",,, Eu lhes dou a Minha Paz" - Jo 14,23-29 - 05/05/2013

É comum ouvir-se que a Igreja é opressora, mera instância de poder. Isso vem do tempo em que, de fato, a Igreja e o Estado disputavam o poder sobre a população. E os meios de comunicação se esforçam por manter essa imagem, como se nunca tivesse acontecido um Concílio Vaticano II, como se nunca tivessem existido o Papa João XXIII, Dom Hélder Câmara… Disse um psicólogo: “A sociedade precisa de manter viva a imagem de uma Igreja opressora para poder se revoltar contra quando pode revoltar-se contra o pai

… ” A liturgia de hoje nos faz ver a Igreja de outra maneira. Claro, ela ainda não é bem como deveria ser, aquela “noiva sem ruga nem mancha” que é a Jerusalém celeste da 2ª leitura. Mas quem ama acredita que a pessoa amada é muito melhor por dentro do que parece por fora. Por isso, se amamos a Igreja, acreditamos que em sua realidade mais profunda ela é, mesmo, a noiva sem ruga nem mancha … Vista com os olhos do Apocalipse, a Igreja é a morada de Deus, a Jerusalém nova, em que não existe mais templo, porque Deus e Jesus – o Cordeiro – são o seu templo. Seu santuário é Deus mesmo, não algum edifício para lhe prestar culto.

Deus está no meio de seu povo. Isto basta. A 1ª leitura descreve um episódio da Igreja que manifesta isso. Os apóstolos tiveram uma discussão sobre a necessidade de conservar-se os ritos judaicos na jovem Igreja, no momento em que ela estava saindo do mundo judeu e abrindo-se para outros povos, na Ásia e na Europa.

Depois de oração e deliberação, os apóstolos chegaram à conclusão de que, para ser cristão, não era preciso observar o judaísmo (que tinha sido a religião de Jesus). Somente fossem observados alguns pormenores, para não escandalizar os cristãos de origem judaica. Os apóstolos reconheceram que o antigo culto do templo se tinha tornado supérfluo.

O evangelho de hoje nos faz compreender por quê: “Eu e o Pai viremos a ele e faremos nele a nossa morada”, diz Jesus a respeito de quem acredita nele (João 14,23). Os fiéis são a morada de Deus. A Igreja, enquanto comunhão de amor, é a morada de Deus. Não precisamos de templo concebido como “estacionamento da santidade”.

O povo simples sente isso intuitivamente, quando arruma um galpão ou um pátio para servir de salão comunitário e capela e tudo, lugar de oração, de celebração, de reunião, para refletir e organizar sua solidariedade e sua luta por mais fraternidade e justiça. Sabe que não é nos templos de pedra que Deus habita, mas no coração de quem ama e vive seu amor na prática. “Onde o amor e a caridade, Deus aí está”.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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