SAGRADA FAMÍLIA - MENSAGEM DO PAPA - DIA MUNDIAL DA PAZ - SANTA MÃE DE DEUS

Para este fim e início de ano temos vários textos que nos confrontam com nossa missão de católicos.

Para ler cada um deles clique no link correspondente e, para voltar a esta página, feche a página que foi aberta.

No dia 30/12 celebramos a Sagrada Família
- reflexão neste LINK

No dia 01/01/2013 temos a Mensagem do Papa sobre o Dia Mundial da Paz
- texto neste LINK

Também no dia primeiro do ano celebramos Nossa Senhora, Santa Mãe de Deus
- reflexão neste LINK

Não perca a Exposição de Presépios
- saiba mais neste LINK

Um abençoado Ano Novo a todos.
Equipe PortalValongo

Exposição de Presépios - Valongo/2012

Assista a 2 videos sobre a Exposição de Presépios do Valongo.

A visitação vai de 3a. feira a Domingo, das 9h00 às 18h00, até 26 de Janeiro.

Para que essa exposição aconteça, a Ordem Franciscana Secular cede o espaço de sua capela e sacristia para a montagem e visitação.

Video do Jornal da Tribuna
 (clique no link acima)

Video do Youtube
(clique na imagem abaixo)



"... bem aventurada aquela que acreditou..." Lc 1,39-45 - 23/12/2012

Acesse as reflexões de Natal no site do Franciscanos:
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A irrupção do Mistério de Deus em nossa vida

Se, no domingo anterior, se podia dizer que os raios do Sol Iustitiae já abrasavam o horizonte, na liturgia de hoje, rodeada pelas antífonas “Ó” (2), se abrem as nuvens da madrugada. Irrompe em nossa humanidade, de modo indescritível e fascinante, a atuação definitiva do amor de Deus.

A oração do dia evoca todo o Mistério da Salvação, desde a anunciação do anjo a Maria até a Ressurreição do Cristo. O que celebramos no Natal não é apenas o nascimento de um menino, mas a irrupção da obra de Deus como realização definitiva da história humana.

A 1ª leitura tem o efeito de um aperitivo. Evoca o paradoxo da minúscula cidade de Belém, que, porém, é grande por causa de Javé, que cumprirá sua promessa de chamar novamente um “pastor” da casa de Jessé (pai de Davi). A pequena cidade toma-se sinal do plano inicial de Deus (“suas origens remontam a tempos antigos”; Mq 5,1). Não é a grandeza segundo critérios humanos, que é decisiva para Deus. Isso se mostra plenamente no mistério que se manifesta em Maria.

O evangelho de hoje abraça dois extremos: a humildade de uma serva, que vai ajudar sua prima no fim da gravidez, reforçada nesta disponibilidade por estar ela mesma grávida; e a grandeza de seu Senhor, que ela exalta no júbilo do Magnificat. Esta complectio oppositorum revela o mistério de Deus nela. Sua prima, Isabel, ou melhor, o filho desta, João, ainda no útero, toma-se porta-voz deste Mistério. Pois ele é profeta, ”chamado desde o útero de sua mãe”. Saltando no seio de sua mãe, aponta o Salvador escondido sob o coração de Maria. E Isabel traduz: “Tu és a mulher mais bendita do mundo e bendito é também o fruto de teu seio … Feliz és tu, que acreditaste”. Isabel sabe que o mistério de Deus só acontece onde é acolhido na fé, na confiança posta nele. Esta fé não é um frio e intelectual “Amém” a obscuridades lógicas, mas engajamento pessoal numa obra de dimensões insondáveis.

Um risco: uma mocinha do povo carrega em si o restaurador da humanidade. Mas Maria conhece o modo de agir de Deus. O Magnificat o demonstra (vale ler mais do que somente as palavras iniciais). Deus opera suas grandes obras naqueles que são pequenos, porque não são cheios de si mesmos e lhe deixam espaço.

O espaço de um útero virginal. O espaço de uma disponibilidade despojada de si.

O próprio enviado de Deus confirma esta maneira. “Eis-me que venho para fazer tua vontade”. Esta frase de Sl 40[39] realiza-se em plenitude no Servo por excelência, Jesus, que vem ao mundo para tomar supérfluos todos os sacrifícios e holocaustos, já que ele mesmo imola de modo insuperável sua existência, em prol dos seus irmãos (2ª leitura).

Serviço e grandeza, duas faces inseparáveis do Mistério de Deus cuja manifestação celebraremos dentro de poucos dias. Mistério do amor. Claro, amor é uma palavra humana. Deus é sempre mais do que conseguimos dizer. Dizem que o amor movimenta o mundo, mas é preciso ver de que amor se trata. O amor autêntico recebe sua força da doação. Num sentido infinitamente superior, se pode dizer isso de Deus também.

O que aconteceu em Jesus no-lo revela. Este amor de Deus para os homens ultrapassa o que entendemos pelo termo amor, mas é um amor verdadeiro, comparável quase com o amor dos esposos, quando autêntico: os céus que fecundam a terra, Deus que cobre uma humilde criatura com sua sombra. A liturgia não tem medo destas imagens. Fecundada pelo orvalho do Céu, a terra se abre para que brote o Salvador.
 Sugerimos que se procure reaproveitar as tradicionais “antífonas Ó” (17 a 23 de dez.), por causa de sua densidade simbólica e valor musical.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br


"e nós, que devemos fazer?..." Lc 3,10-18 - 16/12/2012

A primeira parte do Evangelho de hoje (vers. 10-14) é uma seção própria de Lucas.

Pôr as pessoas a perguntar “o que devemos fazer” é habitual em Lucas (cf. Act 2,37; 16,30; 22,10): sugere uma abertura à proposta de salvação que vem de Deus.

João Batista propõe, então, três atitudes concretas para quem quer fazer a experiência de conversão e de encontro com o Senhor que vem: ao povo em geral, João Batista recomenda a sensibilidade às necessidades de quem nada tem e a partilha dos bens; aos publicanos, pede que não explorem, que não se deixem convencer por esquemas de enriquecimento ilícito, que não despojem ilegalmente os mais pobres; aos soldados, pede que não usem de violência, que não abusem do seu poder contra fracos e indefesos…

Repare-se como João põe em relevo os “crimes contra o irmão”: tudo aquilo que atenta contra a vida de um só homem é um crime contra Deus; quem o comete, está a fechar o seu coração e a sua vida à proposta libertadora que Cristo veio trazer.

Na segunda parte do Evangelho (vers. 15-18), João Batista anuncia a chegada do batismo no Espírito Santo, contraposto ao batismo “na água” de João.

O batismo de João é, apenas, uma proposta de conversão; mas o batismo de Jesus consiste em receber essa vida de Deus que actua no coração do homem, transforma o homem velho em homem novo, faz do homem egoísta e fechado em si um homem novo, capaz de partilhar a vida e amar como Jesus.

Faz-se, aqui, referência a essa transformação que Cristo operará no coração de todos os que estão dispostos a acolher a sua proposta de libertação: começará, para eles, uma nova vida, uma vida purificada (fogo), uma vida de onde o pecado e o egoísmo foram eliminados, uma vida segundo Deus.

Para Lucas, este anúncio do profeta João concretizar-se-á plenamente no dia de Pentecostes.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
www.dehonianos.org

"Preparai os caminhos do Senhor" Lc 3,1-6 - 09/12/2012


Seguindo um estilo literário usual da cultura grega, em seu tempo, Lucas, no prólogo de seu evangelho, afirma sua intenção de escrever "de modo ordenado" a sucessão dos fatos relativos a Jesus de Nazaré. 

Com isto ele pretende realçar o caráter histórico do acontecimento de Jesus. Contudo, na realidade, em seus textos, o caráter teológico lucano prevalece sobre o caráter histórico, deixando transparecer a sua interpretação pessoal.

Após as narrativas de infância de João Batista e de Jesus, Lucas procura situar, no tempo, o início do ministério de João, referindo-se a algumas datas dos governantes contemporâneos, tanto no poder civil como no poder religioso. Embora haja certa ambiguidade nestas datas, a intenção de Lucas, com estes marcos cronológicos, é inserir na própria história os acontecimentos envolvendo Jesus e, em Atos dos Apóstolos, as primeiras comunidades.

João prega no deserto, além-Jordão, isto é, fora da Judeia. Conforme a tradição criada pelo Primeiro Testamento, o "povo eleito" libertara-se da escravidão no Egito, dirigindo-se ao deserto em busca da terra prometida. Agora, João lidera a libertação em relação ao poder religioso do Templo e do sacerdócio de Jerusalém voltando ao deserto, invertendo e preparando "o caminho do Senhor" para uma nova terra, o Reino de Deus. Aquela que era considerada a terra prometida (primeira leitura), Israel, com sua teocracia, na realidade tornou-se uma terra de opressão e exploração da parte dos chefes de Israel sobre o povo. 

Lucas não dá grande realce ao batismo de Jesus por João, inserindo-o no conjunto de "todo o povo" que havia sido batizado, destacando, apenas o momento de oração de Jesus, quando o Espírito Santo desce sobre ele sob a forma de pomba, seguindo-se a proclamação: "Tu és meu filho; eu, hoje, te gerei", inspirada no Salmo 2, versículo 7. Assim, percebe-se que Lucas realça mais o caráter profético de João, com o anúncio da conversão (metanóia). 

É pela conversão à prática da justiça, na partilha e na solidariedade, na rejeição da corrupção e da violência, que o pecado é removido do mundo.  João Batista está inserido no projeto "daquele que começou uma boa obra" (segunda leitura) a ser plenificada em Jesus de Nazaré. A nova terra, o mundo novo possível, é marcada pela ternura de Jesus, pelos laços do amor. 

Com lucidez busca-se discernir e libertar-se das falsas ideologias emanadas do poder econômico. Com esperança busca-se um mundo melhor, tecendo-se a rede de relações sociais comunitárias em vista de implantar a justiça e estabelecer a Paz.
Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
http://www.portal.teolfeevida.com.br

Caminhar ao Encontro do Senhor que vem - Lc 21,25-28.34-36 - 02/12/2012

Quando se aproxima uma visita esperada, a maioria das pessoas não dorme muito bem. Quando a visita é temida, as pessoas ficam inquietas. Quando é desejada, ficam agitadas … Porém, há uma diferença: a tensão do medo paralisa, a tensão do desejo desperta a criatividade. O evangelho de hoje alude às duas atitudes. Anuncia cataclismos cósmicos, que encherão os homens de medo (Lc 21,26).

Mas para os cristãos tudo isso significa: “Coragem: vossa salvação chegou!” (21,28). Por isso, o cristão vive à espera “daquele dia” num espírito de “sóbria ebriedade”, fazendo coisas que ninguém faria, mas sabendo muito bem por quê.

Ora, nós esperamos uma visita querida e ficaríamos muito penados se o visitante não nos encontrasse despertos para sua vontade, mas apenas ocupados com nossas próprias veleidades. Como a moça que espera seu namorado chegar não mais pensa em suas próprias coisas, mas está toda em função dele, assim nós já não vivemos para nós, mas para ele que por nós morreu e ressuscitou (para vir novamente até nós).

Paulo descreve maravilhosamente essa realidade na sua carta escatológica por excelência, a 1 Ts (2a leitura). Na ânsia pela vinda do Senhor, sempre podemos crescer mais, e é ele que nos deixa crescer, para que sua chegada seja preparada do modo mais perfeito possível.

A idéia do crescimento é muito valiosa em nossa vida cristã. É o remédio contra o desespero e contra a acomodação: contra o desespero de quem acha que sempre será inaceitável para Deus; e contra a acomodação dos que dizem: “Ninguém é perfeito: portanto …” Não somos perfeitos, mas nem por isso a perfeição deixa de ser nossa vocação.

O caminho do cristão não consiste em uma perfeição alcançada e acabada, mas numa contínua conversão para a santidade de Deus, que é sempre maior do que nós. O importante é nunca ficarmos satisfeitos com o que fizemos e somos, mas cada dia de novo procurar voltar daquilo que foi errado e progredir naquilo que foi bom.

Assim, a idéia do dia definitivo não paralisa o cristão, mas o torna inventivo. Desinstala. Quem acha que já não precisa mudar mais nada em sua vida, não é bem cristão. Alguém pode achar que está praticando razoavelmente bem os deveres para com sua família, em termos de educação; para com seus empregados, em termos de salário; para com sua esposa, em termos de carinho e fidelidade; e até para com a Igreja, em termos de contribuição para suas necessidades financeiras; estando entretanto cego por aquilo que lhe é exigido para estruturar melhor a sociedade, para que a justiça seja promovida e não contrariada.

Tal pessoa deve ainda crescer muito. E ai se não quiser! Um jovem, por outro lado, pode perguntar-se, com o salmista: “Como pode um jovem conservar puro seu caminho?” Cresça, que aprenderá sempre melhor em que consiste a verdadeira pureza. Só nunca se contente com um “padrão aceitável” para a “sociedade”.

Portanto, a liturgia de hoje nos ensina o dinamismo do crescimento cristão, com vistas ao reencontro definitivo com nosso Senhor. Desde o primeiro domingo, marca a existência cristã com este sentido.

O homem e a sociedade sempre podem ser renovados. A 1a leitura nos lembra essa verdade fundamental. Jerusalém, no tempo pós-exílico, era não tanto o monte de Javé quanto um montão de problemas. Mas mesmo assim lhe é prometido um novo nome, sinal de uma realidade nova: “Deus nossa justiça” (Jr 33, 16).

Este texto confere, portanto, à expectativa cristã um toque comunitário. Assim podemos interpretar também a expressão da oração do dia, que pede para que alcancemos o reino celestial. Num reino, ninguém está só. Daí ser legítima a tradução do missal brasileiro: “a comunidade dos justos”. Um novo nome para Jerusalém, uma utopia válida para todos nós, eis o que nos impele ao encontro do Senhor que vem.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Solenidade de Cristo, Rei do Universo - Jo 18,33b-37 - 25/11/2012

As declarações de Jesus diante de Pôncio Pilatos não deixam lugar a dúvidas: Ele é “rei” e recebeu de Deus, como diz a primeira leitura, “o poder, a honra e a realeza” sobre todos os povos da terra. Ao celebrarmos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, somos convidados, antes de mais, a descobrir e interiorizar esta realidade: Jesus, o nosso rei, é princípio e fim da história humana, está presente em cada passo da caminhada dos homens e conduz a humanidade ao encontro da verdadeira vida.

Os inícios do séc. XXI estão marcados por uma profunda crise de liderança a nível mundial. Os grandes líderes das nações são, frequentemente, homens com uma visão muito limitada do mundo, que não se preocupam com o bem da humanidade e que conduzem as suas políticas de acordo com lógicas de ambição pessoal ou de interesses particulares. Sentimo-nos, por vezes, perdidos e impotentes, arrastados para um beco sem saída por líderes medíocres, prepotentes e incapazes… Esta constatação não deve, no entanto, lançar-nos no desânimo: nós sabemos que Cristo é o nosso rei, que Ele preside à história e que, apesar das falhas dos homens, continua a caminhar connosco e a apontar-nos os caminhos da salvação e da vida.

No entanto, a realeza de Jesus não tem nada a ver com a lógica de realeza a que o mundo está habituado. Jesus, o nosso rei, apresenta-Se aos homens sem qualquer ambição de poder ou de riqueza, sem o apoio dos grupos de pressão que fazem os valores e a moda, sem qualquer compromisso com as multinacionais da exploração e do lucro. Diante dos homens, Ele apresenta-se só, indefeso, prisioneiro, armado apenas com a força do amor e da verdade. Não impõe nada; só propõe aos homens que acolham no seu coração uma lógica de amor, de serviço, de obediência a Deus e aos seus projetos, de dom da vida, de solidariedade com os pobres e marginalizados, de perdão e tolerância.

É com estas “armas” que Ele vai combater o egoísmo, a auto-suficiência, a injustiça, a exploração, tudo o que gera sofrimento e morte. É uma lógica desconcertante e incompreensível, à luz dos critérios que o mundo avaliza e enaltece. A lógica de Jesus fará sentido? O mundo novo, de vida e de felicidade plena para todos os homens nascerá de uma lógica de força e de imposição, ou de uma lógica de amor, de serviço e de dom da vida?

Nós, os que aderimos a Jesus e optamos por integrar a comunidade do Reino de Deus, temos de dar testemunho da lógica de Jesus. Mesmo contra a corrente, a nossa vida, as nossas opções, a forma de nos relacionarmos com aqueles com quem todos os dias nos cruzamos, devem ser marcados por uma contínua atitude de serviço humilde, de dom gratuito, de respeito, de partilha, de amor. Como Jesus, também nós temos a missão de lutar – não com a força do ódio e das armas, mas com a força do amor – contra todas as formas de exploração, de injustiça, de alienação e de morte… O reconhecimento da realeza de Cristo convida-nos a colaborar na construção de um mundo novo, do Reino de Deus.

A forma simples e despretensiosa como Jesus, o nosso Rei, Se apresenta, convida-nos a repensar certas atitudes, certas formas de organização e certas estruturas que criamos… A comunidade de Jesus (a Igreja) não pode estruturar-se e organizar-se com os mesmos critérios dos reinos da terra… Deve interessar-se mais por dar um testemunho de amor e de solidariedade para com os pobres e marginalizados do que em controlar as autoridades políticas e os chefes das nações; deve preocupar-se mais com o serviço simples e humilde aos homens do que com os títulos, as honras, os privilégios; deve apostar mais na partilha e no dom da vida do que na posse de bens materiais ou na eficiência das estruturas.

Se a Igreja não testemunhar, no meio dos homens, essa lógica de realeza que Jesus apresentou diante de Pilatos, estará sendo gravemente infiel à sua missão.

Pe. Joaquim Garrido - Pe. Manuel Barbosa - Pe. Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (dehonianos)
(www.dehonianos.org)

"Mas ninguém sabe nem o dia nem a hora..." Mc 13, 24-32 - 18/11/2012

Este texto, que faz parte do discurso escatológico atribuído a Jesus, tem sua origem na tradição apocalíptica do Primeiro Testamento, tendo surgido dentro das comunidades cristãs primitivas formadas por convertidos do judaísmo, os quais, até os primeiros anos da década de 80, eram frequentadores das sinagogas.

Na primeira leitura de hoje, do Livro de Daniel, temos um texto de caráter apocalíptico, caracterizado por sinais de destruição violenta e angústia, que precedem um juízo final discriminatório e excludente, característico de autores que se consideram justos e santos, privilegiados pela "eleição divina".

A expressão "filho do homem" aparece muitas vezes no Antigo Testamento, indicando a condição humana de maneira genérica. No profeta Ezequiel a expressão é aplicada de modo personalizado (93 vezes) ao próprio profeta na sua fragilidade, comum dos mortais. Uma única vez a expressão aparece no livro de Daniel, vindo nas nuvens com poder e glória (Dn 7,13). Jesus, inúmera vezes, aplica a si mesmo este título de "filho do homem" para indicar sua simples condição humana, contrapondo-se à figura messiânica davídica gloriosa esperada pelo povo judeu.

Na referência ao filho do homem vindo sobre as nuvens, pode-se ver a alusão à dignificação do humano, assumido na condição divina e na vida eterna pela encarnação de Jesus.

Depois da descrição dos abalos cósmicos, que simbolizam a violência característica dos poderes deste mundo, é confirmada a presença do Reino de Deus entre nós, como escatologia já realizada com a chegada do Filho do Homem, Jesus.

Em conclusão ao discurso escatológico, temos a parábola da figueira, que é apresentada nos três evangelhos sinóticos, seguindo-se as advertências sobre a necessidade de vigiar e orar. A parábola é articulada a partir de sinais da natureza, nas árvores que começam a brotar, depois de secas no inverno, indicando a proximidade do verão.

Assim como pela natureza pode-se perceber as mudanças de estações do tempo, pela observação dos fatos da vida e da história, pode-se perceber também que o dia e a hora da revelação do Filho do Homem, que é a chegada do Reino de Deus, estão próximos.

O Reino está perto assim como o meu próximo está perto de mim. A comunhão e a solidariedade com meu próximo são a entrada no Reino. Tudo acontece a partir do ouvir e praticar as palavras de Jesus que nos revelam a vontade do Pai. O Reino de Deus já está entre nós nos movimentos de solidariedade entre as comunidades e os povos, particularmente com os mais empobrecidos, e é expresso no clamor mundial contra as guerras e pela paz.

É o processo histórico da crescente conscientização e a valorização da dignidade humana, em um nível global, com o empenho na defesa da vida e da natureza. Assim são rejeitados e repudiados os poderes deste mundo que, seduzidos pela ambição das riquezas, promovem a morte.

Na segunda leitura, extraída da Carta aos Hebreus, é atribuído a Jesus, com o título de "Cristo", o caráter sacerdotal, caracterizado pela oferta de sacrifícios sangrentos para a reconciliação com Deus. Contudo, em Jesus a reconciliação é fruto do amor que remove toda condenação e exclusão, e a todos une na fraternidade, na justiça, e na paz, em comunhão como o Pai.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
(www.portal.teolfeevida.com.br)

A verdadeira generosidade - Mc 12, 38-44 - 12/11/2011

Tempo de seca. O profeta migrante Elias, aliviado pela água do córrego do Carit e alimentado pelos corvos do céu, dirige-se a Sarepta, no país vizinho (no Líbano).

Pede a uma pobre viúva um pedaço de pão, e ela, com a última farinha, prepara-o para o profeta. Depois, não tendo mais nada, ela terá de morrer de fome, ela e seu filho. Milagrosamente, porém, a partir daquele momento a farinha não termina mais (1ª leitura).

A generosidade da pobre viúva tornou-se proverbial. Viúva naquela sociedade geralmente era pobre, sobretudo se não tivesse filho que a sustentasse.

Assim era a viúva que entrou no templo, naquele dia em que Jesus estava observando a sala onde se depositavam as ofertas (evangelho). Ela tirou um donativo para o templo daquilo que lhe servia de sustento.

Observa Jesus que os ricaços piedosos que passavam por aí davam uma ninharia de seu supérfluo, enquanto a viúva deu tudo quanto tinha para viver, “toda sua vida” (tradução literal). É essa a generosidade que Jesus preza. E essa prática da generosidade é acessível a ricos e pobres, especialmente aos pobres, porque são menos apegados.

Isso é importante, pois no tempo de Jesus – e ainda hoje – há quem pense que é preciso ser rico para oferecer donativos e assim agradar a Deus.

A observação de Jesus faz parte de uma critica aos escribas que ensinam a Lei, mas entretanto exploram os pobres e “devoram as casas das viúvas” (Mc 12,38-41). Como? Induzindo as viúvas a entregar em herança as suas moradias em troca de uma mixirrica assistência? Não se sabe com exatidão a que Jesus se refere, mas sua observação constitui uma crítica violenta à generosidade calculista que encontramos em nossa sociedade hoje.

Em vez de praticar a justiça social, em vez de fazer (e aplicar) leis que garantam a distribuição eqüitativa dos bens, a sociedade mantém um sistema de beneficência paterna lista, que justifica lucros maiores. As esmolas até se podem descontar do imposto …

A generosidade que Jesus preza é duplamente generosa. É radical, pois priva a gente do necessário. É gratuita, pois ocorre sob os olhos de Deus, com quem não é possível fazer negócios escusos. Dá-se tudo sem pedir nada de volta. “Loucura, a vida não é assim!” Mas na loucura está a felicidade de amar sem restrição nem cálculo, como que para responder ao infinito amor de Deus para conosco. Generosidade gratuita é imitação de Deus (Mt 5,45-48).

Mas, e o lucro que é o “céu”? “Deus te pague”, “Dar ao pobre é investir no céu” … Essas maneiras de falar, examinadas à lupa, mostram ainda muito egoísmo. Não devemos ser generosos para comprar o céu.

Devemos ser generosos porque o céu já chegou até nós, porque Deus veio à nossa presença em Jesus. Em certo sentido já ganhamos o céu, porque Jesus se doou a nós. E é por isso que queremos ser generosos como a viúva da entrada do templo e a viúva de Sarepta. Por gratidão.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Festa de Todos os Santos/2012 e reflexão sobre Finados

Reflexão de Frei Almir Ribeiro Guimarães sobre a Celebração de Finados
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A comunhão dos Santos

Atualmente pouco se ouve falar na “comunhão dos santos”. Além disso, muitos fiéis talvez tenham uma ideia muito restrita a respeito de quem são os santos … Nas suas cartas, Paulo chama os fiéis em geral de “santos”. Todos os que pertencem a Cristo e seu Reino constituem uma comunidade viva e real, a “Comunhão dos Santos”.

As bem-aventuranças (evangelho) proclamam a chegada do Reino de Deus e, por isso, a boa ventura daqueles que ”combinam com ele”. Assim, caracterizam a comunidade dos “santos”, os “filhos do Reino”, e proclamando a sua felicidade e salvação. Jesus felicita os “pobres de Deus”, os que confiam mais em Deus do que na prepotência, os que produzem paz, os que vêem o mundo com a clareza de um coração puro etc. Sobretudo os que sofrem por causa do Reino, pois sua recompensa é a comunhão no “céu”, isto é, em Deus. Dedicando sua vida à causa de Deus, eles “são dele”. É o que diz S. João (2ª leitura): já somos filhos de Deus, e nem imaginamos o que seremos! Mas uma coisa sabemos: seremos semelhantes a ele, realizaremos a vocação de nossa criação (Gn 1,26). O amor de Deus tomará totalmente conta de nosso ser, ao ponto de nos tornar iguais a ele.

A santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão (1ª leitura): todos aqueles que, de alguma maneira, até sem o saber, aderiram e aderirão à causa de Cristo e do Reino: a comunhão ou comunidade dos santos.

Ser santo significa ser de Deus. Não é preciso ser anjo para isso. Santidade não é angelismo. Significa um cristianismo libertado e esperançoso, acolhedor para com todos os que “procuram Deus com um coração sincero” (Oração Eucarística IV). Mas significa também um cristianismo exigente. Devemos viver mais expressamente a santidade de nossas comunidades (a nossa pertença a Deus e a Jesus), por uma prática da caridade digna dos santos e por uma vida espiritual sólida e permanente.

Sobretudo: santidade não é beatice, não é medo de viver. É uma atitude dinâmica, uma busca de pertencer mais a Deus e assemelhar-se sempre mais a Cristo. Não exige boa aparência!

Desprezar os pobres é desprezar os santos! Mas exige disponibilidade para se deixar atrair por Cristo e entrar na solidariedade dos fiéis de todos os tempos, santificados e unidos por ele.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

Coragem. Jesus está te chamando! - 28/10/2012 - Mc 10, 46-52

NESTE DOMINGO, MISSA NA INTENÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE 371 ANOS DA FRATERNIDADE DA ORDEM FRANCISCANA SECULAR DO VALONGO.
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Assista à interessante reflexão de Frei Alvaci.,ofm


2° Encontro de Jovens da Província Imaculada Conceição

Foto Oficial
Seja bem vindo olelê, seja bem vindo olalá, paz e bem pra você, que veio participar… Repetidas vezes ouviu-se este refrão de alegria e de acolhida no Seminário Santo Antonio de Agudos. Ora ao som de pandeiro e casaca, ora da palma e do gogó. Era para receber ônibus, van e carro, gente de longe e de perto. Nesta mistura jovem de fraternidade, quem estava sendo acolhido já passava acolher. Foi de verdade uma explosão de alegria!
Entre os dias 12 e 14 de outubro, Agudos se transformou em lugar místico que recebeu 127 jovens e 14 frades das frentes de evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. A juventude esteve reunida aos pés de Clara de Assis ouvindo dela “não perca de vista seu ponto de partida”.
A manhã do primeiro dia de encontro foi marcada pela chegada e acolhida dos jovens que, em grande parte, viajaram à noite para se fazerem presentes. Na celebração inicial, destaque para a acolhida da Palavra de Deus, pronunciada na Bíblia e na vida de Maria, Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, celebrada no dia.
Frei Toni foi quem abriu o encontro fazendo memória do I Encontro de Jovens da Província ocorrido em abril de 2011. Lembrou que naquela ocasião os frades quiseram ouvir os jovens, seus desafios, medos, protestos e esperanças. Neste, os frades também querem partilhar. Frente aos desafios, medos e alegrias experimentados pela juventude, o que os frades têm a dizer?
Os desafios da evangelização e a centralidade da Palavra de Deus.
À tarde do dia 12, frei Toni conversou com os jovens sobre os desafios da Evangelização. Ele abordou a questão a partir da compreensão do que é Palavra de Deus. “Eu gostaria de abordar os desafios da evangelização a partir do que se compreende por Palavra de Deus”. Frei Toni deixou claro que Deus nos fala constantemente, e que sua primeira palavra na história foi a CRIAÇÃO, depois a VIDA de cada um de nós e, por fim, a grande Palavra de Deus pronunciada na história da humanidade foi CRISTO. Ficou claro que a Palavra de Deus é muito maior que a Bíblia, mas que a Bíblia é um instrumento importantíssimo para a interpretação da vida. Parece que o grande desafio da Evangelização, e também seu apelo, é voltar à Palavra de Deus e, especialmente, aproximá-la da vida da juventude.
A partilha continuou nos grupos que se formaram logo em seguida e ainda na plenária, onde não faltou assunto, nem lucidez. Aliás, as contribuições dos jovens durante todo o encontro foram de grande seriedade e maturidade, típicas de quem quer abraçar uma proposta séria e adulta. É notável que realmente os jovens percebem na herança de Clara e Francisco um caminho capaz de contribuir muito neste sentido.

Não perca de vista seu ponto de partida…
“Olhar para Clara é redescobrir a mãe, é reencontrar a mãe”. Assim Frei Vitório trouxe para o meio dos jovens a grande referência do encontro, Clara de Assis. A jovem Clara lançou os jovens para o que é o ponto de partida da vida cristã, o Evangelho. “Não perca de vista seu ponto de partida”. “Só sabe o ponto de chegada quem, na verdade, não perde de vista seu ponto de partida”, endossou Frei Vitório.
Clara foi apresentada como a mulher apaixonada, decidida, lúcida, que frustra as expectativas sociais de seu tempo e arrisca sua vida por alguém grandioso, o Cristo pobre, que a desposou e a quem ela não teve medo de amar.
Ecos da caminhada
As horas foram curtas para um momento de apresentação dos trabalhos e iniciativas que foram desencadeados após o I Encontro de Jovens em 2011. De fato o encontro parece ter sido o despertar de um tempo novo do trabalho da Província junto à juventude. Grandes desafios ainda existem, mas muita coisa já vem sendo feita.
Fazendo ecos da caminhada os jovens puderam apresentar o que têm feito depois do “despertar” gerado por Agudos. Foi bonito de ver o entusiasmo da juventude, a sede e o esforço por temperar a Evangelização com o carisma franciscano.

JMJ 2013

Um assunto obrigatório foi a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no próximo ano no Rio de Janeiro. O grupo da PJF (Pastoral da Juventude Franciscana) do Santuário Senhor Bom Jesus dos Perdões de Curitiba deu dinamismo clareza ao assunto. Insistiram muito que a JMJ é maior do que o que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 23 a 28 de julho. “O Rio e o encontro com o Papa serão apenas a celebração da JMJ. É preciso muita atenção para a pré-jornada (Semana missionária) e a pós jornada para que ela não seja um momento vazio”.
Além do aprendizado e da sintonia com a JMJ, os jovens do encontro tiveram a oportunidade de fazer uma construção conjunta de propostas para a Semana Missionária. O que é possível e interessante fazer em cada realidade, paróquia ou diocese junto aos jovens do lugar e dos peregrinos estrangeiros. A construção foi rica e comporá um banco de dados posto a disposição de todos para fomentar os trabalhos nas bases.
A JMJ também terá no seu rosto um traço franciscano. “Queremos marcar a Jornada com o jeito e o traço franciscano”, disse Frei Diego apresentado as iniciativas da Família Franciscana para a JMJ. Deixou claro que não queremos competir, mas somar e oferecer para os jovens um espaço franciscano que será o Convento Santo Antonio no Largo da Carioca.
Cultura…
A noite do sábado foi cultural. Impressionou a facilidade com que juventude rima com poesia, canto, teatro, comédia, dança, improviso, alegria, hip hop, animação, performance, música … e o fôlego foi até às 23h. Houve apresentações preparadas em casa, improvisadas, pouco ensaiadas, apresentações emocionantes dos donos da casa, os aspirantes e Frei Walter.
No palco, os artistas foram assistidos com expectativa pelos demais jovens e frades da casa, mas, desta vez, o palco também assistiu uma juventude que gosta de partilhar o que tem, gosta de tornar comum o que traz de casa, gosta de fazer rir e de fazer pensar, gosta de cultura.
Enfim, a cultura virou festa e a noite cultural foi encerrada com samba no pé, mesmo de quem é habituado ao vanerão. Aula de samba rápida, cada um mostrando o que já sabia e pronto! Em minutos estava formada a escola de samba Unidos de Agudos, como os jovens chamaram.

Fé e celebração
O encontro foi marcado fortemente com momentos intensos e bonitos de oração e celebração, preparados com primor e devoção. Destaque para quatro momentos fortes: A celebração inicial de acolhida da Palavra de Deus e consagração à Mãe Aparecida; a oração da noite de sexta ao redor de Santa Clara com dança circular, velas e mantras; a celebração da Palavra no sábado pela manhã em pequenos grupos e a Celebração eucarística de encerramento presidida pelo ministro provincial Frei Fidêncio, que esteve acompanhando o encontro como irmão entre os jovens. Ele destacou que a Celebração de encerramento tinha duas faces: “esta Missa é ação de graças por estes dias e por nossa caminhada e também de envio, pois encerra o encontro e nos devolve para nossa vida e nossa realidade, para onde voltaremos ainda mais entusiasmados.”
Na celebração de encerramento, além de agradecer e partilhar com os jovens palavras cheias de entusiasmo e ternura, Frei Fidêncio entregou para cada participante um boton com o logotipo da presença franciscana da JMJ.
Desafios
Sem dúvida o avivamento promovido pelo encontro trazs consigo também desafios aos jovens e frades na realidade da sua frente de evangelização, mas o encontro apontou especialmente dois que precisarão ser amadurecidos pela “nossa Província” como os jovens gostam de identificar, em parceria com a “nossa Juventude” como os frades a identificam:
- Esta iniciativa de trabalho com a juventude pode ter desencadeado um “efeito dominó”. Um desafio, apontado também pelos próprios jovens, é o de que a Província não busque construir um traço franciscano apenas no trabalho com eles, mas também junto a outras frentes de evangelização e outros agentes com a finalidade de imprimir a marca franciscana.
- As avaliações apontaram para o anseio e necessidade de um grupo misto de articulação deste trabalho junto com a juventude, formada por frades e jovens leigos. Tem-se a impressão de que este grupo qualificaria ainda mais as iniciativas já existentes e fortaleceria as bases.
O Almoço do dia 14 foi a despedida. Nos abraços ouviu-se muito a saudação “até o próximo!” Parecia confirmação de que o encontro foi bom e também desejo que um outro aconteça logo. E foi assim, sem perder de vista o ponto de partida, que jovens e frades voltaram para o chão de sua ação evangelizadora, sabendo ainda melhor aonde querem chegar.
Aos jovens e frades que trabalharam na organização do encontro, a gratidão e admiração dos participantes. Aos 127 jovens que deixaram tudo no feriadão da padroeira do Brasil os votos de que recebam 100 vezes mais.

Paz e bem!
Frei Renato.

Jesus e o homem rico - Mc 10,17-30 - 14/10/2012

Encontramos no evangelho de hoje um homem que combinava riqueza e vida decente. Tudo bem, sem problemas. Está à procura da “vida eterna”, a vida do “século dos séculos”, ou seja, do tempo de Deus, que ninguém mais poderá tirar. Poderíamos dizer: procura a verdadeira sabedoria, o rumo ideal de viver. Pedagogicamente, Jesus recorda-lhe, primeiro, o caminho comum: observar os mandamentos. O homem responde que já está fazendo isso aí. Então, Jesus o conscientiza de que isso não é o suficiente. Coloca-o à prova. Se realmente quer o que está procurando, terá de sacrificar até sua riqueza (não vale a sabedoria do A.T. mais do que ouro?). O homem desiste, e vai embora. E Jesus fica triste, pois simpatizou com ele (evangelho).

Humanamente falando, é impossível um rico entrar no Reino que Jesus traz presente; tem amarras demais. Mas para Deus, tudo é possível. O homem rico quis entrar no Reino de Deus na base de suas conquistas: a vida decente, a observância dos mandamentos, a sabedoria inócua de ouvir mestres famosos, entre os quais Jesus de Nazaré (10,17; Jesus já rompe sua estrutura mental, insinuando que por trás do título “bom mestre”, que o homem lhe atribui, se esconde a exigência de uma obediência total, pois só Deus é bom...).

Ora, o que Jesus lhe pede é, exatamente, superar este modo autossuficiente de proceder. Jesus quer que ele se entregue nas mãos de Deus, desistindo da vida decente cuidadosamente construída na base do trabalho, do comércio, do bom comportamento. Vender tudo e dar aos pobres, e depois, vir a seguir Jesus, fazer parte daquela turma de aventureiros galileus que Jesus reuniu em redor de si. Humanamente impossível. Só é possível para quem se entrega a Deus. É este o teste que Jesus aplicou. O homem rodou!

O resto do evangelho de hoje diz a mesma coisa em outros termos. Pedro, entusiasta, comparando-se com o rico, exclama que eles, os Doze, abandonaram tudo e seguiram a Jesus: que receberão agora? Jesus não confirma que Pedro realmente abandonou tudo, embora no momento da vocação parecesse que sim (1,16-20). Mas repete a exigência de colocar realmente tudo o que não for o Reino no segundo plano; e então a recompensa será o cêntuplo de tudo que se abandonou. Podemos verificar isso na realidade: sendo o Reino, desde já, a comunhão no amor de Deus, já recebemos irmãos e irmãs e pais e parceiros e tudo ao cêntuplo, neste tempo; e ainda (retomando o início da perícope, cf. 10,17): “a vida eterna”, no tempo que é o de Deus.

Jesus não exige árido ascetismo, fuga do mundo, e sim, correr o risco de ir ao mundo em sua companhia, abandonando tudo o que nos possa impedir de fazer do Reino o critério decisivo. Já o próprio modo de abandonar faz parte do Reino: dar aos pobres (sempre há pessoas para quem nossos bens são mais vitais do que para nós mesmos). Neste sentido, o caminho da vida não é tanto o resultado de cálculo e esforço humano, mas de entusiasmo divino – ao qual nos entregamos com a lucidez que só a luz de Cristo nos dá.

Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, 

O matrimônio segundo Jesus - Mc 10,2-16 - 07/10/2012

Os evangelhos deste período litúrgico constituem uma sequência que podemos resumir no termo “discipulado”. O evangelista Marcos mostra Jesus a caminho, subindo a Jerusalém (Mc 8,31-10,45). 

Caminhando, Jesus ensina o caminho do Filho do Homem: sofrimento, cruz e ressurreição. Este ensinamento itinerante de Jesus é balizado pelos três anúncios da paixão (8,31-32; 9,30-32; 10, 32-34). Esses anúncios são entremeados por ensinamentos que explicam em que consiste ser discípulo e seguir Jesus.

Ora, também um casamento fiel faz parte do seguimento de Jesus, do discipulado. Esse é o evangelho de hoje. A legislação matrimonial do Antigo Testamento era um pouco mais frouxa que a moral católica hoje.

Não proibia o homem de ter diversas mulheres, apenas aconselhava que não fossem muitas. Permitia ao homem despedir uma mulher quando notava algo desagradável (o quê, isso era objeto de discussão entre os doutores).

 Moisés até ordenou que, no caso de a mulher ser despedida, ela recebesse um atestado dizendo que estava livre (Dt 24,1); uma carta de demissão para que procurasse outro emprego… Por isso, Jesus é radical: quem despede sua mulher para casar com outra comete adultério contra ela, é infiel a seu amor. E para arrimar sua opinião, Jesus invoca a primeira página da Bíblia, bem anterior à “jurisprudência” de Moisés:

Deus os criou homem e mulher, o homem deixará pai e mãe, os dois serão uma só carne – uma só realidade humana – e o que Deus uniu o homem não separe (1ª leitura). Assim é que Deus quis as coisas desde a criação. Ora, Jesus é o Messias que vem restaurar as coisas conforme o plano de Deus. Tinha de falar assim mesmo. (Outra coisa é quando um governo civil admite o divórcio: o governo não é o Messias… Tem de fazer como Moisés: dar uma legislação para a fraqueza, para a “dureza de coração”, para limitar o estrago…)

O projeto de fidelidade absoluta no amor faz do matrimônio fiel um sinal eficaz do amor de Deus para seu povo: um sacramento. Em Ef, 5,22-33, Paulo relaciona o amor de esposo e esposa com o amor que Cristo tem para a Igreja e chama isso de grande mistério ou sacramento.

Ora, neste mistério de amor está presente o caminho de Cristo: assumir a cruz nos passos de Jesus. Essa sublime vocação do matrimônio indissolúvel é hoje fonte de violentas críticas à Igreja. Que fazer com os que fracassam? Objetivamente falando, sem inculpar ninguém – pois desculpa só Deus entende, e perdoa – devemos constatar que há fracassos, e que fica muito difícil celebrar um “sinal eficaz do amor inquebrantável de Jesus” na presença de um matrimônio desfeito…

Por isso, a Igreja não reconhece como sacramento o casamento de divorciados. Teoricamente, se poderia discutir se o segundo casamento não pode ser aceito como união não-sacramental (como se faz na Igreja Ortodoxa). E observe-se que muitos casamentos em nosso meio são, propriamente falando, inválidos, porque contraídos sem suficiente consciência ou intenção; poderiam, portanto, ser anulados (como se nunca tivessem existido).

Em todo caso, o matrimônio cristão, quando bem conduzido em amor inquebrantável, é uma forma de seguir Jesus no caminho do dom total.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Preparando-se para a Páscoa Franciscana

No site dos Franciscanos muitos artigos interessantes sobre o santo que mais fielmente seguiu a Jesus, chamado por muitos de Alter Christus (outro Cristo).

Muitas reflexões sobre a Festa de São Francisco e o Trânsito do Seráfico Pai

Clique na imagem para acessar o site.



"Quem quiser ser o Primeiro, seja o Último" - 23/09/2012 - Mc 9,30-37

Jesus continua a precaver os discípulos sobre a sua morte, mas ”os discípulos não compreendiam o que Jesus estava dizendo” e, paralelamente ao ensino do Mestre “servidor”, eles continuavam com as idéias de grandeza “discutido sobre qual deles era o maior”. Caminhavam “ao lado de” Jesus, mas não “com” Jesus. Queriam estar junto a Ele como uma oportunidade de se promover, não de servir.

Jesus, com paciência infinita, aproveita a oportunidade para ensinar como deve ser a relação entre poder e serviço na comunidade cristã. Por ser uma questão muito importante, ”Jesus se sentou” e assumiu a atitude de Mestre.

Na comunidade d'Ele não há discussão a respeito de quem é o maior porque “o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos”. Quando alguém quer ser o primeiro, surge a discussão porque sobram os demais (é uma tendência excludente). Mas, quando alguém quer se colocar em último lugar, para servir, não tem problema: sempre há lugar para todos (é uma tendência includente). O discípulo de Jesus está para INCLUIR a não para EXCLUIR.

A figura do garoto do evangelho é muito eloquente. Ele era filho, mas tinha que obedecer e servir o pai. Quem em relação a Deus se comporta como filho obediente e em relação aos outros como servidor, é o modelo do novo estilo de vida que é preciso abraçar, assim como Jesus “abraçou a criança” que tinha posto como exemplo? Isto, para ninguém duvidar de que o ensinamento dado serve para a comunidade d'Ele e serve para qualquer tipo de sociedade que seja considerada “cristã”.

Pe. Ciriaco S. Madrigal, OSA
www.osabrasil.org

Chagas de S. Francisco

No dia 17 de setembro a Família Franciscana celebra, em todo o mundo, a festa da impressão das Chagas, também chamada de Estigmas de São Francisco de Assis.

A introdução litúrgica da Missa e Liturgia das Horas diz o seguinte: “O Seráfico Pai Francisco, desde o início de sua conversão, dedicou-se de uma maneira toda especial à devoção e veneração do Cristo crucificado, devoção que até a morte ele inculcava a todos por palavras e exemplo.

 Quando, em 1224, Francisco se abismava em profunda contemplação no Monte Alverne (foto abaixo), por um admirável e estupendo prodígio, o Senhor Jesus imprimiu-lhe no corpo as chagas de sua paixão. O Papa Bento XI concedeu à Ordem dos Frades Menores que todos os anos, neste dia, celebrasse, no grau de festa, a memória de tão memorável prodígio, comprovado pelos mais fidedignos testemunhos.”

A vida de Francisco no Alverne é oração e ininterrupta penitência. Sente-se pobre e pecador. Quer despojar-se de tudo. Renuncia até mesmo a um manto que tinha sido salvo do fogo, a única coisa que tinha para cobrir-se durante o breve repouso da noite.

Francisco voltará muitas vezes ao Alverne para encontrar a paz em Deus que a situação da Ordem e o fato de estar no meio dos homens não lhe davam e entregar-se de corpo e alma à oração. No verão de 1224, última vez que esteve no Alverne, Francisco procura um lugar ainda mais “solitário e secreto” no qual possa mais reservadamente fazer a quaresma de São Miguel Arcanjo.

Na manhã de 14 de setembro de 1224 os céus se abrem e Cristo crucificado desce ao Monte Alverne na forma de uma serafim. Para conhecer mais sobre este maravilhoso testemunho do compromisso de Francisco com o Crucificado, clique aqui e acesse um especial no site dos franciscanos.
(www.franciscanos.org.br)

Ele faz bem todas as coisas - 09/09/2012 - Mc 7,31-37

 Conhecer mais sobre Nossa Senhora do Monte Serrat, clique aqui

É bastante comum em diversas regiões do Brasil o uso de provérbios e ditados populares como lições em diversas circunstâncias da vida. Um deles diz mais ou menos assim: “Só se conhece bem uma pessoa depois de comer em sua companhia um saco de sal.” Tal axioma é amplamente usado para agregar valor às amizades, ao namoro e ao casamento, às relações comerciais e assim por diante.
Ora, em relação a pessoa de Jesus e aos seus ensinamentos, as comunidades que o conheceram e com ele conviveram, foram experimentando sensação desta natureza. Ou seja, caminharam com Jesus, sentiram as provocações e desafios que lhe eram propostos, compreenderam os bons momentos das suas andanças. Alegraram-se com os milagres e curas.
Em outras palavras tinham a certeza que Deus estava com Ele, no final de tudo podiam afirmar com segurança: “Ele faz bem todas as coisas!”.
No evangelho proclamado na liturgia deste domingo o encontro e reconhecimento de Jesus acontecem mais uma vez em situação extraordinária. No campo, entre os necessitados, um deles surdo e que falava com dificuldade.
Acolhendo e fazendo melhorar a condição do homem que lhe fora apresentado todos podem ver que por, meio de Jesus,  é Deus mesmo quem age entre eles.
Situação semelhante havia vivido a comunidade de Isaias cujo relato está na primeira leitura. Depois de ter experimentado um momento de destruição e sofrimento a mensagem lida hoje apresenta um quadro de esperança, de alegria e de felicidade. Deus vem para salvar, vem para devolver a saúde e fazer brotar água no deserto.
Deus, em quem todos são convidados a confiar, como se reza no salmo da liturgia de hoje é reconhecido pelo apóstolo Tiago na pessoa de Jesus, a partir de quem ele pede que não se faça distinção entre as pessoas.
Ontem como hoje os seguidores de Jesus são desafiados e reconhecê-lo no meio de provações e dificuldades e à medida que o reconhecem não se deixar abater pelo sofrimento e por nenhuma forma de menosprezo das pessoas e da condição das pessoas.
No Brasil, de modo particular, se está vivendo o período eleitoral. Na mensagem para o dia sete de setembro a presidente da república anunciou alegrias, esperanças, acenando para redução de impostos, diminuição de custos de energia, aumento do crescimento econômico, valorização das pessoas e inclusão social.
Sem sombra de dúvida todas essas coisas, à medida que se concretizarem, podem ser entendidas como sinais de que a mão de Deus abençoou. Entretanto há que se compreender que tais fatos dependem em muito da vontade e da ação de cada cidadão brasileiro.  Sobretudo no exercício do voto consciente e responsável, isso significa dizer longe de comprometimento com compra ou venda de favores em troca de votos, longe de comprometer-se com candidatos cuja prática política não tenha ficha limpa.
Como o surdo do Evangelho os cristãos são tocados por Jesus, e consequentemente desafiados e ouvir e falar bem e viver do Jeito dele, ou seja, “fazendo bem todas as coisas”.
 Pe. Élcio Alberton
http://padreelcio.blogspot.com.br/
 

Francisco - Homem todo evangélico


Neste mês de Setembro, o site FRANCISCANOS, da Província Franciscana da Imaculada Conceição, preparou um especial como o título acima.

Clique na imagem e acesse.

Neste Domingo, dia 02/09, homenageamos nosso Assistente Espiritual, Frei André Becker e, por extensão, todos os frades do Santuário. Obrigado por sua presença, sua amizade, sua correção e sua escuta.

Após o café da manhã haverá palestra com projeção de um pequeno video sobre AS CHAGAS DE S. FRANCISCO.

Paz e Bem!

"Só Tu tens palavras de vida eterna" Jo 6,60-69 - 26/08/2012

O Evangelho deste domingo põe claramente a questão das opções que nós, discípulos de Jesus, somos convidados a fazer… Todos os dias somos desafiados pela lógica do mundo, no sentido de alicerçarmos a nossa vida nos valores do poder, do êxito, da ambição, dos bens materiais, da moda, do “politicamente correcto”; e todos os dias somos convidados por Jesus a construir a nossa existência sobre os valores do amor, do serviço simples e humilde, da partilha com os irmãos, da simplicidade, da coerência com os valores do Evangelho…

É inútil esconder a cabeça na areia: estes dois modelos de existência nem sempre podem coexistir e, frequentemente, excluem-se um ao outro. Temos de fazer a nossa escolha, sabendo que ela terá consequências no nosso estilo de vida, na forma como nos relacionamos com os irmãos, na forma como o mundo nos vê e, naturalmente, na satisfação da nossa fome de felicidade e de vida plena. Não podemos tentar agradar a Deus e ao diabo e viver uma vida “morna” e sem exigências, procurando conciliar o inconciliável.

A questão é esta: estamos ou não dispostos a aderir a Jesus e a segui-l’O no caminho do amor e do dom da vida? ¨ Os “muitos discípulos” de que fala o texto que nos é proposto não tiveram a coragem para aceitar a proposta de Jesus. Amarrados aos seus sonhos de riqueza fácil, de ambição, de poder e de glória, não estavam dispostos a trilhar um caminho de doação total de si mesmos em benefício dos irmãos. Este grupo representa esses “discípulos” de Jesus demasiado comprometidos com os valores do mundo, que até podem frequentar a comunidade cristã, mas que no dia a dia vivem obcecados com a ampliação da sua conta bancária, com o êxito profissional a todo o custo, com a pertença à elite que frequenta as festas sociais, com o aplauso da opinião pública…

Para estes, as palavras de Jesus “são palavras duras” e a sua proposta de radicalidade é uma proposta inadmissível. Esta categoria de “discípulos” não é tão rara como parece… Em diversos graus, todos nós sentimos, por vezes, a tentação de atenuar a radicalidade da proposta de Jesus e de construir a nossa vida com valores mais condizentes com uma visão “light” da existência. É preciso estarmos continuamente numa atitude de vigilância sobre os valores que nos norteiam, para não corrermos o risco de “virar as costas” à proposta de Jesus.

 Os “Doze” ficaram com Jesus, pois estavam convictos de que só Ele tem “palavras que comunicam a vida definitiva”. Eles representam aqueles que não se conformam com a banalidade de uma vida construída sobre valores efémeros e que querem ir mais além; representam aqueles que não estão dispostos a gastar a sua vida em caminhos que só conduzem à insatisfação e à frustração; representam aqueles que não estão dispostos a conduzir a sua vida ao sabor da preguiça, do comodismo, da instalação; representam aqueles que aderem sinceramente a Jesus, se comprometem com o seu projecto, acolhem no coração a vida que Jesus lhes oferece e se esforçam por viver em coerência com a opção por Jesus que fizeram no dia do seu Batismo. Atenção: esta opção pelo seguimento de Jesus precisa de ser constantemente renovada e constantemente vigiada, a fim de que o nível da coerência e da exigência se mantenha. ¨ Na cena que o Evangelho de hoje nos traz, Jesus não parece estar tão preocupado com o número de discípulos que continuarão a segui-l’O, quanto com o manter a verdade e a coerência do seu projecto. Ele não faz cedências fáceis para ter êxito e para captar a benevolência e os aplausos das multidões, pois o Reino de Deus não é um concurso de popularidade…

Não adianta escamotear a verdade: o Evangelho que Jesus veio propor conduz à vida plena, mas por um caminho que é de radicalidade e de exigência. Muitas vezes tentamos “suavizar” as exigências do Evangelho, a fim de que ele seja mais facilmente aceite pelos homens do nosso tempo… Temos de ter cuidado para não desvirtuarmos a proposta de Jesus e para não despojarmos o Evangelho daquilo que ele tem de verdadeiramente transformador.

O que deve preocupar-nos não é tanto o número de pessoas que vão à Igreja; mas é, sobretudo, o grau de radicalidade com que vivemos e testemunhamos no mundo a proposta de Jesus. ¨ Um dos elementos que aparece nitidamente no nosso texto é a serenidade com que Jesus encara o “não” de alguns discípulos ao projecto que Ele veio propor. Diante desse “não”, Jesus não força as coisas, não protesta, não ameaça, mas respeita absolutamente a liberdade de escolha dos seus discípulos. Jesus mostra, neste episódio, o respeito de Deus pelas decisões (mesmo erradas) do homem, pelas dificuldades que o homem sente em comprometer-se, pelos caminhos diferentes que o homem escolhe seguir.

O nosso Deus é um Deus que respeita o homem, que o trata como adulto, que aceita que ele exerça o seu direito à liberdade. Por outro lado, um Deus tão compreensivo e tolerante convida-nos a dar mostras de misericórdia, de respeito e de compreensão para com os irmãos que seguem caminhos diferentes, que fazem opções diferentes, que conduzem a sua vida de acordo com valores e critérios diferentes dos nossos. Essa “divergência” de perspectivas e de caminhos não pode, em nenhuma circunstância, afastar-nos do irmão ou servir de pretexto para o marginalizarmos e para o excluirmos do nosso convívio.

P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
 (www.dehonianos.org)

Festa da Assunção de Nossa Senhora - 19/08/2012

Em 1950, o Papa Pio XII definiu a Assunção de Maria como dogma, ou seja, como ponto referencial de sua fé. Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada plena e definitivamente com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, ela é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida completamente no céu porque ela acolheu o Céu nela – inseparavelmente.

O evangelho de hoje é o Magnificat de Maria, resumo da obra de Deus com ela e em torno dela. Humilde serva – nem tinha sequer o status de mulher casada -, ela foi “exaltada” por Deus, para ser mãe do Salvador e participar de sua glória, pois o amor verdadeiro une para sempre. Sua grandeza não vem do valor que a sociedade lhe confere, mas da maravilha que Deus opera nela. Um diálogo de amor entre Deus e a moça de Nazaré: ao convite de Deus responde o “sim” de Maria, e à doação de Maria na maternidade e no seguimento de Jesus, responde o grande “sim” de Deus, a glorificação de sua serva. Em Maria, Deus tem espaço para operar maravilhas. Em compensação, os que estão cheios de si mesmos não deixam Deus agir e, por isso, são despedidos de mãos vazias, pelo menos no que diz respeito às coisas de Deus. O filho de Maria coloca na sombra os poderosos deste mundo, pois enquanto estes oprimem, ele salva de verdade.

Essa maravilha, só é possível porque Maria não está cheia de si mesma, como os que confiam no seu dinheiro e seu status. Ela é serva, está a serviço – como costumam fazer os pobres – e, por isso, sabe colaborar com as maravilhas de Deus. Sabe doar-se, entregar-se àquilo que é maior que sua própria pessoa. A grandeza do pobre é que ele se dispõe para ser servo de Deus, superando todas as servidões humanas. Mas, para que seu serviço seja grandeza, tem que saber decidir a quem serve: a Deus ou aos que se arrogam injustamente o poder sobre seus semelhantes. Consciente de sua opção, o pobre realizará coisas que os ricos, presos na sua auto-suficiência, não realizam: a radical doação aos outros, a simplicidade, a generosidade sem cálculo, a solidariedade, a criação de um homem novo para um mundo novo, um mundo de Deus.

A vida de Maria, a “serva”, assemelha-se à do “servo”, Jesus, “exaltado” por Deus por causa de sua fidelidade até a morte (Fl 2,6-11). O amor torna semelhantes as pessoas. Também a glória. Em Maria realiza-se, desde o fim de sua vida na terra, o que Paulo descreve na 2ª leitura: a entrada dos que pertencem a Cristo na vida gloriosa do pai, uma vez que o Filho venceu a morte.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

fonte: www.franciscanos.org.br

Jesus, Pão descido do céu - 12/08/2012 - Jo 6,41-51

A TODOS OS PAIS, PARA QUE POSSAM, SEMPRE, REPARTIR
O PÃO DA VIDA EM SUAS FAMÍLIAS. REZEMOS AO SENHOR
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Jesus se apresentou como o pão descido do céu, com palavras que lembravam as declarações de Isaías sobre a palavra e o ensinamento de Deus. Hoje aprofundamos o sentido disso. Jesus é alimento da parte de Deus por ser a Palavra de Deus (Jo 1,1), que nos faz viver a vida que está nas mãos de Deus – a vida que chamamos de “eterna”. (Esta não é mero prolongamento indefinido de nossa vida terrestre, o que não valeria a pena, mas é “de outra categoria”: da categoria de Deus mesmo. Neste sentido, vida eterna e vida divina são sinônimos).

Jesus nos alimenta para essa vida divina por tudo aquilo que ele é e fez. Sua vida é o grande ensinamento que nos encaminha na direção do Pai. Na antiga Aliança, Moisés e seus sucessores ensinavam o povo, mas nem sempre de melhor maneira. Agora, realiza-se a Nova Aliança, em que todos se tornam discípulos de Deus (Jo 6,45; Jr 31,33; Is 54,13). 


Quem escuta Jesus, que é a Palavra de Deus em pessoa, não precisa mais de intermediários (Jo 1,17). Ninguém jamais viu Deus, a não ser aquele que desce de junto dele, o Filho que no-lo dá a  conhecer (6,46; cf. 1,18). Jesus conhece Deus por dentro. Escutando Jesus, aprendemos a  conhecer Deus, sem mais intermediários. 


 Escutar Jesus alimenta-nos para a vida com Deus, para sempre. Ora, João diz que quem crê já tem a vida eterna (5,24). Como é essa vida eterna, divina? Será talvez esse bem-estar incomparável que sentimos quando ficamos mortos de cansaço por nos termos dedicado aos nossos irmãos até não poder mais? 


Quando arriscamos nossa vida na luta pela justiça e o amor fraterno. Quando doamos o melhor de nós, material e espiritualmente. A felicidade de quem dá sua vida totalmente. Pois é isso que Jesus nos ensina da parte de Deus. E porque ele fez isso, ele é o ensinamento de Deus em pessoa. Para Israel, o ensinamento de Deus está na Escritura e na tradição dos mestres: é a Torá, a “Instrução” (termo traduzido de modo inadequado por “Lei”). 


Para nós, a Torá viva é Jesus. Sabemos que o tipo de vida que Jesus nos mostra e ensina é endossado por Deus, como ele comprovou ressuscitando seu filho dentre os mortos. É a vida que Deus quer. E o pão que alimenta essa vida é Jesus. Alimenta-a pela palavra que falou, pela vida que viveu, pela morte de que morreu: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu…. O pão que eu darei é minha carne dada para a vida do mundo”(6,51, evangelho do próximo dom.). 


Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

(www.franciscanos.org.br)

"Senhor, da-nos sempre desse pão..." Jo 6,24-35 - 05/08/2012


A multidão procura Jesus, desejando continuar numa situação de abundância e governada por um líder político que decida e providencie tudo sem exigir esforço.

Jesus mostra que o pão material, embora necessário, não é o mais importante na vida (“não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna”). Existe algo bem mais profundo pelo qual vale a pena viver, embora exija empenho absoluto do ser humano. É a adesão pessoal a Cristo para que esta vida se torne plena e definitiva.

Neste texto do Evangelho percebemos claramente o modo admirável de Jesus fazer catequese. Aproveita o impacto produzido pela multiplicação dos pães e até mesmo o interesse mesquinho do povo pelo pão de cada dia para convidá-lo a ir além do “alimento que se estraga” para descobrir o “alimento que dura para a vida eterna”. Ele lhes promete este alimento e assim os conduz para outra dimensão, isto é, para “a obra de Deus” que consiste em aderir a Ele pela fé e agir seguindo seu ensinamento.

Não é uma fé cega o que Ele quer. Por isso aceita ser questionado (“Que sinal realizas para que possamos ver e acreditar em ti?”) e é respondendo a esta pergunta que Jesus dá mais um passo, comparando-se com o Maná (“o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”) para provocar a mente do povo.

Sem ainda mostrar o verdadeiro motivo que o levou a multiplicar os pães, os ajuda a descobrir o alimento “que dura para a vida eterna” e desejá-lo abertamente com uma súplica («Senhor, dá-nos sempre desse pão»). E é só neste momento, depois deles terem superado o imediatismo do pão material, que conseguiram entender o que estava querendo lhes dizer. Então pedem abertamente o alimento espiritual para o sustento da alma. A resposta de Jesus (“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem acredita em mim nunca mais terá sede”) mostra que é preciso dar um sentido à vida, com algo que garanta a estabilidade existencial e alimente a vida interior. Isto acontece com aquele que se alimenta do “verdadeiro pão que vem do céu”, isto é, da união com Cristo.

Alguém viu uma catequese mais completa? Alguém conhece uma pedagogia mais moderna? Este é Jesus, o Mestre..! Ninguém como Ele sabe ensinar..! Ninguém como Ele sabe respeitar a inteligência humana no processo de descobrimento de uma fé adulta, não imposta por ninguém, mas fruto de uma descoberta realizada passo a passo pelo ser humano....Realmente, temos muito que aprender!

Pe. Ciríaco Madrigal, O.S.A.

Dia do Padre - 04 de agosto


A vocês, queridos amigos, que abriram mão de cuidar de uma família para cuidar de um povo, a comunidade do Valongo abençoa e pede que Deus conceda muita alegria e perseverança nesse caminho.
Paz e Bem!

Falece Frei Antonio Andrietta, ofm

 Na tarde desta segunda-feira (30.07), Frei Antônio Andrietta foi encontrado sem vida em quarto de hóspedes do Convento São Francisco em São Paulo. Frei Salésio, guardião, informou que ele chegara na sexta-feira e havia dito que visitaria sua irmã, como costumava fazer. Preocupado por não encontrar o Frei Antônio hoje, dia em que ele voltaria a Bragança Paulista, onde residia, Frei Salésio, abrindo o quarto, o encontrou falecido, provavelmente há mais de um dia. Por esse motivo, não é possível obter de imediato o atestado de óbito. Será preciso fazer ocorrência, e então o corpo de Frei Antônio será encaminhado ao Instituto Médico Legal. Não podemos informar ainda, portanto, o dia e hora em que acontecerá seu sepultamento.

A notícia completa está no link:
http://www.franciscanos.org.br/n/?p=20901



O milagre da partilha - Jo 6,1-15 - 29/07/2012

No evangelho de João, na narrativa da última ceia de Jesus em Jerusalém, não há menção à partilha eucarística do pão. A grande ação de Jesus nesta ceia é o lavar os pés dos discípulos, como exemplo de serviço para eles (cf. 5 abr.).

Este gesto de partilha se realiza neste momento de encontro com a grande multidão no alto da montanha e tem um caráter universalista, pois aí estavam presentes gentios da Galileia e de territórios vizinhos.

Foi no alto de uma montanha que Deus deu os dez mandamentos a Moisés. Agora é o novo mandamento de Jesus, ou seja: o mandamento da partilha e do amor. O personagem central é um menino, um jovem escravo que trazia consigo com cinco pães de cevada e dois peixes. Jesus dá graças pela partilha, e ela acontece a partir dos mais humildes.

Somos convidados a viver a eucaristia como partilha concreta do pão e da vida. Nesta narrativa é destacada, logo de início, a grande multidão de excluídos que segue Jesus e que merece sua atenção. Vemos aí, também, uma contraposição entre este encontro de Jesus com a multidão e "a Páscoa, a festa dos Judeus".

Nesta Páscoa celebrava-se a passagem da escravidão para a liberdade, ou seja: a saída do povo de Israel do Egito que, liderados por Moisés, iriam repousar aos pés do Monte Sinai, onde receberiam as tábuas da Lei da vida. De acordo com o evangelista João, no alto daquela montanha, Jesus, através da partilha que alimenta milhares de pessoas, revela o Deus da vida e do amor. Sempre no meio da multidão, Jesus comunica a vida.

A expressão "festa dos judeus" aparece cinco vezes no evangelho de João, ao referir-se às festas religiosas celebradas em Jerusalém, nas quais Jesus se fez presente. Com esta expressão João quer indicar que Jesus não se identifica com estas festas, mas vai a Jerusalém para criticar o sistema do Templo e para fazer seu anúncio da vontade do Pai ao povo que para aí acorre.

Agora, no alto da montanha, o povo participa da verdadeira festa que é o banquete do Reino, caracterizado pela partilha, pelo amor e pela fraternidade. O evangelho de João apresenta sete sinais de Jesus, que correspondem aos milagres, nos sinóticos. São sinais da realidade maior que é a presença do Deus de amor no mundo e na história. Esta cena da partilha dos pães é o quarto sinal.

Os evangelistas sinóticos, Marcos, Mateus e Lucas, também narram esta partilha dos pães. Suas narrativas foram colhidas da tradição das primeiras comunidades cristãs que se inspiravam na narrativa da partilha do pão feita pelo profeta Eliseu, conforme nos ensina a primeira leitura.

A solução do problema da fome e das carências humanas não está ancorada numa política econômica paternalista que se resume em “Bolsas”, mas na partilha da renda justa, de empregos, educação, moradia, transporte, saneamento básico, saúde, ética, transparência, honestidade, temor a Deus, solidariedade, fraternidade e da justiça que faz com que todos os seres humanos sejam realmente iguais; e, não numa economia de mercado que gera a ganância e a avidez pelo lucro.

A solução de todos os problemas da humanidade foi apresentada, por Jesus, há dois mil anos atrás, pois ele ensinou que é pela partilha dos bens deste mundo, do pão, da terra, da cultura, que se pode satisfazer a todos e ainda há de sobrar em abundância.

É pela partilha que se chega à unidade desejada por Deus, superando-se a divisão entre ricos e pobres, formando-se um só corpo e um só Espírito, no vínculo da Paz, conforme nos fala Paulo, na segunda leitura.

Portanto, se ainda podemos testemunhar, na realidade em que vivemos, tantas situações de morte, isto significa que a Doutrina do Mestre Jesus ainda não atingiu os corações dos homens, particularmente daqueles que detém o poder, daqueles que governam em todas as instâncias do Poder Público.

Oração

Pai, que os ensinamentos de Jesus renove em mim a consciência de saber partilhar, pois é pela partilha que reconhecemos a Jesus, o Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade. Perdoa-me, ó Pai, se ainda não aprendi a partilhar e viver na comunhão, na qual Jesus se oferece a todos indistintamente.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro