O reino de Deus é como a semente e o pé de mostarda - 17/06/2012 - Mc 4,26-34

 O evangelho do domingo passado tratou da crise entre Jesus, seus irmãos e os escribas, os quais se opunham ao seu ensinamento. Em continuidade a esse episódio, hoje, Jesus aparece, conforme o relato da comunidade de Marcos, ensinando de novo (Mc 4,1), mas em forma de parábola, isto é, de modo comparado.

Jesus faz uso da realidade agrária da Palestina para fazer os seus seguidores entenderem a sua mensagem. Ele não explica a comparação, mas deixa o ouvinte pensando sobre o fato. Aos seus discípulos (as), no entanto, ele explicava em particular (4,34). O evangelho de hoje trata de duas parábolas do reino: a da semente e a do grão de mostarda. Cada uma delas tem um centro, um entendimento possível. A semente que germina por si só.

Crescer por si só é o centro dessa parábola. A mensagem é simples, basta semear o reino e ele crescerá, mesmo que os opositores não queiram. O importante é semear sempre. Jesus incentiva os seus seguidores, seus irmãos na fé, a permanecerem no árduo trabalho de semear o reino. A semente, o reino, cresce por si só. Não há como impedi-lo. A mostarda que cresce e incomoda. Essa parábola nos permite três interpretações diferentes, três modos de entender o centro, que pode recair na semente, na árvore ou no pé de mostarda.

A) O reino é como a pequena semente. Essa interpretação é a mais recorrente. O centro da parábola consiste na passagem do pequeno para o grande. A pequena semente de mostarda é o novo Israel, isto é, os seguidores de Jesus, os quais se tornarão “grandes árvores”. O evangelho apócrifo de Tomé 20, bem como Marcos 4,30-32 e Mateus 13,31-32, com exceção de Lucas 13,18-19, falam desse algo menor que fica grande. Cada seguidor do Reino é chamado a lavrar constantemente o seu interior para deixar a semente do reino crescer e produzir abundantes frutos.

B) O reino é como a grande árvore. Visto desse modo, o pequeno Israel tornar-se-ia uma grande árvore apocalíptica. Textos do Primeiro Testamento falam do cedro do Líbano como árvore apocalíptica (Sl 104,12; Ez,31,3.6; Dn 4,10-12), na qual os pássaros fazem os seus ninhos. Possivelmente, o centro da parábola não esteja também na grande árvore, pois se, de fato, Jesus quisesse referir-se a uma árvore apocalíptica, ele teria mencionado o cedro e não a mostarda.

C) O reino é como o pé de mostarda. A mostarda é uma planta medicinal e culinária que chega a medir, no máximo, 1 m e ½ de altura. Ela se desenvolve melhor ao ser transplantada. Depois de plantada, a mostarda torna-se uma erva daninha. Temos dois tipos de mostarda, a selvagem e a culinária. Por ser uma planta impura, o código deuteronômico (Dt 22,9) proíbe a sua plantação. Consideremos que o centro da parábola esteja no pé de mostarda, seja ele doméstico ou selvagem, e não na semente. Assim é o Reino de Deus, como a erva que chega e se esparrama. Não pode ser controlada, torna-se abundante como a nossa tiririca, e atrai pássaros, inimigos de qualquer agricultor. O reino, depois de semeado, perde o controle, toma conta do terreno todo. Assim como o reino, a mostarda é motivo de escândalo para muitos. O reino é indesejável e violador das regras de santidade. Essa interpretação nos ajuda a compreender o valor do reino e sua ação transformadora em nossas vidas, mesmo para aqueles que nele não acreditam

Fonte: www.franciscanos.org.br
(Cf. FARIA, Jacir de Freitas, As origens apócrifas do cristianismo. Comentários aos evangelhos de Maria Madalena e de Tomé. 2 ed., São Paulo: Paulinas, p. 110-112).

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