"O Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade"- 26/05/13 - Jo 16,12-15

A função do Espírito Santo

Estamos dentro dos “Discursos de Despedida” que ocupam os capítulos 13-17 do evangelho de João. Nosso trecho fala da função do Espírito Santo. É um trecho todo trinitário, ou seja, fala do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Nos discursos de despedida Jesus vai completando os ensinamentos aos seus discípulos. Ele ensina tudo o que ouviu do Pai (cf. 15,15), mas muita coisa os discípulos não conseguem captar em todo o seu alcance (v. 12). Assim Jesus encarrega o Espírito Santo para interpretar o alcance de seus ensinamentos ao longo da história. A função do Espírito é, portanto, conduzir os discípulos à verdade completa e ao sentido profundo dos acontecimentos futuros (v. 13).

O Espírito da Verdade

 
Jesus é o caminho, verdade e vida. Aqui no v. 14, o Espírito Santo é chamado de Espírito da Verdade”, pois o Pai e o Filho são uma só coisa (17,11); cf. 10,30). O termo verdade em João está associado à Aliança de amor que o Pai fez com seu povo, aliança que se torna perfeita e definitiva através da revelação total do Pai através do Filho que dá sua vida por amor. O Espírito da verdade é o intérprete das palavras de Jesus e a garantia para os discípulos da fidelidade de sua Igreja ao projeto do Pai revelado no Filho. Cada vez que o espírito ajudar os cristãs a iluminar  as trevas do erro, transformando-as em caminho de luz, cada vez que o Espírito encorajar os cristãos a testemunhar a verdade através da Palavra, do testemunho e até mesmo do martírio; cada vez que o espírito eliminar divisões e provocar a comunhão, ele  está manifestando a glória do Filho, na qual também o Pai é glorificado.

A Trindade comunhão-perfeita

 
Há uma comunhão profunda entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Um não age independente do outro. Tudo que pertence ao Pai pertence também ao Filho (v. 15). O Espírito por sua vez, recebe aquilo que também pertence ao Filho e ele não fala em seu próprio nome, mas em nome do Pai e do Filho. Cada um é uma pessoa distinta com funções diversas. Aqui a comunhão é total. Cada pessoa é divina, mas as três pessoas são um só Deus. Nós, Igreja, somos o Corpo de Cristo, cada cristão é Templo do Espírito Santo.
O que dizer das divisões entre nós? 



Dom Emanuel Messias de Oliveira
Bispo de Caratinga

"Recebam o Espírito Santo..." - Pentecostes - 19/05/2013 - Jo 20,19-23

Pentecostes é o aniversário da Igreja? Sob certo aspecto, sim. A primeira comunidade tinha sido reunida por Jesus durante a sua vida. Mas o que foi tão decisivo na data de Pentecostes, depois de sua morte e ressurreição, é que aí começou a proclamação ao mundo inteiro da Salvação em Jesus Cristo, morto e ressuscitado.

Para os antigos judeus, Pentecostes era o aniversário da proclamação da lei no Monte Sinai: esta proclamação constituiu, por assim dizer, Israel como povo, deu-lhe uma “constituição”. De modo semelhante, quando os apóstolos proclamam no dia de Pentecostes a salvação em Jesus Cristo, é constituído o novo povo de Deus. Não só Israel, mas todos os povos são agora alcançados, cada um em sua própria língua.

Até hoje, a Igreja continua procurando alcançar todos os povos, grupos, classes e raças, numa linguagem que os atinja. Não necessariamente na linguagem que lhes agrade! Aos pobres, terá que falar uma linguagem de carinho e animação; aos ricos, uma linguagem provocadora, para descongelar seu coração. Mas, de qualquer modo, a todos ela deverá explicar na linguagem adequada – que na conversão a Cristo se encontra a salvação.

O verdadeiro milagre das línguas não consiste em dizer “Aleluia” em todas as línguas, mas em falar com clareza para todos os povos, raças e classes. Os diversos dons do Espírito Santo, servem exatamente para isto: para atingir as pessoas de todas as maneiras, para sermos profetas da Nova Aliança, selada por Cristo em seu próprio sangue e agora publicada para o mundo sob o impulso de seu Espírito.

Como Moisés e os setenta anciãos no Sinai se tornaram porta-vozes de Deus e da antiga Aliança (*), assim agora, a partir de Pentecostes, a Igreja deve tornar-se toda profética, denunciando o que está errado e anunciando a salvação que está na fraternidade e na comunhão que Jesus veio instaurar. Assim, o Espírito de Deus renovará, pela Igreja, a face da terra.

(*) Lembra uma antiga lenda judaica, que conta como, no Sinai, a proclamação da Lei teria sido confiada aos setenta anciãos, em setenta línguas (só que agora os setenta anciãos são os doze apóstolos).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
www.franciscanos.org.br

Dia das Mães e Ascensão do Senhor (12/05/2013)


Dia das Mães: 
Leia o emocionante texto de Frei Almir, clicando aqui






Ascensão do Senhor (Lc 24,46-53)

A vitalidade e juventude da Igreja, até hoje, tem sua raiz nesta herança que Deus lhe deixou. “É bom para vocês que eu me vá – diz Jesus no evangelho de João – porque, senão, não recebereis o Paráclito, o Espírito da Verdade” (1016,7). 

Jesus salvou o mundo movido pelo Espírito e dando a sua vida pelos homens. Agora, nós devemos dar continuidade a esta obra, geração após geração. 

O Espírito de Jesus e do Pai deve animar em nós, e através de nós, um testemunho igual ao de Jesus: deve fazer revi ver Jesus em nós. O que salva o mundo não é a presença física de Jesus para todas as gerações, mas sim o Espírito que ele gerou em nós pela morte por amor – o Espírito do Pai e dele mesmo.
A Igreja não caiu no vazio depois da Ascensão de Jesus. Antes, entrou com ele na plenitude do tempo da salvação e da reconciliação, embora não de vez e por completo. Tem que lutar para realizar o que Jesus já vive em plenitude. Ainda não está na mesma glória, na mesma união definitiva com Deus em que está o seu fundador, mas vive movida pelo mesmo Espírito, e este nunca lhe faltará até a hora do reencontro completo. 

A Igreja terá que expor às claras as contradições, as injustiças, as opressões que impedem a reconciliação e o perdão. Terá que urgir opção e posicionamento, e também transformação dos corações e das estruturas do mundo, para que um dia o Cristo glorioso seja a realidade de todos nós.
Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

",,, Eu lhes dou a Minha Paz" - Jo 14,23-29 - 05/05/2013

É comum ouvir-se que a Igreja é opressora, mera instância de poder. Isso vem do tempo em que, de fato, a Igreja e o Estado disputavam o poder sobre a população. E os meios de comunicação se esforçam por manter essa imagem, como se nunca tivesse acontecido um Concílio Vaticano II, como se nunca tivessem existido o Papa João XXIII, Dom Hélder Câmara… Disse um psicólogo: “A sociedade precisa de manter viva a imagem de uma Igreja opressora para poder se revoltar contra quando pode revoltar-se contra o pai

… ” A liturgia de hoje nos faz ver a Igreja de outra maneira. Claro, ela ainda não é bem como deveria ser, aquela “noiva sem ruga nem mancha” que é a Jerusalém celeste da 2ª leitura. Mas quem ama acredita que a pessoa amada é muito melhor por dentro do que parece por fora. Por isso, se amamos a Igreja, acreditamos que em sua realidade mais profunda ela é, mesmo, a noiva sem ruga nem mancha … Vista com os olhos do Apocalipse, a Igreja é a morada de Deus, a Jerusalém nova, em que não existe mais templo, porque Deus e Jesus – o Cordeiro – são o seu templo. Seu santuário é Deus mesmo, não algum edifício para lhe prestar culto.

Deus está no meio de seu povo. Isto basta. A 1ª leitura descreve um episódio da Igreja que manifesta isso. Os apóstolos tiveram uma discussão sobre a necessidade de conservar-se os ritos judaicos na jovem Igreja, no momento em que ela estava saindo do mundo judeu e abrindo-se para outros povos, na Ásia e na Europa.

Depois de oração e deliberação, os apóstolos chegaram à conclusão de que, para ser cristão, não era preciso observar o judaísmo (que tinha sido a religião de Jesus). Somente fossem observados alguns pormenores, para não escandalizar os cristãos de origem judaica. Os apóstolos reconheceram que o antigo culto do templo se tinha tornado supérfluo.

O evangelho de hoje nos faz compreender por quê: “Eu e o Pai viremos a ele e faremos nele a nossa morada”, diz Jesus a respeito de quem acredita nele (João 14,23). Os fiéis são a morada de Deus. A Igreja, enquanto comunhão de amor, é a morada de Deus. Não precisamos de templo concebido como “estacionamento da santidade”.

O povo simples sente isso intuitivamente, quando arruma um galpão ou um pátio para servir de salão comunitário e capela e tudo, lugar de oração, de celebração, de reunião, para refletir e organizar sua solidariedade e sua luta por mais fraternidade e justiça. Sabe que não é nos templos de pedra que Deus habita, mas no coração de quem ama e vive seu amor na prática. “Onde o amor e a caridade, Deus aí está”.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes