A santidade é estar com Deus - 06/11/2011 - Mt 5,1-12a

Celebramos a festa de todos os santos, lembrando a vocação de todos nós, ser santos. “sede santo como vosso pai é santo”.

Muitas vezes compreendemos de maneira errada o que é ser santo. Olhamos para as imagens e achamos que ser santo é privilégio de poucos ou só daqueles que estão nos altares. Muitas vezes achamos que aquela cabecinha torta, inclinada para a esquerda é a posição de santidade, que foi a postura da vida daquelas pessoas retratadas nas imagens.

Precisamos entender que todos eles tiveram vida normal: choraram, sorriram, sofreram, se apaixonaram, se decepcionaram, sentiram dor, fome, frio e calor, pessoas comuns. O que os diferenciou é que viveram o seguimento de Jesus que é o único santo, o único merecedor de adoração.

Por falar em adoração, nós católicos, somos criticados por adorar imagens.

Falam que na bíblia está dito que não devemos adorar imagens. É verdade. O que não entendem e que nós precisamos dizer sempre é que não adoramos as imagens, mas, temos especial carinho e devoção aos homens e mulheres que vieram antes de nós e que fizeram de sua vida um caminho de seguimento de Jesus e por isso, se santificaram.

Pensando assim, fica mais fácil entender o que nosso batismo nos deu: o caminho de santidade. Todos nós devemos buscar o seguimento de Jesus para sermos santos, pois esta é a nossa vocação.

Não é fácil para nós porque não foi fácil para São Francisco, Santa Clara, Santa Terezinha, Santo Antônio, São José e todos os outros. Para eles foi possível e, por isso, é possível para nós também. Pé/fé na caminhada, este é o caminho da santidade.

Na primeira leitura (Ap 7,2-4.9-14) o autor de apocalipse nos lembra que “... o louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus, para sempre.” (Ap 7,12). Uma multidão vem ao encontro de Deus e é incontável (tem lugar para nós também).

Os que se santificaram, na linguagem apocalíptica, lavaram suas vestes no sangue do cordeiro e vieram de uma grande tribulação. Assim foram suas vidas e não há outro caminho. Devemos lavar nossas vestes no sangue do cordeiro e conformar nossas vidas com a proposta/projeto do reino de Deus, na grande tribulação.

A santidade se busca no empenho diário e na graça de Deus que insiste constantemente para que nos aproximemos mais e mais de seu trono/serviço aos irmãos.

O belíssimo texto das bem aventuranças nos é dado por Mt 5,1-12. A primeira e a oitava bem aventurança tem um tempo presente na promessa:

Felizes os pobres em espírito e Felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino de Deus. As outras bem aventuranças colocam o tempo do verbo no futuro: “serão consolados, herdarão a terra, serão saciados”.

O caminho de santidade não é para o futuro, não é para depois. Somos santos e estaremos com Deus se já o buscamos e se já o temos em nosso cotidiano. Santidade não se faz com o que é periférico e sim com a centralidade do seguimento de Jesus, ser pobre em espírito e trilhar o caminho da justiça.

Concluímos nossa reflexão com a palavra forte e amorosa de 1 Jo 3,1-3: somos chamados filhos de Deus e de fato o somos. Santidade não é uma culminância de vida, mas uma conquista no dia a dia, nos fatos corriqueiros, na busca dos acertos em família e na sociedade.

A festa de todos os santos é a festa da família, de toda a família dos filhos e filhas de Deus. Muitos são os que já estão na casa do Pai e nós ainda peregrinamos para lá. Ele nos espera de braços abertos e nós, aqui, vamos enfrentando a grande tribulação e lavando nossas vestes no sangue do cordeiro.

Se a gente fosse mais santo, o mudo seria bem melhor para todos.
CNBB Oeste Região 2 - http://www.cnbbo2.org.br/

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