"Esse homem não é o carpinteiro?!" Mc 6,1-6 - 08/07/2012



Nazaré era uma cidadezinha pequena onde todo mundo se conhecia. Lá, na sinagoga, Jesus ensinou de tal forma que todos ficaram impressionados porque, além das palavras cheias de sabedoria, já tinha realizado alguns milagres para os quais não encontravam explicação.


A resistência contra Jesus, porém, se articula ao redor de cinco perguntas que não questionam a validade do seu ensinamento e sim a sua pessoa:


1. A primeira pergunta julga a origem de seus ensinamentos (“De onde vem tudo isso?”).

2. A segunda se refere ao conteúdo e procedência dos ensinamentos (“Onde foi que arranjou tanta sabedoria?”).

3. A terceira julga os milagres (“E esses milagres que são realizados pelas mãos dele?”).

4. A quarta julga sua condição social e profissional (“Esse homem não é o carpinteiro?”).

5. A quinta julga sua origem familiar (“o filho de Maria e irmão de Tiago, de Joset, de Judas e de Simão? E suas irmãs não moram aqui conosco?”).

São perguntas que não procuram resposta; apenas manifestam o bloqueio da mentalidade mesquinha de seus conterrâneos. Simplesmente, por causa do preconceito, a origem humilde de Jesus não lhes permite aceitar sua pessoa.

Ele não era nem sacerdote nem rabino; como é que um homem do povo, pensava ser mais do que os outros? Não tinha feito estudos na escola rabínica sobre a Lei de Moisés; com que autoridade pretendia ensinar? Era verdade que os milagres näo tinham explicação, mas ele não era mais que o carpinteiro (aquele operário da construção que trabalhava a madeira). Além disso, sua família, sem status social, era bem conhecida na cidade. Parecia ser “filho de José”, mas (em Nazaré tudo se sabia) Ele era apenas“filho de Maria” porque já estava grávida dele antes de morar com seu esposo (um judeu sempre era “filho de seu pai”; se apenas era “filho de sua mãe” não tinha destaque social).
Por essas e por outras, “ficaram escandalizados por causa de Jesus”. Sua admiração inicial se transformou em incompreensão e desconfiança. Não quiseram admitir que alguém como eles pudesse realizar sinais da presença de Deus e tivesse sabedoria superior à dos profissionais da religião. O que impediu a fé deles não foi mais que o preconceito, somado à hipocrisia que sempre o acompanha.

Jesus “ficou admirado com a falta de fé deles” e percebeu que não dava para fazer grande coisa na sua cidade porque o milagre exige, como condição prévia, a fé da pessoa. Foi uma pena. Apesar de que “muitos que o escutavam ficavam admirados”, a maior parte deles não permitiu que fosse “estimado em sua própria pátria”. 

O preconceito impede o raciocínio e sempre põe tudo a perder!

PALAVRA DE DEUS NA VIDA

Os habitantes de Nazaré haviam visto Jesus crescer, brincar, ir à escola, trabalhar... Pensavam conhecê-lo bem; mas o essencial d'Ele lhes era desconhecido. É muito parecido com o que acontece hoje. Muitos o reconhecem como uma das grandes figuras da humanidade; um homem extraordinário, lúcido, sábio, promotor da paz e da justiça, mas apenas um homem. Conhecem o personagem, mas não se aproximam do mistério que há n'Ele.

Nós, também, podemos pensar que conhecemos bem Jesus quando, na realidade, poderíamos perguntar-nos se realmente o conhecemos; se, mais do que por suas palavras e suas obras, o conhecemos por termos uma relação pessoal com Ele. Porque, para reconhecer Jesus, não basta uma certa proximidade exterior. O pior para que a fé possa vingar é acostumar-se a viver ao lado do mistério sem deixar-se penetrar por ele. Dai que os que mais conheciam Jesus fossem os mais receosos em confiar n'Ele.

Podemos ser aqueles “católicos de toda a vida” que sabem tudo sobre Jesus, e até proclamam que é Filho de Deus, mas continuamos sem abrir-nos à sua pessoa, sem estar à escuta da sua Palavra sempre nova, sem descobrir os sinais de sua presença na vida de cada dia. Pode parecer mais fácil buscar a Deus naquilo que é espetacular, mágico e extraordinário do que onde realmente Ele está, que é, na simplicidade, no cotidiano e no normal que faz parte da vida.

É preciso muito mais do que conhecer Jesus por fora. É preciso entrar em contato com seu mistério para deixar-se ensinar por Ele e segui-lo. É NECESSÁRIO SER DISCÍPULO, aprofundar nossas raízes na pessoa de Jesus, conhecê-lo por dentro.


PENSANDO BEM...

+ Será que pensamos conhecer Jesus e saber quase tudo a respeito d’Ele?
+ Estamos abertos à sua Palavra e cultivamos a amizade com Ele?
+ Somos capazes de escutar sua voz nos pobres e marginalizados?

PE. C.MADRIGAL, O.S.A. 

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