"Ele fala com autoridade" 29/01/2012

Jesus é o profeta do Reino de Deus. Mas que é um profeta? Conforme a 1ª leitura, o profeta é mediador e porta-voz de Deus.

Os antigos israelitas, vivendo ao lado dos cananeus, estavam tentados a consultar, como estes, as divindades dos “lugares altos” por aí (que supostamente conheciam bem as necessidades locais). Consultavam os sortilégios, os búzios, os necromantes que evocavam espíritos etc. Não eram muito diferentes de muitos dos nossos contemporâneos.

Diante disso, Moisés lhes lembra que, quando da manifestação de Deus no monte Sinai (Ex 19), eles tiveram tanto medo que Deus precisou estabelecer um intermediário para falar com eles: o primeiro profeta bíblico, ele mesmo. Em vista disso, sempre haveria profetas em Israel para serem mediadores e porta-vozes de Deus, de modo que os israelitas não precisariam mais consultar os deuses de Canaã, nos santuários locais.

O profeta é aquele que fala com a autoridade de Deus, que o envia. Muitas vezes, sua palavra é corroborada por Deus por meio de milagres, “sinais”.

No evangelho, Jesus é apresentado como porta-voz de Deus e de seu Reino.Deus mostra que está com ele.

Dá-lhe poder de fazer sinais: na sinagoga de Cafarnaum, Jesus expulsa um demônio, e o povo reconhece sua autoridade profética: “Um ensinamento novo, dado com autoridade…” (Mc 1,27). Ora, os sinais milagrosos servem para mostrar a autoridade do profeta, mas não são propriamente sua missão. Servem para mostrar que Deus está com ele, mas sua tarefa não é fazer coisas espantosas. Sua tarefa é ser porta-voz de Deus.

Jesus não veio para fazer milagres, e sim, para nos dizer e mostrar que Deus nos ama e espera que participemos ativamente de seu projeto de amor. Por outro lado, os sinais, embora não sejam sua tarefa propriamente, não deixam de revelar um pouco em que consiste o reino que Jesus anuncia. São sinais da bondade de Deus.

Jesus nunca faz sinais danosos para as pessoas (como as pragas do Egito que aconteceram pela mão de Moisés). O primeiro sinal de Jesus, em Mc, é uma expulsão de demônio. A obsessão demoníaco simboliza o mal que toma conta do ser humano sem que este o queira. Libertando o endemoninhado do seu mal, Jesus demonstra que o Reino por ele anunciado não é apenas apelo livre à conversão de cada um, mas luta vitoriosa contra o mal que se apresenta maior que a gente.

O mal que é maior que a gente existe também hoje: a crescente desigualdade social, a má distribuição da terra e de seus produtos, a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição, a vida insalubre dos que têm de menos e dos que têm demais, a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado, o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação…

Esses demônios parecem dominar muita gente e fazem muitas vítimas. O sinal profético de Jesus significa a libertação desse mal do mundo, que transcende nossas parcas forças. E sua palavra, proferida com a autoridade de Deus mesmo, nos ensina a realizar essa libertação.

Como Jesus, a Igreja é chamada a apresentar ao mundo a Palavra de Deus e o anúncio de seu Reino. Como confirmação dessa mensagem, deve também demonstrar, em sinais e obras, que o poder de Deus supera o mal: no empenho pela justiça e no alívio do sofrimento, no saneamento da sociedade e na cura do meio ambiente adoentado. Palavra e sinal, eis a missão profética da Igreja hoje.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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"Arrependam-se e creiam no Evangelho!"-22/01/2012

Após a prisão de João, Jesus decide levar o seu anúncio da conversão ao Reino de Deus à Galiléia. Jesus inova no sentido de que, em vez de aguardar a afluência de pessoas na região desértica à margem do Jordão, decide dirigir-se, com discípulos, às regiões povoadas do norte.

Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas) são completados com o evangelho de João (cf. 4 jan., 15 jan.) na caracterização dos primeiros discípulos reunidos em torno de Jesus. Nos sinóticos, as narrativas do chamado de Jesus ao discipulado se caracterizam pelo esquema: Jesus passa e chama; o discípulo deixa tudo e o segue. Esta é uma forma literária de apresentar, em breve sumário, todo um processo vital de relações de conhecimento e amizade entre Jesus e o discípulo e a adesão final.

No evangelho de João é destacado que Jesus chama seus primeiros discípulos em um convívio com os discípulos de João Batista. O que caracteriza o discipulado é a conversão. Assim como Jesus, após receber o batismo de João, abandonou seu costumeiro modo de vida familiar em Nazaré, também os discípulos abandonam suas atividades profissionais e o convívio costumeiro com seus familiares e companheiros de trabalho, e põem-se a seguir Jesus.

A Boa-Nova do Reino que está próximo, perto de nós, é a revelação de uma nova realidade. A conversão é o processo de mudança e a construção desta nova realidade. O mundo nos oferece uma realidade ainda não totalmente humanizada. Ocorrem até absurdos de violência e desumanidade maciças causadas pela ambição do dinheiro e do poder e pela guerra.

Nínive, conforme a primeira leitura, era um símbolo dessa desumanidade. Contudo, este não passa de um mundo frágil (segunda leitura). A conversão se faz a partir do olhar para Jesus e deixar-se contagiar pelo seu amor misericordioso e por suas palavras.

Assim, vamos nos libertando das ideologias de sucesso, riqueza e poder, para incorporarmos valores de comunhão com o próximo, na mansidão e no carinho, construindo um mundo novo possível, na justiça e na fraternidade.

Oração: Pai, todo poderoso, dirigi a minha segundo a vossa vontade e o vosso amor e tornai-me instrumento vosso para que eu pratique sempre as vossas obras. Amém.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
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