devem ser 'sal e luz' para o mundo?"

Jesus quer dizer que esses simples galileus, agora reunidos na comunidade do Reino de Deus, dão sabor ao mundo insípido e devem deixar brilhar as suas boas obras, para que as pessoas deem graças a Deus.

Pois Deus é reconhecido nas boas obras de seus filhos. Isso significa também que não devem fazer as boas obras por vaidade própria: uma "luz" boa não ofusca a vista com seu próprio foco, mas ilumina o mundo em torno de si. A 1ª leitura dá um exemplo de como deixar brilhar essa luz: saciar os famintos, acolher os indigentes, afastar a opressão de nosso meio ...

A sociedade de hoje procura um brilho bem diferente daquele do evangelho: luxo e esbanjamento, diploma comprado e esperteza para enganar os outros ... O sal e a luz do evangelho não são reservados aos que têm riqueza e poder. Encontram-se na vida do mais pobre. Este pode ser sal e luz até para os ricos e cultos: faz-lhes ver a vida em sua nudez e provoca no coração deles a opção fundamental.

Diante do pobre, os abastados têm de optar a favor ou contra o Cristo pobre. A solidariedade dos pobres e com os pobres questiona os "valores" de uma sociedade individualista e competicionista, na qual cada um abocanha tudo quanto consegue. O povo dos pobres é, para todos, a luz que lhes faz ver a dimensão decisiva de sua vida. O brilho do mundo, ao contrário, leva ao tédio; em vez de sal e luz, escuridão e entorpecentes ...

A 2ª leitura de hoje nos lembra que o Cristo, centro e inspiração de nossa vida, não combina com o falso brilho do mundo: "Nada a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado". Os cristãos devem colocar sua glória somente em Cristo. Paulo não prega coisas de sucesso, mas o Cristo crucificado, para que a fé não se baseie em sabedoria de homens, mas no poder de Deus, que ressuscitou Jesus.

Para sermos sal e luz, Cristo não ordena esforços sobre-humanos. Basta nossa adesão cordial e íntima a Jesus e a sua comunidade. "Sois o sal... sois a luz ... ". Quem adere de verdade à comunidade do Reino que ele convoca, será sal e luz. Se somos verdadeiramente discípulos dele, comunicamos cor e sabor ao mundo.

Por nossa bondade, simplicidade, justiça, autenticidade e também por nossos sacrifícios, se for o caso, tomamos o mundo luminoso e gostoso, de modo que os nossos semelhantes possam dar graças a Deus.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)