São Francisco e a criação

São Francisco é hoje um modelo para os que buscam uma relação mais qualitativa em relação às criaturas, pois cresce a consciência de que há relações que as degradam, acarretando também a degradação do ser humano. Existe uma interrelação entre o ser humano e as criaturas, como soube expressar São Paulo:

"De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus; pois a criação foi sujeita ao que é vão e ilusório, não por seu querer; mas por dependência daquele que a sujeitou. Também a própria criação espera ser liberta da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a glória dos filhos de Deus. Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto" (Rm 8,19-22).

Por atitudes de arrogância e autosuficiência dos homens exploraram exaustivamente a natureza e a destruíram, depredaram, aniquilaram, extinguiram espécies e poluíram o ar e as águas. Assim, não foram respeitosos ao Criador que ao ser humano reservou a função de cuidar do seu jardim e de todas as criaturas.(100)'" Nesse sentido, é necessário que se desenvolvam novas atitudes para com a criação que se constitui em um dom de nosso Deus Criador.

Em relação à posse, esta relação é também muito perigosa, pois pela posse, o detentor de poder desqualifica o significado ou identidade dos seres em geral, entendendo-os como meros objetos para servir à intenção ou à necessidade de quem os possui. São Francisco soube contemplar e valorizar as coisas pelo que eram e pelo valor mais profundo que apresentavam como criaturas de Deus. (101)

O uso das criaturas para o nosso sustento e sobrevivência é imprescindível e se o homem foi colocado como o zelador das coisas, de outro, também é verdade que tudo lhe ficou à disposição. O problema está no uso indiscrimínado, na gastança desmedida, no consumismo desenfreado, muitas vezes de coisas supérfluas. É necessário resgatar a sobriedade no consumo dos bens necessários à dinâmica da vida e evitar desperdícios. São Francisco soube cultivar esta sobriedade no uso das criaturas, como podemos ver no fato de mandar o lenhador cortar apenas os galhos secos das árvores para que continuassem produztndo. (102)

A transformação está ligada ao trabalho, à atividade mediante a qual os seres humanos operam transformações de materiais ou de seres em outras realidades segundo sua intenção e necessidade. Hoje vemos que as transformações muitas vezes somente vão atender à necessidade de se manter ativa a roda do consumismo, com a produção do supérfluo. No entanto, esta atividade deve visar à vida e à sua justa manutenção.

Resgatar São Francisco neste contexto de nossas relações com as criaturas da natureza significa valorizar suas atitudes. Primeiramente, a pobreza, que neste santo significou a não-posse, reverteu-se em redenção para as criaturas, e lhe possibilitou pelo olhar contemplativo alcançar o que eram realmente, a ponto de lhes chamar de irmãs e irmãos. A razão é simples, em última análise este olhar purificado de poder e lucro, revela que as criaturas são dom de Deus e também portam sinais do Criador.

Por isso, São Francisco purificado interiormente pela ação do Espírito que o conduziu a renúncias, como posse e dominação, ao contemplar a natureza, nela somente via reflexos da imagem de Deus, de sua bondade e beleza. Assim, as criaturas não se constituem em obstáculos para se encontrar Deus e amá-lo. (103)

Assim, a contemplação deste santo não era pautada simplesmente pelo fator racional, mas se deixava levar pelos seus sentimentos, por sua sensibilidade, até o ponto de realmente amar as criaturas, afinal, havia feito a descoberta de que elas eram também suas irmãs. Em consequência, nele brotou um respeito impressionante por todos os seres criados e soube viver de modo perfeitamente integrado a este universo, numa grande fraternidade com todo o universo criado por Deus. São Francisco, disse um de seus biógrafos, descobriu os segredos do coração das criaturas, às quais chamava de irmãs, porque já parecia gozar a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. (104)

Que a oração em que São Francisco louva a Deus pelas criaturas, nos inspire novas atitudes e nos ajude a ser transformados pelo Espírito de Deus de modo a resgatarmos atitudes de quem cultiva e cuida do seu jardim, esta obra maravilhosa, que hoje requer socorro dos autênticos filhos de Deus, e de todos aqueles que empreendem ações sinceras e despojadas em prol do planeta.

Celso Márcio Teixeira. Visão franciscana das criaturas.
In Perspectivas para uma nova Teologia da Criação, p. 274.
(fonte: www.franciscanos.org.br)

"nem todo aquele que me diz Senhor, Senhor, entrará no céu..." 06/03/2011

O evangelho de hoje conclui os ensinamentos que Jesus havia iniciado proclamando as bem-aventuranças.

E mais uma vez ele reforça as atitudes acima de toda lei e toda palavra.

Não é aquele que diz Senhor, Senhor, mas é aquele que cumpre o que fala.

Dificuldades, as quais Jesus descreve como chuvas, ventos e tempestades sempre existirão e delas ninguém estará livre.

A condição para não se abatido pelas adversidades da vida é construir a casa sobre a rocha que no Evangelho significa praticar a Palavra de Deus, viver de acordo com aquilo que se tem conhecimento como certo e errado.

Não por causa da lei, mas por causa da prudência e do bom senso.
Eis de novo o ensinamento que as leituras nos dão neste domingo: Jesus é o modelo para quem quer ser acolhido por Deus.

Jesus mais praticou do que ensinou verdades, mais agiu do que falou. E por essa razão mesmo, na hora da morte, no tormento da cruz teve a coragem de rezar o que também fizemos no salmo: “Senhor tu és minha rocha e minha fortaleza”.

Para quem acredita em Deus existe uma garantia: Ele mesmo está na retaguarda das fragilidades humanas, isso não é sinônimo de fazer corpo mole ou permitir que valha tudo. Pelo Contrário, Deus está de plantão, e pronto pra nos socorrer, entretanto, algumas atitudes são necessárias, entre elasr: rezar com os irmãos, dar ouvidos à Palavra e se alimentar da Eucaristia.

Prof. Padre Elcio
(http://www.padreelcio.blogspot.com/)