Mensagem de D. Jacyr Braido, no Advento/2011 e Homilia 4o. Dom. Advento/2011

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"Alegra-te cheia de Graça"

Hoje podemos perceber que a narrativa da anunciação do anjo a Maria é exclusiva do evangelho de Lucas. No evangelho de Mateus a comunicação do anjo é feita a José. O evangelho mais antigo, de Marcos, inicia-se com a pregação de João Batista e o batismo de Jesus.

Lucas, por sua vez, em uma perspectiva retrospectiva, iniciará com o anúncio do nascimento de João a Zacarias e do nascimento de Jesus a Maria. Assim, vemos que João Batista e Jesus estão intimamente ligados no projeto de Deus.

Observemos que Lucas faz um paralelismo entre as origens dos dois. João, a partir da escolha do próprio nome pelo anjo, diferente do nome do pai, significa a ruptura com a tradição familiar sacerdotal e com o sistema religioso do judaísmo.

Jesus, com sua prática nova que flui do amor, no Espírito Santo, confirmará esta ruptura com a tradição templária e legalista. Maria e José representam a periferia.

Um operário de Nazaré, na Galiléia paganizada, apresenta na sua ascendência genealógica um ramo davídico. Porém a concepção de Jesus dar-se-á por obra do Espírito Santo, frustrando as expectativas messiânicas fundadas na tradição davídica elaborada por meio da profecia de Natan – é o que se percebe na primeira leitura -, o que exigirá amadurecimento dos discípulos para compreendê-lo.

Em Maria, escolhida por Deus, encontramos a plenitude da dignidade, na humildade, na simplicidade, no serviço e no amor. Maria ouve a saudação do anjo: "Alegra-te, cheia de graça! O Senhor está contigo".

A graça consiste nos dons de Deus.

Importante ressaltar que a presença do Senhor significa a força para cumprir uma missão que parece estar além das condições humanas.

Está em andamento a revelação do mistério de Deus – atentem-se para a segunda leitura.

Voltemos, então, o nosso olhar para Maria - ela, livremente e consciente de que pode confiar em Deus, dá sua inteira adesão ao Espírito que renova todas as coisas em Jesus.

Pela encarnação, que já acontece a partir da concepção de Jesus em seu ventre, Deus nos dá a conhecer que homem e mulher, foram criados para participarem da sua vida divina e eterna.

Em Jesus, que é a expressão histórica desta realidade revelada, encontramos esta íntima união entre o humano e o divino. O Divino que se faz humano para tornar o humano divino.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
Teologia Fé e Vida (http://www.teologiafeevida.com.br/)

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