Festa de S. Pedro e S. Paulo - 01/07/2012

A Igreja hoje celebra solenemente a Festa de São Pedro e São Paulo.

A solenidade de são Pedro e de são Paulo é uma das mais antigas da Igreja, sendo anterior até mesmo à comemoração do Natal. Já no século IV havia a tradição de, neste dia, celebrar três missas: a primeira na basílica de São Pedro, no Vaticano; a segunda na basílica de São Paulo Fora dos Muros e a terceira nas catacumbas de São Sebastião, onde as relíquias dos apóstolos ficaram escondidas para fugir da profanação nos tempos difíceis. 

E mais: depois da Virgem Santíssima e de são João Batista, Pedro e Paulo são os santos que têm mais datas comemorativas no ano litúrgico. Além do tradicional 29 de junho, há: 25 de janeiro, quando celebramos a conversão de São Paulo; 22 de fevereiro, quando temos a festa da cátedra de São Pedro; e 18 de novembro, reservado à dedicação das basílicas de São Pedro e São Paulo.

Antigamente, julgava-se que o martírio dos dois apóstolos tinha ocorrido no mesmo dia e ano e que seria a data que hoje comemoramos. Porém o martírio de ambos deve ter ocorrido em ocasiões diferentes, com são Pedro, crucificado de cabeça para baixo, na colina Vaticana e são Paulo, decapitado, nas chamadas Três Fontes. Mas não há certeza quanto ao dia, nem quanto ao ano desses martírios.

A morte de Pedro poderia ter ocorrido em 64, ano em que milhares de cristãos foram sacrificados após o incêndio de Roma, enquanto a de Paulo, no ano 67. Mas com certeza o martírio deles aconteceu em Roma, durante a perseguição de Nero.

Há outras raízes ainda envolvendo a data. A festa seria a cristianização de um culto pagão a Remo e Rômulo, os mitológicos fundadores pagãos de Roma. São Pedro e são Paulo não fundaram a cidade, mas são considerados os "Pais de Roma". Embora não tenham sido os primeiros a pregar na capital do império, com seu sangue "fundaram" a Roma cristã. Os dois são considerados os pilares que sustentam a Igreja tanto por sua fé e pregação como pelo ardor e zelo missionários, sendo glorificados com a coroa do martírio, no final, como testemunhas do Mestre.

São Pedro é o apóstolo que Jesus Cristo escolheu e investiu da dignidade de ser o primeiro papa da Igreja. A ele Jesus disse: "Tu és Pedro e sobre esta pedra fundarei a minha Igreja". São Pedro é o pastor do rebanho santo, é na sua pessoa e nos seus sucessores que temos o sinal visível da unidade e da comunhão na fé e na caridade.

São Paulo, que foi arrebatado para o colégio apostólico de Jesus Cristo na estrada de Damasco, como o instrumento eleito para levar o seu nome diante dos povos, é o maior missionário de todos os tempos, o advogado dos pagãos, o "Apóstolo dos Gentios".

São Pedro e são Paulo, juntos, fizeram ressoar a mensagem do Evangelho no mundo inteiro e o farão para todo o sempre, porque assim quer o Mestre.
São Pedro e São Paulo Apóstolos
Hoje a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo apóstolos. Estes santos são considerados "os cabeças dos apóstolos" por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo.

Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.

Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".

São Pedro e São Paulo, rogai por nós

Padre Eduardo G. Silva - Paróquia São Paulo Apóstolo - Osasco

Ele se chamará João, isto é, “Deus se mostrou misericordioso” - Nascimento de João Batista - Lc 1,57-66,80 24/06/2012

João, ao ser circuncidado, recebe o nome predito e a missão de profeta e precursor

O evangelho inicia dizendo que chegara o tempo de Isabel dar à luz. Parentes e vizinhos se alegram ao ouviram dizer que Deus a havia cumulado de misericórdia. Para Deus nada é impossível (Lc 1, 36-37). Em tempos bíblicos, a esterilidade era considerada uma desonra e um castigo (Gn 30,23; 1Sm 1,5-8; 2Sm 6,23). Várias mulheres estéreis dão à luz para demonstrar que Deus “abriu a sua madre”, de modo que ela voltasse a ser fecunda, assim como a terra que faz germinar a semente. Isabel é uma dessas mulheres, tal como Sara, a esposa de Abraão (Gn 21,6), que riu ao receber o anúncio divino e gerou um filho, Isaac, que significa “aquele que ri’.

Oito dias após o seu nascimento, João teria de ser circuncidado. A comunidade de Lucas valoriza muito o rito da circuncisão de João. Em relação a Jesus, ele apenas diz que foi circuncidado e recebeu o nome de Jesus (Lc 1,21), pois o mais importante seria ressaltar o seu nascimento em Belém (Lc 2, 1-20). Já em relação a João, é relatada a dificuldade em decidir pelo nome do menino. Muitos queriam que ele recebesse o nome do pai, Zacarias – Deus se lembrou – , pois esse já era velho e não haveria motivo de confusão das pessoas. Nesse momento, sem saber, o anjo já havia revelado o nome do menino para seu marido, Isabel toma a palavra e diz que o seu filho se chamaria João, Yohanan, que significa: Deus (Y de Yavé) tem misericórdia (hanan). A bem da verdade, Deus teve misericórdia com o velho casal e lhe deu um dom, um presente, chamado João.

O nome significava a essência e a missão da pessoa. Ele até podia mudar. Abrão (pai elevado) torna-se Abraão (pai de muitos). Não por menos, ao nome de João foi acrescentado Batista, aquele que batiza. João batizou Jesus, que mais tarde também se chamaria Cristo, o ungido. João, mais tarde, seria testemunha da misericórdia de Deus, ao chamar o seu povo para a conversão, de modo que Deus pudesse agir com misericórdia. Misericórdia não teve, no entanto, o impiedoso Herodes Antipas que mandou decapitá-lo (Mc 6, 17-29).

O episódio do nome termina com Zacarias dando a palavra final, escrevendo em uma tabuleta: “seu nome é João”. Logo em seguida, Zacarias voltou a falar e todos se maravilhavam com o ocorrido. Da boca de Zacarias veio o anúncio da ação de Deus em João, o protegido e símbolo da gratuidade de Deus para com seu povo, por meio de um canto de ação de graças chamado de “Benedictus” (v.68-79). Como a jovem Maria que, inspirando-se no canto de Ana (1Sm 2,1-10), louva a Deus, o velho Zacarias rende louvores a Deus pelo nascimento de seu filho, e acrescenta: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo; pois irás à frente do Senhor, para preparar-lhe os caminhos, para transmitir ao seu povo o conhecimento da salvação, pela remissão de seus pecados” (vv. 76-77). O canto, parte final de nosso evangelho de hoje, termina dizendo que o menino, fazendo forte alusão a outro menino, Jesus, crescia e se fortalecia em espírito. Além disso, ele moraria no deserto até o dia em que se manifestou a Israel (v.80).

Essa manifestação, como cumprimento da profecia, aconteceu por volta do ano 20 E.C., no chamado movimento batista, que ele mesmo começou no deserto da Judeia e à beira do rio Jordão. João anunciava o batismo e a conversão dos pecados para obter o perdão. O batismo na água colocava as pessoas em relação direta com Deus. Não eram mais necessárias as práticas rituais do templo de Jerusalém. Assim, os batistas se tornaram perigosos para a ordem judaica estabelecida a partir do templo. João conclamava o povo a ir ao deserto, o que, simbolicamente, retomava a figura de Moisés e o êxodo. E do deserto, de novo, o povo entraria na terra da promessa, perdoados e batizados, para destruir o império romano. Assim, o movimento de João Batista tornou-se perigoso também para o império romano. A destruição romana viria por mãos de Deus, Aquele que vem. Herodes Antipas, prevendo uma rebelião de João contra Roma, mandou decapitá-lo. João foi um crítico do poder e por isso foi assassinado, não necessariamente por questões morais, ao criticar o relacionamento amoroso de Herodes Antipas e Herodíades, a mulher de seu irmão Filipe (Mc 6, 17-29).

Frei Jacyr de Freitas Faria, ofm
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O reino de Deus é como a semente e o pé de mostarda - 17/06/2012 - Mc 4,26-34

 O evangelho do domingo passado tratou da crise entre Jesus, seus irmãos e os escribas, os quais se opunham ao seu ensinamento. Em continuidade a esse episódio, hoje, Jesus aparece, conforme o relato da comunidade de Marcos, ensinando de novo (Mc 4,1), mas em forma de parábola, isto é, de modo comparado.

Jesus faz uso da realidade agrária da Palestina para fazer os seus seguidores entenderem a sua mensagem. Ele não explica a comparação, mas deixa o ouvinte pensando sobre o fato. Aos seus discípulos (as), no entanto, ele explicava em particular (4,34). O evangelho de hoje trata de duas parábolas do reino: a da semente e a do grão de mostarda. Cada uma delas tem um centro, um entendimento possível. A semente que germina por si só.

Crescer por si só é o centro dessa parábola. A mensagem é simples, basta semear o reino e ele crescerá, mesmo que os opositores não queiram. O importante é semear sempre. Jesus incentiva os seus seguidores, seus irmãos na fé, a permanecerem no árduo trabalho de semear o reino. A semente, o reino, cresce por si só. Não há como impedi-lo. A mostarda que cresce e incomoda. Essa parábola nos permite três interpretações diferentes, três modos de entender o centro, que pode recair na semente, na árvore ou no pé de mostarda.

A) O reino é como a pequena semente. Essa interpretação é a mais recorrente. O centro da parábola consiste na passagem do pequeno para o grande. A pequena semente de mostarda é o novo Israel, isto é, os seguidores de Jesus, os quais se tornarão “grandes árvores”. O evangelho apócrifo de Tomé 20, bem como Marcos 4,30-32 e Mateus 13,31-32, com exceção de Lucas 13,18-19, falam desse algo menor que fica grande. Cada seguidor do Reino é chamado a lavrar constantemente o seu interior para deixar a semente do reino crescer e produzir abundantes frutos.

B) O reino é como a grande árvore. Visto desse modo, o pequeno Israel tornar-se-ia uma grande árvore apocalíptica. Textos do Primeiro Testamento falam do cedro do Líbano como árvore apocalíptica (Sl 104,12; Ez,31,3.6; Dn 4,10-12), na qual os pássaros fazem os seus ninhos. Possivelmente, o centro da parábola não esteja também na grande árvore, pois se, de fato, Jesus quisesse referir-se a uma árvore apocalíptica, ele teria mencionado o cedro e não a mostarda.

C) O reino é como o pé de mostarda. A mostarda é uma planta medicinal e culinária que chega a medir, no máximo, 1 m e ½ de altura. Ela se desenvolve melhor ao ser transplantada. Depois de plantada, a mostarda torna-se uma erva daninha. Temos dois tipos de mostarda, a selvagem e a culinária. Por ser uma planta impura, o código deuteronômico (Dt 22,9) proíbe a sua plantação. Consideremos que o centro da parábola esteja no pé de mostarda, seja ele doméstico ou selvagem, e não na semente. Assim é o Reino de Deus, como a erva que chega e se esparrama. Não pode ser controlada, torna-se abundante como a nossa tiririca, e atrai pássaros, inimigos de qualquer agricultor. O reino, depois de semeado, perde o controle, toma conta do terreno todo. Assim como o reino, a mostarda é motivo de escândalo para muitos. O reino é indesejável e violador das regras de santidade. Essa interpretação nos ajuda a compreender o valor do reino e sua ação transformadora em nossas vidas, mesmo para aqueles que nele não acreditam

Fonte: www.franciscanos.org.br
(Cf. FARIA, Jacir de Freitas, As origens apócrifas do cristianismo. Comentários aos evangelhos de Maria Madalena e de Tomé. 2 ed., São Paulo: Paulinas, p. 110-112).