Caminhar ao Encontro do Senhor que vem - Lc 21,25-28.34-36 - 02/12/2012

Quando se aproxima uma visita esperada, a maioria das pessoas não dorme muito bem. Quando a visita é temida, as pessoas ficam inquietas. Quando é desejada, ficam agitadas … Porém, há uma diferença: a tensão do medo paralisa, a tensão do desejo desperta a criatividade. O evangelho de hoje alude às duas atitudes. Anuncia cataclismos cósmicos, que encherão os homens de medo (Lc 21,26).

Mas para os cristãos tudo isso significa: “Coragem: vossa salvação chegou!” (21,28). Por isso, o cristão vive à espera “daquele dia” num espírito de “sóbria ebriedade”, fazendo coisas que ninguém faria, mas sabendo muito bem por quê.

Ora, nós esperamos uma visita querida e ficaríamos muito penados se o visitante não nos encontrasse despertos para sua vontade, mas apenas ocupados com nossas próprias veleidades. Como a moça que espera seu namorado chegar não mais pensa em suas próprias coisas, mas está toda em função dele, assim nós já não vivemos para nós, mas para ele que por nós morreu e ressuscitou (para vir novamente até nós).

Paulo descreve maravilhosamente essa realidade na sua carta escatológica por excelência, a 1 Ts (2a leitura). Na ânsia pela vinda do Senhor, sempre podemos crescer mais, e é ele que nos deixa crescer, para que sua chegada seja preparada do modo mais perfeito possível.

A idéia do crescimento é muito valiosa em nossa vida cristã. É o remédio contra o desespero e contra a acomodação: contra o desespero de quem acha que sempre será inaceitável para Deus; e contra a acomodação dos que dizem: “Ninguém é perfeito: portanto …” Não somos perfeitos, mas nem por isso a perfeição deixa de ser nossa vocação.

O caminho do cristão não consiste em uma perfeição alcançada e acabada, mas numa contínua conversão para a santidade de Deus, que é sempre maior do que nós. O importante é nunca ficarmos satisfeitos com o que fizemos e somos, mas cada dia de novo procurar voltar daquilo que foi errado e progredir naquilo que foi bom.

Assim, a idéia do dia definitivo não paralisa o cristão, mas o torna inventivo. Desinstala. Quem acha que já não precisa mudar mais nada em sua vida, não é bem cristão. Alguém pode achar que está praticando razoavelmente bem os deveres para com sua família, em termos de educação; para com seus empregados, em termos de salário; para com sua esposa, em termos de carinho e fidelidade; e até para com a Igreja, em termos de contribuição para suas necessidades financeiras; estando entretanto cego por aquilo que lhe é exigido para estruturar melhor a sociedade, para que a justiça seja promovida e não contrariada.

Tal pessoa deve ainda crescer muito. E ai se não quiser! Um jovem, por outro lado, pode perguntar-se, com o salmista: “Como pode um jovem conservar puro seu caminho?” Cresça, que aprenderá sempre melhor em que consiste a verdadeira pureza. Só nunca se contente com um “padrão aceitável” para a “sociedade”.

Portanto, a liturgia de hoje nos ensina o dinamismo do crescimento cristão, com vistas ao reencontro definitivo com nosso Senhor. Desde o primeiro domingo, marca a existência cristã com este sentido.

O homem e a sociedade sempre podem ser renovados. A 1a leitura nos lembra essa verdade fundamental. Jerusalém, no tempo pós-exílico, era não tanto o monte de Javé quanto um montão de problemas. Mas mesmo assim lhe é prometido um novo nome, sinal de uma realidade nova: “Deus nossa justiça” (Jr 33, 16).

Este texto confere, portanto, à expectativa cristã um toque comunitário. Assim podemos interpretar também a expressão da oração do dia, que pede para que alcancemos o reino celestial. Num reino, ninguém está só. Daí ser legítima a tradução do missal brasileiro: “a comunidade dos justos”. Um novo nome para Jerusalém, uma utopia válida para todos nós, eis o que nos impele ao encontro do Senhor que vem.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

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