“Quem vos recebe, a mim recebe” - 26/06/2011

Pe. Luiz Carlos, Redentorista
Acolher bem é caridade

Jesus não era contra tudo que se fazia. Era sempre a favor do que construía o homem e o Reino. Ele é o exemplo do acolhimento. Isso marcou os apóstolos. Por isso, a virtude da hospitalidade era muito estimulada no Novo Testamento, em contraposição às tradições dos antigos que criaram muitas regras de pureza ritual que eram verdadeiras discriminações: “Ao verem isso, todos murmuravam dizendo: Ele (Jesus) entrou para se hospedar na casa de um homem pecador” (Lc 19,7). A celebração de hoje nos ensina o acolhimento como fundamental, porque Divino.

Toda virtude nasce do amor. Na Trindade Santa, o acolhimento mútuo no amor é a força que cria a Unidade. Nossa missão é amar como Jesus que foi ao extremo do amor, dando a vida. Jesus, em suas atitudes “revolucionárias”, acolhia todos aqueles que a prática judaica excluía: pobres, doentes, pecadores e pecadoras, pagãos.

Acolher a pessoa significava para Ele, ir a seu ambiente. Quando chamou Mateus, foi a sua casa e fez refeição com eles e seus amigos, pouco recomendáveis para os fariseus. Ali afirma que são os doentes que precisam de médico (Mt 9,9-13). Tudo é fruto do amor misericordioso de Deus. Acolher o outro é acolher Jesus.

Acolher Cristo, fonte da acolhida

Para viver o amor que acolhe, é urgente acolher Cristo, desprendendo-se de tudo, até da própria vida, assumindo seu modo de viver, carregando sua cruz. Por que a cruz? Porque a morte de Jesus é o resultado por ter acolhido a todos como faz o Pai. Em nós, Jesus acolhia o Pai que não faz distinção de pessoas (Mt 5,45). A mulher de Sunan foi recompensada com um filho, pelo acolhimento que fez ao profeta Eliseu. Para os que crêem em Cristo, esta abertura total, que Paulo chama de morrer com Cristo, resulta em ressuscitar e viver com Cristo (Rm 6,8).

Quem der um copo de água fresca … não ficará sem recompensa (Mt 10,42). O modelo será sempre Jesus: “Acolhei-vos como Cristo vos acolheu” (Rm 15,7). É impossível ser cristão de nome e de fato, se tivermos uma religião excludente. A exclusão não se reduz a um mero suportar, mas criar medidas de acolhimento na comunidade. Criamos o esquema que nos é cômodo. Vejamos as dificuldades as pessoas humildes têm para receber o batismo, a primeira comunhão, a crisma etc… E depois reclamamos das seitas que crescem. Certas estruturas de Igreja destroem, pior quanto se vendem.

Acolhimento universal

Evangelização não é dar doutrinas e criar estruturas. Também, mas não em primeiro lugar. O Concílio Vaticano II manda que a Igreja deve se encarnar como Jesus (AG 10) que assumiu as condições culturais e sociais de seu povo. Deve assumir o admirável intercâmbio, recebendo das culturas tudo o que for bom para confessar a glória de Criador e ordenar a vida cristã (AG 22).

No mundo atual há necessidade de acolhimento. Vemos as migrações internas e s as imigrações. É preciso acolher sem distinção de cor, raça, sexo, religião, idade, personalidade, opinião, diversidade política, social, educação, evangelizando pelo testemunho de vida, depois pela palavra. É preciso também promover o dom das pessoas. A Igreja necessita examinar-se sobre sua evangelização. Quem sabe somos culpados pela falta de fé da sociedade por transmitir uma cultura e não anunciar o Evangelho como Jesus o fez. A Eucaristia é o lugar do primeiro acolhimento.

Para reflexão:

1. Jesus é o exemplo do acolhimento. Esta virtude era importante para os primeiros cristãos. No tempo de Jesus havia leis que impunham a discriminação. Estranhavam que Jesus se misturasse com os “impuros”. Esta virtude nasce do amor que há na Trindade e a faz Unidade. Por isso Jesus foi revolucionário, como por exemplo no caso da vocação de Mateus.

2. Para acolher os outros, é preciso acolher Jesus e ser como Ele foi. Paulo chama essa abertura de morrer com Cristo, o que resulta em ressuscitar e viver com Cristo. É a vida da comunidade: “Acolhei-vos, como Cristo acolheu a vós”. Nossa fé não permite que façamos qualquer tipo de exclusão. Muitas estruturas atuais das comunidades excluem sobretudo os fracos e pecadores. É preciso ordem, mas a estrutura não está acima da necessidade das pessoas.

3. Evangelizar é acolher e depois ensinar. Deve ser como a Encarnação de Jesus que acolheu completamente a cultura, o povo e a situação. Nossa pastoral deve levar em conta a migração. A Igreja deve examinar-se como evangeliza.

Corpus Christi - Nosso Deus é comida e bebida para todos

Houve uma grande seca naquele país e as sementes foram incapazes de brotar. A fome chegou de uma vez invadindo as casas, principalmente dos mais pobres. Aos poucos os poços também foram secando e a sede fazia sofrer mais ainda o povo.

Naquela calamidade as crianças e os idosos eram os mais prejudicados. Os sacerdotes consultaram os oráculos e concluíram que seu deus ardia de raiva deles e por isto mandara aquela seca enorme. Depressa organizaram mil sacrifícios de animais, no intuito de aplacar a ira da divindade.

Bem distante dali outro povo sofria com enchentes terríveis. Não parava de chover e tudo estava inundado. As plantações morreram e veio grande fome.

A água suja provocava doenças e essas agravavam ainda mais o estado daqueles debilitados, de novo os velhos e as crianças. Os religiosos logo se reuniram e constataram que a enchente tinha sido enviada pelo deus deles que, da mesma maneira, estava com muita raiva do que tinham feito ou deixado de fazer, não sabiam ao certo. Por causa disto é que os punia.

Juntaram todo o povo para propiciar ao deus raivoso um número imenso de sacrifícios. Dentre esses obrigaram os pais de família a lançarem na fogueira expiatória o restinho das sementes que ainda guardavam para comer e o plantio logo que chegasse o tempo bom.

Esses povos sentiam que precisavam conquistar seus deuses com oferendas, para que os amasse, não os punindo e nem os abandonando à própria sorte.

Fosse só isso, mas sabemos que em várias civilizações os sacrifícios não se restringiam aos animais, vegetais e nem aos flagelos físicos. Os deuses deles eram mais implacáveis e exigiam sangue humano. Vem Jesus a nos mostrar exatamente o contrário. Deus não precisa ser conquistado. Ao contrário, é Ele que, constantemente, quer nos conquistar. Cativa-nos fazendo-se comida e bebida disponível para todo aquele que quiser se aproximar dele.

Nosso Deus é Amor e o Amor só pode desejar a felicidade do amado. Por isto Ele se dá, livre e totalmente, a nós seus filhos queridos. Faz isto, através do Filho, da forma mais simples e humana possível: como alimento. Quem é que não vai entender o sentido da comida? Eucaristia é Deus se dando como alimentação para o sustento na fé, esperança e caridade de todos nós. Até uma criança entende que sem comida e sem bebida não é possível que se mantenha vivo.

Infelizmente ainda há muita gente que tem uma visão muito intimista da comunhão. Compreendem-na e tomam-na somente numa dimensão vertical: ela e Deus. Esquecem-se de que a Eucaristia se faz em comunidade. A Eucaristia faz a comunidade da Igreja e a comunidade da Igreja faz a Eucaristia, no dizer tão simples e ao mesmo tempo tão profundo do Concílio Vaticano II.

Não existe Igreja solitária. Ela, em outro dizer do Concílio, é “povo de Deus” reunido e então podemos afirmar que comer do corpo e do sangue do Cristo sem estar unido aos irmãos, na ilusão de que se está ligado a Deus, é tomá-lo em vão.

Eucaristia não é devoção. É muito mais do que isto. Por isto, não basta comungar como preceito ou mandamento. Isto é muito pouco para o cristão do Século XXI. Algo bastante pobre para quem está comprometido com o seguimento. Comungar assim dá a impressão de que se toma algo pesado e que se está cumprindo uma obrigação. Nada mais equivocado, pois o Corpo de Cristo é leve e sempre traz a alegria e a paz (mesmo em meio aos sofrimentos e tribulações).

Eucaristia também não pode ser confundida com mágica e que num piscar de olhos será capaz de transformar a realidade. Ela não protege contra ladrões, mal olhados e nem gera empregos, ou traz namorada. O que ela oferece é a força e a coragem necessária para o trabalho e a luta na criação de um mundo mais solidário, pacífico e humano, onde não mais seja preciso se proteger dos outros.

Viver a Eucaristia é viver em comunidade cuidando para que não haja ninguém descuidado ou mesmo abandonado em volta. É adquirir ânimo para a missão de fazer com que as estruturas do pecado possam ir se desintegrando e em seu lugar haja espaço e condições para que nasçam e se desenvolvam as estruturas do Reino: de serviço e bondade.

Acostumados com a Eucaristia acabamos por não nos dar conta do quão grande e poderosa ela é. Fôssemos mais conscientes da transformação que a comunhão é capaz de nos fazer, teríamos condições de criar um mundo bem mais humano, com muito mais justiça e paz. No auge de uma discussão com um ateu um padre ouviu dele algo que o faz refletir há vários anos: “Caso os cristãos acreditassem realmente que o Deus de vocês está nesse sacrário, já teriam deixado, há muito tempo, o mundo à feição do que Ele lhes delegou”.

Fernando Cyrino
(www.fernandocyrino.com.br)

"Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito..." 19/06/2011

Hoje celebramos a festa da Santíssima Trindade e, nesta perícope do evangelista - núcleo do discurso de Jesus a Nicodemos -, João reapresenta a encarnação salvífica de Jesus, já anunciada no Prólogo de seu evangelho. "E o Verbo se fez carne e veio morar entre nós e vimos a sua glória, que ele recebe do seu Pai como Filho único" (Jo 1,14). "Ele estava no mundo. A quantos, porém, o acolheram deu o poder de se tornarem filhos de Deus: são os que crêem no seu nome" (Jo 1,12).

Assim, temos aqui o anúncio fundamental que pregava o evangelho de João. Deus, no seu grande amor, enviou seu Filho ao mundo para comunicar a vida eterna a todos que nele crêem. O objeto do amor de Deus é o mundo. A palavra "mundo", principalmente nas cartas paulinas (1Co 2,12; 3,19; Ef 6,12) e no evangelho de João, significa a sociedade alienada de Deus pela dominação daqueles que são seduzidos pela ambição do dinheiro e do poder.

No evangelho de João o mundo está submisso ao príncipe das trevas. Não é necessário pensar em entidades demoníacas. Trata-se do poder da morte. São os poderosos, os governantes corruptos, ambiciosos deste mundo que semeiam a morte em vista de garantir e consolidar suas riquezas, seu poder econômico, militar, e ideológico, apelando para contra-valores seculares ou religiosos.

Este "mundo" tem uma estrutura que se opõe a Deus, mas Deus vem, com amor, para transformar e libertar este mundo. O mundo é criação de Deus e Deus dá seu Filho único ao mundo para elevá-lo à plenitude da paz e da vida eterna. O Filho é a "luz do mundo" (Jo 1,9; 3,19; 8,12; 9,5; 12,46), e Jesus dá a vida pelo mundo (Jo 6,33). "Deus amou tanto o mundo que deu seu filho único", enviando-o pela sua concepção no ventre de Maria, na encarnação.

Jesus, o novo Adão, já é a realidade da nova humanidade: é o homem que, na condição de filho de Deus, já é divino e eterno. O fruto do amor não é a condenação, mas a libertação de toda opressão, que é realizada por Deus com o dom gratuito da vida eterna, e alcançada pela fé.

Jesus, a luz do mundo, vem como dom e prova do amor de Deus. Sua glória, que é a glória do Pai é a comunicação deste amor. Deus que "dá" seu Filho ao mundo para que o mundo seja salvo, foi entendido dentro das categorias do judaísmo, como oferta sacrifical. Jesus seria sacrificado na cruz nos moldes dos cordeiros no altar do Templo de Jerusalém ou como Isaac que é levado ao sacrifício por seu pai Abraão.
Terrível compreensão! Deus é amor! Deus envia seu Filho Jesus não para julgar e condenar, mas como portador do amor divino, no Espírito Santo, para comunicar a vida aos homens e mulheres. É um renascer para a eternidade, é a ressurreição.

"Deus enviou seu Filho ao mundo, não para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele". A salvação, na tradição de Israel, é compreendida como sendo o resgate do castigo e da condenação dos ímpios pecadores, um povo de "cabeça dura", sob o ponto de vista das elites religiosas, conforme se percebe na primeira leitura.

Com Jesus esta idéia de salvação vai sendo didaticamente substituída pela idéia da libertação da opressão que impera no mundo e o anúncio do dom da vida eterna.
O estar julgado ou não estar julgado é substituído pelas atitudes de não crer ou crer em Jesus, Filho único de Deus. Quem crer em Jesus não será julgado porque se libertou e recebe o dom da vida eterna. Quem não crer é julgado por permanecer conivente com as estruturas de poder deste mundo, distanciando-se deste dom.

Os discípulos eram do mundo, mas foram libertados de seu poder e de sua ideologia, perniciosa e maléfica, pela adesão ao projeto de Jesus. Eles são a semente da libertação do mundo. O crer é a porta para a vida eterna. Crer no nome do Filho é seguir Jesus. É ser portador da misericórdia e da vida ao mundo. É testemunhar e viver o amor na comunidade. É desvelar a presença do amor de Deus no mundo.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(http://www.teologiafeevida.com.br/)

Flagrantes da Trezena - 13/06 - FESTA DE SANTO ANTONIO/2011

Mais de 5.000 pessoas durante o dia inteiro no Santuário.
Missa celebrada por D. Jacyr Braido, bispo diocesano.
Procissão
Missa Campal

Flagrantes da Trezena 12/06

Missa dos Enamorados
Noite de Padrinhos de Santo Antonio
Show de Luiz Américo