Falece Frei Antonio Andrietta, ofm

 Na tarde desta segunda-feira (30.07), Frei Antônio Andrietta foi encontrado sem vida em quarto de hóspedes do Convento São Francisco em São Paulo. Frei Salésio, guardião, informou que ele chegara na sexta-feira e havia dito que visitaria sua irmã, como costumava fazer. Preocupado por não encontrar o Frei Antônio hoje, dia em que ele voltaria a Bragança Paulista, onde residia, Frei Salésio, abrindo o quarto, o encontrou falecido, provavelmente há mais de um dia. Por esse motivo, não é possível obter de imediato o atestado de óbito. Será preciso fazer ocorrência, e então o corpo de Frei Antônio será encaminhado ao Instituto Médico Legal. Não podemos informar ainda, portanto, o dia e hora em que acontecerá seu sepultamento.

A notícia completa está no link:
http://www.franciscanos.org.br/n/?p=20901



O milagre da partilha - Jo 6,1-15 - 29/07/2012

No evangelho de João, na narrativa da última ceia de Jesus em Jerusalém, não há menção à partilha eucarística do pão. A grande ação de Jesus nesta ceia é o lavar os pés dos discípulos, como exemplo de serviço para eles (cf. 5 abr.).

Este gesto de partilha se realiza neste momento de encontro com a grande multidão no alto da montanha e tem um caráter universalista, pois aí estavam presentes gentios da Galileia e de territórios vizinhos.

Foi no alto de uma montanha que Deus deu os dez mandamentos a Moisés. Agora é o novo mandamento de Jesus, ou seja: o mandamento da partilha e do amor. O personagem central é um menino, um jovem escravo que trazia consigo com cinco pães de cevada e dois peixes. Jesus dá graças pela partilha, e ela acontece a partir dos mais humildes.

Somos convidados a viver a eucaristia como partilha concreta do pão e da vida. Nesta narrativa é destacada, logo de início, a grande multidão de excluídos que segue Jesus e que merece sua atenção. Vemos aí, também, uma contraposição entre este encontro de Jesus com a multidão e "a Páscoa, a festa dos Judeus".

Nesta Páscoa celebrava-se a passagem da escravidão para a liberdade, ou seja: a saída do povo de Israel do Egito que, liderados por Moisés, iriam repousar aos pés do Monte Sinai, onde receberiam as tábuas da Lei da vida. De acordo com o evangelista João, no alto daquela montanha, Jesus, através da partilha que alimenta milhares de pessoas, revela o Deus da vida e do amor. Sempre no meio da multidão, Jesus comunica a vida.

A expressão "festa dos judeus" aparece cinco vezes no evangelho de João, ao referir-se às festas religiosas celebradas em Jerusalém, nas quais Jesus se fez presente. Com esta expressão João quer indicar que Jesus não se identifica com estas festas, mas vai a Jerusalém para criticar o sistema do Templo e para fazer seu anúncio da vontade do Pai ao povo que para aí acorre.

Agora, no alto da montanha, o povo participa da verdadeira festa que é o banquete do Reino, caracterizado pela partilha, pelo amor e pela fraternidade. O evangelho de João apresenta sete sinais de Jesus, que correspondem aos milagres, nos sinóticos. São sinais da realidade maior que é a presença do Deus de amor no mundo e na história. Esta cena da partilha dos pães é o quarto sinal.

Os evangelistas sinóticos, Marcos, Mateus e Lucas, também narram esta partilha dos pães. Suas narrativas foram colhidas da tradição das primeiras comunidades cristãs que se inspiravam na narrativa da partilha do pão feita pelo profeta Eliseu, conforme nos ensina a primeira leitura.

A solução do problema da fome e das carências humanas não está ancorada numa política econômica paternalista que se resume em “Bolsas”, mas na partilha da renda justa, de empregos, educação, moradia, transporte, saneamento básico, saúde, ética, transparência, honestidade, temor a Deus, solidariedade, fraternidade e da justiça que faz com que todos os seres humanos sejam realmente iguais; e, não numa economia de mercado que gera a ganância e a avidez pelo lucro.

A solução de todos os problemas da humanidade foi apresentada, por Jesus, há dois mil anos atrás, pois ele ensinou que é pela partilha dos bens deste mundo, do pão, da terra, da cultura, que se pode satisfazer a todos e ainda há de sobrar em abundância.

É pela partilha que se chega à unidade desejada por Deus, superando-se a divisão entre ricos e pobres, formando-se um só corpo e um só Espírito, no vínculo da Paz, conforme nos fala Paulo, na segunda leitura.

Portanto, se ainda podemos testemunhar, na realidade em que vivemos, tantas situações de morte, isto significa que a Doutrina do Mestre Jesus ainda não atingiu os corações dos homens, particularmente daqueles que detém o poder, daqueles que governam em todas as instâncias do Poder Público.

Oração

Pai, que os ensinamentos de Jesus renove em mim a consciência de saber partilhar, pois é pela partilha que reconhecemos a Jesus, o Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade. Perdoa-me, ó Pai, se ainda não aprendi a partilhar e viver na comunhão, na qual Jesus se oferece a todos indistintamente.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro

"... eram como ovelhas sem pastor..." Mc 6,30-34

A coisa mais difícil é perceber o quanto erramos e quando estamos errados. Todos acreditam ter razão e sempre a culpa é de outros!

Já dizia René Descartes que o bom senso era a coisa tão mais bem dividida que todos acreditam ter a porção necessária.

Todos acreditam ter bom senso, mas na verdade, todos  justificam os seus pecados e assim permanecem na mesma vida de sempre, sem perspectiva de mudanças  e ainda escondidos dentro de um Cristianismo falho e incapaz de mostrar luzes!

Esta incapacidade de ver o próprio pecado nos faz ovelhas sem pastor e doentes perante o nosso próprio futuro.

Estamos no capítulo seis do Evangelho de São Marcos, e este trecho que nos é oferecido pela liturgia deste domingo coloca diante de nossos olhos Jesus imensamente preocupado com o bem estar dos seus discípulos que embora tenham voltados entusiasmado e fazendo relatos de tudo o que fizeram, com certeza, estavam igualmente cansados.
É o que podemos perceber devido ao convite do Senhor para que se retirassem com ele. Ao mesmo tempo, temos Jesus compadecido com o povo que parece ovelha sem pastor.

Da parte dos discípulos aprendemos do mestre que todos aqueles que estao no serviço de Cristo necessitam de descanso e de um período de retirada com o intuito de se revisar a vida e assim, romper as trevas que muitas vezes podem envolver a nossa jornada.

Aprendemos também que é necessário que nós tenhamos atenção aos nossos familiares, aos nossos amigos, e assim partilhar as alegrias de momentos da vida.

É preciso estar saudável para servir ao Senhor, atendendo às necessidades daqueles que se apresentem a nós.

Este Evangelho tem início com a relação de amizade entre Jesus e seus discípulos e em um segundo momento é que podemos perceber que estes, em intimidade com Jesus o veem ensinando ao povo que parece ovelha sem pastor.

É o Pastor Jesus que deseja ser o pastor de nossas vidas e com a palavra e o exemplo deseja alimentar em seus seguidores o mesmo desejo de serviço e pastoreio pois somos corresponsáveis por nossas vidas. Eis aí uma lição que precisamos aprender com urgência! O povo que aos olhos de Jesus parece ovelha sem pastor, é o povo sofredor, que tem o futuro negado.

Com este povo, Jesus é solidário, ele se compadece e partilha a vida.  Salvar é um ato de bondade de Deus e a  misericórdia divina se estende a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho.

Ele Se compadece daqueles que recebem os Seus ensinamentos, e dos que se apressam a cumprir os Seus preceitos. E é justamente neste ponto: a busca de viver a Palavra de Deus é que percebemos a nossa doença porque começamos a acreditar de uma forma perigosa que é errando que se aprende. Não, do erro podemos retirar ensinamentos, mas não podemos admitir que o erro seja o meio para se aprender a viver.

Aqui temos o cerne da doença que acomete o ser humano, tal qual ele deveria aparecer perante Deus.
Quem tem saúde não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à este, e aqui o que há de mais significativo é que o Pastor é o Médico. E este não se nega a ir ao encontro dos doentes, nem se nega a atendê-los!

E neste mundo estamos todos doentes por conta dos nossos pecados, por conta da nossa dureza de coração, da nossa falta de perdão, da nossa falta de atenção aos sofrimentos nossos e os dos outros, pela dificuldade em dizer a verdade, pela nossa facilidade em nos expor e expor os outros, pela falta de amor para com o próprio Deus!

Temos necessidade de um Salvador. Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quem nos dê luz; sedentos, da fonte de água viva, porque “quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4,14).

Mortos, precisamos da vida; rebanho, do pastor; crianças, de um educador: sim, toda a humanidade tem necessidade de Jesus.
“Cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça” (Ez 34,16).

Tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos. Mestre, dá-nos com abundância o Teu pasto, que é a justiça! Seja o nosso pastor e conduz-nos até à
Tua montanha santa, até à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus. “Eis que Eu mesmo cuidarei das Minhas ovelhas e me interessarei por elas” (cf Ez 34). “Eu não vim para ser servido mas para servir”. É por isso que o Evangelho O mostra cansado, Ele que se entrega por nós e que promete “dar a Sua vida para resgatar a multidão” (Jo 4,5; Mt 20,28).

Peçamos a Cristo que nossos olhos se abram para percebermos os nossos pecados e assim, conduzidos por Ele possamos mudar nossa conduta e assim alcançar a cura para o pecado que é uma doença mortal!

Padre Dalmo Radimack
Pároco em Tibiri II - Cidade de Santa Rita - PB

"Esse homem não é o carpinteiro?!" Mc 6,1-6 - 08/07/2012



Nazaré era uma cidadezinha pequena onde todo mundo se conhecia. Lá, na sinagoga, Jesus ensinou de tal forma que todos ficaram impressionados porque, além das palavras cheias de sabedoria, já tinha realizado alguns milagres para os quais não encontravam explicação.


A resistência contra Jesus, porém, se articula ao redor de cinco perguntas que não questionam a validade do seu ensinamento e sim a sua pessoa:


1. A primeira pergunta julga a origem de seus ensinamentos (“De onde vem tudo isso?”).

2. A segunda se refere ao conteúdo e procedência dos ensinamentos (“Onde foi que arranjou tanta sabedoria?”).

3. A terceira julga os milagres (“E esses milagres que são realizados pelas mãos dele?”).

4. A quarta julga sua condição social e profissional (“Esse homem não é o carpinteiro?”).

5. A quinta julga sua origem familiar (“o filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?”).

São perguntas que não procuram resposta; apenas manifestam o bloqueio da mentalidade mesquinha de seus conterrâneos. Simplesmente, por causa do preconceito, a origem humilde de Jesus não lhes permite aceitar sua pessoa.

Ele não era nem sacerdote nem rabino; como é que um homem do povo, pensava ser mais do que os outros? Não tinha feito estudos na escola rabínica sobre a Lei de Moisés; com que autoridade pretendia ensinar? Era verdade que os milagres näo tinham explicação, mas ele não era mais que o carpinteiro (aquele operário da construção que trabalhava a madeira). Além disso, sua família, sem status social, era bem conhecida na cidade. Parecia ser “filho de José”, mas (em Nazaré tudo se sabia) Ele era apenas“filho de Maria” porque já estava grávida dele antes de morar com seu esposo (um judeu sempre era “filho de seu pai”; se apenas era “filho de sua mãe” não tinha destaque social).
Por essas e por outras, “ficaram escandalizados por causa de Jesus”. Sua admiração inicial se transformou em incompreensão e desconfiança. Não quiseram admitir que alguém como eles pudesse realizar sinais da presença de Deus e tivesse sabedoria superior à dos profissionais da religião. O que impediu a fé deles não foi mais que o preconceito, somado à hipocrisia que sempre o acompanha.

Jesus “ficou admirado com a falta de fé deles” e percebeu que não dava para fazer grande coisa na sua cidade porque o milagre exige, como condição prévia, a fé da pessoa. Foi uma pena. Apesar de que “muitos que o escutavam ficavam admirados”, a maior parte deles não permitiu que fosse “estimado em sua própria pátria”. 

O preconceito impede o raciocínio e sempre põe tudo a perder!

PALAVRA DE DEUS NA VIDA

Os habitantes de Nazaré haviam visto Jesus crescer, brincar, ir à escola, trabalhar... Pensavam conhecê-lo bem; mas o essencial d'Ele lhes era desconhecido. É muito parecido com o que acontece hoje. Muitos o reconhecem como uma das grandes figuras da humanidade; um homem extraordinário, lúcido, sábio, promotor da paz e da justiça, mas apenas um homem. Conhecem o personagem, mas não se aproximam do mistério que há n'Ele.

Nós, também, podemos pensar que conhecemos bem Jesus quando, na realidade, poderíamos perguntar-nos se realmente o conhecemos; se, mais do que por suas palavras e suas obras, o conhecemos por termos uma relação pessoal com Ele. Porque, para reconhecer Jesus, não basta uma certa proximidade exterior. O pior para que a fé possa vingar é acostumar-se a viver ao lado do mistério sem deixar-se penetrar por ele. Dai que os que mais conheciam Jesus fossem os mais receosos em confiar n'Ele.

Podemos ser aqueles “católicos de toda a vida” que sabem tudo sobre Jesus, e até proclamam que é Filho de Deus, mas continuamos sem abrir-nos à sua pessoa, sem estar à escuta da sua Palavra sempre nova, sem descobrir os sinais de sua presença na vida de cada dia. Pode parecer mais fácil buscar a Deus naquilo que é espetacular, mágico e extraordinário do que onde realmente Ele está, que é, na simplicidade, no cotidiano e no normal que faz parte da vida.

É preciso muito mais do que conhecer Jesus por fora. É preciso entrar em contato com seu mistério para deixar-se ensinar por Ele e segui-lo. É NECESSÁRIO SER DISCÍPULO, aprofundar nossas raízes na pessoa de Jesus, conhecê-lo por dentro.


PENSANDO BEM...

+ Será que pensamos conhecer Jesus e saber quase tudo a respeito d’Ele?
+ Estamos abertos à sua Palavra e cultivamos a amizade com Ele?
+ Somos capazes de escutar sua voz nos pobres e marginalizados?

PE. C.MADRIGAL, O.S.A.