Festa do Batismo do Senhor/2014 - Mt 3,13-17 - 12/01/2014


A festa do Batismo de Jesus encerra o tempo de Natal. Saindo do âmbito da infância, mostra Jesus na véspera de sua vida pública.

A voz de Deus que acompanha o dom do Espírito Santo a Jesus proclama-o “filho amado” de Deus, no qual Deus se compraz: o beneplácito de Deus repousa nele. Ele é quem executará o projeto do Pai. Por isso é chamado de “filho”, termo que pode ser aplicado a todo justo, mas no caso de Jesus, de maneira única (por isso, o evangelista João o chama de“[filho unigênito”).

A 1ª leitura apresenta o “servo” de Deus que animou o povo durante o exílio babilônico. Os profetas da escola isaiana lhe dedicaram quatro cânticos (Is 42,1-7; 49,1-6; 50,4-9; 52,13—53,2). No primeiro cântico, lido hoje, ressoa a eleição desse predileto para levar aos povos e mesmo às “ilhas” (= os continentes) o verdadeiro conhecimento do Deus de misericórdia e fidelidade. Ele é aliança com os povos, luz das nações, para restaurar a paz e felicidade dos oprimidos. Ele é portador da quase trágica “eleição” do povo de Israel para, no desterro, ser testemunha do Deus verdadeiro no meio das nações.

O evangelho supõe a 1ª leitura, mas onde Is diz “servo”, o evangelho diz “filho”, o que se deve à influência de outros textos (p.ex., Sl 2,7), como também à evolução na percepção da relação de Jesus com o Pai. Aliás, no mundo grego um dos termos para dizer servo pode também significar “filho”.

No ano A, o evangelho é tomado de Mt, que diverge dos paralelos sinóticos (Mc e Lc) pelo fato de a voz ser dirigida não a Jesus, mas à multidão, e pelo pedido de João Batista para ser batizado por Jesus, em vez do contrário. De fato, Jesus é mais importante que o Batista, mas ele quer “cumprir toda a justiça” (Mt 3,15), isto é, a vontade de Deus. O que reforça ainda o peso de ele ser proclamado “filho” de Deus. E essa justiça é precisamente a solidariedade com o povo que procura o batismo para, em espírito de conversão, preparar-se para o Reino de Deus.

A 2ª leitura é outro texto-chave do N.T.: o “querigma” ou anúncio proclamado por Pedro para os companheiros pagãos do centurião Cornélio, em At 10. Com um toque de universalidade, Pedro anuncia a missão de Jesus como Messias e Filho de Deus, a partir de seu batismo por João.

Esta liturgia nos faz ver, no homem de Nazaré, o Servo e Filho de Deus, enviado para aliviar a opressão de seu povo e testemunhar a graça de Deus para todos. Filho amado de Deus, luz para todos, sob este augúrio inicia-se a atividade pública de Jesus.

Mas a liturgia menciona também nosso próprio batismo (oração do dia I) e nossa filiação divina (oração final). De fato, se a comunidade cristã assumiu o sinal do batismo é por querer unir-se a Jesus, que, neste sinal, assumiu a vontade de Deus e sua missão. Participamos da missão do Servo e Filho amado. Também nós somos qualificados como filhos, embora, com a graça de Deus, ainda devamos “tomar-nos plenamente o que somos chamados a ser” (oração final).

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

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