"Convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo" - Mateus 4,12-23 - 26/01/2014


“Anúncio da Alegria”

Discípulos e companheiros
            Jesus inicia o anúncio do Reino na Galiléia. Dizer Galiléia era dizer região das trevas. Ali havia uma população misturada de pagãos e de judeus. Justamente ali surge Jesus, a Luz que dá a esperança. Durante este período começa a reunir os discípulos convocando-os diretamente. Ao chamar os discípulos Jesus tem o esquema: passou, viu e chamou. O discípulo tem duas escolas: a da palavra que ouvem e da vida que compartilham com o Mestre. Está intimamente ligado à pregação do Mestre Jesus: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 4,17). Não é só um anúncio de palavras, mas um modo de vida. O chamado é de Deus, pois o Reino lhe pertence. Jesus ensina que devemos pedir operários para a colheita (Mt 9,38). Jesus, em nome do Pai, chama os colaboradores para se agregarem à missão do anúncio do Reino. A resposta humana deve ser dada com totalidade e prontidão.  Acompanham Jesus em sua missão: “Ele andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e de enfermidade” (Mt 4,23). A convivência com Jesus é o primeiro aprendizado. O modo de anunciar de Jesus era itinerante. Jesus não criava comunidades, criava em volta de si a comunidade que iria continuar Sua missão. A primeira leitura fala da alegria que caracteriza o anúncio: “Fizestes crescer a alegria, e aumentastes a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita” (Is 9,2). O anúncio é de libertação de um jugo opressor das forças do mal (3). A palavra evangelho significa anúncio alegre.

Jesus continua chamando
            A Igreja deve estar em permanente estado de missão. Sentimos que o importante é a estrutura e as leis que a regem. O que justifica sua existência não é dinamizado: a missão continua com as características que lhe dava Jesus: anúncio de conversão para que se instaure o Reino que transforma todas as realidades. A vocação do discípulo é a mesma realizada por Jesus que era de iluminar e trazer vida pela conversão pessoal e transformação da situação do povo oprimido, como diz Isaias (9,3). Não existe na Igreja discípulo que se estacione e monte seu reino à sua imagem e semelhança. A pregação tem a finalidade de iluminar os caminhos como rezamos no salmo 26: “O Senhor é minha Luz e Salvação”. Proclamar o Evangelho é a primeira caridade que podemos fazer, pois nasce do Espírito que conduzia Jesus. Como Jesus superou a tentação e por isso pode iniciar sua missão, assim cada discípulo deve converter-se para que seu anúncio seja credível. Não desprezar as populações de má fama, pois foi nesse mundo que Jesus iniciou. O Reino não foi feito para os perfeitos, mas para que os perfeitos o levem ao mundo das trevas e do sofrimento. O mundo do abandono é o reino do seguidor de Jesus.


Manter a unidade
            A união é realizada em Cristo. É necessário apresentar uma mensagem pura do Evangelho. Todos, com seus carismas e jeito de ser, compartilham na mesma missão sem divisões, como nos diz Paulo. Num mundo de tanta divisão, a unidade dos cristãos é um elemento fundamental para o anúncio do Evangelho. Papa Francisco prega urgência no testemunho. As divisões prejudicam o corpo da Igreja, pois Cristo não está retalhado. Podemos ser diferentes, mas unidos. A Eucaristia sempre une na caridade para o alegre anúncio que é o Evangelho.

Pe. Luiz Carlos, redentorista

Aniversário de Ordenação - Frei André e Frei Rozântimo

Dia 17 de Janeiro, sexta feira, às 19h30 

Missa em Ação de Graças

Aniversário de Ordenação de 
Frei André e Frei Rozântimo.

Festa do Batismo do Senhor/2014 - Mt 3,13-17 - 12/01/2014


A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo de Natal. Saindo do âmbito da infância, mostra Jesus na véspera de sua vida pública.

A voz de Deus que acompanha o dom do Espírito Santo a Jesus proclama-o “filho amado” de Deus, no qual Deus se compraz: o beneplácito de Deus repousa nele. Ele é quem executará o projeto do Pai. Por isso é chamado de “filho”, termo que pode ser aplicado a todo justo, mas no caso de Jesus, de maneira única (por isso, o evangelista João o chama de“[filho unigênito”).

A 1ª leitura apresenta o “servo” de Deus que animou o povo durante o exílio babilônico. Os profetas da escola isaiana lhe dedicaram quatro cânticos (Is 42,1-7; 49,1-6; 50,4-9; 52,13—53,2). No primeiro cântico, lido hoje, ressoa a eleição desse predileto para levar aos povos e mesmo às “ilhas” (= os continentes) o verdadeiro conhecimento do Deus de misericórdia e fidelidade. Ele é aliança com os povos, luz das nações, para restaurar a paz e felicidade dos oprimidos. Ele é portador da quase trágica “eleição” do povo de Israel para, no desterro, ser testemunha do Deus verdadeiro no meio das nações.

O evangelho supõe a 1ª leitura, mas onde Is diz “servo”, o evangelho diz “filho”, o que se deve à influência de outros textos (p.ex., Sl 2,7), como também à evolução na percepção da relação de Jesus com o Pai. Aliás, no mundo grego um dos termos para dizer servo pode também significar “filho”.

No ano A, o evangelho é tomado de Mt, que diverge dos paralelos sinóticos (Mc e Lc) pelo fato de a voz ser dirigida não a Jesus, mas à multidão, e pelo pedido de João Batista para ser batizado por Jesus, em vez do contrário. De fato, Jesus é mais importante que o Batista, mas ele quer “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), isto é, a vontade de Deus. O que reforça ainda o peso de ele ser proclamado “filho” de Deus. E essa justiça é precisamente a solidariedade com o povo que procura o batismo para, em espírito de conversão, preparar-se para o Reino de Deus.

A 2ª leitura é outro texto-chave do N.T.: o “querigma” ou anúncio proclamado por Pedro para os companheiros pagãos do centurião Cornélio, em At 10. Com um toque de universalidade, Pedro anuncia a missão de Jesus como Messias e Filho de Deus, a partir de seu batismo por João.

Esta liturgia nos faz ver, no homem de Nazaré, o Servo e Filho de Deus, enviado para aliviar a opressão de seu povo e testemunhar a graça de Deus para todos. Filho amado de Deus, luz para todos, sob este augúrio inicia-se a atividade pública de Jesus.

Mas a liturgia menciona também nosso próprio batismo (oração do dia I) e nossa filiação divina (oração final). De fato, se a comunidade cristã assumiu o sinal do batismo é por querer unir-se a Jesus, que, neste sinal, assumiu a vontade de Deus e sua missão. Participamos da missão do Servo e Filho amado. Também nós somos qualificados como filhos, embora, com a graça de Deus, ainda devamos “tomar-nos plenamente o que somos chamados a ser” (oração final).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Epifania do Senhor - 05/01/2014 – Mt 2, 1-12

Deus se manifesta aos povos.

Celebramos a Epifania, isto é, a Manifestação do Senhor. Deus se comunicou enviando a nós Seu Filho. Não foi só uma conversa. A Humanidade recebeu um grande dom: participar da Natureza Divina, como o Filho de Deus participa da Humanidade.

Esta festa é celebrada em quatro momentos: Natal, Magos (Epifania), Batismo de Jesus e bodas de Caná. Na celebração de hoje lembramos a revelação do segredo: “Todos os povos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo” (Ef 3,2-6).

O Evangelho é para todos, não é exclusivo de um povo nem de uma cultura. O profeta Isaias anunciou um futuro grandioso para Jerusalém. Ela é um símbolo do Reino para o qual os povos se encaminham (Is 60, 1-6). A vinda dos Magos a Belém é o cumprimento da abertura do Evangelho a todos. Rezamos: “Vós enviastes vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da Salvação” (Prefácio).   Fomos recriados na luz eterna de Sua Divindade.

Esta festa tem muitos símbolos: Os Magos seguem a estrela. Jesus é a estrela de Belém. Os Magos são um símbolo que manifesta o acolhimento de Jesus pelos povos. A fé deverá chegar a todos por mais diferentes que sejam. Encontramos aqui uma orientação: Respeito à diferença dos povos em suas culturas. Acolher as culturas e não fazer um cristianismo ligado a uma cultura especial. A evangelização deverá ir também ao encontro dos que se afastaram por ideologias ou por modelos de Igreja que se distanciam do Reino. Mas é preciso usar a simplicidade da Encarnação. Suas ofertas simbolizam o reconhecimento de Cristo como Deus (incenso), como Senhor (ouro) e como Homem das dores (mirra).

Um pecado que se repete

A história tem muito a ensinar. Se a Igreja se fechar e não partir para a missão universal, prejudicará a si e à evangelização. Pior é o desconhecimento das culturas e a imposição de modelos estrangeiros como único meio de transmissão da fé.

O modo de ser Igreja não é único, pois o Reino de Deus não se identifica com uma cultura particular. Jesus nasceu no povo judeu. Nós, mesmo tendo muitos elementos judaicos, não vivemos um cristianismo como o Antigo Testamento. Vivemos um modo de viver a fé formado na cultura romana. O que nos une é a fé e não as formas exteriores. É preciso não identificar o Reino com ideologias políticas, econômicas e sociais.

Encontramos também a rejeição da Palavra de Deus encarnada e anunciada. É um desafio para a evangelização. Herodes continua vivo a perseguir o Menino e matar os inocentes.

Coração de Rei Mago

A festa da Epifania nos ensina como iluminar todos os povos. Os Magos buscavam a Verdade, simbolizada pela estrela que os orientou até Cristo.

Para buscar Jesus, é preciso saber ler os sinais. Quem é fiel à própria consciência e procura Deus, encontra Jesus. Os Magos sentiram a alegria da fé e abriram seus tesouros, isto é, puseram sua vida a serviço dos irmãos.

Contudo, souberam agir a prudência da serpente que não se deixa envolver. Eles voltaram por outro caminho, isto é, souberam fazer um caminho novo que é o caminho do Evangelho. Para os que conhecem a Palavra de Deus e não praticam são como os doutores que sabiam onde ia nascer Jesus e não foram até lá.

Povos novos estão encontrando Jesus enquanto os filhos mais velhos estão se afastando. Ele nasceu para todos. A festa de hoje abre nosso coração para a coerência da fé numa evangelização consistente. Procuremos por todos os meios buscar o Menino e anunciá-Lo

Deus veio para todos. Por isso nossa missão é levar a todos sua Palavra e implantar o seu Reino.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira
padreluizcarlos.wordpress.com