Cristo a Videira, nós os ramos


No A.T., a “vinha de Javé” era Israel. Mas não produziu seu fruto. O NT traz uma parábola de Jesus, dizendo que foram os vinhateiros que não quiseram dar a devida parte do produto ao proprietário; este, depois de ter mandado servos, enviou finalmente seu próprio filho, mas os vinhateiros o mataram, e a vinha foi dada a outros arrendatários. Assim, a vinha se tornou imagem do novo povo de Deus.

É nesse sentido que Jo recorre à imagem da videira (evangelho). Decerto, ela se aplica em primeiro lugar a Jesus mesmo: “A verdadeira videira sou eu”(em oposição à videira provisória ou tipológica, que era Israel). Mas trata-se de Jesus unido aos seus: naqueles que estão unidos a ele é que Jesus produz os frutos que glorificam o Pai, os frutos da caridade (cf. próximo domingo).

Além da idéia principal – produzir frutos pela união vital com Cristo -, encontramos também algumas aplicações secundárias da imagem: a poda, que significa a purificação pela palavra de Cristo, pela opção que esta nos impõe; ou, no caso dos ramos secos, a condenação.

Em que consiste essa união vital com Cristo? Em permanecer em sua palavra, o mandamento do amor fraterno. É o “amar, não só com palavras, mas em atos e verdade”, de que fala a 2ª leitura. Esse “amor eficaz” faz com que reconheçamos que “somos da verdade” e tenhamos paz em nosso coração.

Para João, a verdade se mostra em gestos concretos. Com seu estilo associativo, Jo passa a outra idéia: se nosso coração não tem paz, mas nos condena, que fazer então? Então devemos crer que Deus é maior que nosso coração. Se nosso coração nos acusa, devemos confia-lo a Deus: conversão. E se não nos acusa, podemos viver da comunhão com Deus, pedindo o que um filho pode pedir do Pai (1Jo 3,22; cf. Jo 15,7).

Na 1ª leitura continua a história da primeira comunidade cristã. Traz o relato de Lucas referente às primeiras atividades apostólicas de Paulo, seu contato com os apóstolos de Jerusalém, mediante Barnabé, suas discussões com os judeus do helenismo (Paulo e Barnabé eram judeu-helenistas), sua missão a Tarso.

Na Carta aos Gálatas, Paulo descreve este período, dizendo que “viu” somente a Pedro; mas isso não contradiz o que Lc aqui escreve. Quer dizer que Paulo só submeteu seus planos ao chefe dos apóstolos, Pedro, e não está sob a jurisdição do chefe da igreja de Jerusalém, Tiago, para o qual apelam os “judaizantes”, que Paulo combate na carta. Podemos, portanto, dizer que, desde a sua primeira atividade, existe harmonia dos principais apóstolos em torno da missão de Paulo. A comunhão preconizada pela imagem da videira é uma realidade.

A liturgia de hoje oferece ensejo para realçar a unidade da “mesa da Palavra” e da “mesa eucarística”. O canto da comunhão sugere essa ligação. A linguagem dos símbolos poderá visualizar que a “videira verdadeira” (cf. liturgia da Palavra) produziu, como primeiro de seus frutos, o “vinho da salvação”, ou seja, o sangue derramado na cruz (cf. liturgia eucarística). Os nossos frutos deverão ser da mesma natureza!

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br/)

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