"... eram como ovelhas sem pastor..." Mc 6,30-34

A coisa mais difícil é perceber o quanto erramos e quando estamos errados. Todos acreditam ter razão e sempre a culpa é de outros!

Já dizia René Descartes que o bom senso era a coisa tão mais bem dividida que todos acreditam ter a porção necessária.

Todos acreditam ter bom senso, mas na verdade, todos  justificam os seus pecados e assim permanecem na mesma vida de sempre, sem perspectiva de mudanças  e ainda escondidos dentro de um Cristianismo falho e incapaz de mostrar luzes!

Esta incapacidade de ver o próprio pecado nos faz ovelhas sem pastor e doentes perante o nosso próprio futuro.

Estamos no capítulo seis do Evangelho de São Marcos, e este trecho que nos é oferecido pela liturgia deste domingo coloca diante de nossos olhos Jesus imensamente preocupado com o bem estar dos seus discípulos que embora tenham voltados entusiasmado e fazendo relatos de tudo o que fizeram, com certeza, estavam igualmente cansados.
É o que podemos perceber devido ao convite do Senhor para que se retirassem com ele. Ao mesmo tempo, temos Jesus compadecido com o povo que parece ovelha sem pastor.

Da parte dos discípulos aprendemos do mestre que todos aqueles que estao no serviço de Cristo necessitam de descanso e de um período de retirada com o intuito de se revisar a vida e assim, romper as trevas que muitas vezes podem envolver a nossa jornada.

Aprendemos também que é necessário que nós tenhamos atenção aos nossos familiares, aos nossos amigos, e assim partilhar as alegrias de momentos da vida.

É preciso estar saudável para servir ao Senhor, atendendo às necessidades daqueles que se apresentem a nós.

Este Evangelho tem início com a relação de amizade entre Jesus e seus discípulos e em um segundo momento é que podemos perceber que estes, em intimidade com Jesus o veem ensinando ao povo que parece ovelha sem pastor.

É o Pastor Jesus que deseja ser o pastor de nossas vidas e com a palavra e o exemplo deseja alimentar em seus seguidores o mesmo desejo de serviço e pastoreio pois somos corresponsáveis por nossas vidas. Eis aí uma lição que precisamos aprender com urgência! O povo que aos olhos de Jesus parece ovelha sem pastor, é o povo sofredor, que tem o futuro negado.

Com este povo, Jesus é solidário, ele se compadece e partilha a vida.  Salvar é um ato de bondade de Deus e a  misericórdia divina se estende a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho.

Ele Se compadece daqueles que recebem os Seus ensinamentos, e dos que se apressam a cumprir os Seus preceitos. E é justamente neste ponto: a busca de viver a Palavra de Deus é que percebemos a nossa doença porque começamos a acreditar de uma forma perigosa que é errando que se aprende. Não, do erro podemos retirar ensinamentos, mas não podemos admitir que o erro seja o meio para se aprender a viver.

Aqui temos o cerne da doença que acomete o ser humano, tal qual ele deveria aparecer perante Deus.
Quem tem saúde não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à este, e aqui o que há de mais significativo é que o Pastor é o Médico. E este não se nega a ir ao encontro dos doentes, nem se nega a atendê-los!

E neste mundo estamos todos doentes por conta dos nossos pecados, por conta da nossa dureza de coração, da nossa falta de perdão, da nossa falta de atenção aos sofrimentos nossos e os dos outros, pela dificuldade em dizer a verdade, pela nossa facilidade em nos expor e expor os outros, pela falta de amor para com o próprio Deus!

Temos necessidade de um Salvador. Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quem nos dê luz; sedentos, da fonte de água viva, porque “quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede” (Jo 4,14).

Mortos, precisamos da vida; rebanho, do pastor; crianças, de um educador: sim, toda a humanidade tem necessidade de Jesus.
“Cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça” (Ez 34,16).

Tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos. Mestre, dá-nos com abundância o Teu pasto, que é a justiça! Seja o nosso pastor e conduz-nos até à
Tua montanha santa, até à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus. “Eis que Eu mesmo cuidarei das Minhas ovelhas e me interessarei por elas” (cf Ez 34). “Eu não vim para ser servido mas para servir”. É por isso que o Evangelho O mostra cansado, Ele que se entrega por nós e que promete “dar a Sua vida para resgatar a multidão” (Jo 4,5; Mt 20,28).

Peçamos a Cristo que nossos olhos se abram para percebermos os nossos pecados e assim, conduzidos por Ele possamos mudar nossa conduta e assim alcançar a cura para o pecado que é uma doença mortal!

Padre Dalmo Radimack
Pároco em Tibiri II - Cidade de Santa Rita - PB

Um comentário:

  1. Anônimo1/8/12 13:34

    Orgulho e vaidade são sentimentos meio que malígnos!... Um cristão deve ter sentimento de auto-estima com simplicidade e alegria!... Severino Pereira da Silva- Fraternidade das Chagas- da Venerável Ordem Terceira Franciscana Secular da Cidade de São Paulo.Acho que acolher é dever de todos!... Mas um franciscano que não tem o espírito e a prática de acolhimento, não merece ser chamado(a) de franciscano(a). PAZ e BEM.

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