“Fé fundada no Amor” - 14/04/2013 - Jo 21,1-19

Duas cenas se completam: Os discípulos trabalham a noite toda e não conseguem pescar nada. Diante da palavra de Jesus, fazem uma pesca abundante.

A pesca com frutos abundantes conduz a um convívio oferecido pelo próprio Jesus que não usa dos peixes que pegaram, mas de um que Ele mesmo oferece.

A pregação é simbolizada pela pesca. Podemos interpretar que a pregação não é só para nos conduzir ao conhecimento de Jesus, mas para participarmos de seu Corpo e Sangue na comunidade. Na cena vemos que Jesus tomou pão e distribuiu entre eles. Fez mesmo com o peixe.

A palavra peixe, em grego, são as iniciais do nome Jesus que é uma profissão de fé: Jesus Cristo de Deus Filho Salvador (Ichtys). A fé sempre nos conduz ao reconhecimento de Cristo como Senhor Deus. Em continuação encontramos o diálogo com Pedro no qual Jesus pergunta se O ama. Faz a pergunta, primeiro se O ama com o Amor Divino. Pedro responde que ama com amor humano. Na terceira vez pergunta se O ama com amor de amigo. Pedro se emociona e responde: “Tu sabes tudo, sabe também que Te amo” (Jo 21,15).

Mesmo tendo sido frágil, pois negou, Jesus confia nele e lhe dá a responsabilidade de cuidar do rebanho de ovelhas e cordeiros. Notamos que João, diante do milagre da pesca abundante reconhece o autor: “É o Senhor!” (Jo 21,7). É o amor que leva ao conhecimento. Por que essa insistência de Jesus sobre o amor de Pedro? O amor tem que ser Divino e humano. Pedro mostrará que é Divino em sua entrega de vida por Jesus.

Pedro é frágil, mas tem firmeza no amor. O amor que Jesus lhe pede não se trata só de uma afeição, mas de definição de vida pelo povo, cordeiros e ovelhas. Esse amor significa uma obediência acima de todo questionamento. A fé em Jesus se mostra no amor.

Obedecer antes a Deus

O início da pregação dos discípulos foi conturbado. Proibidos pelos donos do poder, de ensinar em nome de Jesus, Pedro e João respondem: É preciso obedecer a Deus antes que aos homens (At 5,29). É a mesma resposta que dão os cristãos diante das pressões do poder romano, reconhecendo a Divindade de Jesus, Cordeiro que foi imolado (Ap 5,12). Só Ele é digno.

Esta saudação que fazem a Cristo, Cordeiro imolado era a saudação que se fazia ao imperador romano. Pedro e João lançam em face do Sumo Sacerdote e do sinédrio, a acusação da culpa pela morte de Jesus. Mas Deus O exaltou, tornando-O Guia Supremo e Salvador. Essa tendência de calar a Igreja passa pelos séculos. A Igreja não é contra as pessoas, mas alerta contra o erro. O testemunho dos Apóstolos é acompanhado pelo testemunho do Espírito Santo. Não falam por si: “E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem”

Hoje deu sorte

Tantos momentos da vida apostólica de Jesus estão ligados ao mar (na verdade era um lago grande). Afinal, Ele morava por ali e os discípulos também. Os apóstolos pregam sobre Jesus que os chefes do povo mataram. Mas Deus O constituiu Salvador.

O resultado de toda pregação é a multidão que está no Céu na adoração de Deus Pai e de Jesus, o Cordeiro, como lemos na segunda leitura.

O que sustenta a pregação é a fé. Como a pesca, feita a partir da palavra de Jesus, deu sorte, a pregação tem grande resultado porque é feita em nome de Jesus, unidos a Ele. Mesmo sendo castigados estão felizes por anunciar Jesus.

Pedro que, mesmo sendo pecador, ama Jesus. Jesus lhe confia a missão de cuidar dos cordeiros, isto é, o povo de Deus.

Padre Luiz Carlos de Oliveira, cssr

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