Amar a Deus e ao próximo - Mt 22,34-40 - 29/10/2017


Jesus resume a Lei, a norma ética, em “amar Deus e o próximo”. Tendo claro que “amar”, neste contexto, não significa mero sentimento, mas opção ética, podemos desdobrar este ensinamento em duas perguntas:

1) Pode-se amar Deus sem amar ao próximo? Não. Já na antiga “Lei da Aliança”, mil anos antes de Cristo, “amar a Deus” significa, concretamente, ajudar ao próximo: a viúva, o órfão, o estrangeiro, o povo em geral: o direito do pobre clama a Deus (1ª leitura).

Na mesma linha, Jesus, interrogado sobre qual é o maior mandamento, vincula o amor a Deus ao amor ao próximo, e acrescenta que desses dois mandamentos dependem todos os outros (evangelho). Todas as normas éticas devem ser interpretadas à luz do amor a Deus e ao próximo, que são inseparáveis.

É impossível optar por Deus sem ser solidário com seus filhos (1Jo 4,20). A verdadeira religião é dedicar-se aos necessitados (Tg 1,27). Na prática, o “amor a Deus” (a religião) passa necessariamente pelo “sacramento do pobre e do oprimido”, ou seja, pela opção por aqueles cuja miséria clama a Deus, seu “Defensor”. Entre Deus e nós está o necessitado. Só dedicando-se a este, temos acesso a Deus. Mas não basta uma esmola.

Com a nossa atual compreensão da sociedade e da história, a dedicação ao empobrecido não se limita à escola, mas exige novas estruturas. Importa trabalhar as estruturas da sociedade e transforma-las de tal modo que o bem-estar do fraco e do pobre estejam garantido pela solidariedade de todos, numa estrutura política e social que seja eficaz.

2) Pode-se amar o próximo sem amar a Deus? Nosso mundo é, como se diz, “secularizado”. Não dá muito lugar a Deus. Não nos enganem as aparências, os shows religiosos que aparecem em teatro e televisão, pois esse tipo de religiosidade, muitas vezes, não passa de um produto de consumo, no meio de tantos outros. Não é compromisso com Deus.

Ao mesmo tempo, pessoas com profundo senso ético dizem: já não precisamos de Deus para explicar o universo. Será que ainda precisamos dele para sermos éticos, para respeitar nosso semelhante, para “amar o próximo?” Será que não basta ser bom para com os outros, sem apelar a Deus? Para que “amar a Deus”? Para que a religião? Eis a resposta: para amar bem o irmão, devemos também “amar a Deus”, aderir a ele (embora não necessariamente por uma religião explícita).

Isso, porque o que entendemos por Deus é o absoluto, o incondicional, aquele que tem a última palavra, que sempre nos transcende e está acima de nossos interesses pessoais. Se não buscamos ouvir essa palavra última, pode acontecer que nos ocupemos com o próximo para nos amar a nós mesmos (amor pegajoso, interesseiro, sufocante etc.)

Como cristão, conhecendo “Deus” como Pai de Jesus Cristo e como a fonte do amor que este nos manifestou, devemos perguntar sempre se nossa prática de solidariedade é realmente orientada pelo absoluto, por Deus, aquele que Jesus chama de Pai. Senão, vamos conceber nosso amor de acordo com a nossa medida, que é sempre pequena demais…

Do livro “Liturgia Dominical”, de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(fonte: www.franciscanos.org.br)

Dia Mundial das Missões - 22/10/2017

Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2017 (22 de outubro)

"A missão no coração da fé cristã"


Queridos irmãos e irmãs!

O Dia Mundial das Missões concentra-nos, também neste ano, na pessoa de Jesus, “o primeiro e maior evangelizador” (Paulo VI, Exortação Apostólica
Evangelii nuntiandi, 7) que incessantemente nos envia a anunciar o Evangelho do amor de Deus Pai, com a força do Espírito Santo. Este Dia convida-nos a refletir novamente sobre a missão no coração da fé cristã.
De fato, a Igreja é, por sua natureza, missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando de uma associação entre muitas outras
que rapidamente veria exaurir-se a sua finalidade e desapareceria. Por isso, somos convidados a interrogar-nos sobre algumas questões que tocam a
própria identidade cristã e as nossas responsabilidades de crentes, em um mundo embaralhado com tantas quimeras, ferido por grandes frustrações
e dilacerado por numerosas guerras fratricidas que injustamente atingem, sobretudo, os inocentes. Qual é o fundamento da missão? Qual é o coração da missão? Quais são as atitudes vitais da missão? ... (continua)
Para ler a íntegra da mensagem do Papa: clique

Para acessar o site próprio das Missões, com cartaz, vídeos, novena e orações (IMPERDÍVEL): clique aqui





"... o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. - 08/10/2017 - Mateus 21,33-43

O texto abaixo, do sacerdote espanhol Jose Antonio Pagola, é a reflexão sobre a Parábola dos Vinhateiros Homicidas, deste Domingo (08/10).
É uma reflexão longa, dura, mas necessária.
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A parábola dos vinhateiros homicidas é um relato no qual Jesus vai mostrando, com toques alegóricos, a história de Deus com seu povo eleito. É uma história triste. Deus havia cuidado do povo, desde o princípio, com todo carinho. Era sua vinha preferida.

Esperava fazer deles um povo exemplar por sua justiça e sua fidelidade. Seriam uma grande luz para todos os povos.

No entanto, aquele povo foi rejeitando e matando, um depois do outro, os profetas que Deus lhes ia enviando para recolher os frutos da uma vida justa. Finalmente, num gesto de incrível amor, enviou-lhes o seu próprio Filho. Porém, os dirigentes daquele povo acabaram com Ele. O que Deus pode fazer com um povo que decepciona de modo tão cego e obstinado suas expectativas?

Os dirigentes religiosos que estão escutando, atentamente, o relato respondem espontaneamente nos mesmos termos da parábola: o senhor da vinha não pode fazer outra coisa a não ser matar aqueles lavradores e colocar a sua vinha nas mãos de outros. Jesus tira, rapidamente, uma conclusão que não esperam: “Por isso, eu vos digo: o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

Comentaristas e pregadores interpretaram, frequentemente, a parábola de Jesus como a confirmação da Igreja cristã como sendo o novo Israel em seguida ao povo judeu que, depois da destruição de Jerusalém no ano setenta, dispersou-se por todo o mundo.

Entretanto, a parábola está falando também de nós. Uma leitura honesta do texto nos obriga a fazer-nos graves perguntas: Estamos produzindo, em nossos tempos, os frutos que Deus espera de seu povo: justiça para os excluídos, solidariedade, compaixão para o que sofre, perdão...?

Deus não tem porque abençoar um cristianismo estéril do qual não recebe os frutos que espera. Não tem porque identificar-se com nossa mediocridade, nossas incoerências, desvios e pouca fidelidade. Caso não correspondamos às suas expectativas, Deus seguirá abrindo caminhos novos ao seu projeto de salvação com outras pessoas que produzam frutos de justiça.

Nós falamos de crise religiosa, de descristianização, de abandono da prática religiosa... Não estará Deus preparando o caminho que torne possível o nascimento de uma Igreja mais fiel ao projeto do Reino de Deus? Não é necessária esta crise para que nasça uma Igreja menos poderosa, porém mais evangélica; menos numerosa, porém mais empenhada em construir um mundo mais humano? Não virão gerações mais fiéis a Deus?

DURA CRÍTICA AOS DIRIGENTES RELIGIOSOS

A parábola dos “vinhateiros homicidas” é, sem dúvida, a mais dura que Jesus pronunciou contra os dirigentes religiosos de seu povo. Não é fácil remontar ao relato original, porém, provavelmente, não era muito diferente daquele que podemos ler hoje na tradição evangélica.

Os protagonistas de maior relevo são, com certeza, os lavradores encarregados de trabalhar na vinha. Sua atuação é sinistra. Não se parecem, absolutamente, com o dono que cuida da vinha com solicitude e amor para que não careça de nada.

Não aceitam o senhor ao qual pertence a vinha. Querem ser os únicos donos. Eles vão eliminando, um atrás do outro, os servos que ele lhes envie com paciência incrível. Não respeitam nem a seu filho. Quando chega, “jogam-no para fora da vinha” e o matam. Sua única obsessão é “ficar com a herança”.

O que pode fazer o dono? Acabar com estes vinhateiros e entregar a vinha a outros “que lhe deem os frutos”. A conclusão de Jesus é trágica: “Eu vos asseguro que o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”.

A partir da destruição de Jerusalém no ano 70, a parábola foi lida como uma confirmação de que a Igreja havia sucedido a Israel, porém nunca foi interpretada como se no “novo Israel” estivesse garantida a fidelidade ao dono da vinha.

O Reino de Deus não é da Igreja. Não pertence à hierarquia. Não é propriedade destes ou daqueles teólogos. Seu único dono é o Pai. Ninguém deve sentir-se proprietário nem de sua verdade nem de seu espírito. O Reino de Deus está no “povo que produz seus frutos” de justiça, compaixão e defesa dos últimos.

A maior tragédia que pode acontecer ao cristianismo de hoje e de sempre é matar a voz dos profetas, é os sumos sacerdotes se sentirem donos da “vinha do Senhor” e que, entre todos, se deixe o Filho “fora”, sufocando seu Espírito.

Se a Igreja não corresponde às esperanças que nela o Senhor depositou, Deus abrirá novos caminhos de salvação em povos que produzam frutos.

Cabe aqui uma reflexão de Luis Espinal, sacerdote jesuíta, assassinado em 1980 na Bolívia. Ele diz assim:

“Passam os anos e, ao olhar para trás, vemos que nossa vida foi estéril.
Não passamos por ela fazendo o bem.
Não melhoramos o mundo que nos deixaram.
Não vamos deixar rastros.
Fomos prudentes e cuidamos de nós.
Porém, para quê?
Nosso único ideal não pode ser atingir a velhice.
Estamos sufocando a vida por egoísmo, por covardia.
Seria terrível desperdiçar esse tesouro de amor que Deus nos deu”.

"...vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele" - Mt 21,28-32 - 01/10/2017

“Os cobradores de impostos e as prostitutas acreditaram nele. Vocês, porém, mesmo vendo isso, não se arrependeram para acreditar nele.”

No Evangelho de hoje, Jesus chama a nossa atenção para cumprir a vontade do Pai do Céu. O Decisivo não são as palavras, promessas e orações, mas os fatos e a vida do cotidiano. 

Pois, diante de Deus, o importante não é “falar”, mas “fazer”. Neste caminho que percorremos, vão na frente não aqueles que fazem solenes profissões de fé, que gostam de serem vistos por todos, mas os que verdadeiramente se abrem a Jesus Cristo, dando passos concretos de conversão ao projeto do Pai.

No Entanto, hoje e sempre, a verdadeira vontade do Pai e feita por aqueles que traduzem em atos concretos o Evangelho de Jesus e os que se abrem com simplicidade e confiança ao seu perdão. Deus quer unicamente que seus filhos e filhas vivam desde agora uma vida digna e feliz, pois somente um coração aberto é capaz de acolher seu perdão.

Reflexão feita pelos noviços da Ordem dos Frades Menores.
(fonte: www.franciscanos.org.br)