"Não vos deixarei órfãos..." - 29/05/2011

Neste domingo, mais uma vez refletimos sob a égide da narrativa do evangelista João, que nos apresenta, com todo seu carisma e um estilo literário harmonioso, o discurso de despedida de Jesus. Deve-se ressalta o cuidado do evangelista em nos pontar os principais temas da revelação: o amor do Pai e de Jesus; os mandamentos de Jesus e o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito.

No evangelho de hoje, em uma parte do trecho deste discurso, é retomado o tema dos mandamentos de Jesus e sua observância, e o dom do Espírito. Os mandamentos de Jesus se expressam em formas diversas: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço.

Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros" ( vejam: Jo 13,34.35; 15,12 – na liturgia do dia. 27 p.p).

A culminância dos mandamentos é o amor divino de Jesus a ser vivido pelos discípulos, em comunhão de vida eterna com o Pai. Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós. Futuro e presente se unem, no dom do Espírito.

O Paráclito, palavra de origem grega, significa consolador ou defensor. O termo grego, em suas variantes, é abundantemente usado nos textos paulinos, com o sentido de consolo. É também usado algumas vezes em Lucas, e uma única vez nos sinóticos, na bem-aventurança dos que choram (observem Mt 5,4).

Importante frisar que: com a sentença: "Ainda um pouco de tempo e o mundo não mais me verá; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis", Jesus afirma sua permanência na vida divina e eterna e o dom desta vida àqueles que cumprem seu mandamento de amor.

A expressão "porque eu vivo" se diferencia da tradição sacrifical judaica-cristã segundo a qual Jesus morto na cruz transforma-se em um cadáver a ser reanimado novamente por sua ressurreição, tornado então Filho de Deus, como prêmio de seu auto-sacrifício.

Nesse sentido, o Espírito que nos é dado nos revela a presença de Jesus entre nós: "Não vos deixarei órfãos: eu voltarei a vós... Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai, e vós em mim, e eu em vós " – Jesus pré-anuncia o dia de Pentecostes que vivenciaremos no dia 12/06. A volta de Jesus, ele no Pai, os discípulos nele e ele nos discípulos, significa a comunhão de vida eterna com Deus já neste mundo, a partir da comunhão de amor.

Esse Espírito, soprado por Jesus sobre os apóstolos, nos será dado pela imposição das mãos, conforme nos ensina a primeira leitura, onde, para sua comunicação, Ele é apresentado como complemento ao "batismo de Jesus". Em sentido oposto, conforme estuda-se em Atos 10,44-48 (é preciso darmos continuidade à primeira leitura de hoje), quando Pedro, na Samaria, ainda falava, o Espírito Santo caiu sobre todos os que ouviam a Palavra. Então Pedro declara: "Poderia alguém recusar a água do batismo para estes que receberam o Espírito Santo, assim como nós?". Desta forma, Pedro determinou que fossem batizados em nome de Jesus Cristo.

Contudo, sobre esse mesmo Espírito aprendemos, conforme a segunda leitura, que às comunidades que sofrem perseguições, é dado um estímulo a serem testemunhas de sua esperança, a partir do testemunho de Jesus, "morto, sim, na carne, mas vivificado no Espírito". Portanto, irmãos e irmãs, de acordo com a liturgia de hoje, aprendemos que o Espírito Santo de Deus é a garantia de nossa permanência na vida divina, seja no sofrimento ou na morte física.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(http://www.teologiafeevida.com.br/)

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