Coragem. Jesus está te chamando! - 28/10/2012 - Mc 10, 46-52

NESTE DOMINGO, MISSA NA INTENÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE 371 ANOS DA FRATERNIDADE DA ORDEM FRANCISCANA SECULAR DO VALONGO.
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Assista à interessante reflexão de Frei Alvaci.,ofm


2° Encontro de Jovens da Província Imaculada Conceição

Foto Oficial
Seja bem vindo olelê, seja bem vindo olalá, paz e bem pra você, que veio participar… Repetidas vezes ouviu-se este refrão de alegria e de acolhida no Seminário Santo Antonio de Agudos. Ora ao som de pandeiro e casaca, ora da palma e do gogó. Era para receber ônibus, van e carro, gente de longe e de perto. Nesta mistura jovem de fraternidade, quem estava sendo acolhido já passava acolher. Foi de verdade uma explosão de alegria!
Entre os dias 12 e 14 de outubro, Agudos se transformou em lugar místico que recebeu 127 jovens e 14 frades das frentes de evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. A juventude esteve reunida aos pés de Clara de Assis ouvindo dela “não perca de vista seu ponto de partida”.
A manhã do primeiro dia de encontro foi marcada pela chegada e acolhida dos jovens que, em grande parte, viajaram à noite para se fazerem presentes. Na celebração inicial, destaque para a acolhida da Palavra de Deus, pronunciada na Bíblia e na vida de Maria, Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil, celebrada no dia.
Frei Toni foi quem abriu o encontro fazendo memória do I Encontro de Jovens da Província ocorrido em abril de 2011. Lembrou que naquela ocasião os frades quiseram ouvir os jovens, seus desafios, medos, protestos e esperanças. Neste, os frades também querem partilhar. Frente aos desafios, medos e alegrias experimentados pela juventude, o que os frades têm a dizer?
Os desafios da evangelização e a centralidade da Palavra de Deus.
À tarde do dia 12, frei Toni conversou com os jovens sobre os desafios da Evangelização. Ele abordou a questão a partir da compreensão do que é Palavra de Deus. “Eu gostaria de abordar os desafios da evangelização a partir do que se compreende por Palavra de Deus”. Frei Toni deixou claro que Deus nos fala constantemente, e que sua primeira palavra na história foi a CRIAÇÃO, depois a VIDA de cada um de nós e, por fim, a grande Palavra de Deus pronunciada na história da humanidade foi CRISTO. Ficou claro que a Palavra de Deus é muito maior que a Bíblia, mas que a Bíblia é um instrumento importantíssimo para a interpretação da vida. Parece que o grande desafio da Evangelização, e também seu apelo, é voltar à Palavra de Deus e, especialmente, aproximá-la da vida da juventude.
A partilha continuou nos grupos que se formaram logo em seguida e ainda na plenária, onde não faltou assunto, nem lucidez. Aliás, as contribuições dos jovens durante todo o encontro foram de grande seriedade e maturidade, típicas de quem quer abraçar uma proposta séria e adulta. É notável que realmente os jovens percebem na herança de Clara e Francisco um caminho capaz de contribuir muito neste sentido.

Não perca de vista seu ponto de partida…
“Olhar para Clara é redescobrir a mãe, é reencontrar a mãe”. Assim Frei Vitório trouxe para o meio dos jovens a grande referência do encontro, Clara de Assis. A jovem Clara lançou os jovens para o que é o ponto de partida da vida cristã, o Evangelho. “Não perca de vista seu ponto de partida”. “Só sabe o ponto de chegada quem, na verdade, não perde de vista seu ponto de partida”, endossou Frei Vitório.
Clara foi apresentada como a mulher apaixonada, decidida, lúcida, que frustra as expectativas sociais de seu tempo e arrisca sua vida por alguém grandioso, o Cristo pobre, que a desposou e a quem ela não teve medo de amar.
Ecos da caminhada
As horas foram curtas para um momento de apresentação dos trabalhos e iniciativas que foram desencadeados após o I Encontro de Jovens em 2011. De fato o encontro parece ter sido o despertar de um tempo novo do trabalho da Província junto à juventude. Grandes desafios ainda existem, mas muita coisa já vem sendo feita.
Fazendo ecos da caminhada os jovens puderam apresentar o que têm feito depois do “despertar” gerado por Agudos. Foi bonito de ver o entusiasmo da juventude, a sede e o esforço por temperar a Evangelização com o carisma franciscano.

JMJ 2013

Um assunto obrigatório foi a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no próximo ano no Rio de Janeiro. O grupo da PJF (Pastoral da Juventude Franciscana) do Santuário Senhor Bom Jesus dos Perdões de Curitiba deu dinamismo clareza ao assunto. Insistiram muito que a JMJ é maior do que o que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 23 a 28 de julho. “O Rio e o encontro com o Papa serão apenas a celebração da JMJ. É preciso muita atenção para a pré-jornada (Semana missionária) e a pós jornada para que ela não seja um momento vazio”.
Além do aprendizado e da sintonia com a JMJ, os jovens do encontro tiveram a oportunidade de fazer uma construção conjunta de propostas para a Semana Missionária. O que é possível e interessante fazer em cada realidade, paróquia ou diocese junto aos jovens do lugar e dos peregrinos estrangeiros. A construção foi rica e comporá um banco de dados posto a disposição de todos para fomentar os trabalhos nas bases.
A JMJ também terá no seu rosto um traço franciscano. “Queremos marcar a Jornada com o jeito e o traço franciscano”, disse Frei Diego apresentado as iniciativas da Família Franciscana para a JMJ. Deixou claro que não queremos competir, mas somar e oferecer para os jovens um espaço franciscano que será o Convento Santo Antonio no Largo da Carioca.
Cultura…
A noite do sábado foi cultural. Impressionou a facilidade com que juventude rima com poesia, canto, teatro, comédia, dança, improviso, alegria, hip hop, animação, performance, música … e o fôlego foi até às 23h. Houve apresentações preparadas em casa, improvisadas, pouco ensaiadas, apresentações emocionantes dos donos da casa, os aspirantes e Frei Walter.
No palco, os artistas foram assistidos com expectativa pelos demais jovens e frades da casa, mas, desta vez, o palco também assistiu uma juventude que gosta de partilhar o que tem, gosta de tornar comum o que traz de casa, gosta de fazer rir e de fazer pensar, gosta de cultura.
Enfim, a cultura virou festa e a noite cultural foi encerrada com samba no pé, mesmo de quem é habituado ao vanerão. Aula de samba rápida, cada um mostrando o que já sabia e pronto! Em minutos estava formada a escola de samba Unidos de Agudos, como os jovens chamaram.

Fé e celebração
O encontro foi marcado fortemente com momentos intensos e bonitos de oração e celebração, preparados com primor e devoção. Destaque para quatro momentos fortes: A celebração inicial de acolhida da Palavra de Deus e consagração à Mãe Aparecida; a oração da noite de sexta ao redor de Santa Clara com dança circular, velas e mantras; a celebração da Palavra no sábado pela manhã em pequenos grupos e a Celebração eucarística de encerramento presidida pelo ministro provincial Frei Fidêncio, que esteve acompanhando o encontro como irmão entre os jovens. Ele destacou que a Celebração de encerramento tinha duas faces: “esta Missa é ação de graças por estes dias e por nossa caminhada e também de envio, pois encerra o encontro e nos devolve para nossa vida e nossa realidade, para onde voltaremos ainda mais entusiasmados.”
Na celebração de encerramento, além de agradecer e partilhar com os jovens palavras cheias de entusiasmo e ternura, Frei Fidêncio entregou para cada participante um boton com o logotipo da presença franciscana da JMJ.
Desafios
Sem dúvida o avivamento promovido pelo encontro trazs consigo também desafios aos jovens e frades na realidade da sua frente de evangelização, mas o encontro apontou especialmente dois que precisarão ser amadurecidos pela “nossa Província” como os jovens gostam de identificar, em parceria com a “nossa Juventude” como os frades a identificam:
- Esta iniciativa de trabalho com a juventude pode ter desencadeado um “efeito dominó”. Um desafio, apontado também pelos próprios jovens, é o de que a Província não busque construir um traço franciscano apenas no trabalho com eles, mas também junto a outras frentes de evangelização e outros agentes com a finalidade de imprimir a marca franciscana.
- As avaliações apontaram para o anseio e necessidade de um grupo misto de articulação deste trabalho junto com a juventude, formada por frades e jovens leigos. Tem-se a impressão de que este grupo qualificaria ainda mais as iniciativas já existentes e fortaleceria as bases.
O Almoço do dia 14 foi a despedida. Nos abraços ouviu-se muito a saudação “até o próximo!” Parecia confirmação de que o encontro foi bom e também desejo que um outro aconteça logo. E foi assim, sem perder de vista o ponto de partida, que jovens e frades voltaram para o chão de sua ação evangelizadora, sabendo ainda melhor aonde querem chegar.
Aos jovens e frades que trabalharam na organização do encontro, a gratidão e admiração dos participantes. Aos 127 jovens que deixaram tudo no feriadão da padroeira do Brasil os votos de que recebam 100 vezes mais.

Paz e bem!
Frei Renato.

Jesus e o homem rico - Mc 10,17-30 - 14/10/2012

Encontramos no evangelho de hoje um homem que combinava riqueza e vida decente. Tudo bem, sem problemas. Está à procura da “vida eterna”, a vida do “século dos séculos”, ou seja, do tempo de Deus, que ninguém mais poderá tirar. Poderíamos dizer: procura a verdadeira sabedoria, o rumo ideal de viver. Pedagogicamente, Jesus recorda-lhe, primeiro, o caminho comum: observar os mandamentos. O homem responde que já está fazendo isso aí. Então, Jesus o conscientiza de que isso não é o suficiente. Coloca-o à prova. Se realmente quer o que está procurando, terá de sacrificar até sua riqueza (não vale a sabedoria do A.T. mais do que ouro?). O homem desiste, e vai embora. E Jesus fica triste, pois simpatizou com ele (evangelho).

Humanamente falando, é impossível um rico entrar no Reino que Jesus traz presente; tem amarras demais. Mas para Deus, tudo é possível. O homem rico quis entrar no Reino de Deus na base de suas conquistas: a vida decente, a observância dos mandamentos, a sabedoria inócua de ouvir mestres famosos, entre os quais Jesus de Nazaré (10,17; Jesus já rompe sua estrutura mental, insinuando que por trás do título “bom mestre”, que o homem lhe atribui, se esconde a exigência de uma obediência total, pois só Deus é bom...).

Ora, o que Jesus lhe pede é, exatamente, superar este modo autossuficiente de proceder. Jesus quer que ele se entregue nas mãos de Deus, desistindo da vida decente cuidadosamente construída na base do trabalho, do comércio, do bom comportamento. Vender tudo e dar aos pobres, e depois, vir a seguir Jesus, fazer parte daquela turma de aventureiros galileus que Jesus reuniu em redor de si. Humanamente impossível. Só é possível para quem se entrega a Deus. É este o teste que Jesus aplicou. O homem rodou!

O resto do evangelho de hoje diz a mesma coisa em outros termos. Pedro, entusiasta, comparando-se com o rico, exclama que eles, os Doze, abandonaram tudo e seguiram a Jesus: que receberão agora? Jesus não confirma que Pedro realmente abandonou tudo, embora no momento da vocação parecesse que sim (1,16-20). Mas repete a exigência de colocar realmente tudo o que não for o Reino no segundo plano; e então a recompensa será o cêntuplo de tudo que se abandonou. Podemos verificar isso na realidade: sendo o Reino, desde já, a comunhão no amor de Deus, já recebemos irmãos e irmãs e pais e parceiros e tudo ao cêntuplo, neste tempo; e ainda (retomando o início da perícope, cf. 10,17): “a vida eterna”, no tempo que é o de Deus.

Jesus não exige árido ascetismo, fuga do mundo, e sim, correr o risco de ir ao mundo em sua companhia, abandonando tudo o que nos possa impedir de fazer do Reino o critério decisivo. Já o próprio modo de abandonar faz parte do Reino: dar aos pobres (sempre há pessoas para quem nossos bens são mais vitais do que para nós mesmos). Neste sentido, o caminho da vida não é tanto o resultado de cálculo e esforço humano, mas de entusiasmo divino – ao qual nos entregamos com a lucidez que só a luz de Cristo nos dá.

Pe. Johan Konings SJ – Teólogo, doutor em exegese bíblica, 

O matrimônio segundo Jesus - Mc 10,2-16 - 07/10/2012

Os evangelhos deste período litúrgico constituem uma sequência que podemos resumir no termo “discipulado”. O evangelista Marcos mostra Jesus a caminho, subindo a Jerusalém (Mc 8,31-10,45). 

Caminhando, Jesus ensina o caminho do Filho do Homem: sofrimento, cruz e ressurreição. Este ensinamento itinerante de Jesus é balizado pelos três anúncios da paixão (8,31-32; 9,30-32; 10, 32-34). Esses anúncios são entremeados por ensinamentos que explicam em que consiste ser discípulo e seguir Jesus.

Ora, também um casamento fiel faz parte do seguimento de Jesus, do discipulado. Esse é o evangelho de hoje. A legislação matrimonial do Antigo Testamento era um pouco mais frouxa que a moral católica hoje.

Não proibia o homem de ter diversas mulheres, apenas aconselhava que não fossem muitas. Permitia ao homem despedir uma mulher quando notava algo desagradável (o quê, isso era objeto de discussão entre os doutores).

 Moisés até ordenou que, no caso de a mulher ser despedida, ela recebesse um atestado dizendo que estava livre (Dt 24,1); uma carta de demissão para que procurasse outro emprego… Por isso, Jesus é radical: quem despede sua mulher para casar com outra comete adultério contra ela, é infiel a seu amor. E para arrimar sua opinião, Jesus invoca a primeira página da Bíblia, bem anterior à “jurisprudência” de Moisés:

Deus os criou homem e mulher, o homem deixará pai e mãe, os dois serão uma só carne – uma só realidade humana – e o que Deus uniu o homem não separe (1ª leitura). Assim é que Deus quis as coisas desde a criação. Ora, Jesus é o Messias que vem restaurar as coisas conforme o plano de Deus. Tinha de falar assim mesmo. (Outra coisa é quando um governo civil admite o divórcio: o governo não é o Messias… Tem de fazer como Moisés: dar uma legislação para a fraqueza, para a “dureza de coração”, para limitar o estrago…)

O projeto de fidelidade absoluta no amor faz do matrimônio fiel um sinal eficaz do amor de Deus para seu povo: um sacramento. Em Ef, 5,22-33, Paulo relaciona o amor de esposo e esposa com o amor que Cristo tem para a Igreja e chama isso de grande mistério ou sacramento.

Ora, neste mistério de amor está presente o caminho de Cristo: assumir a cruz nos passos de Jesus. Essa sublime vocação do matrimônio indissolúvel é hoje fonte de violentas críticas à Igreja. Que fazer com os que fracassam? Objetivamente falando, sem inculpar ninguém – pois desculpa só Deus entende, e perdoa – devemos constatar que há fracassos, e que fica muito difícil celebrar um “sinal eficaz do amor inquebrantável de Jesus” na presença de um matrimônio desfeito…

Por isso, a Igreja não reconhece como sacramento o casamento de divorciados. Teoricamente, se poderia discutir se o segundo casamento não pode ser aceito como união não-sacramental (como se faz na Igreja Ortodoxa). E observe-se que muitos casamentos em nosso meio são, propriamente falando, inválidos, porque contraídos sem suficiente consciência ou intenção; poderiam, portanto, ser anulados (como se nunca tivessem existido).

Em todo caso, o matrimônio cristão, quando bem conduzido em amor inquebrantável, é uma forma de seguir Jesus no caminho do dom total.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)