Ser sal e luz - 06/02/2011

Novo bispo franciscano ordenado. Frei André representou a comunidade.
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Ao ouvir o trecho do Sermão da Montanha do evangelho de hoje, alguém pode perguntar: "Que pretensão é essa de dizer que os seguidores de Jesus, gente simples e sem brilho, devem ser 'sal e luz' para o mundo?"

Jesus quer dizer que esses simples galileus, agora reunidos na comunidade do Reino de Deus, dão sabor ao mundo insípido e devem deixar brilhar as suas boas obras, para que as pessoas deem graças a Deus.

Pois Deus é reconhecido nas boas obras de seus filhos. Isso significa também que não devem fazer as boas obras por vaidade própria: uma "luz" boa não ofusca a vista com seu próprio foco, mas ilumina o mundo em torno de si. A 1ª leitura dá um exemplo de como deixar brilhar essa luz: saciar os famintos, acolher os indigentes, afastar a opressão de nosso meio ...

A sociedade de hoje procura um brilho bem diferente daquele do evangelho: luxo e esbanjamento, diploma comprado e esperteza para enganar os outros ... O sal e a luz do evangelho não são reservados aos que têm riqueza e poder. Encontram-se na vida do mais pobre. Este pode ser sal e luz até para os ricos e cultos: faz-lhes ver a vida em sua nudez e provoca no coração deles a opção fundamental.

Diante do pobre, os abastados têm de optar a favor ou contra o Cristo pobre. A solidariedade dos pobres e com os pobres questiona os "valores" de uma sociedade individualista e competicionista, na qual cada um abocanha tudo quanto consegue. O povo dos pobres é, para todos, a luz que lhes faz ver a dimensão decisiva de sua vida. O brilho do mundo, ao contrário, leva ao tédio; em vez de sal e luz, escuridão e entorpecentes ...

A 2ª leitura de hoje nos lembra que o Cristo, centro e inspiração de nossa vida, não combina com o falso brilho do mundo: "Nada a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado". Os cristãos devem colocar sua glória somente em Cristo. Paulo não prega coisas de sucesso, mas o Cristo crucificado, para que a fé não se baseie em sabedoria de homens, mas no poder de Deus, que ressuscitou Jesus.

Para sermos sal e luz, Cristo não ordena esforços sobre-humanos. Basta nossa adesão cordial e íntima a Jesus e a sua comunidade. "Sois o sal... sois a luz ... ". Quem adere de verdade à comunidade do Reino que ele convoca, será sal e luz. Se somos verdadeiramente discípulos dele, comunicamos cor e sabor ao mundo.

Por nossa bondade, simplicidade, justiça, autenticidade e também por nossos sacrifícios, se for o caso, tomamos o mundo luminoso e gostoso, de modo que os nossos semelhantes possam dar graças a Deus.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

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