"Vigiai!" - 1° Domingo do Advento/2014 - Mc 13,33-37

Vinde trazer-nos a Salvação

Iniciamos o tempo do Advento. A palavra Advento significa vinda, chegada. Deus vem ao nosso encontro para oferecer a salvação, isto é, a vida plena. A liturgia continua a temática da vigilância.

Não se trata de ficar preocupado, mas ocupado com toda boa obra. Nosso presente está em tensão permanente para a conclusão de nosso tempo. O fato de não sabermos a data do fim, é um estímulo a vivermos bem o tempo todo. É como diz o Evangelho: “Vigiai, porque não sabeis quando o dono da casa chegará… para que não suceda que, vindo de repente, ele vos entre dormindo… O que vos digo, digo a todos; Vigiai!” (Mc 13,35-37). A expectativa não bloqueia a vida, mas a enriquece. O tempo que nos é dado é tempo de salvação.

A frágil condição humana é uma súplica para que Deus venha nos restaurar. Lemos: “Ah! se rompesses os céus e descesses” (Is 63,19b). Em seu sofrimento, mesmo tendo consciência de seu pecado, o povo clama a Deus, pois só Ele pode reparar esse mal: “Tu te irritastes, porque pecamos”… “Todos nós nos tornamos imundícies, e todas as nossas boas obras são como um pano sujo; murchamos como folhas e nossas maldades empurram-nos como o vento” (Is 64,4-5). Na profunda miséria clama por salvação e tem confiança: “Tu és nosso Pai, nosso redentor; eterno é teu nome” (Is 63,16b)… A confiança vem da certeza de sua benevolência: “Nunca se ouviu dizer… que um Deus, exceto Tu, tenha feito tanto pelos que Nele esperam” (Is 64,3). Deus cuida de nós como o oleiro de sua obra: “Somos barro; tu nosso oleiro, e nós todos, obras de tuas mãos” (7). A salvação só acontecerá se voltamos aos caminhos certos: “É nos caminhos de outrora que seremos salvos” (4). As más escolhas só se reparam com escolhas melhores.

Ricos em tudo

A liturgia nos ensina o sentido da vigilância a partir do que Deus nos oferece. A vida cristã não é tanto a conquista das riquezas de Deus, mas o acolhimento dos preciosos dons que oferece.

São maiores que nossa capacidade de vivê-los. Paulo lembra aos coríntios: “Dou graças a Deus a vosso respeito, por causa da graça que vos concedeu em Cristo” (1Cor 1,4). Esta graça é a palavra, o conhecimento e o testemunho de Cristo. E continua: “Não vos falta nenhum dom, vós que aguardais a revelação de Nosso Senhor. Ele também vos dará a perseverança em vosso procedimento irrepreensível” (1Cor 1,5.7-8).

A vigilância é viver intensamente o que recebemos. O momento final não é assustador. Éa hora da recompensa por termos participados da vida de Cristo e andado como Ele andou (1Jo 2,6). Participamos de seus sofrimentos, como disse aos discípulos: “Vós sois os que permanecestes comigo em minhas tentações; também Eu disponho para vós o Reino, como o meu Pai o dispôs para mim” (Lc 22,28-29).

Ele vem na fragilidade

É tempo de correr com as boas obras ao encontro de Cristo que vem (oração). Rezamos: “Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar desde agora o que é do Céu e, caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. Aprendemos a vigilância e nos preparamos para o Natal que vem. É uma vigilância ativa e não medrosa. Somos frágeis. Mas encontramos em Cristo não um Juiz perigoso, mas uma terna criança. Podemos dizer que é um poderoso Senhor com a simplicidade do pastor e o coração de uma criança. Frágeis mas fortes em Cristo.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira, CSSR

VIVA CRISTO REI! 23/11/2014

http://franciscanos.org.br/?p=73057
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(fonte: www.franciscanos.org.br)

Parábola dos Talentos - 16/11/2014 - Mt 25,14-30

Trecho de uma audiência de 2013, na qual o Papa Francisco fala a respeito da Parábola dos Talentos e o que representa para nós, cristãos.

"...
A segunda parábola, dos talentos, faz-nos meditar sobre a relação entre o modo como usamos os dons recebidos de Deus e a sua vinda, quando nos perguntará como os utilizámos (cf. Mt 25, 14-30).

Conhecemos bem a parábola: antes de partir, o senhor confia a cada servo alguns talentos, a fim de que sejam usados bem durante a sua ausência. Ao primeiro dá cinco, ao segundo dois e ao terceiro um. No período de ausência, os primeiros dois servos multiplicam os seus talentos — trata-se de moedas antigas — enquanto o terceiro prefere enterrar o seu talento e restituí-lo intacto ao senhor.

Quando regressa, o senhor julga a acção deles: elogia os primeiros dois, enquanto o terceiro é expulso para as trevas, porque teve medo e manteve escondido o talento, fechando-se em si mesmo. O cristão que se fecha em si próprio, que esconde tudo o que o Senhor lhe deu é um cristão... não é cristão! É um cristão que não dá graças a Deus por tudo o que recebeu! Isto diz-nos que a espera da volta do Senhor é o tempo da ação — nós vivemos no tempo da ação — o tempo no qual frutificar os dons de Deus, não para nós mesmos mas para Ele, para a Igreja, para os outros, o tempo no qual procurar fazer crescer sempre o bem no mundo. E em particular, nesta época de crise, hoje é importante não nos fecharmos em nós mesmos, enterrando o nosso talento, as nossas riquezas espirituais, intelectuais e materiais, tudo o que o Senhor nos concedeu, mas abrir-nos, ser solidários e atentos ao próximo.

Vi que na praça há muitos jovens: é verdade? Há muitos jovens? Onde estão? A vós, que estais no início do caminho da vida, pergunto: pensastes nos talentos que Deus vos concedeu? Pensastes no modo como Não enterrai os talentos! Apostai em ideais grandes, nos ideais que ampliam o coração, nos ideais de serviço que fecundarão os vossos talentos. A vida não nos é concedida para que a conservemos ciosamente para nós mesmos, mas para que a doemos. Caros jovens, tende uma alma grande! Não tenhais medo de sonhar coisas grandes!..."

Papa Francisco
Vaticano, Praça de São Pedro, Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Festa da Dedicação da Basílica de Latrão - 09 de novembro de 2014



A Basílica do Latrão é a catedral do Papa Francisco. Na sua origem antiga está a doação do Imperador Constantino ao Papa São Silvestre I. A Liturgia de hoje recorda-nos que o templo é um lugar sagrado onde ressoa a Palavra de Deus, mas, ao mesmo tempo, recorda-nos que Deus escolhe o coração humano como seu templo preferido: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito Santo habita em vós?” (1Co 3,16).

Ez 47,1-2.8-9.12 – O Profeta Ezequiel anuncia ao Povo exilado, que Deus vai reconstruir o templo destruído e dele brotará uma água viva e purificadora de toda a imundície humana. Em linguagem mística e simbólica, anuncia a obra redentora de Jesus.
1Co 3,9-11.16-17 – A Igreja é a construção de Deus, mas o fundamento sólido é Jesus Cristo; sobre este fundamente cada um de nós constrói o próprio templo. A pessoa humana é o templo vivo e preferido de Deus!
Jo 2,13-22 – Jesus purifica o Templo de Deus que estava em Jerusalém; fora profanado e transformado em casa de negócios! Daquele momento em diante, o “Templo de Deus” é Jesus Cristo mesmo! Nele é que o Pai habita e nele se realiza a salvação de todo o universo.

 Deus não recusa ou condena a igreja material, mas deixa claro que o seu templo preferido é Jesus Cristo e o coração humano onde habita o Espírito Santo. Deus não procura igrejas, mas templos vivos onde Ele possa ser adorado em espírito e verdade! Por isso, nossa Pastoral deve voltar-se, com preferência, às pessoas e não aos edifícios (igrejas). Deus é grande e não cabe numa igreja, mas quer e prefere habitar no coração humano, templo vivo de Deus vivo! Diz São Paulo: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós?”
• Deus mora na Comunidade que se reúne em nome e no espírito de Jesus: “Eis aqui o “tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21,3). Portanto, uma comunidade que se reúne em nome e no espírito de Jesus, é transformada em Templo vivo de Deus. Ele mora na comunidade reunida! Mais que entrar na igreja, precisamos estar unidos como uma Comunidade que se ama e se auxilia!
• O Templo de Jerusalém era o lugar sagrado; lá Deus ouvia as orações do povo e recebia os sacrifícios necessários para a purificação. Agora, o lugar sagrado para a oração e para o sacrifício, é o corpo de Jesus. Jesus é o templo vivo de Deus vivo: “Destruí este templo, e em três dias o levantarei!”. Jesus seria morto pelos judeus, mas após três dias Ele se levantaria, vivo, da sepultura!
• A igreja – templo material – merece respeito por ser Templo do Senhor. Não pode ser lugar de diversão, de negócios, de conversas (fofocas), mas lugar de oração. Igual respeito merece a pessoa humana, pois, ela também é templo vivo de Deus e nela mora o Espírito Santo. Não se pode profanar o templo vivo de Deus com violência, com bebedeiras e com prostituição: “Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!”

“Santificai, Senhor, a vossa Igreja!”

Frei João Carlos Romanini, OFMCap