Não perdereis um só fio de cabelo de vossa cabeça... (Lc 21,19) - 13/11/2016

Ao longo de todo este ano da vida da Igreja que está para terminar tivemos a companhia do evangelista Lucas e fomos formados pelas páginas de seu escrito. Neste domingo, o terceiro evangelista coloca diante de nossos olhos a temática dos últimos tempos, dos tempos derradeiros do mundo e também de cada um de nós. Escritas em estilo apocalíptico, estas páginas são extremamente difíceis de serem interpretadas.

Pessoas que acompanhavam Jesus exprimiram sua admiração pela beleza do templo. “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Os ouvintes querem saber quando tal se dará. Jesus não data nem hora. Dá a entender, isto sim, que é preciso perseverar no meio das contradições.

A vida da comunidade cristã e de cada discípulo é provada, experimentada, submetida a crises de toda sorte. O caminho dos seguimento de Jesus exige audácia, coragem, força, revisões de vida, replanejamento. Há dias de tempestade, semanas de bonança e tempos de incertezas. Há uma porta estreita a ser ultrapassada.

Há essas crises pessoais, normais que acontecem na vida de todos e também no campo da fé. Houve os começos de enamoramento do Senhor vividos, quem sabe, com muita confiança e sabor. Depois se instalou a rotina, a mesmice e dúvidas não tanto intelectuais, mas existenciais foram espocando. Não conseguimos mais ver a “beleza do templo”. Vemos em nossos tempos tantos que, devido a uma precária catequese, foram deixando a prática da fé e começaram a se dar conta da insignificância ou mesmo fragilidade da fé e da Igreja. Há destruições dentro de nós. Há paredes que caem. Há uma diminuição da presença de fiéis nas missas dominicais. Talvez não exista uma rejeição expressa mas nota-se uma indiferença não confessada para com as coisas da fé. Há forte diminuição de candidatos para a vida consagrada.

Há esse mundo todo de tantas coisas belas e grandes, mas também de tantas misérias. Tantos anos de cristianismo e não conseguimos reverter situações de violência, crueldade, pisoteio dos mais fracos. Catástrofes com tintas apocalípticas e terroristas. Não fica pedra sobre pedra. A terra se exaure, as águas secam, as chuvas matam, a seca esteriliza, o pai abusa da filha, há casamentos “legalizados” de uma mulher com dois maridos na mesma casa. E os discípulos de Cristo se sentem perplexos. Parece que não fica pedra sobre pedra.

Um mundo novo pode estar se desenhando no horizonte. Há coisas sendo gestadas em todos os campos: na família, na paróquia, na escola, na educação, na transmissão da fé aos filhos, na aproximação das religiões. Preciso será dar tempo ao tempo.

Será fundamental dar com coragem testemunho de fé. Não uma fé expressa com palavras que ninguém entende, mas dita de tal forma que as pessoas sintam a solidez de nosso projeto de vida. “Essa será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa, porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir e rebater”.

Será perseverando pacientemente que, nos desafios da vida, os discípulos ganharão a vida. José A. Pagola assim descreve com toda propriedade a paciência: “A paciência de que fala o Evangelho não é propriamente uma virtude dos homens forte e aguerridos. É antes atitude serena de quem crê num Deus paciente e forte que alenta e conduz a história, às vezes tão incompreensível para nós, com ternura e amor compassivo. A pessoa animada por esta esperança não se deixa perturbar pelas tribulações e crises dos tempos. Mantém o ânimo sereno e confiante. Seu segredo é a paciência fiel de Deus que, apesar de tanta injustiça absurda e tanta contradição, continua sua obra até cumprir suas promessas (…). A pessoa paciente não se irrita nem se deixa deprimir pela tristeza. Contempla a vida com respeito e mesmo com simpatia. Deixa os outros serem, não antecipa o julgamento de Deus, não pretende impor sua própria justiça” (Pagola, Lucas, p. 331).

“É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!”

O que vem a ser dar um testemunho de fé?

• Fidelidade renovada a cada dia: renovação do morrer e renascer para Deus. Experimentar esse paradoxo de morte e vida.
• Nutrir uma consciência delicada e alimentar uma amizade pessoal para com o Senhor. Coração contrito e buscar a intimidade com o Senhor
• Não se isolar. Viver a vida junto com a força de outras pessoas.
• Sempre que possível, sem aparatos externos, colocar-se contra toda forma de injustiça. Experimentar a fraternidade.
• Não se desesperar com incompreensões, falhas dos outros e nossas noites
interiores.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm
(www.franciscanos.org.br)

Nossa irmã, a morte corporal... Finados/2016

Francisco se deita nu na terra nua.

Novembro nos faz lembrar os irmãos e irmãs, parentes e amigos, que se foram, todos esses que ocuparam um lugar importante em nossa viagem através do tempo e largaram suas mãos de nossas mãos. Nem sempre conseguimos  encarar com serenidade a chegada desse final inevitável para todos, esse fantasma da morte. Temos uma ânsia incontrolada de vida e, de repente, vemos a vida interrompida. Por vezes é um irmão, um filho que sofre com a luta contra a morte. Todos nós temos que “enfrentar” o mistério da morte.

Francisco de Assis experimentou a alegria de viver, júbilo de percorrer os campos e prados da doce Assis.  Sempre teve profunda alegria de conviver com seus irmãos e com as irmãs que Deus lhe havia dado.

Sua morte torna-se uma experiência de comunidade. Assis, a cidade, quer que seu grande Irmão morra dentro de seus muros, protegido e guardado no palácio episcopal.  Teria uma morte controlada.

Francisco queria ter uma morte “pública”. As coisas se passam diferentemente em nossos tempos.  Hoje, as pessoas morrem “escondidamente”  em clínicas, ou em casa, ou até mesmo sem ninguém nas unidades de tratamento intensivo. Em muitos lugares não há mais a proximidade e a presença de familiares. As pessoas morrem assistidas por enfermeiros e cuidadores. A vida moderna não tem jeito de abordar a morte. Como o homem se sente incapaz de prolongar a vida prefere distanciar-se do fato. Há pessoas que não querem assistir a morte de ninguém nem ver o falecido. Basta um caixão e uma coroa de flores…

A morte do Poverello será um fato inesquecível para todos os que ali estavam presentes.  Há todo um cerimonial de morrer que respira esperança. Anteriormente, em seu Cântico das Criaturas, Francisco havia dado à morte o delicado nome de Irmã, Irmã Morte… Porque ela nos leva à terra dos vivos.

O Pai Francisco não quer morrer no isolamento do palácio episcopal. Quer passar os últimos momentos de sua vida em sua amada Porciúncula. Abençoa sua cidade. Envia uma mensagem de consolação às Irmãs de São Damião. Faz com que venha ter com ele sua amiga Jacoba de Settesoli, degusta ainda uma vez o doce de amêndoas que tanto apreciava. Quer ainda ouvir uma vez o Cântico do Irmão Sol. Fala de seus sentimentos e deixa que os frades exprimam o que se passa em seu interior.

Quando percebe que está chegando a sua hora, celebra com seus íntimos mais íntimos uma refeição imponente antes de  esperar nu na terra nua a “Irmã Morte”. O Poverello vive sua morte numa celebração pascal. Esse italiano da Úmbria cria um modo novo de morrer…

Francisco se deu conta que os irmãos estavam tristes. Pediu que lhe trouxessem um pão, abençoou e deu um pedacinho a cada um. Pediu também que lhe fosse trazido o códice dos evangelhos e que fosse lida a passagem que começa:  Antes da festa da Páscoa… Queria efetivamente recordar a Páscoa de Jesus e associar sua passagem com essa passagem… Toda a sua vida tinha transcorrido de passagem em passagem… E chegou a hora… Tendo sido realizado para com ele todos os mistérios de Cristo… Ele voou de maneira feliz para Deus.

Francisco não morre sozinho. Faz-se acompanhar dos seus íntimos mais íntimos. Há uma dor compartilhada e uma esperança vivenciada. A morte passa a ser um sinal de esperança para quem morre e para quem fica. Essa cultura hodierna de fazer a pessoa morrer sozinha, ou longe de seus entes queridos, na frieza de uma unidade de terapia intensiva priva ao que morre e aos que ficam dessa bela experiência de uma comunidade de fé.

Não posso me privar da alegria de  transcrever umas poucas linhas de  Fernando Felix Lopes  no seu  O Poverello. S. Francisco de Assis, com seu estilo todo português: “Daquele corpo em destroços, ali estendidos no chão, cresce e sobe a apagar-se na distância das Alturas, a melodia do salmo. E, subindo a voz, como se fora de um homem renascido na justiça original, voz de criança, argêntea e bela, abre nas trevas da noite esteira de tanta luz que arrasta consigo um bando de cotovias entontecidas por aquela madrugada nova”  (p. 493).

Assim morreu esse Francisco de Assis exalando um perfume de esperança…

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
(www.franciscanos.org.br)

"O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido" - Lucas 19,1-10 - 31/10/2016

O Evangelho nos apresenta a encantadora história de Zaqueu. Jesus chegou a Jericó. Não é a primeira vez que vai, e nesta ocasião, ao aproximar-se, também curou a um cego (v. Lc 18, 35 ss). Isto explica por que há tanta multidão esperando-o. Zaqueu, «chefe de publicanos e rico», para vê-lo melhor, sobe em uma árvore no caminho que as pessoas seguem (logo na entrada de Jericó há ainda um velho sicômoro que seria o de Zaqueu!). «Quando Jesus chegou àquele lugar, levantando os olhos lhe disse: Zaqueu, desce logo; porque convém que hoje eu fique em sua casa. Apressou-se a descer e lhe recebeu com alegria. Ao vê-lo, todos murmuravam dizendo: Foi hospedar-se na casa de um homem pecador.

O episódio serve para evidenciar, uma vez mais, a atenção de Jesus pelos humildes, os rejeitados e desprezados. Seus concidadãos desprezavam a Zaqueu porque praticava injustiças com o dinheiro e com o poder, e possivelmente também porque era pequeno de estatura; para eles, Zaqueu não é mais que «um pecador». Jesus ao contrário vai encontrar-lhe em sua casa; deixa à multidão de admiradores que lhe recebeu em Jericó e vai para casa só de Zaqueu.

Faz como o bom pastor, que deixa as noventa e nove ovelhas para buscar a que completa a centena, a que se perdeu.
Também a atuação e as palavras de Zaqueu contêm um ensinamento. Estão relacionadas com a atitude para com a riqueza e para com os pobres. Deste ponto de vista, o episódio de Zaqueu deve ser lido com o fundo das duas passagens que lhe precedem, a do rico e a do jovem rico.

O rico negava ao pobre até as migalhas que caiam de sua mesa; Zaqueu dá a metade de seus bens aos pobres; se usa de seus bens só para si e para seus amigos ricos que lhe podem corresponder; outro usa seus bens também para os demais, para os pobres. A atenção, como se vê, está no uso que se deve fazer das riquezas. As riquezas são iníquas quando se equiparam, subtraindo-as aos mais frágeis e empregando-as para o próprio luxo desenfreado; deixando de ser iníquas quando são fruto do próprio trabalho e se põem a serviço dos demais e da comunidade.

Confrontar o episódio do jovem rico é igualmente instrutivo. Ao jovem rico Jesus diz que venda tudo o que tem e dê aos pobres (Lc 18, 22); com Zaqueu, se contenta com sua promessa de dar aos pobres a metade de seus bens. Zaqueu, em outras palavras, continua sendo rico. A tarefa que realiza lhe permite seguir sendo rico inclusive depois de ter renunciado à metade de seus pertences.

Isto retifica uma falsa impressão que se pode ter de outras passagens do Evangelho. Não é a riqueza em si o que Jesus condena sem apelação, mas o uso iníquo dela. Existe salvação também para o rico! Zaqueu é a prova disto. Deus pode fazer o milagre de converter e salvar a um rico sem, necessariamente, reduzi-lo ao estado de pobreza. Uma esperança, esta, que Jesus não negou jamais e que inclusive alimentou, não desdenhando freqüentar, Ele, o pobre, também a casa de alguns ricos e chefes militares.

Certo: Ele jamais encontrou os ricos nem buscou seu favor suavizando, quando estava em sua companhia, as exigências de seu Evangelho. Completamente ao contrário! Zaqueu, antes de ouvir o que lhe foi dito: Hoje chegou a salvação a esta casa, teve que tomar uma valente decisão: dar aos pobres a metade de seu dinheiro e dos bens acumulados, reparar as fraudes cometidas em seu trabalho restituindo o quádruplo. O caso de Zaqueu se apresenta, assim, como o reflexo da conversão evangélica que é sempre e por sua vez conversão a Deus e aos irmãos.
Zaqueu de hoje sou eu, és tu a quem Jesus chama: Desce depressa... a salvação chegou em tua casa.

Padre Bantu Sayla (http://homiliadopebantu.blogspot.com.br/)

FESTA DE SÃO FRANCISCO/2016

Convide os amigos e traga a família. Desde as 12 até as 19 horas
Benção dos animais, Feira Ecológica, Missas e outras atividades.
Veja a programação na imagem. 


A riqueza que endurece - 25/09/2016 - Lc 16,19-31


Como no domingo anterior, ouvimos as censuras de Amós contra os ricos da Samaria, endurecidos no seu luxo (1ª leitura). Não se preocupam com o estado lamentável em que se encontra o povo. Jesus, no evangelho, descreve esse tipo de comportamento na inesquecível pintura do ricaço e seus irmãos, que vivem banqueteando-se e desprezando o pobre Lázaro, mendigo sentado à porta.

Quando morre e vai ao inferno, o rico vê, de longe, Lázaro no céu, com o pai Abraão e todos os justos.

Pede para que Lázaro venha com uma gota d’água aliviar sua sede. Mas é impossível. O rico não pode fazer mais nada, nem sequer consegue que Deus mande Lázaro avisar seus irmãos a respeito de seu erro.

Pois, diz Deus, nem mandando alguém dentre os mortos eles não acreditam. Imagine, se mesmo a mensagem de Jesus ressuscitado não encontra ouvido! Mas nós continuamos como o rico e seus irmãos.

Os pobres morrem às nossas portas, onde despejamos montes de comida inutilizada… (Alguma prefeitura talvez organize a distribuição das sobras dos restaurantes para os pobres.) Devemos criar uma nova estrutura da sociedade, de modo que não haja mais necessidade de mendigar, nem supérfluos a despejar.

Isso aliviará, ao mesmo tempo, o problema social e o problema ecológico, pois o meio ambiente não precisará mais acolher os nossos supérfluos. Mas, ao contrário, cada dia produzimos mais lixo e mais mendigos.

O exemplo do rico confirma a mensagem de domingo passado: não é possível servir a Deus e ao dinheiro.

Quem opta pelo dinheiro, afasta-se de Deus, de seu plano e de seus filhos. Talvez decisivamente.

Em teoria, aceitamos esta lição. Mas ficamos por demais no nível pessoal e interior. Procuramos ter a alma limpa do apego ao dinheiro e, se nem sempre o conseguimos, consideramos isso uma fraqueza que Deus há de perdoar.

Não fazemos a opção por Deus e pelos pobres em nível estrutural, ou seja, na organização de nossa sociedade, de nosso sistema comercial etc. Temos até raiva de quem quer mudar a ordem de nossa sociedade.

Prendemo-nos ao sistema que produz os milhões de lázaros às nossas portas. Pior para nós, que não teremos realizado a justiça, enquanto eles estarão na paz de Deus.

A “lição do pobre Lázaro” só produzirá seu efeito em nós, “cristãos de bem”, se metermos a mão na massa para mudar as estruturas econômicas, políticas e sociais de nossa sociedade.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

São Francisco e o mês da Bíblia

Clique na imagem para acessar o rico conteúdo sobre essa reflexão, no site dos Franciscanos.

http://www.franciscanos.org.br/?p=20556

Assunção de Nossa Senhora - 21 de agosto de 2016


Acesse o excelente conteúdo
do site dos Franciscanos,
sobre essa maravilhosa
realidade:
a Assunção de Maria,
clicando AQUI



(Fonte: www.franciscanos.org.br)

Jesus é sinal de contradição - 14/08/2016 - Lc 12, 49-53 - Dia dos Pais

Reflexão de Frei Gustavo Medella, OFM




Oração pelos pais – Dia dos Pais/2016

Venho hoje a ti Senhor pedir que estenda tuas mãos divinas sobre todos os pais, abençoando-os.
Abençoa Senhor, o pai amigo e companheiro.
O pai sempre presente, que oferece colo e estende a mão, mas também o pai ausente, colocando todo teu amor sem seu coração.
Abençoa, Senhor, o pai que hoje recebe o abraço dos filhos e o pai que chora a ausência do filho que partiu para teus braços.
Dai a este o consolo da mansa saudade e enxuga, com teu divino manto, as lágrimas que vertem de seus olhos.
Estenda, Senhor, tuas mãos de amor sobre todos os pais, concedendo a eles os dons da paciência, compreensão, tranquilidade, ternura, justiça, Fé na vida e em seus filhos e amor, muito amor.
E aos filhos, cujos pais estão junto a ti, dai a fé e o entendimento de que os pais nunca vão embora. Eles apenas mudam de lugar.
Amém                                             

Dia do Padre - 04 agosto de 2016

 Não! Ele não é um funcionário do sagrado, alguém que é profissional em colocar ritos na missa, nos batizados e nas bênçãos. 

 

Ele foi chamado para ser Cristo vivo no meio do povo. É um outro Cristo. É carne de nossa carne, mas age na pessoa de Cristo. 

 

É filho de gente que conhecemos, mas foi chamado a viver uma trama de vida que se mistura e se confunde com a vida de Jesus. Está perto dos que lhe foram confiados.

 

Presta atenção na formação do coração dos discípulos. Cuida que os sacramentos, sinais da presença do Amado, sejam recebidos com plena consciência. 

 

Vive uma profunda intimidade com o Senhor. Rezando os salmos, lendo as Escrituras vai criando uma grande confiança e intimidade com o Senhor. 

 

Reúne, é o homem da reunião. 

 

Vai dando a sua vida pelos seus. 

Frei Almir Ribeiro Guimarães, ofm

O PERDÃO DE ASSIS - 02 de agosto de 2016

Clicando na imagem abaixo, você poderá acessar o rico conteúdo preparado pelo site "Franciscanos" para essa magnífica festa, que nos coloca em contato direto com o coração da experiência de Francisco de Assis.

Neste Santuário, a celebração será no dia 02 de agosto próximo, Terça Feira, às 18h30.


http://www.franciscanos.org.br/?p=113089

"Pedi e recebereis..." - Lc 11,1-13 - 24/07/2016

Assista ao excelente vídeo produzido pela TV Franciscanos, com Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM, sobre o evangelho desta data.




Marta e Maria: dualismo ou complemento? (Lc 10,38-42) - 17 julho 2016

Ir. Mercedes Lopes, MJC
Adital

Somente três personagens aparecem neste curto texto de Lc 10,38-42: Jesus, Marta e Maria. Jesus visita as duas irmãs, escuta, questiona Marta, acolhe a postura de Maria. Marta é a anfitriã, a dona de casa, preocupada em oferecer um delicioso almoço a Jesus. Com esta preocupação, ela recebe Jesus e vai continuar seu trabalho, sem curtir a visita amiga. Maria não fica preocupada com a casa. Não é solidária com a irmã no serviço. Quer somente estar com Jesus. Sentada aos seus pés, escuta-o atentamente. Ela escolhe algo inédito para as mulheres de sua época. Torna-se discípula! (8,38; 10,39; At 22,3). Com qual desses três personagens nos identificamos mais?

SITUANDO

Esta narrativa sobre a visita de Jesus à Marta e Maria é própria de Lucas. O evangelista situa este texto em seguida à parábola do samaritano (Lc 10,29-37). Lucas deve ter um bom motivo para isso. Um dos motivos de ligação entre esta narrativa e a parábola do samaritano é que Jesus se faz próximo. Entra na casa de Marta, conversa, come junto com as duas Irmãs. Ele se aproxima de duas mulheres, que, como as outras judias da sua época, eram consideradas impuras. Mas, também podemos supor que Lucas tenha feito outra relação entre a parábola do samaritano e a narrativa de Marta e Maria. O texto informa que "Jesus entrou num povoado e certa mulher, chamada Marta o recebeu em sua casa" (10,38). Diante das críticas e da crescente oposição a Jesus, narrada no capítulo seguinte (11,14-54), a acolhida prestativa de Marta e a escuta amorosa de Maria podem ser também uma resposta bem concreta à pergunta do legista: "Mestre, que farei para herdar a vida eterna?" (10,25).

Situar o texto de Marta e Maria no contexto das comunidades helenistas também ajuda na sua interpretação. Nessas comunidades havia um conflito entre cristãos vindos do judaísmo e os gentios, considerados de origem pagã. Estes últimos eram tidos como impuros, porque não receberam a circuncisão e não praticavam os costumes judeus sobre a pureza. Por isso, nas comunidades cristãs, comer junto com eles foi motivo de muito conflito (At 11,2). A Boa Nova deste texto é que Jesus entra na casa de Marta e Maria e come com elas. Elas eram judias, mas eram consideradas impuras por serem mulheres. Transparece no texto muita amizade e confiança entre eles, pois Marta chega a fazer reclamações triviais em relação à falta de solidariedade de sua irmã Maria (10,40).

COMENTANDO

1 - O que é mais importante: a oração ou a missão?

A tradição cristã encontrou neste texto uma amostra de dois modelos de seguimento de Jesus, considerando um superior ao outro por causa da palavra de Jesus: "Maria escolheu a melhor parte" (10,42b). Assim, acham que Marta representa um seguimento de Jesus focado no trabalho, na intensa atividade missionária ou apostólica. Maria representa um seguimento focado na escuta, na oração, na contemplação. Mas, este dualismo é falso. Ninguém pode ser somente missionário, nem somente contemplativo. Cada pessoa que deseja seguir Jesus precisa ser ao mesmo tempo missionária contemplativa, ou contemplativa missionária. Por isso, volto ao texto, para comentá-lo:

Lc 10,38 - Marta recebe Jesus em sua casa

Jesus está a caminho e entra num povoado. Não sabemos se ele está sozinho ou acompanhado dos discípulos. Esta pergunta fica no ar. O que importa para o evangelista, ou para as comunidades de Lucas é a acolhida de Marta: ela "o recebeu em sua casa". Na pessoa de Jesus de Nazaré, Marta recebe a visita de Deus (Lc 1,68.78; 7,16; 19,44)

10,39 - Maria é discípula de Jesus

Maria é livre em relação ao papel tradicional da mulher. Ela não está preocupada com o que pensam ou dizem. Assume, como mulher, uma nova postura diante da religião e dos padrões culturais da sua época. Ela "ficou sentada aos pés de Jesus, escutando sua palavra" (10,39). Esta era uma expressão ou postura para indicar uma atitude de discípulo/a (At 22,3).

10,40 - Qual é mesmo o papel das mulheres nas comunidades cristãs?

Ocupada e cansada, agitada com muitos serviços, Marta tenta envolver Jesus em um problema doméstico de falta de participação de Maria no serviço da casa. Será que o questionamento de Marta tem a ver com tarefas caseiras ou por trás de sua frase tem um significado escondido? Marta pode estar expressando a opinião de alguns círculos cristãos, que pretendiam limitar a função das mulheres aos serviços privados e internos nas comunidades cristãs. Não por acaso, se recorrermos ao original grego, encontraremos Marta "ocupada com muita diaconia".

10,41-42 - Maria escolheu a melhor parte

Jesus escuta Marta, entende seu cansaço, e tenta ajudá-la a encontrar um sentido maior, mais amplo para sua vida, para o discipulado das mulheres. "Marta, Marta, tu te preocupas e agitas por muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria, pois, escolheu a melhor parte e esta não lhe será retirada". Jesus passa do assunto da comida para o sentido da vida. Maria escolheu a apaixonante aventura de viver na intimidade dele, para entregar-se totalmente ao seu projeto. Sua escolha é confirmada por Jesus: "e esta não lhe será retirada" (10,42).

ALARGANDO

Jesus e as mulheres do seu tempo

De um modo geral, as mulheres que se aproximaram de Jesus pertenciam ao escalão mais baixo da sociedade do seu tempo. Muitas delas eram doentes e foram curadas por ele. Provavelmente eram mulheres que não tinham vínculo com nenhum homem: eram viúvas indefesas; esposas repudiadas; mulheres sozinhas, sem recursos e difamadas. Havia também prostitutas, que eram consideradas fonte de impureza e de contaminação. E Jesus acolhia a todas com o mesmo respeito e dignidade. Elas sentavam-se entre os pecadores e indesejados para comer junto com Jesus. Embora a comunidade dos essênios não aceitasse mulheres em sua "mesa santa" e nem os fariseus as aceitassem na sua "mesa pura", porque observavam a lei da pureza ritual criada pelos sacerdotes.

Esta comida de Jesus junto com as mulheres, os pecadores e os indesejados era precisamente um símbolo e uma antecipação do Reino de Deus. Esta comunhão de mesa com pessoas consideradas impuras mostrava como os "últimos" do povo santo e as últimas da sociedade patriarcal são os "primeiros" e as "primeiras" a entrar no Reino de Deus. Mas, essa presença das mulheres à mesa com Jesus era um escândalo para as boas famílias. Jesus não se intimida. Ele as acolhe com o amor compreensivo do seu Abbá. Jesus aproxima-se delas sem medo e as trata abertamente, sem deixar-se condicionar por nenhum preconceito. Certamente, as mulheres que seguiram o movimento de Jesus pelos caminhos da Galileia viam nele uma alternativa para uma vida mais digna.

O jeito especial de Jesus olhar para todas as mulheres, a partir da sua intimidade com seu Abbá e da sua visão do Reino de Deus, lhe dá criatividade e autoridade para mudar as situações de opressão e dominação aparentemente sem saídas. E Jesus o faz de maneira nova, diferente, inesperada. O texto de Marta e Maria desperta a memória da tradição de Jesus. Ao escrever este texto, Lucas está apontando para esta Boa Nova que já estava sendo um pouco esquecida no tempo em que ele escreveu seu evangelho: por volta do ano 85 d.C.
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Ir. Mercedes Lopes, MJC
Licenciatura em Teologia e Bíblia pela Universidade Bíblica Latino Americana (1995), mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2004) e doutorado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2007). Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Pesquisa Bíblica

A Exigente liberdade cristã - 26/06/2016 - Lc 9,51-62

Há algumas semanas  a liturgia dominical vêm apresentando a Carta de Paulo aos Gálatas, o documento mor da “liberdade cristã”. Será que se entende por liberdade a mesma coisa que pensam as pessoas hoje, sobretudo os jovens (veja a propaganda de carros e jeans …). Que é liberdade para o cristão?

No evangelho de hoje, Cristo nos diz que seus seguidores devem largar tudo que os atrapalha para o seguir: coisas materiais, apegos afetivos … Paulo, na 2ª leitura, nos diz que fomos libertos por Cristo para vivermos na liberdade. Mas como combina essa “liberdade” com a severa exigência pronunciada no evangelho?

A liberdade cristã é “liberdade de” e “liberdade para”.

“Liberdade de” outros sistemas, valores, apegos. Liberdade de outros mestres e senhores a não ser Cristo. Não é libertinagem, pois libertinagem não é liberdade e sim escravidão de veleidades, instintos, vícios, orgulho, autossuficiência.

Muitos que se dizem livres são na realidade escravos de si mesmos, do seu egoísmo, de algum poder escuso – um grupo, uma pessoa que os tem em seu poder sem que o reconheçam. O cristão é livre na medida em que pertence a Jesus como a seu único Senhor, e a Deus, Pai de Jesus e de todos.

O cristão é “livre para” o que Cristo deseja: a dedicação ao irmão, o próximo. Livre para a corajosa transformação da exploração em fraternidade; para a verdade que afugenta a mentira; para tudo o que o Espírito de Deus nos inspira, os frutos do Espírito: caridade, alegria, paz (cf.GI5,22).

E para isso, ele cumprirá a “lei única”, que contém tudo o mais que é preciso observar: amar o próximo como a si mesmo (ou seja, como se se tratasse de si mesmo). Na mesma carta, Paulo chega a dizer que a liberdade consiste em tornarmo-nos escravos de nossos irmãos …  (Gl5,13).

Paulo escreveu essa carta numa situação muito específica. Como ele era judeu, os pagãos da Galácia (Turquia), recém-convertidos a Cristo, pensavam que, para ser como Paulo, eles deviam tornar-se judeus, com circuncisão e tudo.

Alguns pregadores judeus lhes botaram isso na cabeça. Paulo reage contra isso com veemência, explicando que não foi esse o evangelho que ele tinha anunciado. O sistema da lei judaica está agora superado, e não é preciso ser judeu para ter acesso ao povo de Deus, refundado por Jesus de Nazaré.

No nosso contexto histórico hoje, que significa essa liberdade apregoada por Paulo? Exige a derrubada de sistemas e estruturas que impedem as pessoas de realizar a fraternidade que Deus espera e que Jesus veio inaugurar.

Liberdade cristã significa liberdade em relação ao sistema de exploração que nos quer dominar. Significa dizer “não” ao sistema alienante e explorador – sustentado inclusive por formas alienantes de religião – e colocarmo-nos a serviço de um novo sistema, que promova a justiça e a vida. Pois liberdade não é andar solto; é comprometer-se com o apelo de Deus e de nossa consciência.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)

Acreditar na Palavra - Lc 7, 1-10 - 29/05/2016

Neste 9.º domingo do tempo comum, o Evangelho apresenta-nos a figura de um centurião romano que se dirige a Jesus para que salve o seu servo, que estava muito doente.

É impressionante este relato em que o centurião, amigo dos judeus pois até lhes construiu a sinagoga, pede a alguns anciãos dos judeus para interceder junto de Jesus pela cura do servo a quem muito estimava. E quando Jesus se dirige para a sua casa, manda alguns amigos dizer para não entrar, pois basta-lhe a sua palavra para que aconteça a cura.

Temos aqui uma relação muito estreita e concreta entre a fé e a palavra de Jesus, que se enche de admiração pela fé deste homem a ponto de dizer que nem em Israel encontrou tão grande fé. E tudo na infinita misericórdia e compaixão de Jesus para com o servo e o seu senhor. Este centurião, homem de grande fé, para mais estrangeiro à raça de Israel e aos seus cultos, aponta-nos o sentido da nossa fé, sempre em profunda intimidade com a Palavra e na atenção dedicada a quem precisa do nosso amor.

«Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo»: são as palavras do centurião que dizemos antes de comungarmos em cada Eucaristia que celebramos. É profundamente eucarístico este encontro entre o centurião que acredita sem mais em Jesus, sem o ver, e a palavra de Jesus, proclamada também sem ver o centurião. A Eucaristia, celebrada, adora e quotidianamente vivida, não é mais do que um encontro como este.

Às vezes pergunto-me se nós, cristãos de hoje, que andamos enfarinhados nas coisas de Deus, nas liturgias bem aprumadas e em longas orações, assumimos a causa de Deus na liturgia quotidiana da nossa vida. Pergunto-me se basta a Palavra para a fé, ou ainda procuramos outros sinais que podem parecer importantes mas não essenciais.
Pergunto-me se andamos no único Evangelho que conta, o de Jesus Cristo, ou navegamos noutros evangelhos; assim nos provoca Paulo na segunda leitura. Pergunto-me se habitamos e conhecemos o nome de Deus e lhe oramos com plena escuta do nosso ser ou entretemo-nos com outros nomes e repetidas orações que apenas passam pelo ouvido; assim nos interpela a primeira leitura.

Toda a liturgia deste domingo nos coloca nesta centralidade em Jesus que a todos se dá, sem exceção e sem olhar a quem, exigindo a adesão plena à sua Pessoa a quem o quiser seguir como discípulo missionário. Uma adesão de fé centrada no amor misericordioso de Deus em Jesus Cristo, que há três dias celebrámos na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo e que na próxima semana vamos intensamente viver na Solenidade do Sagrado Coração.


Pe. Joaquim Garrido, Pe. Manuel Barbosa, Pe. José Ornelas Carvalho
Província Portuguesa dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos)

Domingo da Santíssima Trindade/2016

Domingo da Santíssima Trindade. Reflexão de Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM
O vídeo pode ser ampliado.


01 de maio - Dia do Trabalhador - Dia de São José Operário

São José Operário

Cardeal Orani Tempesta
No dia 1º de maio, Dia de São José Operário, comemoramos o Dia do Trabalhador. São João Paulo II, em sua encíclica sobre o trabalho humano — Laborem exercens —, recordou com muita clareza que a Igreja é a favor da luta pela justiça. Com efeito, pregando o respeito pelos direitos humanos, a Igreja não pode deixar de se engajar, a seu modo, repudiando os métodos violentos, numa luta pela justiça. Assim faz a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB –, assim cada batizado é chamado a fazer. E é o que cada um é chamado a fazer em nome do Evangelho de Jesus Cristo.

Para celebrar este dia, de modo próprio, a Igreja, pela ação do Romano Pontífice Pio XII, introduziu a Festa de São José Operário. A solenidade do Pai Adotivo de Jesus ocorre no dia 19 de março, quando ele é focalizado como Padroeiro da Igreja e dos Agonizantes (da Igreja, que é o Corpo de Cristo, de quem ele foi na Terra o Pai de Criação; e dos Agonizantes, porque São José teve na hora de sua morte a presença de Cristo e de Maria).

A 1º de maio nos é apresentado o Homem do Trabalho, pobre, que ganhou o pão de cada dia com o suor de seu rosto. O exemplo de São José é contemplado pelo do próprio Jesus, que até os 30 anos de idade trabalhou também como operário.

A Igreja ensina a dignidade do trabalho humano, qualquer que ele seja. Cristo dignificou o trabalho por seu exemplo. São Paulo nos fala, na Carta aos Tessalonicenses , que quem não trabalha não deve comer, enunciando assim uma obrigatoriedade do trabalho.

Sinteticamente podemos dizer que o pensar da Igreja acerca do trabalho consiste em que o trabalho dignifica o homem e deve aperfeiçoá-lo e deve ser uma contribuição para a sociedade. Quem trabalha se realiza, constrói a sociedade e presta um serviço aos irmãos e irmãs. Existem, porém, os que exploram seus semelhantes formando uma sociedade injusta e perversa. Além disso, existem as situações de “trabalho escravo”, ainda hoje, que tiram toda a beleza da dignidade humana.

Portanto, ao lado de tanta beleza da importância do trabalho não podemos nos esquecer das situações injustas. E neste tempo, especificamente em nosso país, o grande número de desempregados, que não têm como sustentar sua família devido à situação de crise nacional.

Toda sociedade e nosso Brasil dependerá de se integrar à dignidade do trabalho ou não na ‘civilização do trabalho’, como dizia Alceu Amoroso Lima. Afinal, o trabalho é a base da sociedade, pois o trabalho não é apenas uma condição de sobrevivência, mas uma forma necessária de realização da personalidade.

O Santo Padre, o Papa Francisco, nos convida neste Ano Santo Jubilar da Misericórdia a vivermos gestos concretos de compaixão. Precisamos viver a solidariedade e promover a geração de emprego e renda.

Lembra o Papa Francisco, profeticamente, que: “Eu gostaria de estender a todos o convite à solidariedade e, aos chefes do setor público, convidá-los ao encorajamento, a fazer de tudo para dar um novo impulso ao emprego; isso significa se preocupar com a dignidade da pessoa, mas, acima de tudo, vos exorto a não perderem a esperança; São José também teve momentos difíceis, mas nunca perdeu a confiança e soube superá-los, na certeza de que Deus não nos abandona.

E agora gostaria de falar especialmente a vocês, meninos e meninas, a vocês jovens: se esforcem em suas tarefas diárias, no estudo, no trabalho, nas relações de amizade, contribuindo com os outros, o vosso futuro também depende de como vocês vão viver esses preciosos anos de vida. Não tenham medo do compromisso, do sacrifício e não olhem para o futuro com medo, mantenham viva a esperança: há sempre uma luz no horizonte ”.

Reflitamos sobre a dignidade do trabalho humano, consagrado pelo exemplo de São José Operário e do próprio Cristo, e nos preparemos para a luta pela justiça social! A luta pela justiça, na qual todos nós devemos estar empenhados, sem deixar de ser luta, não é uma luta contra os outros. Que São José interceda por todos os trabalhadores e por aqueles que ainda não têm um trabalho, mas buscam sem cansar para suster a dignidade humana.

Nestes tempos de tantos obstáculos, a solidariedade entre os cristãos deve ser concretizada em gestos que ajudem a minimizar as dificuldades dos desempregados, a luta pela melhoria do país para que volte a ter emprego para seus filhos, a busca de dignidade do trabalho para todos. Este Dia do Trabalhador, de modo especial, nos empenha seriamente em um tempo de compromisso sério com a dignidade do trabalho e na luta pela justiça social.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito - Jo 14,23-29 - 01/05/2016

No 5º Domingo da Páscoa ouvimos que a essência da vida cristã está no mandamento do amor. A medida para vivermos o amor fraterno é o exemplo de Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Vimos que este é o testamento de Jesus aos seus discípulos, antes de morrer. No Evangelho de hoje Jesus continua falando do amor, enquanto nos une a Cristo, ao Pai e ao Espírito Santo. Isto é, enquanto estamos mergulhados no mistério da Santíssima Trindade.

Da parte de Deus este amor é gratuito, é fiel. De nossa parte exige guardar sua palavra, isto é, colocar em prática o mandamento do amor que Jesus nos deixou. Quando observamos o mandamento do amor a exemplo de Jesus somos introduzidos na família divina: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…”.

Depois da última ceia estava para se cumprir a “exaltação” de Jesus, isto é, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu (próximo domingo). Por isso Jesus fala do Espírito Santo, “que o Pai enviará em meu nome”. Cristo Jesus continuará a nos ensinar pelo Espírito Santo: “Ele vos ensinará e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”. Recordará e ensinará sempre de novo o mandamento do amor, legado por Jesus.

A paz que Jesus nos deixa vem da fé: Quando vivemos o amor a exemplo de Jesus, tornamo-nos a morada da Santíssima Trindade: “… meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada”. Deus vem morar conosco para que nós possamos viver para sempre em sua companhia (2ª leitura). A escuta e a prática do mandamento do amor, nos coloca em comunhão com Deus, já na vida presente.

Que o Espírito Santo, enviado a nós pelo Pai em nome de seu Filho Jesus, nos recorde sempre o mandamento do amor. Ensine-nos a descobrir quem é o nosso próximo, a quem devemos servir e amar como Cristo nos amou.

Frei Ludovico Garmus, ofm
(fonte: www.franciscanos.org.br)

"Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se amardes uns aos outros" - Jo 13,31-33a.34-35 - 24/04/2016


Um Mandamento novo para um mundo novo

Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis, que sempre de novo inflamam por baixo das brasas. Populações africanas que se apagam pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio das crianças meninas na China. Violência em nossos bairros, corrupção em nossas instituições. E mesmo na Igreja …

Existe alguém que possa dar um rumo a este mundo? A resposta é: você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor: com vocês, como comunidade. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” – isto é, até o fim, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o evangelho de hoje.

Não há governo ou poder que nos possa eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida, o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado, que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente como Jesus nos tem amado, o mundo vai mudar. Por que, então, depois de dois mil anos de cristianismo, o mundo está tão ruim assim? A este respeito podem-se fazer diversas perguntas, por exemplo: Será que os homens se têm amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria o mundo se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior ainda?

É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade ec1esial deve transformar-se em amor, irradiando um mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos. Ao invés de ver somente o lado ruim da Igreja – talvez porque nosso olho é ruim -, vamos tratar de ver a Igreja como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que aos poucos vai sentindo quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar aos nossos irmãos, não em palavras, mas com ações e de verdade.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

(fonte: http://www.franciscanos.org.br)

Alegria da misericórdia - 06/032016 - A parábola do Filho Pródigo

O capítulo quinze do Evangelho segundo São Lucas contêm três parábolas chamadas “da misericórdia”: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido. Tudo perdido! Mas, se invertemos o quadro temos o bom pastor que busca a ovelha, a boa mulher que busca a sua moeda e o bom pai que espera e ama o seu filho pródigo.

No texto do Evangelho de hoje aparece um filho que pede a parte da herança, gasta com prostitutas e depois se apresenta ao seu pai como culpado. O pai, ao encontrá-lo, o festeja, o presenteia e faz uma festa para ele… Esse pai está louco! No fundo, dá vontade de ver esse filho malandro levar uma boa surra do pai.

Não sei se você estará de acordo comigo, querido leitor, mas não é difícil entender que um bom pai corrija com fortaleza um erro cometido por um filho seu. Realmente, é mais compreensível que uma só ovelha se perda que correr o risco de perder as noventa e nove; é mais lógico deixar uma moeda pra lá que revirar a casa por uma só moedinha e depois – e isso é o cúmulo – convidar os amigos, fazer uma festa e gastar mais do que vale a moeda encontrada; é mais fácil entender que o pai desse uma bronca naquele filho sem-vergonha.

Enfim, é mais fácil compreender a justiça que a misericórdia!

No entanto, a lógica do Evangelho é outra! Sem contrapor a justiça à misericórdia, a parábola nos apresenta um pai que não é o comum dos pais desta terra, mas o pai só pode ser Deus. Alguma vez escutei e disse aquela frase de que “Deus perdoa tudo, o homem perdoa muitas vezes e a natureza não perdoa nunca”.

Hoje eu gostaria de defender a primeira parte: Deus perdoa tudo! Isso sim é motivo de grande alegria! Ele é o nosso Pai, cheio de amor para conosco. Nós, culpados e pecadores, cheios de boas intenções e, também, cheios intenções torcidas e más ações, somos os queridos de Deus.

Já está justificada a nossa alegria para todo o dia de hoje: Deus é Pai! Eu sou seu filho! Deus é muito bom e os sacerdotes no Sacramento da Penitência têm o Coração de Deus e, por isso, compreendem sempre.

Não tenha medo e vá se confessar!

Pe. Françoá Costa

MENSAGEM DE DOM TARCÍSIO PARA A QUARESMA/2016

Mensagem de Dom Tarcísio Scaramussa
Bispo Diocesano de Santos, para a QUARESMA/2016

A preparação para a Páscoa inicia-se na quarta-feira de Cinzas, e dura todo o tempo da Quaresma, até a Missa da Ceia do Senhor, que já marca o início do Tríduo Pascal.

Assim como Jesus começou sua pregação anunciando o Reino e convidando à conversão, este é um tempo de anúncio da Boa-nova, de penitência ou conversão evangélica, que acentua a dimensão batismal de nossa vida.

O reencontro com o Senhor será celebrado com intensa alegria na Festa da Páscoa. A Quaresma se abre com o convite de Deus na boca do profeta Joel: “Voltai para mim de todo o coração” (Jl 2,12).

A Quaresma é o tempo em que os catecúmenos se preparam para o Batismo, e os batizados renovam seus compromissos batismais. É tempo forte de conversão e de renovação interior, uma voltar-se completamente para o Senhor, experimentar sua misericórdia e endireitar o caminho de nossa vida.

Assim poderemos viver a libertação do pecado e da morte, e viver a nova vida, como nova criatura no Senhor Ressuscitado. Isto é a nossa Páscoa. O distanciamento de Deus se manifesta em nossa vida pessoal pela fechamento em nós mesmos, em nossos pequenos interesses, em nossas fraquezas e infidelidades, em nossa acomodação e falta de entusiasmo em assumir o caminho do discipulado e da missão como cristãos.

Por isso, a Igreja faz ressoar novamente o convite insistente de Deus, nas palavras do Apóstolo Paulo: “Deixai-vos reconciliar com Deus”... “Este é o tempo favorável, o tempo de salvação (2 Cor 5,20. 6,2). O caminho da regeneração social passa pela transformação de nosso ser e é facilitado por algumas práticas que nos aproximam de Deus e de seu coração.

É importante intensificá-las neste tempo da Quaresma, e são: o jejum, a oração e a esmola. Mas Jesus nos orienta que só terão efeito se forem expressão de nossa conversão interior e de nossa comunhão com Deus: “E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 6, 4). Não precisamos praticá-las para merecer o perdão misericordioso de Deus, mas necessitamos delas para mergulharmos no mistério pascal de Cristo.

 A Igreja nos convoca neste ano à conversão e ao empenho para cuidarmos melhor da natureza, através da Campanha da Fraternidade Ecumênica que tem como tema a “Casa comum, nossa responsabilidade”, e como lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca! (Am 5,24).

As barragens de Mariana ainda não se haviam rompido, e a Igreja já tinha preparado, juntamente com as Igrejas que integram o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) a nova Campanha da Fraternidade para este ano de 2016.

O desastre do rompimento das barragens tornou-se um episódio a mais a clamar pela responsabilidade de todos nós. E não nos esqueçamos dos incêndios na Ultracargo (Santos), e na Localfrio (Guarujá)!

Embora se proponha a trabalhar para garantir a integridade e o futuro de nossa Casa Comum, a CF 2016 tem um foco mais concreto no Saneamento Básico. Este envolve muitas questões, como “os serviços públicos de abastecimento de água, o manejo adequado dos esgotos sanitários, das águas pluviais, dos resíduos sólidos, o controle de reservatórios e dos agentes transmissores de doenças”.

Na primeira leitura da liturgia da quarta-feira de Cinzas, o profeta Joel fala de uma terra invadida por gafanhotos. É interessante reler nesta ótica também a realidade que vivemos, com a infesta- ção de mosquitos e de doenças como a dengue, a chikungunya e o zika virus. É uma imagem da devastação e do mal que o pecado provoca, no caso, considerando também os efeitos do mal na natureza mal cuidada por nós humanos.

Embora os datos estatísticos relativos a algumas cidadas da Baixada Santista estejam entre os melhores do Brasil, a região convive com grandes problemas especialmente nas periferias, onde a situação da população não é diferente de outras partes carentes do país.

“Os últimos dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico – base 2013) mostram que pouco mais de 82% da população brasileira tem acesso à água tratada. Mais de 100 milhões de pessoas no país ainda não possuem coleta de esgotos e apenas 39% destes esgotos são tratados, sendo despejados diariamente o equivalente a mais de 5 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento na natureza” (CF, n. 40).

A Campanha nos orienta a atuarmos coletivamente em favor da elaboração, implementação e acompanhamento dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB). As responsabilidades são coletivas, mas diferenciadas. Ao Poder público cabe a tarefa de realizar as obras de infraestrutura, garantir a limpeza do espaço público e fazer a coleta seletiva do lixo. Todos nós temos a responsabilidade, enquanto cidadãos e cidadãs, de cuidarmos do espaço onde moramos, de não jogar lixo na rua, de zelar pelos bens e espaços coletivos (Cf. CF, n. 168).

Esta Campanha nos permite aprofundar o conteúdo e a vivência da Encíclica Laudato Sì do Papa Francisco. A ação consciente e responsável é fruto também da educação ambiental, para a formação de uma nova consciência social e de ecologia integral comprometida com a preservação da natureza e das gerações futuras.

A conversão expressa nestas formas concretas dará um sentido novo à celebração da Páscoa, vida nova no Senhor Ressuscitado. Crianças nascendo sem microcefalia serão sinal expressivo da Páscoa do Senhor.
(FONTE: Jornal Presença Diocesana Fev/2016) 

"o Espírito do Senhor está sobre mim..." - Lc 1,1-4;4,14-21 - 24/01/2016

Lucas narra a atividade de Jesus com jeito de historiador. Não no sentido moderno da palavra – homem de escavações e bibliotecas -, mas no sentido antigo: alguém que sabe contar os fatos de modo que a gente os possa imaginar. Não existiam as atuais exigências da historiografia, a documentação consistia principalmente em depoimentos orais, recolhidos de modo empírico. Mesmo assim, Lucas colecionou os dados a respeito de Jesus, para dar um embasamento sólido à fé de seus contemporâneos, lá pelos anos 80 d.C., para mostrar-lhes melhor quem foi e o que fez Jesus de Nazaré.

Como bom narrador, Lc imagina Jesus iniciando sua pregação lá na sua terra, em Nazaré, na reunião de sábado na sinagoga (*). Os adultos podiam comentar a Lei a partir de um texto profético. Jesus abriu o rolo do profeta Isaías, no texto que fala da missão do mensageiro de Deus para instaurar a verdadeira justiça e liberdade, pelo fim da opressão e a realização de um ano sabático ou jubilar, para restituição dos bens aliena­dos, com vistas a um novo início de uma sociedade realmente fraterna, como convém ao povo de Deus (cf. Dt 15).

Proclamando que esta profecia se realiza no presente momento, “hoje”, Jesus: 1) se identifica como porta-voz estabelecido (“ungido”) por Deus e impulsionado por seu es­pírito (força e iluminação), para levar a “boa-nova” aos oprimidos; 2) anuncia o início de uma nova situação da comunidade, restaurada conforme a vontade de Deus: o tem­po messiânico. Nenhuma das duas coisas é muito evidente … O pronunciamento de Je­sus provocará uma reação negativa do povo (que será narrada no próximo domingo). Hoje, portanto, ficamos com a “declaração de programa” de Jesus: instaurar a realida­de messiânica.

Por trás disso está toda uma história. Fazia muito tempo que se sonhava com um “ano de restituição”. Textos como Ne 5 nos mostram que o ano de restituição era uma necessidade desde muitos séculos, mas a Bíblia não conta que alguma vez tenha sido realizado. Era uma utopia. Jesus pretendia realizar a utopia? Ele queria converter as pessoas a Deus, mas a conversão se devia comprovar por sinais exteriores, e a realiza­ção da velha utopia do ano de restituição seria um sinal muito eloqüente.

A 1ª leitura fornece um pouco de “cultura bíblica”, necessária para imaginar os costumes e sentimentos do judaísmo pós-exílico referentes à leitura da Lei. Mostra o protótipo do culto sinagogal: a leitura da Lei. (A figura central, Esdras, contemporâneo de Neemias, pode ser considerado como o “pai do judaísmo”, quando, depois do exílio babilônico, as famílias de Judá voltam ao distrito de Jerusalém.)

Uma mensagem própria traz a 2ª leitura: a alegoria do corpo e dos membros. Essa alegoria, Paulo a aprendeu na escola: pertence à cultura greco-romana (fábula de Me­nênio Agripa). Paulo a aplica à Igreja: nenhum membro do corpo pode dizer a outro que não precisa dele. E, com certo humor (que desaparece na versão abreviada), fala também dos membros mais frágeis, que são circundados com cuidados maiores – alu­são aos capítulos iniciais da 1 Cor, onde Paulo critica os partidarismos e ambições que dividem a igreja de Corinto e lembra que Deus escolheu o que é fraco e pequeno neste mundo (1,26; cf. dom. próximo).

Existe na Igreja legítima diversidade, desde que se realize a necessária unidade: o pluralismo. O Espírito de Cristo revela-se, nos fiéis, de muitas maneiras: as diversas funções na comunidade, os diversos modos de expressar a consciência de sua fé, as di­versas “teologias” fazem parte desta multiplicidade de órgãos, que constitui o corpo. Ninguém precisa reunir em si todas as funções e toda a teologia (12,30). Importa que todos contribuam para a edificação do único “corpo” de Cristo neste mundo – e corpo significa, biblicamente, o estar presente e atuante.

(*) Lembramos que Mt evoca como primeira pregação de Jesus logo o Sermão da Montanha, ain­da enriquecido com discussões sobre diversos pontos da Lei. A intenção de Mt é catequética: para conhecer o ensinamento de Jesus cabe começar pela instrução fundamental do cristão.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: http://www.franciscanos.org.br)

Vida nova para os homens - Jo 2,1-11 - 17/01/2016

Entre Deus e o povo do Antigo Testamento, Israel, existia um pacto, uma aliança, como se fosse um casamento. Mas Israel foi infiel: por causa de presumidas vantagens materiais, correu atrás dos deuses dos povos pagãos. Isso se chama prostituição. O resultado foi que Israel caiu nas mãos desses estrangeiros. Foi levado ao cativeiro, na Babilônia: era o seu castigo. Mas agora, o profeta anuncia, em nome de Deus, a salvação. Deus vai acolher de novo sua esposa infiel, proclama a 1ª leitura.

No evangelho, Jesus, introduzido por sua mãe, torna-se presente numa festa de casamento. Na Palestina, quem oferecia a festa de casamento era o próprio noivo; mandava e desmandava. Mas, no fim da festa, sem que os convidados e nem mesmo o noivo se deem conta, Jesus toma o comando e faz servir, milagrosamente, o “vinho melhor”. É ele o verdadeiro esposo do fim dos tempos, oferecendo a abundância do vinho da alegria a quantos comparecem à sua festa (cf. Jl 14,18; Am 9,13).

Nós sentimos dificuldade em conceber a vida cristã como um casamento. Talvez porque hoje é difícil conceber um casamento de verdade … Casamento é questão de fé e de compromisso. A alegria da união amorosa para sempre não é fruto apenas de sentimentos espontâneos. Devemos crer que nossa fidelidade a Deus e Jesus Cristo é duradoura aliança de amor, que nos proporciona felicidade mais profunda do que o mais perfeito matrimônio. E para isso precisamos nos deixar amar, gostar de que Deus goste de nós. Então faremos tudo para sermos amáveis para Deus e para os seus filhos. E isso não só individualmente, mas antes de tudo como povo, como comunidade.

Será que fazemos o necessário para que a comunidade dos fiéis seja uma noiva radiante para Cristo? Quando vivermos realmente o que Cristo nos ensina, não há dúvida que a fé e comunidade cristã serão uma alegria, um preparar-se para corresponder sempre melhor a amor que Cristo nos testemunhou. Na dedicação aos nossos irmãos encarnamos o nosso amor e afeição a Cristo, que é fiel para sempre.

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(www.franciscanos.org.br)