Bom para com todos - Mateus 20,1-16a - 18/09/2011

“Bom para com todos”

Os últimos serão os primeiros Jesus devia chocar seus ouvintes, mas atraia sempre mais sua admiração e adesão do povo para colocar as verdades no seu verdadeiro lugar.

A parábola do patrão que foi contratar trabalhadores para sua colheita é muito estranha se não entendemos a realidade para a qual ela foi escrita. Os primeiros cristãos eram de origem judaica. Assumiram a fé com entusiasmo e foram grandes evangelizadores.

Nos primeiros anos estes bons cristãos, vindos do judaísmo, estavam como que revoltados ao verem os pagãos aderirem a fé e serem tratados iguais a eles na Igreja. Pensavam que, pelo fato de serem judeus, desde os tempos de Abraão, acumularam um grande serviço pelo Reino de Deus. Foram fiéis e conservaram grande amor a Deus e a todas as tradições.

Até aqui tudo bem. Receberam o salário de sua fidelidade e do trabalho. A parábola diz que o Reino de Deus é semelhante à história de um patrão que busca operários. O povo é chamado na Sagrada Escritura como a plantação de Deus (1Cor 3,9). O chamado dos operários é o convite à conversão. O pagamento é a vida da graça no Reino.

Os judeus receberam o pagamento completo por sua fidelidade ao peso do trabalho e do calor do sol nos seus muitos anos de história de fidelidade.

Com a conversão dos pagãos, os da última hora, a Igreja é composta de alguns que não “mereceram” esta paga e são tratados como iguais. Mateus afirma que os judeus receberam tudo. E pela bondade de Deus, os pagãos recebem também tudo, pois a misericórdia de Deus é infinita. Ao rezar o salmo entendemos essa resposta de Jesus: “Misericórdia e piedade é o Senhor, Ele é amor é paciência, é compaixão.

O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda a criatura” (Sl 144,8-9). Como não entendemos o modo de agir de Deus, recebemos do profeta Isaías a resposta: “Meus pensamentos não são vossos pensamentos, vossos caminhos não como os meus caminhos” (Is 55,8).

Deus é abundante em todos os seus dons. Não mede de acordo com nossos méritos mas conforme sua abundante misericórdia. O evangelista, escrevendo para judeus, convida à conversão da mente para pensar como Jesus e acolherem os cristãos vindos do paganismo.

Meu viver é Cristo.

Paulo, mesmo sofrendo e desejando estar em Cristo, se dispõe a continuar sua dedicação aos cristãos. Filipos é sua primeira comunidade em terras da Europa.

Tinha um amor especial por ela. Ele vive tão unido a Cristo que não vê diferença entre ir para o Céu ou se dedicar à evangelização: “Se o viver na carne significa que meu trabalho será frutuoso, neste caso, não sei o que escolher… uma só coisa é importante: viver à altura do evangelho de Cristo” (Fl 1,22.27).

Com este pensamento tão exigente, podemos examinar nossa vida cristã. Nós somos beneficiados por Deus pela graça de fazer parte do Reino e sermos anunciadores deste evangelho. É o momento de examinar nossa fé e ver nossa união com Cristo.

Podemos ver o quanto discutimos por idéias. Há os avançados, os conservadores, os movimentos, as tradições. E Cristo, onde fica em tudo isso? Se todos nós vivermos em Cristo, tudo será diferente. Não se briga por Cristo, mas por ideologias. Sabemos muito de religião e pouco viver em Cristo. A coerência de fé e vida é fundamental.

Mudando de pensamento

A palavra conversão, em grego – metánoia – significa mudança de direção, não de estrada, mas de coração. Essa mudança, como é descrita em Isaías, é para ter os pensamentos de Deus.

Em Mateus, Jesus repreende a Pedro que quer impedi-lo de ir a Jerusalém para sofrer a Paixão: “Afasta-te de mim Satanás! Tu me serves de pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens!” (Mt 16,23).

Pensar diferente de Deus é resultado de viver sem Cristo. Ele não é uma idéia, ou dogma religioso, ou tradição, mas Vida. Se for Vida, a vida está plena Dele. Passamos a ter seus sentimentos e sua mentalidade; abrem-se para nós as portas da Palavra de Deus e a densidade dos sacramentos.

A bondade de Deus será grande e aberta a todos com generosidade.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, redentorista
http://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/

Perdoar sem limites - Mt 18,21-35 - 11/09/2011

Já ouvimos o ensinamento de Jesus sobre a correção fraterna. Mas não basta "corrigir", importa que o que estava errado seja realmente superado pelo perdão. E que adianta pedir perdão a Deus, se a gente mesmo não perdoa?

Já o Antigo Testamento nos ensina que não podemos pedir perdão se não perdoamos. A 1ª leitura fundamenta o perdão fraterno na Aliança: somos todos "povo de Deus". Como posso condenar para sempre o meu irmão, que é filho de Deus? Se fizesse tal coisa, eu negaria minha comunhão com Deus, e então, o perdão de Deus não me alcançaria.

E Jesus, no evangelho. nos ensina a estarmos sempre dispostos a perdoar, inúmeras vezes. Conta a parábola do homem que foi absolvido de uma dívida enorme, mas não quis perdoar uma ninharia a seu colega.

Resultado: seu patrão o condenou a pagar tudo. Quem não é capaz de perdoar não é capaz de viver em fraternidade, em comunhão.

O que importa para Deus, em última instância, não é acertar contas, e sim, promover a comunhão, a amizade, a reconciliação. Talvez seja preciso primeiro pôr as contas em dia, mas o objetivo final é a fraternidade. Quem não sabe reconciliar-se com seu irmão não pode ser amigo de Deus, que é o Pai de todos.

Num mundo de competição, como é o nosso, nada se perdoa, não se leva desaforo para casa, vinga-se a honra etc. Devemos substituir esse modelo de competição e de vingança pelo modelo de comunhão.

Quando perdoo, não perco nada; pelo contrário, ganho a comunhão com o irmão e a realização de minha vocação: a semelhança com Deus (cf. Gn 1,26).

O ser humano é tão coitado, que qualquer coisa que alguém lhe estiver devendo lhe parece uma carência vital... Apenas Deus é bastante rico para perdoar sempre a quem se arrepende. A Igreja deve ser um sinal de Deus no mundo. Deve imitar Deus no perdão - no sacramento da reconciliação - e ensinar a mesma coisa aos homens.

O sacramento da reconciliação é uma alegria, não um desagradável dever. É uma celebração da magnanimidade de nosso Deus. "Confessar" significa proclamar não só os pecados, mas sobretudo o louvor do Deus que perdoa.

O sacramento da reconciliação é um serviço que Deus confiou à Igreja, comunidade de salvação, para ajudar o irmão a corrigir seu caminho, a reconciliar-se com Deus e com seus irmãos na fé, e a proclamar a grandeza do amor de Deus. Para quem vivia em pecado grave, é uma verdadeira ressurreição.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(http://www.franciscanos.org.br/)

"Se ouvires minha voz" - Mt 18, 15-20 - 04/09/2011

Pe.Luiz Carlos de Oliveira, Redentorista

Presença de Cristo

“Jesus Cristo está realmente presente no altar”. Mas está também realmente presente na comunidade. É um tipo diferente de presença, mas é presença, pois esta união dos irmãos em nome de Jesus são palavras Dele. Jesus, pela ação do Espírito Santo, une as pessoas no Corpo de Cristo. Ao nos unirmos, estamos unidos a Ele. Por isso, a comunidade que se reúne para as celebrações é a matéria desta união, como o pão e o vinho são a matéria que se torna Corpo e Sangue de Cristo. Jesus diz que não precisamos de muitas palavras, muitos gritos, pois Deus sabe do que precisamos, pois é Jesus que reza conosco, é o conteúdo de nossa oração e sua finalidade.

Força da união

Cristo que se faz presente na união de todos para salvar, está presente também na união de todos para rezar. Por isso, rezamos juntos na comunidade. Este modo de rezar dá mais força à oração e garantia de ser ouvido. Muitos dizem que rezam melhor em particular e não precisam ir à comunidade. A força da oração não vem do sentir-se bem, mas do sentir-se unidos, pois Jesus prometeu presença quando estamos reunidos em seu nome. É fundamental a oração pessoal. Se for verdadeira, conduzirá à oração na comunidade para a celebração ou para as devoções.

1. O povo de Deus foi convidado a não fechar os ouvidos. Mateus nos ensina que na comunidade devemos ouvir o chamado à salvação através dos irmãos que nos corrigem. Essa correção tem um método que não é a fofoca: fala-se em particular, depois com duas testemunhas e depois toda a comunidade. Todos somos responsáveis uns pelos outros no caminho da salvação.

2. Cristo está presente na Eucaristia e também na comunidade. Ao nos unirmos estamos unidos a Ele, pela ação do Espírito.

3. A força da união e da presença de Jesus garante a oração. Rezar em particular é necessário, juntos é fundamental. Por isso participamos das celebrações, pois Jesus prometeu estar presente. O amor é o cumprimento da lei.

São Mateus ensina a viver em comunidade. Sabemos que o amor é o fundamento da comunidade. Paulo ensina que o amor resume todos os mandamentos.

O amor nos impulsiona a corrigir os irmãos em suas dificuldades e erros. Somos corresponsáveis uns pelos outros. Se eles não aceitam a correção, continuamos na responsabilidade de amá-los.

Jesus é prático e vai aos detalhes quando trata do modo de corrigir os irmãos. Nós fazemos fofoca, depois acusamos. Jesus ensina: primeiro se procure a pessoa e, a sós, e depois fale com ela. Se não aceita, chama mais duas pessoas para ver que o negócio não é pessoal. Só aí apresenta à comunidade. É duro ouvir que a Igreja não usa esse método e aceita denúncias sem confrontar os acusadores.

A comunidade vive da união. Cremos na presença real de Jesus na Eucaristia. Temos também que crer em sua presença real, de modo diferente, quando dois estão reunidos em seu nome.