Palestra - Campanha da Fraternidade/2019 - 17/03/2019

O que são, quais são as principais políticas públicas?
O cidadão pode participar de sua criação, implementação e fiscalização?
Esses e outros esclarecimentos.
Convide seus amigos, mesmo não católicos.



Campanha da Fraternidade/2019 - Entrevista com Frei Vitório Mazzuco, OFM - 10/03/2019

Frei Gustavo Medella, do site FRANCISCANOS, fez entrevista com Frei Vitório Mazzuco, sobre o assunto abordado pela Campanha da Fraternidade deste ano.
O entrevistado, pede a todos os cristão, "Mais indignação profética".

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"A boca fala do que está cheio o coração" - 03/03/2019 - Lc 6,39-45

Do que brota do fundo do coração
Frei Almir Guimarães

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvores ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos (Lc 6, 44)


  • Buscar a verdade é meta de nossa existência. Não apenas uma verdade intelectual e cerebral, mas verdade existencial. Ela estaria no mais íntimo de nós mesmos. As aparências enganam. Ritos e rezas, práticas e prescrições religiosas e morais têm seu valor quando partem do mistério interior da vida da pessoa. As aparências podem enganar e enganam de fato. Os bons frutos são produzidos por árvores boas, pessoas transparentes, verazes. Tudo a partir do coração.

  • A primeira leitura da liturgia deste domingo tem um tom sapiencial. Nas poucas linhas hoje proclamadas o autor sagrado afirma que é pelo falar que se conhece o homem. O forno prova os vasos do oleiro. O homem é provado por sua conversa, por sua fala. O fruto revela como foi cultivada a árvore. Desta maneira, a palavra mostra o coração do homem. Isso pode acontecer e acontece. Nem sempre, é verdade, a fala mostra a verdade do interior. O homem pode usar um jeito tal de falar que esconda quem de fato ele é. Em princípio pode-se dizer que pela conduta, pelos gestos, pelo exemplo alguém pode revelar quem ele é de fato. Há alguma coisa da luz interior do homem que vem à tona. Há uma recomendação do Sábio: “Não elogies a ninguém, antes de ouvi-lo falar, pois é no falar que o homem se revela”. O homem, no entanto, não se exprime somente pela fala da voz. Fala com todo o seu corpo, seu olhar, a perseverança de seus propósitos. Nada de elogios desmedidos antes da hora.

  • O trecho do evangelho de Lucas nos remete para nossa verdade mais íntima, para o coração, para nosso ser mais profundo que chamamos precisamente de coração. “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro de seu coração. Mas o homem mau tira coisas más de seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”. É de dentro, do interior de nossas entranhas que partem o bem e o mal. O importante será cultivar as dimensões interiores de nossa vida. Ter a sabedoria de um coração reto e generoso.

  • Sair da superficialidade, não basear a vida em coisas acidentais e em resultados aparentemente brilhantes. Seremos pessoas profundas na medida em que procuramos o “lugar do coração”. Um pequeno e antigo fascículo da Ordem do Frades Menores (2003) falava do caminho que leva ao lugar do coração. Seus autores se dirigiam aos frades menores exortando-os a viver a partir do interior. Estas linhas, no entanto, podem ajudar a quem quer que seja a penetrar nos espaços do interior: “Esse caminho progressivo é possível à medida em que voltamos ao “lugar do coração” tomando contato com as raízes de nossa vida e de nossa fé. Nesse ponto é possível aprofundar o dinamismo que existe entre interioridade e silêncio e missão evangelizadora, como parte essencial do carisma. A interioridade, finalmente, espaço habitado é o clima, o ambiente, o húmus do encontro com Deus e com as criaturas humanas”.

  • O ser humano se constrói de dentro. É a consciência ou o coração que devem orientar e dirigir a vida da pessoa. O coração é esse lugar secreto e íntimo de nós mesmos onde não podemos nos enganar a nós mesmos. É a partir desse interior que se decide o melhor e o pior da existência.

  • Reflexão, interioridade, silêncio. Voltar à nossa verdade. “A sociedade oferece hoje um clima pouco propício para quem quer buscar silêncio e paz para encontrar-se consigo mesmo, com os outros e com Deus. É difícil libertar-se do ruído e do assédio constante de todo tipo de apelos e mensagens. Por outro lado as preocupações, problemas e pressas de cada dia nos levam de um lugar para o outro, quase sem permitir que sejamos donos de nos mesmos’ (Pagola, Lucas, p. 118).

  • Como refazer nosso interior? Silêncio, silêncio de ruídos, silêncio de nós mesmos para que tenhamos riquezas no baú da vida. Momentos de santa ociosidade. Leituras que nos façam mergulhar no mistério da vida. Terapia das coisas feitas com mais lentidão. Busca de um limpidez interior. Revisões constantes da vida. Auscultação sempre mais apurada daquilo que o Senhor nos pede neste momento de nossa vida pessoal e do mundo.

  • A página evangélica aponta posturas sábias que podem nascer da verdade do coração:
    • Não se pode condenar o irmão sem mais nem menos. Por que querer tirar o cisco do olho do irmão, quando temos a trave diante dos olhos. Que postura falsa de querer condenar o irmão por um cisquinho quando somos inteiramente cegos, frutos da superficialidade e da incapacidade de olhar para além das aparências.
    •  O Cuidado com a postura de superioridade frente aos outros. Um discípulo não é maior do que o Mestre. Quando o coração da pessoa é habitado o discípulo se reveste de sábia humildade. Nada de superioridade. Nosso Mestre foi aquele que lavava os pés dos seus.
    • Como querer exercer influência sobre os outros, quando não enxerga com clareza. Um cego não pode guiar outro cego. Os dois vão cair no buraco.

  • É pelos frutos que se reconhece a árvore boa. Uma comunidade, um grupo e religiosos, os membros da Igreja atentos à voz do Senhor, feito de pessoas que se estimam para além de simpatias e antipatias, gente que faz vibrar seu coração com o coração dos mais infelizes, pessoas que não exageram a importância de um cisco no rosto do irmãos, gente que tira do tesouro da memória da fé preciosidades. A boca, os gestos do rosto, a transparência do olhar falam da beleza do coração.

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Oração
A sabedoria da paz
Dá, Senhor, à nossa vida a sabedoria da paz.
Que o nosso coração não naufrague na lógica
de tanta violência disseminada ao nosso redor.
Que sentimentos de dor e de despeito
não sufoquem a necessidade de gestos de reconciliação,
a urgência de uma palavra amável
que rompa as paredes do silêncio,
o reencontro dos olhares que se desviam.
Dá-nos a força de insinuar no inverno gelado em que,
por vezes vivemos, o ramo verde, a inesperada flor,
a claridade que é esta irreprimível e pascal vontade de recomeçar.
José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 95.

Felizes os pobres! - Lc 6,17.20-26 - 17/02/2019

Pe Johan Konings

O Sermão da Planície do evangelho de Lucas (Lc 6) traz, de forma abreviada, a mesma mensagem que o Sermão da Montanha de Mateus (Mt 5-7). O evangelho nos apresenta Jesus anunciando com alegria a boa-nova aos pobres: “Felizes vós, os pobres, porque o Reino de Deus é vosso”. Nada demais. Até o presidente do FMI fica comovido quando os pobres são felizes. O problema é que Jesus fala o contrário para os ricos: “Ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação”. Os ricos já receberam seu prêmio e agora perdem sua vez … (cf. a 1ª leitura: “Infeliz de quem coloca sua confiança em outro homem e se apoia no ser mortal, enquanto seu coração se desvia de Deus”).

O contraste entre ricos e pobres na boca de Jesus nos ajuda a entender melhor o que é esse Reino de Deus que ele vem anunciar. É o contrário do reino dos homens, o contrário daquilo que os ricos já têm. Eles possuem o que se apropriaram por caminhos humanos (nem sempre muito retos): riqueza, poder, prazer. Coisas passageiras, que, contudo, chegaram a ocupar todo o tempo e imaginação dos que pensam possuí-las, enquanto são por elas possuídos. Basta qualquer revés, um processo por sonegação, uma comparsa que fale demais … basta algo tão tremendamente comum como a morte, para que percam tudo o que tinha valor para eles. Infelizes …

O que Jesus agora anuncia aos pobres é o contrário: vem de Deus, não dos homens. Porque os pobres ainda não se encheram com as suas próprias conquistas, tem valor para eles o “Reino de Deus”, o dom de Deus, o “sistema de Deus”. Que sistema? Aquilo que Jesus anuncia e pratica: fraternidade, comunhão da vida, dos bens materiais e espirituais, partilha de tudo. É aquilo que Jesus, no evangelho, ensina aos seus discípulos: superar o ódio pelo amor, aperfeiçoar a “Lei” pela solidariedade, repartir os bens, e até sofrer por causa de tudo isso. Pois também para os que sofrem e são perseguidos há uma bem-aventurança.

Mas a nossa sociedade vai pelo caminho contrário. A propaganda e o consumismo incutem nas pessoas a mania do rico, do eterno insatisfeito. Os pobres se tornam solidários com os ricos, aderem às suas novelas, modas e compras inúteis. Não é esta a boa notícia do evangelho, e sim, o “ai” proclamado por Jesus.

A diferença entre os pobres e os ricos não é que uns sejam melhores que os outros, mas que a esperança dos pobres, quando não corrompidos, vai para as coisas que vêm de Deus, enquanto os ricos facilmente acham que vão se realizar com aquilo que eles têm em seu poder. Que experimentem … Ou então, que participem da esperança dos pobres e se tornem solidários com eles.

A esperança do reino supera a vida material. É a esperança que se baseia no Cristo ressuscitado (2ª  leitura): “Se temos esperança em Cristo tão-somente para esta vida, somos os mais lamentáveis de todos!” Aquele que se tornou pobre para nós é que nos enriquece com a dádiva do amor infinito do Pai, que ele revela no dom da própria vida. O reino que Jesus anuncia aos pobres, decerto, começa com a justiça e a fraternidade, mas tem um horizonte que nosso olhar terreno nunca alcança!

Livro: Liturgia Dominical do Pe. Johan Konings, SJ
(fonte: www.franciscanos.org.br)

1) Papa Francisco na JMJ/2019
2)Carta da OFS Nacional sobre o CRIME ambiental de Brumadinho

Papa na Jornada Mundial da Juventude/2019

Clique na imagem para acessar página com o resumo da mensagem do Papa
aos jovens (áudio) e outras informações sobre JMJ/2019



Mensagem da OFS Nacional, sobre o CRIME ambiental em Brumadinho


O Bom Vinho - Jo 2,1-11 - 20/01/2019

Jesus sempre foi conhecido como o fundador do cristianismo. Hoje, porém, começa a surgir outra atitude: Jesus é de todos, não só dos cristãos. Sua vida e sua mensagem são patrimônio da humanidade.

Ninguém no Ocidente teve um poder tão grande sobre os corações. Ninguém expressou melhor do que Ele as inquietações e interrogações do ser humano. Ninguém despertou tanta esperança. Ninguém comunicou uma experiência tão salutar de Deus, sem projetar sobre Ele ambições, medos e fantasmas. Ninguém aproximou-se da dor humana de maneira tão profunda e entranhável. Ninguém abriu uma esperança tão firme diante do mistério da morte e da finitude humana.

Dois mil anos nos separam de Jesus, mas sua pessoa e sua mensagem continuam atraindo muitas pessoas. É verdade que Ele interessa pouco em alguns ambientes, mas também é certo que a passagem do tempo não apagou sua força sedutora nem amorteceu o eco de sua palavra.

Hoje, quando as ideologias e religiões experimentam uma crise profunda, a figura de Jesus escapa de toda doutrina e transcende toda religião, para convidar diretamente os homens e mulheres de hoje para uma vida mais digna, feliz e
esperançosa.

Os primeiros cristãos experimentaram Jesus como fonte de vida nova. Dele recebiam um sopro diferente para viver. Sem Ele tudo se tornava de novo seco, estéril e apagado para eles. O evangelista João redige o episódio do casamento em Caná para apresentar simbolicamente Jesus como portador de um “vinho bom”, capaz de reavivar o espírito.

Jesus pode ser hoje fermento de nova humanidade. Sua vida, sua mensagem e sua pessoa convidam a inventar novas formas de vida proveitosa. Ele pode inspirar caminhos mais humanos numa sociedade que busca o bem-estar afogando o espírito e matando a compaixão. Ele pode despertar o gosto por uma vida mais humana em pessoas vazias de interioridade, pobres de amor e necessitadas de esperança.

Trecho do livro: "O caminho aberto por Jesus"
Autor: Pe. José Antonio Pagola

(fonte: www.franciscanos.org.br)