Santa Maria, Mãe de Deus - Dia Mundial da Paz - 01/01/2014 - Lc 2,16-21

Reflexão a partir do Evangelho:

No Evangelho que, hoje, nos é proposto fica claro o fio condutor da história da salvação: Deus ama-nos, quer a nossa plena felicidade e, por isso, tem um projecto de salvação para levar-nos a superar a nossa fragilidade e debilidade; e esse projecto foi-nos apresentado na pessoa, nas palavras e nos gestos de Jesus. 

Temos consciência de que a verdadeira libertação está na proposta que Deus nos apresentou em Jesus e não nas ideologias, ou no poder do dinheiro, ou na posição que ocupamos na escala social? Porque é que tantos dos nossos irmãos vivem afogados no desespero e na frustração? 

Porque é que tanta gente procura “salvar-se” em programas de televisão que lhes dê uns minutos de fama, ou num consumismo alienante? Não será porque não fomos capazes de lhes apresentar a proposta libertadora de Jesus?

Diante da “boa nova” da libertação, reagimos – como os pastores – com o louvor e a ação de graças? Sabemos ser gratos ao nosso Deus pelo seu amor e pelo seu empenho em nos libertar da escravidão?

Os pastores, após terem tomado contacto com o projeto libertador de Deus, fizeram-se “testemunhas” desse projeto. Sentimos, também, o imperativo do testemunho? Temos consciência de que a experiência da libertação é para ser passada aos nossos irmãos que ainda a desconhecem?

Maria “conservava todas estas palavras e meditava-as no seu coração”. Quer dizer: ela era capaz de perceber os sinais do Deus libertador no acontecer da vida. Temos, como ela, a sensibilidade de estar atentos à vida e de perceber a presença – discreta, mas significativa, actuante e transformadora – de Deus, nos acontecimentos mais ou menos banais do nosso dia a dia?

"... e ele será chamado Emanuel, que significa: Deus conosco..."-22/12/2013- Mt 1,18-24

Esperar o Filho de Deus

Neste último domingo do Advento celebramos o ponto alto de nossa esperança e de nossa espera. Revivemos a espera do Messias, para tirar mais fruto de sua vinda, que continua acontecendo em cada momento da história.

Quando o antigo Israel estava ameaçado pelos povos estrangeiros, Deus suscitou a esperança do povo mediante o sinal da “jovem”(a rainha?) que ficou grávida e cujo filho receberia o nome de “Emanuel”, Deus conosco (1ª leitura). Visto que “jovem” pode também ser traduzido por “Virgem”, esse sinal se realiza plenamente em Maria Virgem. A concepção, pela “Virgem”, do filho dado por Deus é o sinal de que Deus está agindo. O povo pode contar com ele.




Em Jesus, a Escritura se cumpre (evangelho). Deus está agindo, mas não sem que os seus colaboradores assumam sua responsabilidade. José, “descendente de Davi”, faz com que o “filho de Deus”(o Messias) nasça “filho de Davi”, ou seja, descendente de Davi, conforme as Escrituras (cf. Mt 1, 1-16). José não precisa ter medo de acolher Maria: ela é sua esposa (Mt 1,20). Ela se tornará mãe do Emanuel, pelo poder do Espírito de Deus (Deus que age, Mt 1,21). Assim, humanamente falando, Jesus é “filho de Davi” e, pela obra do Espírito Santo em Maria, ele é “Filho de Deus” (2ª leitura).

O mistério de Jesus ter nascido sem que Maria deixasse de ser virgem significa que Jesus, em última instância, não é mera obra humana, mas antes de tudo um presente de Deus à humanidade. Seu nascimento é sinal de que Deus está conosco para nos salvar. Seu nome, Jesus, significa “Deus salva”; é o equivalente de Emanuel.

O mistério se manifesta através de sinais: o mistério do amor, através da rosa; o mistério de Deus que age, através do sinal da Virgem que se torna mãe. Há uma coisa que nos ajuda a vislumbrar o significado desta história: diante da gravidez, os pais, e sobretudo a mãe, têm consciência da presença de um mistério: os pais sentem que o filho não é apenas obra deles.

Diante do mistério do Filho que Deus dá ao mundo, nós sentimos profunda admiração-contemplação, fé e confiança diante do agir de Deus em Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Filho de Deus. Sentimos também gratidão pelo presente que Deus nos oferece. E deixando de lado todas as (vãs e vaidosas) tentativas de “resolver o mistério”, dedicamo-nos a contemplá-lo e a nos envolver na alegria que ele representa.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

1° Domingo do Advento - 01/12/2013 - "Por isso, também vós ficai preparados!" - Mt 24,37-44

O Evangelho é um apelo a uma VIGILÂNCIA permanente, para reconhecer o Senhor na sua chegada.
Será então a realização do sonho do Profeta. (Mt 24,37-44) Para transmitir essa mensagem, Jesus usa três quadros:

- O 1º Quadro é da humanidade na época de Noé:  Os homens viviam numa alegre inconsciência,   preocupados apenas em gozar a sua "vidinha" descomprometida. Quando o dilúvio chegou, os apanhou de surpresa e despreparados.

- O 2º Quadro fala dos trabalhos da vida cotidiana: podem nos absorver e prejudicar a preparação da Vinda do Senhor.

- O 3º Quadro coloca o exemplo do dono de uma casa, que adormece e deixa a sua casa ser roubada pelo ladrão.

+ O que significa "estar vigilante"?

- Será apenas estar sem pecado... para não ir para o inferno?
- Ou acolher as oportunidades de salvação, que Deus nos oferece?

Jesus continua vindo, para nos salvar e nos trazer a felicidade.
E nós temos que estar sempre atentos para perceber cada vinda sua.
Ele está presente nas palavras de quem nos orienta para o bem, nos gestos de amor dos irmãos, no esforço de quem se sacrifica para construir um mundo mais justo e fraterno.

Hoje, devido ao medo provocado pelo desemprego, fome e violência, assistimos ao fenômeno da busca de refúgio no sagrado.
Mas o excesso de alegria de certas práticas religiosas sem compromisso pode nos tirar a possibilidade de perceber a chegada do Senhor.

- As celebrações festivas nos fazem mais vigilantes, mais acordados para a realidade que temos a obrigação de transformar ou   funcionam como sonífero, que nos impedem de ver a chegada daquele que vem sem aviso prévio?
   
+ Motivos que impedem a acolhida do Senhor que vem:

- Prazeres da vida: a pessoa mergulhada nos prazeres fica alienada...
  No domingo, dorme... passeia... pratica esportes...   mas não sobra tempo para celebrar a sua fé na Comunidade...
- Trabalho excessivo: a pessoa obcecada pelo trabalho esquece o resto: Deus, a família, os amigos, a própria saúde...
- Desatenção: o Distraído não vê o Cristo, presente na pessoa sofredora... Acha que não é problema seu... é do governo... da Igreja...

+ Em minha vida, o que mais me distrai do essencial e me impede tantas vezes de estar atento ao Senhor que vem?

+ Como desejo me preparar para o Natal desse ano?

   - Apenas programando festas, presentes, enfeites, músicas?
   - Ou numa atitude humilde e vigilante, a esse Cristo que vem?  
   - Participo da Novena do Natal em Família?
   - Que PAZ desejo construir?
                                                  
Pe. Antônio G. Dalla Costa

"... muitos virão em meu nome..." Lc 21,5-19 - 17/11/2013

Alguns dos discípulos de Cristo estavam comentando como o Templo era adornado com lindas pedras e dádivas dedicadas a Deus. Mas Jesus disse: “Disso que vocês estão vendo, dias virão em que não ficará pedra sobre pedra; serão todas derrubadas”.

“Mestre – perguntaram eles – quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que elas estão prestes a acontecer?” Ele respondeu: “Cuidado para não serem enganados, pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu!’ e ‘O tempo está próximo’. Não os sigam. Quando ouvirem falar de guerras e rebeliões, não tenham medo. É necessário que primeiro aconteçam essas coisas, mas o fim não virá imediatamente”. Então lhes disse: “Nação se levantará contra nação e reino contra reino. Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares, e acontecimentos terríveis e grandes sinais provenientes do céu”.

Temos como objetivo fazer uma coisa muito gloriosa, que é anunciar o Evangelho do Reino de Deus por todo mundo. Há uma convicção muito clara em nosso coração de que Deus se agrada disso e nos capacita como instrumento, como um canal para honrar, glorificar e exaltar cada vez mais o Nome do Senhor. E temos também a convicção de que o Senhor tem permitido que este trabalho se realize para que almas perdidas venham a ser resgatadas e levadas ao caminho certo que são os passos do Senhor Jesus Cristo.

Muitos estão perdidos, preocupados com as coisas desse mundo. Estão cegos, não conhecem a Palavra. Mas Deus nos chamou para sermos luz. Deixe Deus usá-lo. Ele anseia por isso! Que você seja um canal de bênção para as pessoas. Vigie e ore em todo o tempo, para que não caia nas ciladas do demônio. Fique firme. Fortaleça o seu coração no Senhor, porque d’Ele procede todas as coisas. Ele o ama e quer usá-lo.

“Vigiai”. A atitude que Jesus espera de cada cristão, com relação à sua vinda, não é outra senão a vigilância. “E as coisas que vos digo, digo-as a todos: vigiai” (Mc 13,37). Estar vigilante é estar atento, é estar prestando atenção a todos os acontecimentos, a tudo que ocorre à sua volta, buscando ver nisto os sinais da proximidade da vinda de Jesus.

Apesar da exortação do próprio Senhor ser no sentido do cristão ter de vigiar durante todo o tempo, tem sido uma constante, na história da Igreja, movimentos que têm posto em segundo plano – quando não em último plano – a promessa da vinda de Jesus. Seja por meio da retirada total do tema do discurso eclesiástico, seja por decepções com as falsas profecias de designação de datas para o tão aguardado retorno, muitos cristãos têm negligenciado e deixado de esperar Jesus.

Uma vida cristã sem esta esperança é uma vida sem alento, sem perspectiva da eternidade, uma vida que passa a ser perigosamente envolvida com as coisas deste mundo e que tem grande probabilidade de ser sufocada por estas mesmas coisas, como ocorreu com a semente que brotou entre os espinhos (cf. Mt 13,22).

Os sinais da vinda do Senhor estão se cumprindo. Tudo indica que o retorno de Jesus é iminente. Esforcemo-nos, portanto, para que sejamos vigilantes. Tenhamos uma vida de oração, de santidade, cheia do Espírito Santo, com o verdadeiro e genuíno amor divino em nossos corações e com absoluta fidelidade e lealdade ao Senhor.

Não nos deixemos perturbar pelas falsas profecias, pelos que, mesmo entre nós, começam a esmorecer e a desacreditar da volta do Senhor, passando a buscar as coisas desta vida, mesmo em nome de sua religiosidade, mesmo em nome de Cristo.

Nunca percamos de vista que a razão de ser da nossa fé é a vida eterna, é o convívio para sempre com Nosso Senhor nas mansões celestiais. Vigiemos e, juntamente com o Espírito Santo, que nosso profundo desejo da alma seja dizer: “Ora, vem Senhor Jesus!”

Padre Bantu Mendonça

"Façam tudo o que Ele mandar..." - 13/10/2013 - Jo 2, 1-11

Maria, Mulher-povo, mãe da Igreja

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil. O povo a chama simplesmente de N. Senhora Aparecida. Aliás, para a “Imaculada Conceição” temos outra festa, em 8 de dezembro. Mas vale a pena, apoiados na liturgia, estabelecer um nexo entre a eleição de Maria desde a sua concepção e seu papel de intercessora, em virtude do qual ela aparece como padroeira do nosso povo. A 1ª leitura de hoje destaca o papel da intercessora, mediante a figura bíblica da rainha Ester, que intervém junto ao rei por seu povo, Israel. Na 2ª leitura a Mulher-Povo do Apocalipse protege seu filho messiânico. No evangelho aparece com maior clareza o papel mediador de Maria a favor do povo.

É o evangelho das bodas de Caná. Maria presencia uma festa de casamento, e também Jesus e seus companheiros. Quando falta vinho, Maria chama a atenção de Jesus para o impasse. E quando Jesus, misteriosamente, responde que ainda não chegou a sua hora – pois a sua hora mesmo é a da cruz – Maria não deixa de acreditar que Jesus transformará as bodas deste mundo em festa messiânica e plena alegria, vinho novo do tempo novo. Recomenda aos servidores que executem o que Jesus lhes disser. Talvez às cegas, mas confiante no projeto de Deus e no filho que Deus lhe deu, Maria assume sua missão de confiar o mundo a ele.

João, no seu evangelho, menciona Maria apenas duas vezes, aliás, sem chamá-la Maria, mas Mãe de Jesus e Mulher. A primeira menção é quando ela por assim dizer introduz Jesus na sua atividade pública, nas bodas de Caná. A outra é quando ela acompanha Jesus até o fim, ao pé da cruz. No primeiro texto, Jesus diz que sua hora ainda não chegou; é apenas o início dos sinais. O outro texto é quando se realiza “a Hora” de Jesus e sua obra é levada a termo, na cruz. Em ambos os textos, Jesus se dirige a Maria com o tratamento honroso de “Mulher” (nós diríamos: “Senhora”) – termo muitas vezes ligado à imagem do povo. A primeira vez, Jesus pronuncia a perspectiva da hora que deve vir, a segunda vez, confia à sua mãe o seu legado: o discípulo amado, que representa os fiéis. Maria está no início e no fim da obra de Jesus. Ela, a Mulher, a Mãe, é a referência de sua obra. Maria marca o lugar de Jesus neste mundo e está aí como referência do discípulo que toma o lugar do seu Filho.

Maria, Mãe da Igreja.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Viva a mãe de Deus e nossa!

Obrigado, meu Deus, Pai de bondade infinita, porque me destes uma Mãe generosa que intercede por todos, junto a Ti e a teu Filho Jesus, agindo unida ao Espírito Santo. Obrigado, Mãe Aparecida. Seja bendito Jesus por nos dar como mãe a sua própria...                                                                                                                         Frei Marcos Matsubara, ocd

Venha celebrar o Trânsito de São Francisco!

A família franciscana do Valongo, frades e seculares, convidam a todos para a celebração da Morte de São Francisco,conforme o programa abaixo.
Ao cair da tarde de 3 de outubro, Francisco viu suas forças se reduzirem e a febre aumentar. Pede, então, que os frades o coloquem sobre a terra e cantem com ele o Salmo 141, que fala do desejo de ir para Deus:

Morte de São Francisco, de Gerardo Dottoni
 “Em voz alta ao Senhor eu imploro,em voz alta suplico ao Senhor!
Eu derramo na sua presençao lamento da minha aflição,diante dele coloco minha dor!
Quando em mim desfalece minh’alma, conheceis , ó Senhor, meus caminhos!
Na estrada por onde eu andava contra mim ocultaram ciladas.
 Se me volto à direita e procuro, não encontro quem cuide de mim e nem tenho aonde fugir;
não importa a ninguém minha vida!
A vós grito, Senhor, a vós clamo e vos digo: “Sois vós meu abrigo,minha herança na terra dos vivos”,
Escutai meu clamor, minha prece, porque fui por demais humilhado!”


"Nossa Senhora do Monte Serrat, rogai a Jesus por nós" - 08/09/2013 -


Oração de Nossa Senhora de Monserrate

Oração:
Bendita e louvada seja a sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Rogai por nós, Santa Formosura dos Anjos, Tesouro dos Apóstolos, Depósito da Arca da Aliança.
Senhora Santa Maria, mostrai-nos em tão belo dia vossa face Gloriosa. Assim Seja.

História da oração:

Conta-se que um senhor recebeu a oração de Nossa Senhora de Monserrate, e partiu para uma viagem por uma região muito perigosa, que era perturbada por bandos de ladrões e assassinos.

Durante a viagem foi atacado por estes bandidos e foi assassinado tendo sua cabeça cortada e jogada longe do corpo.

Após três dias um cavaleiro passou por perto e qual foi a sua surpresa ao encontrar a cabeça do homem, que lhe fez o seguinte pedido, de que trouxesse um padre para que ele confessasse os seus pecados, pois a Nossa Senhora de Monserrate o concedeu a graça de salvar a sua alma.

Assim a todos que tiverem esta oração junto de si, e a rezarem com devoção, não morrerão de morte repentina e imprevista, livrando-se da condenação eterna.


"... amigo vem mais para cima..." - 01/09/2013 - Lc 14,1.7-14

 Na nossa sociedade, agressiva e competitiva, o valor da pessoa mede-se pela sua capacidade de se impor, de ter êxito, de triunfar, de ser o melhor…

Quem tem valor é quem consegue ser presidente do conselho de administração da empresa aos trinta e cinco anos, ou o empregado com mais índices de venda, ou o condutor que, na estrada, põe em risco a sua vida, mas chega uns segundos à frente dos outros…

Todos os outros são vencidos, incapazes, fracos, olhados com comiseração. Vale a pena gastar a vida assim? Estes podem ser os objectivos supremos, que dão sentido verdadeiro à vida do homem?

¨ A Igreja, fruto do “Reino”, deve ser essa comunidade onde se torna realidade a lógica do “Reino” e onde se cultivam a humildade, a simplicidade, o amor gratuito e desinteressado. É-o, de facto?

¨ Assistimos, por vezes, a uma corrida desenfreada na comunidade cristã pelos primeiros lugares. É uma luta – para alguns de vida ou de morte – em que se recorre a todos os meios: a intriga, a exibição, a defesa feroz do lugar conquistado, a humilhação de quem faz sombra ou incomoda…

Para Jesus, as coisas são bastante claras: esta lógica não tem nada a ver com a lógica do “Reino”; quem prefere esquemas de superioridade, de prepotência, de humilhação dos outros, de ambição, de orgulho, está a impedir a chegada do “Reino”.

Atenção: isto talvez não se aplique só àquela pessoa da nossa comunidade que detestamos e cujo nome nos apetece dizer sempre que ouvimos falar em gente que só gosta de mandar e se considera superior aos outros; isto talvez se aplique também em maior ou menor grau, a mim próprio.

¨ Também há, na comunidade cristã, pessoas cuja ambição se sobrepõe à vontade de servir… Aquilo que os motiva e estimula são os títulos honoríficos, as honras, as homenagens, os lugares privilegiados, as “púrpuras”, e não o serviço humilde e o amor desinteressado. Esta será uma atitude consentânea com a pertença ao “Reino”?

¨ Fica claro, na catequese que Lucas hoje nos propõe, que o tipo de relações que unem os membros da comunidade de Jesus não se baseia em “critérios comerciais” (interesses, negociatas, intercâmbio de favores), mas sim no amor gratuito e desinteressado. Só dessa forma todos – inclusive os pobres, os humildes, aqueles que não têm poder nem dinheiro para retribuir os favores – aí terão lugar, numa verdadeira comunidade de amor e de fraternidade.

¨ Os cegos e coxos representam, no Evangelho que hoje nos é proposto, todos aqueles que a religião oficial excluía da comunidade da salvação; apesar disso, Jesus diz que esses devem ser os primeiros convidados do “banquete do Reino”. Como é que os pecadores notórios, os marginais, os divorciados, os homossexuais, as prostitutas são acolhidos na Igreja de Jesus?

fonte: P. Joaquim Garrido, P. Manuel Barbosa, P. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)
www.dehonianos.org

Quem vai se salvar?

Mons. José Maria Pereira

A Palavra de Deus (Lc13, 22-30) vem nos ensinar que a salvação não constitui uma propriedade adquirida, mas uma resposta ao dom oferecido por Deus. Não é privilégio de um pequeno grupo, que se consideram discípulos do Senhor, mas está aberto a todos indistintamente. (cf. Is. 66, 18-21).
Diante da pergunta: “Senhor, são poucos os que se salvam?” (Lc 13, 23) Jesus não quis responder diretamente. Foi mais longe que a pergunta e fixou-se no essencial: perguntam-lhe sobre o número e Ele responde sobre o modo: Entrai pela porta estreita...E a seguir ensina que, para entrar no Reino – a única coisa que verdadeiramente importa - , não é suficiente pertencer ao Povo eleito, nem alimentar uma falsa confiança nEle: “Então começareis a dizer: Nós comemos e bebemos diante de ti, e tu ensinaste em nossas praças. Ele, porém, responderá: Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim, todos vós que praticais a injustiça” (Lc 13, 26-27).
As palavras de Jesus são um alerta para todos! Deus oferece gratuitamente a Salvação, mas espera a nossa resposta, o nosso compromisso com os valores do Evangelho. É preciso acolher essa oferta, aderir a Jesus e entrar pela “porta estreita”.
Devemos estar atentos porque o ser cristão não é um meio mágico de salvação; esta é o resultado do encontro entre o esforça humano e o dom de Deus (a Graça). Para salvar-se, não basta ser batizado, mas querer entrar todos os dias pela “porta estreita” da fidelidade à mensagem de Cristo e do Evangelho. Não adianta inventar desculpas: Sou católico desde criança...Vou a Missa aos domingos, confesso com freqüência, pago o dízimo, ajudo a Igreja, sou amigo do Padre...do Bispo...Fiz o cursilho, o ECC, o seminário da RCC...sou membro do Apostolado...etc...
Naquela hora, poderá ter surpresa: “Não sei de onde sois. Afastai-vos de mim...” (Lc 13, 27). Para conseguir a salvação temos que entrar pela porta estreita do despojamento e da humildade, da renúncia de si mesmo e da CONVERSÃO!
Considerar-se justo e já salvo constitui um grande perigo, pois o dom de Deus pode passar para outros que corresponderem melhor.
Todos os homens estamos chamados a fazer parte do Reino de Deus, porque “Deus quer que todos os homens se salvem” (1 Tm 2,4).
Em qualquer caso só podem alcançar esta meta da Salvação aqueles que lutam seriamente (cf. Lc 16,16; Mt 11,12). O Senhor exprime esta realidade da nossa vida com a imagem da porta estreita. “A guerra do Cristão é incessante, porque na vida interior dá-se um perpétuo começar e recomeçar, que impede que, com orgulho, nos pensemos já perfeitos. É inevitável que haja muitas dificuldades no nosso caminho; se não encontrássemos obstáculos, não seríamos criaturas de carne e osso. Havemos de ter sempre paixões que nos puxem para baixo e sempre precisaremos de nos defender desses delírios mais ou menos veementes” (São Josemaria Escrivá, Cristo que passa, nº 75).
Ter conhecido o Senhor e ter escutado a sua palavra não é suficiente para alcançar o Céu; só os frutos da correspondência à Graça terão valor no juízo divino: Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino de Céus; mas o que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7,21).
O povo judeu, de modo geral, considerava-se o único destinatário das promessas messiânicas feitas aos Profetas, mas Jesus declara a universalidade da salvação. A única condição que exige é a resposta livre do homem ao chamamento misericordioso de Deus. Cristo ao morrer na Cruz, o véu do Templo rasgou-se pelo meio (Lc 23, 45), em sinal de que acabava a divisão que separava judeus e gentios.
Deus quer que todos se salvem! E o Senhor quis que participássemos da sua missão de salvar o mundo, e dispôs que o empenho apostólico fosse elemento essencial e inseparável de vocação cristã. Quem se decide a segui-Lo converte-se num apóstolo com responsabilidades concretas de ajudar os outros a encontrar a porta estreita que conduz ao Céu.
O desejo de aproximar os homens do Senhor não nos leva a fazer coisas estranhas ou chamativas, e muito menos a descuidar os deveres familiares, sociais ou profissionais. É precisamente nas relações humanas normais que encontramos o campo para uma ação apostólica muitas vezes silenciosa, mas sempre eficaz. No meio do mundo, no lugar em que Deus nos colocou, devemos levar os outros a Cristo: com o exemplo, mostrando coerência entre a fé e as obras; com a alegria constante; com a nossa serenidade perante as dificuldades; por meio da palavra que anima sempre e que mostra a grandeza e a maravilha de encontrar e seguir Jesus.
Dos primeiros cristãos, dizia-se: “O que a alma é para o corpo, isso são os cristãos para o mundo” (Epístola a Diogneto, 5). Será que poderia dizer-se o mesmo de nós na família, no lugar de estudo ou trabalho, na associação cultural ou esportiva a que pertencemos? Somos a alma que dá a vida de Cristo onde quer que estejamos presentes?
Se olharmos apenas as exigências de entrar pela porta estreita, poderíamos ficar preocupados...
Mas sabemos que Deus é bondade, misericórdia e justiça. Cristo nos garante: “Eu sou a porta, quem entrar por mim, será salvo...” (Jo 10, 9). E Paulo nos garante uma verdade muito consoladora: “É vontade de Deus que todos os homens se salvem, e todos cheguem ao conhecimento da verdade” (1 Tm 2, 4). A porta é estreita, mas está aberta... 
(fonte:  http://enssetoritaipava.blogspot.com.br/)

A busca fundamental - Lc 12,32-48 - 10/08/2013

Lucas nos faz ver nossa vida em sua dimensão verdadeira. Vivendo no ambiente mercantilista do Império Romano, Lc vê constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome (cf. 16,19-31).

Se escrevesse hoje, não precisaria mudar muito. No evangelho, nos ensina a vigilância no meio dessas vãs ilusões.

A vigilância é uma atitude bíblica, desde a noite da libertação do Egito, quando o anjo exterminador visitou as casas dos egípcios, enquanto os israelitas, de pé, cajado na mão, celebravam Javé pela refeição pascal, prontos para seguir seu único Senhor, que os conduziria através do Mar Vermelho até o deserto (1ª  leitura).

A vigilância é também a atitude do cristão, que espera a volta de seu Senhor, que encontrando seus servos a vigiar, os fará sentar à mesa e os servirá. Pois já fez uma vez assim (cf. 22,27). Jesus é o Senhor servo.

O trecho – se se adota a leitura extensa – continua com outras sentenças e parábolas referentes à Parusia. Explicam, de maneira prática, o que essa vigilância implica.

Ser um administrador sensato e fiel (12,42): cuidar do bem de todos os que estão em casa (pela pergunta introdutória de Simão Pedro, 12,41, parece que isto se dirige sobretudo aos líderes da comunidade). A vigilância não é ficar de braços cruzados, esperando a Parusia acontecer, mas assumir o bem da comunidade (cf. 1 Ts 5).

Lc fala também da responsabilidade de cada um (12,47-48). Quem conhecia a vontade do Senhor e, contudo, não se preparou, será castigado severamente, ao invés do que não conhecia a vontade de seu senhor; este se salva pela ignorância … a quem muito se deu, muito lhe será pedido; a quem pouco se deu, pouco lhe será pedido.

O importante desta mensagem é que cada um, assumindo a gente que Deus lhe confiou no dia-a-dia, está preparando sua eterna e alegre companhia junto a Cristo, o Senhor que serve (o único que serve de verdade … ).

Pois Cristo ama efusivamente a gente que ele confia à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar a esperança, que ele coloca em nós. A visão da vigilância como responsabilidade mostra bem que a religião do Evangelho não é ópio do povo. Implica até a conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, a gente descobre que bem administrar a casa não é passar de vez em quando uma cera ou um verniz, mas também e sobretudo mexer com as estruturas tomadas pelos cupins …

Essa vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil viver despreocupado, aproveitar o momento… pois quem sabe quando o senhor vem? (Lc 12,45). Para sustentar a atitude de ativa vigilância e solicitude pela causa do Senhor, precisamos de muita fé.

Neste sentido, a 2ª leitura vem sustentar a mensagem do evangelho. É a bela apologia da fé, de Hb 11. A fé é como que possuir antecipadamente aquilo que se espera; é uma intuição daquilo que não se vê (11,1).

Com esta “definição”, é claramente enunciado o teor escatológico da fé. O sentido original da fé não é a adesão da razão a verdades inacessíveis, mas o engajamento da existência naquilo que não é visível e palpável, porém tão real que possa absorver o mais profundo do meu ser. Hb cita toda uma lista de exemplos desta fé, pessoas que se empenharam por aquilo que não se enxergava.

O caso mais marcanteé a obediência de Abraão e sua fé na promessa de Deus (11,8-19). O texto continua: muitos deram sua vida por essa fé, que fez Israel peregrinar qual estrangeiro neste mundo (11,35b-38). Mas o grande exemplo fica reservado para o próximo domingo: Jesus mesmo.

Convém, portanto, abrir os olhos para aquela realidade que não aparece e, contudo, é decisiva para a nossa vida. Sintetizando o espírito da liturgia de hoje, poderíamos dizer: o mundo nos é confiado não como uma propriedade, mas como um serviço a um Senhor que está “escondido em Deus”, porém na hora decisiva se revelará ser nosso amigo e servo, de tanto que nos ama, a nós e aos que nos confiou.

Ou seja: já não vivemos para nós, mas para ele que por nós morreu e ressuscitou (para nos reencontrar como amigos) (Oração Eucarística IV). Nesta perspectiva, entende-se a bela oração do dia: somos adotados como filhos por Deus e esperamos sua herança eterna; ideia que volta no salmo responsorial, que descreve Israel como a herança que Deus escolheu para si; nós somos os responsáveis da herança de Deus, sua gente neste mundo.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

04 de agosto - Dia do Padre


No dia 4 de agosto é celebrado o Dia do Padre. A data é comemorada todos os anos paralelamente à festa de São João Maria Vianney, padroeiro dos párocos.

A celebração acontece desde 1929, quando o Papa Pio XI proclamou o padre Vianney “homem extraordinário e todo apostólico, padroeiro celeste de todos os párocos de Roma e do mundo católico”.

Padre Vianney, nasceu na França, no ano de 1786. Ao ser ordenado, não tinha autorização para confessar, pois era considerado intelectualmente incapaz de guiar os fiéis. No entanto, logo ele se tornou um dos maiores confessores da Igreja e um exemplo a ser seguido. Foi proclamado venerável, em 1872, beatificado, em 1905, e canonizado pelo papa Pio XI em 1925.

“O sacerdote é o amor do coração de Jesus. Quando virdes o padre, pensai em Nosso Senhor Jesus Cristo”, disse padre Vianney.

O padre cumpre papel fundamental no legado de Jesus Cristo, sendo o responsável por levar a Palavra de Deus e seus atos de fé e misericórdia aos fiéis. É um pai espiritual da comunidade e como tal tem a missão de guiar a todos para uma vida comprometida com Deus.
Por graça, o padre age em nome de Jesus, perdoando os pecados, reconciliando seus irmãos com Deus e entre eles e trazendo a bênção do Pai para todos. Ele celebra a vida de Deus na vida da comunidade, especialmente por meio da Eucaristia.

Oração pelos Padres:
Ó Deus que constituíste a teu único filho supremo e Eterno sacerdote para a glória de Tua majestade e salvação da humanidade, concede que aqueles que Ele escolheu como ministros e servidores de Seus ministérios sejam constantes em cumprir o ministério que receberam. Por Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém. (Papa João Paulo II)

FESTA DA PORCIÚNCULA - O PERDÃO DE ASSIS


    Clique na imagem acima para ser redirecionado à página dos Franciscanos e conhecer a história dessa grande graça que o Pobrezinho de Assis conseguiu do próprio Cristo, na presença de Nossa Senhora.

Nossos heróis!!


Certa vez, Pedro Bial se referiu aos participantes do BBB como "nossos heróis". Certamente não eram os de nenhum católico ou pessoa de bem.

Nossos heróis são esses, abaixo, o Papa "Chico", nossos jovens que estão lá no Rio, os jovens de todo o mundo que "botam fé" em Cristo, no Cristo de Francisco, no Cristo do Papa, no Cristo de Deus!

Abaixo, um pouco a respeito de nossos heróis:
--------

Jovens da Jufra, na JMJ



Em seu discurso, o Pontífice destaca o valor da família

Papa Francisco chegou ao Palácio Arquiepiscopal São Joaquim, na Glória, residência oficial do Arcebispo do Rio, por volta das 11h, para o encontro com alguns detentos. No local, o Pontífice também acolheu os jovens para a oração do Angelus.

Do balcão central do casarão, o Santo Padre cumprimentou os fiéis e os recebeu com seu sorriso acolhedor. No início de seu discurso, Francisco convidou a todos para rezar com  Maria e lembrou aos jovens que, hoje, a Igreja celebra os pais da Virgem Maria, os avós de Jesus: São Joaquim e Sant’Ana.

No balcão do Palácio Arquiepiscopal São Joaquim, Papa Francisco acolhe os jovens para oração do Angelus

No balcão do Palácio Arquiepiscopal São Joaquim, Papa Francisco acolhe os jovens para oração do Angelus.

“Na casa deles, veio ao mundo Maria, trazendo consigo aquele mistério extraordinário da Imaculada Conceição; na casa deles, cresceu, acompanhada pelo seu amor e pela sua fé; na casa deles, aprendeu a escutar o Senhor e seguir a sua vontade. São Joaquim e Sant’Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós.”

Com essas palavras, o Pontífice frisou o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé e lembrou aos presentes que, hoje, no Brasil, como em outros países, se celebra a festa dos avós. “Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família.”

O Santo Padre citou, na ocasião, o Documento de Aparecida: “’Crianças e anciãos constroem o futuro dos povos; as crianças, porque levarão por adiante a história; os anciãos, porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas’ (DAp 447). Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado!”, completou o Sucessor de Pedro

Francisco finalizou seu discurso dizendo que, nesta JMJ, os jovens quererem saudar os avós com muito carinho e lhes agradecer pelo testemunho de sabedoria que lhes oferecem continuamente.

Após a oração do Angelus, o Papa cumprimentou os membros do Comitê Organizador da JMJ e os benfeitores do evento. Em seguida, dirigiu-se ao Salão Redondo do Palácio Arquiepiscopal para almoçar com dois jovens de cada continente, incluindo dois do Brasil.

BOAS-VINDAS AO PAPA CHICO


Frei Betto - 18/07/2013

Frei Betto é um dos religiosos (é dominicano) mais comprometidos com as transformações no Brasil. Acompanha os movimentos sociais de base especialmente as Comunidades Eclesiais de Base. Teve o mérito de ter sido um dos implantadores do projeto inicial do Governo Lula da Fome Zero acompanhada do projeto Talher dedicado à educação. Junto do pão deveria chegar tambem a instrução. Foi prisioneiro político por 4 anos e escreveu o belíssimo livro Batismo de Sangue, transformado em filme. Essa saudação expressa o sentimento de muitos cristãos comprometidos, especialmente jovens. Por isso o publico aqui no meu blog: Leonardo Boff


Querido papa Francisco, o povo brasileiro o espera de braços e coração abertos. Graças à sua eleição, o papado adquire agora um rosto mais alegre.

O senhor incutiu em todos nós renovadas esperanças na Igreja Católica ao tomar atitudes mais próximas ao Evangelho de Jesus que às rubricas monárquicas predominantes no Vaticano: uma vez eleito, retornou pessoalmente ao hotel de três estrelas em que se hospedara em Roma, para pagar a conta; no Vaticano, decidiu morar na Casa Santa Marta, alojamento de hóspedes, e não na residência pontifícia, quase um palácio principesco; almoça no refeitório dos funcionários e não admite lugar marcado, variando de mesa e companhias a cada dia; mandou prender o padre diretor do banco do Vaticano, envolvido em falcatrua de 20 milhões de euros.

Em Lampedusa, onde aportam os imigrantes africanos que sobrevivem à travessia marítima (na qual já morreram 20 mil pessoas) e buscam melhores condições de vida na Europa, o senhor criticou a “globalização da indiferença” e aqueles que, no anonimato, movem os índices econômicos e financeiros, condenando multidões ao desemprego e à miséria.

Um Brasil diferente o espera. Como se Deus, para abrilhantar ainda mais a Jornada Mundial da Juventude, tivesse mobilizado os nossos jovens que, nas últimas semanas, inundam nossas ruas, expressando sonhos e reivindicações. Sobretudo, a esperança em um Brasil e um mundo melhores.

É fato que nossas autoridades eclesiásticas e civis não tiveram o cuidado de deixá-lo mais tempo com os jovens. Segundo a programação oficial, o senhor terá mais encontros com aqueles que ora nos governam ou dirigem a Igreja no Brasil do que com aqueles que são alvos e protagonistas dessa jornada.

Enquanto nosso povo vive um momento de democracia direta nas ruas, os organizadores de sua visita cuidam de aprisioná-lo em palácios e salões. Assim como seus discursos sofrem, agora, modificações em Roma para estarem mais afinados com o clamor da juventude brasileira, tomara que o senhor altere aqui o programa que lhe prepararam e dedique mais tempo ao diálogo com os jovens.

Não faz sentido, por exemplo, o senhor benzer, na prefeitura do Rio, as bandeiras dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. São eventos esportivos acima de toda diversidade religiosa, cultural, étnica, nacional e política.

Por que o chefe da Igreja Católica fazer esse gesto simbólico de abençoar bandeiras de dois eventos que nada têm de religioso, embora contenham valores evangélicos por zerar divergências entre nações e promover a paz? Talvez seja o único momento em que atletas da Coreia do Norte e dos EUA se confraternizarão.

Como nos sentiríamos se elas fossem abençoadas por um rabino ou uma autoridade religiosa muçulmana?

Nos pronunciamentos que fará no Brasil, o senhor deixará claro a que veio. Ao ser eleito e proclamado, declarou à multidão reunida na Praça de São Pedro, em Roma, que os cardeais foram buscar um pontífice “no fim do mundo.”

Tomara que o seu pontificado represente também o início de um novo tempo para a Igreja Católica, livre do moralismo, do clericalismo, da desconfiança frente à pós-modernidade.  Uma Igreja que ponha fim ao celibato obrigatório, à proibição de uso de preservativos, à exclusão da mulher do acesso ao sacerdócio.

Igreja que reincorpore os padres casados ao ministério sacerdotal, dialogue sem arrogância com as diferentes tradições religiosas, abra-se aos avanços da ciência, assuma o seu papel profético de, em nome de Jesus, denunciar as causas da miséria, das desigualdades sociais, dos fluxos migratórios, da devastação da natureza.

Os jovens esperam da Igreja uma comunidade alegre, despojada, sem luxos e ostentações, capaz de refletir a face do Jovem de Nazaré, e na qual o amor encontre sempre a sua morada.

Bem-vindo ao Brasil, papa Chico! Se os argentinos merecidamente se orgulham de ter um patrício como sucessor de Pedro, saiba que aqui todos nos contentamos em saber que Deus é brasileiro!

Frei Betto é escritor, autor de “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.
fonte: http://leonardoboff.wordpress.com

Mensagem de São Francisco de Assis aos jovens de hoje

(o texto abaixo, de Leonardo Boff, embora longo, merece ser lido e estudado...)
Leonardo Boff (*) 

Queridos jovens, meus irmãos e minhas irmãs.

Como vocês, também fui jovem. Era filho de um rico comerciante de tecidos: Pedro Bernardone. Com ele, fui às famosas feiras do sul da França e da Holanda. Aprendi francês e conheci um pouco o mundo, especialmente a música dos jograis e cantigas de amor da Provence.

Minha festiva juventude

Meu pai, muito rico, me proporcionou todas as facilidades. Eu liderava um grupo de jovens boêmios que adoravam passar muitas horas à noite nos becos das ruas, cantando poemas de amor cortês e ouvindo menestréis que narravam histórias de cavalaria. Fazíamos festins e muita algazarra. Assim se passaram vários e alegres anos.

Depois de algum tempo, comecei a sentir um grande vazio dentro de mim. Tudo aquilo era bom, mas não me preenchia. Para superar a crise, tentei ser cavaleiro e fazer façanhas em batalhas contra os mouros. Mas no meio do caminho desisti. Entrei num mosteiro para orar e fazer penitência. Mas logo percebi que esse não era o meu caminho. 


O chamado para reconstruir a Igreja em ruínas

Lentamente, porém, começou a crescer dentro de mim um estranho amor pelos pobres e profunda compaixão pelos hansenianos que viviam isolados, fora da cidade. Lembrava-me de Jesus que foi também pobre e muito que sofreu na cruz.

Certo dia, quando entrei numa igrejinha, de nome São Damião, fiquei longamente contemplando o rosto chagado do Cristo Crucificado. De repente, me pareceu ouvir uma voz vindo dele: “Francisco, vá e repara a minha igreja que está em ruinas”!

Aquelas palavras calaram fundo no meu coração. Não conseguia esquecê-las. Comecei, com minhas próprias mãos, a reconstruir uma pequenina e velha igreja em ruínas, chamada de Porciúncula. Depois, pensando melhor, me dei conta de que aquela voz se referia à Igreja feita de homens e de mulheres, de prelados, abades, padres, não excluindo o próprio Papa. Ela estava em ruína moral. Grassavam muitas imoralidades, fome de poder, acumulação de riquezas, construções de palácios de cardeais, de papas e suntuosas igrejas. Tudo aquilo que Jesus seguramente não queria de seus seguidores. 


A descoberta do evangelho e dos pobres

Achei por bem beber da fonte genuína da reconstrução da Igreja: os evangelhos e o seguimento de Jesus pobre. Ninguém me inspirou ou mandou; mas foi Deus mesmo que me conduziu ao meio dos hansenianos. E tive imensa compaixão deles. Aquilo que antes achava amargo, agora, pelo amor compassivo, se me tornava doce. Comecei a pregar pelos burgos as palavras de Cristo, em língua popular que todos entendiam. Via nos olhos das pessoas que era isso que esperavam e queriam ouvir. 


Todos os seres da criação são irmãos e irmãs

Nas minhas andanças me fascinava a beleza das flores, o canto dos passarinhos, o ruído das águas dos riachos. Tirava do caminho poeirento a minhoca para não ser pisada. Entendi que todos tínhamos nascidos do coração do Pai de bondade. Por isso éramos irmãos e irmãs: o irmão fogo, a irmã água, o irmão e Senhor Sol e a irmã e a Mãe Terra e até o irmão lobo de Gubbio.

Muitos antigos companheiros de festas e diversões se juntaram a mim. Uma bela e querida amiga, Clara de Assis, fugiu de casa e quis compartilhar a nossa vida simples. Começamos um movimento de pobres. Nada levávamos conosco. Apenas o ardor do coração e a alegria do espírito. Trabalhávamos nos campos ou pedíamos esmolas. Queríamos seguir os passos de Cristo humilde, pobre e amigo dos pobres. E o Papa Inocêncio III, mesmo cheio de hesitações, aprovou a nossa opção em 1209 permitindo-nos de pregar por todas as partes o evangelho de Jesus.

Depois de alguns anos, já éramos uma multidão a ponto de eu não saber mais como abrigar e animar tanta gente. O resto da história vocês conhecem. Não preciso repeti-la. Mais tarde, com o apoio do Papa daquele tempo, criou-se a Ordem dos Frades Menores, com diversos ramos, que persiste até os dias de hoje.

Vejam, queridos jovens, irmãos e irmãs meus queridos. Tive uma experiência que certamente vocês, como jovens, também tiveram ou estão tendo: de roda de amigos, de festas e de folias. Portanto, temos algo em comum.

Mas aproveito agora, que estou em outra idade e que estamos juntos para dizer-lhes algumas coisas, que considero de suma importância para os tempos atuais. 


A Mãe Terra está doente e com febre

A primeira é: como nunca antes, estamos num momento crítico da história da Terra e da Humanidade. O clamor da natureza se faz ouvir de forma cada vez mais forte. Nossa querida Mãe e irmã Terra está doente e com febre, pois, já há muito tempo, a estamos superexplorando. Tiramos dela mais do que ela anualmente pode repor. O ar está contaminado, as águas poluídas, os solos envenenados e nossos alimentos cada vez mais quimicalizados. O aquecimento da Terra não para de aumentar. Milhares de espécies de seres vivos, nossos irmãos e irmãs, estão desparecendo por ano: uma verdadeira devastação, ocasionada pela forma agressiva com a qual nos relacionamos com a natureza, com os seres vivos e a com própria a Terra.

Devemos, urgentemente, fazer uma aliança global de cuidar da Terra e uns e dos outros, caso não quisermos conhecer grandes dizimações que afetarão toda a comunidade de vida. Corremos, portanto, grande risco. Mas se assumirmos uma responsabilidade solidária e um comportamento de cuidado com tudo o que existe e vive, e assumirmos uma sobriedade compartida, poderemos escapar desta tragédia. E vamos escapar. 


Resgatar a razão cordial e sensível

Uma segunda coisa. Preciso dizer-lhes como um irmão mais velho e experimentado. Temos que mudar a nossa mente e o nosso coração. Mudar a mente para olhar a realidade com outros olhos. Os olhos das ciências hoje nos comprovam que a Terra é viva e não apenas algo morto e sem propósito, uma espécie de baú de recursos ilimitados que podemos usar como queremos. Eles são limitados, como a energia fóssil do carvão e do petróleo, a fertilidade dos solos e as sementes. Ela é mãe generosa. Precisa ser cuidada, amada e respeitada como o fazemos com nossas mães.

Os astronautas, lá da Lua ou de suas naves espaciais, nos testemunharam: Terra e Humanidade são inseparáveis; formam uma única entidade, indivisível e complexa. Por isso nós, seres humanos, somos aquela porção da Terra que sente, que pensa, que ama e que venera. Somos Terra e tirados da Terra como nos dizem as primeiras páginas da Bíblia. Mas recebemos uma missão única, como se lê no segundo capítulo do Gênesis: somos colocados no Jardim do Éden, quer dizer, na Mãe Terra, para cuidar e guardar todas as bondades naturais. Somos os guardiães da herança que Deus e o universo nos confiaram e que queremos repassar para nossos filhos e netos, conservada e enriquecida.

Além da mente devemos também mudar o nosso coração. O coração é o lugar do sentimento profundo, do afeto caloroso e do amor sincero. O coração é o nicho de onde crescem todos os valores e se expressa o mundo das excelências. Junto com a razão intelectual que vocês tanto exercitam na escola, no trabalho e na condução da vida, existe a inteligência cordial e sensível. Ela foi, por muito tempo, colocada sob suspeita, com o pretexto de que ela nos tiraria a objetividade do olhar. Puro engano. Hoje entendemos que precisamos resgatar, urgentemente, a razão cordial e sensível para enriquecer a razão intelectual. Só com a razão intelectual sem a razão cordial não vamos sentir o grito dos pobres, da Terra, das florestas e das águas. Sem a razão cordial não nos movemos para ir ao encontro dos que gritam e sofrem para socorrê-los, oferecer-lhes um ombro e salvá-los. Da razão cordial nasce a ética, aquele conjunto de valores que orientam nossa vida.

Por isso, meus queridos jovens, vocês que naturalmente são sensíveis para os grandes sonhos e para o voo na direção das alturas, cultivem um coração que sente, que se comove e que leva à ação salvadora. Essa razão cordial e sensível é mais ancestral que a inteligência intelectual. É ela que nos faz guardar as boas ou más experiências. 


Aprender a habitar de forma diferente a Terra

Uma terceira coisa gostaria de dizer-lhes confiadamente: importa inaugurarmos uma forma nova de habitar o planeta Terra. Assim como estamos, não podemos continuar. Até agora habitávamos dominando com o punho fechado e submetendo tudo. A tecnociência servia de grande instrumento de intervenção na natureza. Em quatrocentos anos afetamos as bases naturais que sustentam a nossa vida. Alimentamos um projeto de ilimitado progresso. E de fato trouxemos notáveis progressos e comodidades para grande maioria da humanidade. Mas hoje estamos conscientes de que a Terra, pequena e limitada, não aquenta um projeto ilimitado. Encostamos nos seus limites. Porque continuamos a forçar estes limites, a Terra responde com tufões, enchentes, secas, terremotos e tsunamis. Esse modelo agressivo de habitar o mundo cumpriu sua missão histórica. A continuar assim, pode nos causar grandes prejuízos e eventualmente ameaçar a espécie humana. Temos que mudar se quisermos sobreviver.

Somos obrigados a ensaiar um novo modo de habitar e de nos relacionar com a natureza e com a Terra. No lugar do punho fechado devemos ter a mão aberta para o cuidado essencial, para o entrelaçamento dos dedos numa aliança de valores e princípios que poderão sustentar um novo ensaio civilizatório.

Precisamos produzir, sim, para atender as necessidades humanas. Mas temos que aprender a produzir respeitando os limites da natureza e da Terra, tirando delas o necessário e o decente para a vida de todos, com justiça e equidade. Será uma sociedade de sustentação de toda a vida. O centro será ocupado pela vida da natureza, pela vida humana e pela vida da Terra. A economia e a política estarão a serviço mais da vida do que do mercado. E o nosso consumo será marcado pela solidariedade universal e pela sobriedade compartilhada.

A mudança começa por vocês.

Caros jovens: sejam vocês mesmos a mudança que queremos para os outros. Comecem vocês mesmos a viver o novo, respeitando cada um dos seres da natureza, cada planta, cada animal, cada paisagem porque eles possuem um valor intrínseco e em si mesmo, independente do uso racional que fizermos deles. São nossos irmãos e irmãs. Com eles fundaremos uma convivência de respeito, de reciprocidade e de mútua ajuda para que todos possam continuar vivos neste planeta, também os mais vulneráveis para os quais devotaremos mais cuidado e amor.

Queridos irmãos e irmãs jovens: resistam à cultura da acumulação e do consumo. Pensem nos outros irmãos e irmãs que são milhões e milhões que vivem e dormem com fome e com sede e passando por grandes padecimentos. Nunca, em nenhum dia, deixem de pensar e se preocupar com os pobres e com seu destino dramático, principalmente, das crianças inocentes.

Tenham um consumo solidário. Realizem os três famosos erres): reduzir, reutilizar e reciclar tudo o que consumirem. E eu acrescentaria ainda um outro erre (r)): rearborizar. Plantem árvores, recuperem zonas desflorestadas. As árvores sequestram os gases poluentes, nos dão sombra, flores e frutos. Façam a experiência de que com menos poderão ser mais e que a felicidade reside não no enriquecimento e numa rentosa profissão, mas no compartir e no tratar sempre humanamente a todos os humanos, nossos semelhantes.

Mantenham dentro de vocês a chama sagrada sempre viva

Por fim, caros jovens, irmãos e irmãs meus queridos: nada disso tudo que refletimos terá eficácia se não misturarmos Deus em todos os nossos empreendimentos. Ele não está em parte nenhuma, porque está em todas as partes. Mas está principalmente no coração de vocês. Dentro de cada um de vocês queima uma brasa viva e arde uma chama sagrada: é a presença misteriosa e amorosa de Deus. Ele emerge de forma sensível no fenômeno do entusiasmo, tão forte na idade de vocês. Entusiasmo significa ter um Deus dentro: é o Deus interior, o Deus companheiro e amigo, o Deus de amor incondicional.

A nossa cultura materialista e consumista cobriu de cinzas esta brasa e ameaça apagar a chama sagrada. Afastem essa cinza através da abertura do coração a esse Deus; reservem cada dia um momento para pensar nele, conversar com ele, queixar-se e chorar diante dele e dirigir-lhe uma súplica. Às vezes não digam nada. Coloquem-se apenas silenciosos diante dele. Ele poderá lhes falar e lhes suscitar bons sentimentos e luminosas intuições. Nunca abandonem Deus, porque Ele nunca os abandona e abandonará. Vivam como quem se sente na palma de sua mão. E então estarão protegidos porque Ele é o Bom Pastor que vos conduzirá por verdes pastagens para que nada lhes falte. Ele é Pai e Mãe de infinita ternura.

Deus é o “soberano amante da vida” e o nosso grande aliado 

 
Desde que o Filho de Deus por Jesus assumiu a nossa humanidade, ele assumiu também uma parte da Terra e dos elementos do universo. Portanto, estes já foram divinizados e eternizados. Nunca mais serão ameaçados. Mas nós podemos. Consolam-nos as palavras da revelação dos dizem que Ele, Deus, é “o soberano amante da vida”(Sab 11,24). Ele sempre ama tudo o que um dia criou. Não esquece nenhuma criatura que nasceu de seu coração. Por isso, confiemos todos que Ele vai proteger a nossa querida Mãe Terra e garantir o futuro da vida que é o future de vocês todos.

Não desperdicem o tempo porque ele é urgente. Desta vez, não podemos chegar atrasados nem cometer erros, pois corremos o risco de não termos volta nem formas de correção dos erros cometidos. Mas não percam o entusiasmo nem esmoreça a alegria do coração. A vida sempre triunfa porque Deus é vivo e nos enviou Jesus que disse ter vindo para trazer vida e vida em abundância.

Era o que queria, do fundo de meu coração, lhes falar.

Por fim, faço-lhes um pedido muito especial: rezem, apoiem, colaborem com o Papa que leva o meu nome, Francisco. Ele vai restaurar a Igreja de hoje como eu tentei restaurar a Igreja do meu tempo. Sem a ajuda de vocês, se sentirá fraco e terá grandes dificuldades. Mas com o entusiasmo e o apoio de vocês, nos seus grupos e movimentos, ele vai cumprir a missão que Jesus lhe confiou: conferir um rosto confiável à nossa Igreja e confirmar a todos na fé e na esperança. Com vocês ele será forte e irá conseguir.

Agora, antes de nos despedirmos, lhes darei a bênção que um dia dei ao meu íntimo amigo Fei Leão, a ovelhinha de Deus:

Que Deus vos abençoe e vos guarde
Que Ele mostre sua face e se compadeça de vós.
Que volva o seu rosto para vós e vos dê a paz.
Que Deus vos abençoe.
Paz e Bem
Francisco
o Poverello e Fratello de Assis.

(*) Este texto faz parte do novo livro do teólogo Leonardo Boff: 
“Francisco de Assis, Francisco de Roma, uma nova primavera na Igreja?”
que será lançado no dia 16. 
(fonte: http://www.franciscanos.org.br)

Papa, o missionário e a comunidade - Mt 16, 13-19 - 30/06/2013


Popularmente, a festa de hoje é chamada o Dia do Papa, sucessor de Pedro. Mas não podemos esquecer que ao lado de Pedro é celebrado também Paulo, o Apóstolo, ou seja, missionário, por excelência. No evangelho, o apóstolo Simão responde pela fé de seus irmãos. Por isso, Jesus lhe dá o nome de Pedro. Este nome é uma vocação: Simão deve ser a “pedra”(rocha) que deve dar solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32).

Esta “nomeação”vai acompanhada de uma promessa: as “portas” (cidade, reino) do inferno não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do reino “dos Céus” (= de Deus). A 1ª leitura ilustra essa promessa: Pedro é libertado da prisão pelo anjo do Senhor. Pedro aparece, assim, como o fundamento institucional da Igreja.

Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8).

Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é o guardião. A 2ª leitura é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações (v. 17). Não esconder a luz de Cristo para ninguém!

O mundo em que Paulo se movimentava estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil. No fim de sua vida, Paulo pode dizer que “combateu o bom combate e conservou a fé/fidelidade”, a sua e a dos fiéis que ele ganhou. Como Cristo – o bom pastor – não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo – o enviado de Cristo – conserva-lhes a fidelidade.

Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar hoje os fundadores da Igreja universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária.

Pode até provocar tensões, por exemplo, uma teologia “romana”versus uma teologia latino-americana. Mas é uma tensão fecunda. Hoje, sabemos que o pastoreio dos fiéis – a pastoral – não é monopólio dos “pastores constituídos”como tais, a hierarquia. Todos fiéis são um pouco pastores uns para com os outros.

Devemos conservar a fidelidade a Cristo – a nossa e a dos nossos irmãos – na solidariedade do “bom combate”.

E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta pela justiça e a verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação.

Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a ele; pois, na sua morte, ele realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes.
(www.franciscanos.org.br)

Pronunciamento da CNBB sobre as manifestações ocorridas ultimamente no país.


Ouvir o clamor que vem das ruas

"Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.

Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: "O Gigante acordou!"

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em "berço esplêndido".

O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.

Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de novos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo".


Brasília, 21 de junho de 2013
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Perdão gera o amor - Lc 7,36-8,3 - 15/06/2013

Será que Deus se sente mais feliz com a fria irrepreensibilidade dos “bem comportadinhos” ou com a afetuosa efusão dos excluídos e pecadores?

Aliás, os próprios “irrepreensíveis”, se sentem felizes?

Jesus não tinha medo de pessoas mal-afamadas. Conforme o evangelho de hoje, Jesus aceitou até o carinho de uma prostituta! Enquanto ele estava, à maneira oriental, deitado à mesa na casa do fariseu Simão, chegou uma prostituta, regou-lhe os pés com suas lágrimas, secou-os com sua generosa cabeleira e perfumou-os com o rico perfume, adquirido com o dinheiro do pecado. Escândalo para a “gente de bem”.

Mas Jesus aponta o mistério profundo que está agindo por trás das aparências: a mulher mostrou tanto amor, porque encontrou tamanho perdão! Enquanto o fariseu não demonstrou carinho para com Jesus, porque achava que nada tinha a ser perdoado … Jesus explica isso por meio de uma parábola: um devedor a quem é perdoado muito mostrará mais gratidão do que um que pouco tem a ser perdoado. Enquanto o fariseu continua “na sua”, a pecadora encontra a salvação: “Tua fé te salvou” (Lc 7,50).

Há muitas espécies de fariseus, de pessoas satisfeitas consigo mesmas. Há os fariseus clássicos, os “bem comportadinhos”, que se julgam melhores que os outros e acham que, por força de sua virtude, eles têm méritos, direitos e até privilégios diante de Deus. Mas há também os que acham que sua sem-vergonhice descarada os torna mais honestos que as pessoas menos ousadas … O filósofo Kierkegaard fala do “publicano” que, lá no fundo do templo, reza assim: “Eu te agradeço, Senhor, porque sou um humilde pecador, não como aquele orgulhoso fariseu lá na frente … ”

Cumprir a lei (judaica ou outra) é bom, mas não me livra de minha culpa. Só Deus pode abolir minha culpa, pois todo pecado atinge finalmente a ele, nosso sumo bem. Ele aboliu a culpa demonstrando quanto ele nos ama: permitiu que seu filho Jesus desse sua vida por nós. Este amor é maior que nossa culpa. Jesus o leva dentro de si. Jesus pode perdoar o mal que marcou nossa vida. Nós mesmos, não. Só nele nosso mal encontra perdão.

Quem assim, pela fé, se torna amigo de Deus, porque encontrou em Jesus o amor, não pode mais deixar de amar. Torna-se outra pessoa. A graça recebida de graça não pode tornar-se um pretexto para continuar pecando. A lição de hoje é esta: são amigos de Deus (“justos”) aqueles que reconhecem diante de Deus sua dívida de amor e dele recebem a remissão. Então, abrir-se-ão em gestos de gratidão, semelhantes ao gesto da pecadora.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br) 

"O Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade"- 26/05/13 - Jo 16,12-15

A função do Espírito Santo

Estamos dentro dos “Discursos de Despedida” que ocupam os capítulos 13-17 do evangelho de João. Nosso trecho fala da função do Espírito Santo. É um trecho todo trinitário, ou seja, fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nos discursos de despedida Jesus vai completando os ensinamentos aos seus discípulos. Ele ensina tudo o que ouviu do Pai (cf. 15,15), mas muita coisa os discípulos não conseguem captar em todo o seu alcance (v. 12). Assim Jesus encarrega o Espírito Santo para interpretar o alcance de seus ensinamentos ao longo da história. A função do Espírito é, portanto, conduzir os discípulos à verdade completa e ao sentido profundo dos acontecimentos futuros (v. 13).

O Espírito da Verdade

 
Jesus é o caminho, verdade e vida. Aqui no v. 14, o Espírito Santo é chamado de Espírito da Verdade”, pois o Pai e o Filho são uma só coisa (17,11); cf. 10,30). O termo verdade em João está associado à Aliança de amor que o Pai fez com seu povo, aliança que se torna perfeita e definitiva através da revelação total do Pai através do Filho que dá sua vida por amor. O Espírito da verdade é o intérprete das palavras de Jesus e a garantia para os discípulos da fidelidade de sua Igreja ao projeto do Pai revelado no Filho. Cada vez que o espírito ajudar os cristãs a iluminar  as trevas do erro, transformando-as em caminho de luz, cada vez que o Espírito encorajar os cristãos a testemunhar a verdade através da Palavra, do testemunho e até mesmo do martírio; cada vez que o espírito eliminar divisões e provocar a comunhão, ele  está manifestando a glória do Filho, na qual também o Pai é glorificado.

A Trindade comunhão-perfeita

 
Há uma comunhão profunda entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Um não age independente do outro. Tudo que pertence ao Pai pertence também ao Filho (v. 15). O Espírito por sua vez, recebe aquilo que também pertence ao Filho e ele não fala em seu próprio nome, mas em nome do Pai e do Filho. Cada um é uma pessoa distinta com funções diversas. Aqui a comunhão é total. Cada pessoa é divina, mas as três pessoas são um só Deus. Nós, Igreja, somos o Corpo de Cristo, cada cristão é Templo do Espírito Santo.
O que dizer das divisões entre nós? 



Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo de Caratinga

"Recebam o Espírito Santo..." - Pentecostes - 19/05/2013 - Jo 20,19-23

Pentecostes é o aniversário da Igreja? Sob certo aspecto, sim. A primeira comunidade tinha sido reunida por Jesus durante a sua vida. Mas o que foi tão decisivo na data de Pentecostes, depois de sua morte e ressurreição, é que aí começou a proclamação ao mundo inteiro da Salvação em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

Para os antigos judeus, Pentecostes era o aniversário da proclamação da lei no Monte Sinai: esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam no dia de Pentecostes a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos são agora alcançados, cada um em sua própria língua.

Até hoje, a Igreja continua procurando alcançar todos os povos, grupos, classes e raças, numa linguagem que os atinja. Não necessariamente na linguagem que lhes agrade! Aos pobres, terá que falar uma linguagem de carinho e animação; aos ricos, uma linguagem provocadora, para descongelar seu coração. Mas, de qualquer modo, a todos ela deverá explicar na linguagem adequada – que na conversão a Cristo se encontra a salvação.

O verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer “Aleluia” em todas as línguas, mas em falar com clareza para todos os povos, raças e classes. Os diversos dons do Espírito Santo, servem exatamente para isto: para atingir as pessoas de todas as maneiras, para sermos profetas da Nova Aliança, selada por Cristo em seu próprio sangue e agora publicada para o mundo sob o impulso de seu Espírito.

Como Moisés e os setenta anciãos no Sinai se tornaram porta-vozes de Deus e da antiga Aliança (*), assim agora, a partir de Pentecostes, a Igreja deve tornar-se toda profética, denunciando o que está errado e anunciando a salvação que está na fraternidade e na comunhão que Jesus veio instaurar. Assim, o Espírito de Deus renovará, pela Igreja, a face da terra.

(*) Lembra uma antiga lenda judaica, que conta como, no Sinai, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (só que agora os setenta anciãos são os doze apóstolos).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br

Dia das Mães e Ascensão do Senhor (12/05/2013)


Dia das Mães: 
Leia o emocionante texto de Frei Almir, clicando aqui






Ascensão do Senhor (Lc 24,46-53)

A vitalidade e juventude da Igreja, até hoje, tem sua raiz nesta herança que Deus lhe deixou. “É bom para vocês que eu me vá – diz Jesus no evangelho de João – porque, senão, não recebereis o Paráclito, o Espírito da Verdade” (1016,7). 

Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, geração após geração. 

O Espírito de Jesus e do Pai deve animar em nós, e através de nós, um testemunho igual ao de Jesus: deve fazer revi ver Jesus em nós. O que salva o mundo não é a presença física de Jesus para todas as gerações, mas sim o Espírito que ele gerou em nós pela morte por amor – o Espírito do Pai e dele mesmo.
A Igreja não caiu no vazio depois da Ascensão de Jesus. Antes, entrou com ele na plenitude do tempo da salvação e da reconciliação, embora não de vez e por completo. Tem que lutar para realizar o que Jesus já vive em plenitude. Ainda não está na mesma glória, na mesma união definitiva com Deus em que está o seu fundador, mas vive movida pelo mesmo Espírito, e este nunca lhe faltará até a hora do reencontro completo. 

A Igreja terá que expor às claras as contradições, as injustiças, as opressões que impedem a reconciliação e o perdão. Terá que urgir opção e posicionamento, e também transformação dos corações e das estruturas do mundo, para que um dia o Cristo glorioso seja a realidade de todos nós.
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

",,, Eu lhes dou a Minha Paz" - Jo 14,23-29 - 05/05/2013

É comum ouvir-se que a Igreja é opressora, mera instância de poder. Isso vem do tempo em que, de fato, a Igreja e o Estado disputavam o poder sobre a população. E os meios de comunicação se esforçam por manter essa imagem, como se nunca tivesse acontecido um Concílio Vaticano II, como se nunca tivessem existido o Papa João XXIII, Dom Hélder Câmara… Disse um psicólogo: “A sociedade precisa de manter viva a imagem de uma Igreja opressora para poder se revoltar contra quando pode revoltar-se contra o pai

… ” A liturgia de hoje nos faz ver a Igreja de outra maneira. Claro, ela ainda não é bem como deveria ser, aquela “noiva sem ruga nem mancha” que é a Jerusalém celeste da 2ª leitura. Mas quem ama acredita que a pessoa amada é muito melhor por dentro do que parece por fora. Por isso, se amamos a Igreja, acreditamos que em sua realidade mais profunda ela é, mesmo, a noiva sem ruga nem mancha … Vista com os olhos do Apocalipse, a Igreja é a morada de Deus, a Jerusalém nova, em que não existe mais templo, porque Deus e Jesus – o Cordeiro – são o seu templo. Seu santuário é Deus mesmo, não algum edifício para lhe prestar culto.

Deus está no meio de seu povo. Isto basta. A 1ª leitura descreve um episódio da Igreja que manifesta isso. Os apóstolos tiveram uma discussão sobre a necessidade de conservar-se os ritos judaicos na jovem Igreja, no momento em que ela estava saindo do mundo judeu e abrindo-se para outros povos, na Ásia e na Europa.

Depois de oração e deliberação, os apóstolos chegaram à conclusão de que, para ser cristão, não era preciso observar o judaísmo (que tinha sido a religião de Jesus). Somente fossem observados alguns pormenores, para não escandalizar os cristãos de origem judaica. Os apóstolos reconheceram que o antigo culto do templo se tinha tornado supérfluo.

O evangelho de hoje nos faz compreender por quê: “Eu e o Pai viremos a ele e faremos nele a nossa morada”, diz Jesus a respeito de quem acredita nele (João 14,23). Os fiéis são a morada de Deus. A Igreja, enquanto comunhão de amor, é a morada de Deus. Não precisamos de templo concebido como “estacionamento da santidade”.

O povo simples sente isso intuitivamente, quando arruma um galpão ou um pátio para servir de salão comunitário e capela e tudo, lugar de oração, de celebração, de reunião, para refletir e organizar sua solidariedade e sua luta por mais fraternidade e justiça. Sabe que não é nos templos de pedra que Deus habita, mas no coração de quem ama e vive seu amor na prática. “Onde o amor e a caridade, Deus aí está”.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes