Quaresma, regeneração - 26/02/2012 - Mc 1,12-15


Celebramos o 1º domingo da Quaresma. Muitos jovens nem sabem o que é a Quaresma. Nem sequer sabem o que significa o Carnaval, antiga festa do fim do inverno no hemisfério norte, que, na Cristandade, tornou-se a despedida da fartura antes de iniciar o jejum da Quaresma…

A Quaresma (do latim quadragésima) significa um tempo de quarenta dias vivido na proximidade do Senhor, na entrega a ele. Depois de batizado por João Batista no rio Jordão, Jesus se retirou no deserto de Judá e jejuou durante quarenta dias, preparando-se para anunciar o Reino de Deus (evangelho). Vivia no meio das feras, mas os anjos de Deus cuidavam dele. Preparando-se desse modo, Jesus assemelha-se a Moisés, que jejuou durante quarenta dias no Monte Horeb (Ex 24, 18; 34, 28; Dt 9, 11 etc), a Elias, que caminhou quarenta dias alimentado pelos corvos até chegar a essa montanha (1Rs 19,8). O povo de Israel peregrinou durante quarenta anos pelo deserto (Dt 2,7), alimentado pelo Senhor.

Na Quaresma deixamos para trás as preocupações mundanas e priorizamos as de Deus. Vivemos numa atitude de volta para Deus, de conversão. Isso não consiste necessariamente em abster-se de pão, mas sobretudo em repartir o pão com o faminto e em todas as demais formas de justiça – o verdadeiro jejum (Is 58,6-8).

A Igreja viu, desde seus inícios, nos quarenta dias de preparação de Jesus uma imagem da preparação dos candidatos ao batismo. Assim como Jesus depois desses quarenta dias se entregou à missão recebida de Deus, os catecúmenos eram, depois de quarenta dias de preparação, incorporados em Cristo pelo batismo, para participar da vida nova.

O batismo era celebrado na noite da Páscoa, noite da Ressurreição. E toda a comunidade vivia na austeridade material e na riqueza espiritual, preparando-se para celebrar a Ressurreição. A meta da Quaresma é a Páscoa, o batismo, a regeneração para uma vida nova.

Para os que ainda não receberam o batismo – os catecúmenos -, isso se dá no sacramento do batismo na noite pascal; para os já batizados, na conversão que sempre é necessária em nossa vida cristã: daí o sentido da renovação do compromisso batismal e do sacramento da reconciliação neste período. É nesta perspectiva que compreendemos também a 1ª e a 2ª leitura, que nos falam da purificação da humanidade pelas águas do dilúvio e do batismo.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(http://www.franciscanos.org.br/)

Quarta feira de CINZAS

CONVERTEI-VOS E CREDE NO EVANGELHO! (Liturgia da Quarta-feira de Cinzas – Tempo da Quaresma) O tempo da Quaresma, que se inicia hoje, é uma ótima ocasião para reaquecer a nossa vida com o fogo do amor de Deus: “Hoje não endureçais o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!” (Sl 94,8), convida o salmista da liturgia desta quarta feira de cinzas.

O primeiro dia desse tempo começa logo a “quebrar o gelo” do nosso coração. O ponto de partida é o mesmo amor de Deus, tão misericordioso a ponto de esquecer os pecados, inclusive os mais graves, para o bem do pecador que se converte. O Senhor Deus que criou tudo, ama tudo, não despreza nada e a todos dá a possibilidade do arrependimento. Somos convidados neste início de quaresma a derramar um pouco de cinzas sobre a cabeça começando, assim, um itinerário com este gesto importante que assinala o ponto de partida de cada fiel que busca converter-se e crer no Evangelho, abrindo-se ao serviço a Deus e ao próximo.

As nossas mesas deveriam tornar-se mais simples, para que o jejum nos ajudasse a ter fome e sede de Deus. As nossas mãos deveriam abrir-se muito mais para se estenderem na direção das necessidades do próximo. Só assim podemos “enfrentar vitoriosamente com as armas da penitencia, o combate contra o espírito do mal”. Quaresma quer dizer, portanto, luta na esperança de uma vitória. E a luz da Palavra de Deus nos oferece os meios para esta luta. Bastaria reler e meditar bem o Evangelho de hoje que nos convida a mergulhar nesse olhar do Pai que vê o que está oculto, para alegrar-nos com o Seu amor, enquanto procuramos ser “mais brancos do que a neve”!

Temos consciência dessa necessidade, pois no dia a dia experimentamos a fragilidade e a discrepância entre o desejo da santidade e a nossa vida concreta. Somos feitos de bons propósitos, renúncias, alguns atos de caridade, mas às vezes, constatamos que nada muda! Talvez, devêssemos começar a mudar a nossa maneira de pensar. Talvez, devêssemos crer verdadeiramente, e pode ser este o tempo propício para isso. Ao viver intensamente este tempo propício para a conversão e ao celebrá-lo intensamente escutando a Palavra de Deus com atenção e docilidade, certamente, experimentaremos um dom imenso da Sua parte.

Ele vê o nosso coração, sabe que está se purificando e nos dá a oportunidade necessária para colocar em ordem a nossa vida. Nestes quarenta dias Deus é o primeiro a caminhar ao nosso encontro, no deserto da nossa vida, com a Sua Aliança e a Sua amizade. O deserto para Israel não foi um lugar fácil. O tempo dos quarenta anos significou viver sob uma tenda, sem morada fixa, na total falta de segurança. Muitas vezes foi tomado pela tentação de retornar à escravidão do Egito onde, pelo menos, o alimento era assegurado, mesmo que fosse comida de escravos.

Na precariedade do deserto foi o próprio Deus que providenciou água e alimento para o Seu povo, defendendo-o dos perigos. Assim, a experiência da dependência total de Deus tornou-se para os Hebreus um caminho de libertação da escravidão para servir a Ele e ao próximo. O período quaresmal nos impulsiona a percorrer espiritualmente o mesmo itinerário, exortando-nos àquela conversão que nos permitirá chegar purificados ao dia da Páscoa, ao coração do mistério cristão, da qual somos chamados a ser no mundo testemunhas alegres, como fiéis que professam com convicção a ressurreição e a vida eterna, alegres anunciadores do Paraíso; mesmo que experimentemos, muitas vezes, a incapacidade de proclamar o Evangelho com a própria vida.

Neste tempo de conversão, é necessário, mais do que nunca, como revisão de vida e superação da mediocridade, na consciência de que não cabem mais em nossas vidas, gestos superficiais, teatrais e sensacionalistas. Não é tempo de rasgar as vestes. Deixemos aos fariseus esse gesto ritual que exprime indignação. No nosso caso, pelo contrário, precisamos rasgar o coração: “Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes”, exorta o profeta Joel.

A conversão deve, portanto, partir do íntimo do coração humano, pois, como disse Jesus, “É do coração humano que provém os propósitos maus, os homicídios, os adultérios, as prostituições, os furtos, os falsos testemunhos, as blasfêmias” (Mt 15,19). Essa mudança profunda das atitudes mais íntimas, isto é, a conversão, é uma ocasião de arrependimento para ir do amor a si mesmo ao amor de Deus. Uma passagem, portanto, necessária do “eu” a “Deus”! É já mesmo antes da Páscoa e em preparação para celebrá-la, uma passagem pascal que se dá na própria dinâmica da conversão. Converter-se significa admitir humildemente que temos muitos erros; significa penitenciar-se por causa das más escolhas feitas, repetindo as palavras do rei Davi: “Reconheço toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre à minha frente, foi contra vós que eu pequei e pratiquei o que é mau aos vossos olhos” (Sl 50, 5). Converter-se significa seguir o exemplo do filho Pródigo, que oprimido pela fome “caiu em si” (Lc 15,17), abandonando o caminho do pecado, para voltar aos braços do Pai.

Deus espera a nossa volta sempre! O próprio Jesus nos ensina como empregar este tempo de preparação para a Páscoa, sugerindo o que se deve evitar e o que se deve fazer: “Guardai de praticar as vossas boas obras diante dos homens”! Bem sabemos que o estilo do mundo é um estilo de aparências; aparências descaradamente vazias, no jogo do engano dos expedientes mesquinhos, vazios e ridículos. O tempo de conversão tem, ao contrário, necessidade da solidez das coisas, segundo o princípio da vida espiritual, para o qual nada tem valor, nada conta quando feito só para parecer e aparecer. Como Deus disse ao profeta Samuel, “Eu não vejo como o homem vê.

O homem vê a aparência, o Senhor vê o coração” (1 Sam 16,7). Se o que buscamos é a aprovação dos homens, demonstramos não ser inteligentes, porque a sua aprovação, mesmo que nos agrade, nunca poderá nos dar aquilo que não temos. É bom lembrar o que nos diz sobre isso o Apóstolo Paulo: “Pois busco eu agora o favor dos homens ou o favor de Deus? Ou procuro agradar aos homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servidor de Cristo” (Gl 1,10). Quanto ao que diz respeito aos compromissos que devem caracterizar o nosso caminho quaresmal, o Senhor se detém em três pontos da prática religiosa, cara à tradição de Israel: a esmola, a oração e o jejum, apresentando-os como um convite urgente, persuasivo e ao mesmo tempo, pessoal e delicado. “Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; quando rezardes, entra no teu quarto, quando jejuardes, perfuma a cabeça e lava o rosto e o teu Pai que vê o que está escondido em segredo, te dará a recompensa”! Com estes três grandes exemplos o Senhor nos ensina o caminho da interioridade e do primado de Deus sobre a vida.

Iniciemos, particularmente, este período com a observância do jejum, de uma maneira séria e comprometida, de fato, olhando ao nosso redor para ver os mais necessitados que nos estendem as mãos.

O ensinamento do grande São Pedro Crisólogo pode nos ajudar nesse sentido: “Jejuando, portanto, irmãos, coloquemos o nosso alimento na mão do pobre; (...). A mão do pobre é o banco de Cristo, porque Cristo acolhe tudo aquilo que o pobre recebe. Dá, portanto, ó homem, a terra ao pobre, para ter o céu; dá o dinheiro, para ter o Reino; dá uma migalha, para ter o tudo” (São Pedro Crisólogo, Sermões, 8, 4). Meus irmãos e irmãs desejo uma boa e frutífera quaresma. Demos espaço a Deus, demos-Lhe o nosso tempo. Ele não fará outra coisa senão, encher-nos de alegria, a verdadeira alegria de quem se converte e crê no Evangelho! (Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA – Superior dos Missionários Inacianos – formador@inacianos.org.br – Website: www.inacianos.org.br).

"Levanta-te e anda" - Mc 2, 1-12 - 19/02/2012

No evangelho de hoje presenciamos um típico “sinal” de Jesus, e este sinal nos faz também entender o sentido dos outros sinais dele. A história do paralítico poderia ser uma “simples” cura de um homem que foi baixado pelo teto diante dos pés de Jesus, porque havia tanta gente que não existia outro jeito. Mas, onde a gente esperava uma cura, Jesus perdoa. O que nem foi pedido. Também não poderia ter sido pedido, pois, para perdoar, é preciso uma “autoridade”especial e esta, só Deus a tem (cf. 1ª leitura). Por isso, “as autoridades” acusam Jesus de blasfêmia. Mas, na verdade, não é uma blasfêmia, senão a revelação da verdadeira missão de Jesus, que transparecia na “autoridade” que o povo observou nele (cf. 1,22): “Para que vejais que o Filho do Homem tem autoridade na terra…”.

Todos os termos são importantes: “Filho do Homem”: a figura celestial de Dn 7, a quem é dada a “autoridade”(exousia), porém, não lá no céu, mas aqui “na terra”, portanto, na execução da intervenção escatológica de Deus. É a hora do Juízo, aqui na terra. Mas este Juízo não serve para destruir os impérios, como em Dn 7, mas para perdoar e restaurar, pois Deus não quer a morte; pelo contrário como Pai e criador, renova a vida. E o sinal que deixa transparecer este sentido último é o seguinte: “Para que vejais que tenho esta autoridade (e agora fala ao paralítico): Levanta-te, toma tua cama e anda”. Não convém perguntar se o homem era pecador (quem é justo diante de Deus?), o importante é que ele é destinatário e ocasião de uma revelação do amor criador do Pai em Jesus, exercendo o poder do Filho do Homem de um modo inesperado, aqui na terra. “Jamais vimos tal coisa”, exclama o povo. Jesus se revela como plenipotenciário de Deus. Mas não apenas isso.

Revela também uma dimensão do Juízo de Deus que facilmente era esquecida naquele tempo de esperança apocalíptica. Esperava-se vingança, condenação, fogo. Mas Deus tem outros meios para sanar a situação de desespero. Aí, Deus resolveu jogar longe de si o pecado com o qual o povo o cansara (em vez de o povo se cansar em procurar Deus!) (Is 43,22-25; 1ª leitura).

Este é o Juízo do qual Deus sai vencedor (43,26): ele perdoa! Deus queria trazer Israel de volta à sua terra; mas isto não serviria para nada, se o povo, primeiro, não “voltasse” (se convertesse) interiormente. Precisava de perdão, como de uma nova criação. Entendemos, assim, melhor a “autoridade” escatológica que se manifesta em Jesus, o Filho do Homem. Certo, é um poder judicial, mas este é apenas uma explicitação do poder criacional. Pois o último juízo é, em última análise, uma nova criação: “Eis que faço tudo novo” (Ap 21,5).

Ora, o comportamento verdadeiramente divino para com a criatura não é destruí-la, mas reconstruí-la e recriá-la; não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (Ez 18,23). Por isso, o Filho do Homem não vem destruir, mas perdoar. A “autoridade”que ele recebeu de Deus é marcada por aquela outra qualidade de Deus, que é mais característica: a “misericórdia” (cf. Mc 1,41;6,34 etc). A 2ª leitura é do início da 2Cor. Paulo se defende da acusação de inconstância. Paulo deve explicar por que lhes prometeu uma visita e não a realizou. A razão não é inconstância.

O “sim” de Deus é “sim” mesmo, e igualmente deve ser também o “sim” do apóstolo, cuja atuação deve ilustrar o conteúdo de sua pregação. A razão é que Paulo não quis visitar os coríntios com o coração magoado por causa das polêmicas, que alguém lá estava conduzindo contra ele. Portanto, o adiamento da visita confirmava o “sim” do carinho de seu coração. Este era constante. Paulo atribui sua firmeza a Deus, que nos sela com o Espírito. Sua firmeza é dom divino, não mérito humano. É graça. Num tempo de inconstância, provocada por uma cultura de consumo e alta rotatividade, convém pedir a Deus o dom da firmeza. Firmeza como instrumento de amor, para poder amar e servir de modo coerente. Firmeza também como fortaleza permanente na resistência à injustiça, sobretudo quando ela se aninha firmemente na própria estrutura da sociedade.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
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O toque da vida - Mc 1, 40-45 - 12/02/2012

Na mensagem do evangelho deste domingo, notamos mais uma vez Jesus tocando para curar, e desta vez ele toca em um leproso. Bem sabemos que no tempo de Jesus um leproso já era considerado um morto, sua cura representava a própria ressurreição. Não podia mais viver nas cidades com a família, era simplesmente jogado à margem. Quando alguém passava por perto ele tinha que gritar que era um leproso, mesmo assim alguns jogavam pedras na tentativa de afastá-lo mais ainda da sociedade.


Neste contexto, um leproso de fé desrespeita a Lei, se aproxima de Jesus e cai de joelhos. Esta era sua última instância, se arriscar para ser tocado (v41). Notamos que Jesus encheu-se de compaixão, isto é, assumiu a dor daquele chagado e excluído, tocou e curou! Mas para a Lei do Antigo Testamento, Jesus cometeu um crime, tocou em um impuro (Lv 13-14). Tocou porque diferente do Deus imaginado pela religião do Antigo Testamento, Jesus revelou a face humana e bondosa do Pai que se inclina sobre a humanidade ferida para curar e recuperar a nossa dignidade.

Notamos que Jesus pede para o homem apresentar-se ao sacerdote e para não contar nada a ninguém (v44). Como um leproso era considerado um morto, se curado, tinha que passar pelo sacerdote para ser verificado, caso ao contrário, não poderia voltar à família e ao convívio social. Mas o homem feliz saiu esparramando a notícia, então Jesus não podia ficar mais publicamente em uma cidade, porque simplesmente por haver tocado em um leproso, foi julgado pela Lei como um impuro. Na concepção de uma religião legalista, Jesus que é o Emanuel, o Deus conosco, ficou impuro.

Antes era o leproso que não podia entrar na cidade, agora é Jesus que não pode mais. É Ele que se torna o excluído. Veja aqui como que em Jesus, Deus assume nossas dores e exclusão. Por isso todos nós que somos “chagados” de uma forma ou de outra, seja nas feridas da alma ou do corpo, precisamos nos aproximar de Jesus com fé e pedir: “Se queres, tens o poder de curar-me” (v40).

Uma vez curado e tocado, precisamos pensar que há muitos “leprosos” nas diversas circunstâncias da vida que sofrem todo tipo de exclusão. Mas precisamos pensar também que uma vez discípulos de Jesus, temos que dizer 'não' a exclusão e fazer tudo aquilo que o Mestre ensinou.

Paz e benção no Senhor!
Frei Gilmar Vasques Carreira, ofm
http://jufraleao.blogspot.com/

Ser livre para servir - Mc 1,29-39 - 05/02/2012

Jesus saiu da sinagoga e foi com Tiago e João para a casa de Simão e André (v29). Vamos prestar atenção nesta informação: a sinagoga era a casa de oração do povo de Deus, equivale hoje para nós cristãos, à igreja.

É na sinagoga, é na igreja que ouvimos e aprendemos a palavra de Deus, é daí que sai nosso alimento espiritual e a palavra viva transformadora.

Porém sabemos também que a casa, a família é a nossa primeira igreja, a família é a igreja doméstica, por isso que Jesus faz este movimento de sair da sinagoga para entrar nas casas. Este é o modelo de pastoral cristã: encher-se de Cristo na igreja e depois partir ao encontro dos irmãos onde eles estão em especial em suas casas!

Os discípulos são aqueles que conversam com o Mestre, por isso contaram para Jesus que a sogra de Simão estava com febre e de cama (v 30). O povo do tempo de Jesus acreditava que a febre era uma força demoníaca, pois quem está com febre fica quente, perde as forças e o ânimo.

A febre é então o fogo que devora, que arrasa. A febre não é o fogo do Espírito Santo que aquece e anima. Por isso que Jesus se aproxima, segura na mão da sogra de Simão e ajudou-a levantar-se, com isto a febre desapareceu e ela começou a servi-los (v31). Com este gesto de Jesus e da Sogra de Simão, o evangelho deste domingo responde duas perguntas, a saber:

1º. Quem é Jesus?
2ª. Quem é o discípulo de Jesus?

Voltemos ao gesto de Jesus: ele se aproxima e segura na mão. Então imaginamos Jesus inclinando-se para tocar na sogra de Simão que estava na cama. Isto responde a primeira pergunta. Jesus é o Deus encarnado que inclina sobre o ser humano ferido para curar; é o Senhor da Vida que em um gesto tão sublime inclina-se sobre nossa humanidade ferida; é o Divino que em sua humildade inclina-se para a humanidade.

Nesta inclinação Ele nos toca com sua mão, mas toca para curar, toca com profundidade nossas feridas, não para sangrá-las, mas curá-las no corpo e na alma.

Voltemos agora ao gesto da sogra de Simão: assim que a febre desapareceu e ela começou servir. Isto responde a segunda pergunta. O discípulo é aquele que se coloca à serviço depois de ser tocado por Jesus.

Toda experiência profunda feita com Jesus deve-nos colocar a serviço do mestre em favor dos irmãos, seja na igreja, seja nas casas ou onde quer que estejamos.

Notemos ainda no evangelho que em frente da casa havia uma multidão querendo fazer esta experiência de Jesus, uma multidão querendo ser tocada, e muitas destas pessoas fizeram esta experiência.

Jesus se retira na madruga para rezar. Aprendemos aqui com Jesus que a oração é importante porque é comunhão com o projeto de Deus.

Jesus foi procurado enquanto rezava, e respondeu que deveria ir para outros lugares. Com isto Jesus ensina que veio para tocar a todos, e a todos libertar do fogo que devora e para enviar o fogo que aquece e anima.

Gostaria de terminar esta mensagem do evangelho com o refrão de um canto do ‘Louvemos’ que resume muito bem esta mensagem: “Toca Senhor....toca Senhor, com teu amor.........com teu amor.....”
Paz e benção no Senhor!
Frei Gilmar Vasques Carreira, Ofm