Festa de Santa Clara | Dia dos Pais - 11/08/2019

Festa de Santa Clara de Assis
Clique na imagem para acessar artigos sobre o carisma de Clara.



Dia dos Pais
Clique na imagem para conhecer 11 conselhos do Papa Francisco aos Pais.






Pelo respeito à vida e à criação, contra toda e qualquer forma de violência - Julho/2019

Com efeito, há “propostas de internacionalização da Amazônia que só servem aos interesses econômicos das organizações internacionais”. É louvável a tarefa de organismos internacionais e organizações da sociedade civil que sensibilizam as populações e colaboram de forma crítica, inclusive utilizando legítimos mecanismos de pressão, para que cada governo cumpra o dever próprio e não delegável de preservar o meio ambiente e os recursos naturais de seu país, sem se vender a espúrios interesses locais ou internacionais.
(PAPA FRANCISCO, Carta Encíclica Laudato Si’, 38).

São Paulo, 29 de julho de 2019.

Paz e Bem!

Na qualidade de filhos de São Francisco de Assis, inspirador principal do Santo Padre na elaboração da Carta Encíclica Laudato Si’, sobre o cuidado da Casa Comum, nós, Franciscanos da Província da Imaculada Conceição do Brasil, da Ordem dos Frades Menores, sentimo-nos na obrigação de manifestar nosso pesar e nossa máxima preocupação no que diz respeito aos rumos quem têm sido dados à política ambiental em nosso país e seus nefastos resultados, presentes e vindouros.

Em primeiro lugar, somos solidários e fazemos coro a nossos irmãos cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) quando, pautados na exatidão de dados da ciência, advertem a sociedade e o governo sobre o avanço de 88% no desmatamento da Amazônia em relação ao ano passado. Às vésperas do Sínodo Pan-Amazônico, quando a Igreja Católica do mundo todo lança seu olhar sobre este território fundamental para a manutenção do equilíbrio do planeta, desejamos nos unir num grande alerta em favor da preservação deste bioma.

Também manifestamos irrestrita solidariedade aos povos indígenas, habitantes originários de nossas terras. Cada declaração infeliz que os desautorize ou menospreze sua luta por direitos legítimos e inalienáveis, cada gesto de violência e ódio contra eles desferido é um golpe fatal no coração da humanidade e na essência da proposta Evangélica de Jesus Cristo, de “vida, e vida plena, para todos” (Jo 10,10). Não podemos aceitar passivamente episódios como o assassinato do líder indígena Wajãpi, morto de forma violenta na última semana, no Amapá, e de muitos outros que vêm tombando de forma violenta pelo fato de lutarem por justiça.

Cada vez mais percebemos com clareza o discurso excludente, violento e dominador que dá origem às mais variadas formas de destruição, tanto da natureza em geral quanto da dignidade humana. Em total sintonia com os apelos do Papa Francisco, tanto na Encíclica Laudato Si’, quanto em seus muitos pronunciamentos, queremos conclamar à esperança ativa nossos confrades, os demais coparticipantes de nossa Missão Evangelizadora, a Família Franciscana e todos os irmãos e irmãs que acreditam na resistência pacífica como forma legítima e eficaz de transformação da realidade.

Com estima fraterna e na certeza de que não estamos a sós e contamos com a força de Deus,

Frei César Külkamp, OFM
Ministro Provincial
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

Jesus, Marta e Maria - Lc 10,38-42 - 19/07/2019


O Direito de sentar-se

(*) José Antonio Pagola

Mais uma vez, Jesus aproxima-se de Betânia, uma aldeia próxima de Jerusalém, para hospedar-se na casa de uns irmãos muito amigos seus. Ao que parece, Ele o faz sempre que sobe para a capital. Estão em casa apenas as mulheres. As duas adotam posturas diferentes. Marta se queixa e Jesus pronuncia umas palavras que Lucas não quer que sejam esquecidas entre os seguidores de Jesus.

Marta é quem “recebe” Jesus e lhe oferece sua hospitalidade. Desde que Ele chegou desvela-se para atendê-lo. Isso nada tem de estranho. É a tarefa que cabe à mulher naquela sociedade. Esse é seu lugar e sua incumbência: fazer o pão, cozinhar, servir ao varão, lavar-lhe os pés, estar ao serviço de todos.

Enquanto isso, Sua irmã Maria permanece “sentada aos pés” de Jesus, em atitude própria de uma discípula que ouve atenta sua palavra, concentrada no essencial. A cena é estranha, porque a mulher não estava autorizada a ouvir como discípula os mestres da lei.

Quando Marta, sobrecarregada pelo trabalho, critica a indiferença de Jesus e pede ajuda, Jesus responde de maneira surpreendente. Nenhum varão judeu teria falado assim.

Ele não critica a Marta sua acolhida e seu serviço. Ao contrário, fala-lhe com simpatia, repetindo carinhosamente seu nome. Não duvida do valor e da importância daquilo que ela está fazendo. Mas não quer ver as mulheres absorvidas somente pelos afazeres da casa: “Marta, Marta, andas inquieta e nervosa com tantas coisas. Só uma coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada”.

A mulher não deve ficar reduzida às tarefas do lar. Ela tem direito a “sentar-se”, como os varões, para escutar a Palavra de Deus. O que Maria está fazendo corresponde à vontade do Pai. Jesus não quer ver as mulheres só trabalhando. Quer vê-las “sentadas”. Por isso, acolhê-as em seu grupo como discípulas, no mesmo plano e com os mesmos direitos que os varões.

Falta-nos muito, na Igreja e na sociedade, para olhar e tratar as mulheres como o fazia Jesus. Considerá-las como trabalhadoras ao serviço do varão não corresponde às exigências desse reino de Deus que Jesus entendia como um espaço sem dominação masculina.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA cursou Teologia e Ciências Bíblicas na Pontifícia
 Universidade Gregoriana, no Pontifício Instituto Bíblico de Roma 
e na Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém

"Vá, e faça a mesma coisa" - Lc 10,25-37 - 13/07/2019

(*) Frei Clarêncio Neotti, OFM

A lição de Jesus está em dizer que a misericórdia exige que se deixe de lado o bem-estar pessoal para socorrer um necessitado. Mas suponhamos que se insista na desculpa de não se poder tocar no defunto, para melhor servir a Deus no culto, observando a lei. 

É justamente nesse ponto que Jesus dá a grande lição: o irmão necessitado tem precedência, e, se não lhe dermos precedência, nossa oração será falha e errado será nosso culto. Em outra ocasião, Jesus foi ainda mais explícito, citando o profeta Oseias (Os 6,6): “Quero misericórdia e não sacrifícios” (Mt 9,13 e 12,7). Jesus referia-se aos sacrifícios dos animais no templo. 

A misericórdia tem precedência até mesmo sobre a obrigação da Missa dominical.

Observe-se que Jesus não menciona a nacionalidade ou a religião do infeliz que caiu na mão dos ladrões. Mas fica claro que quem fez a pergunta era um doutor da lei, judeu, portanto. 

E os judeus, sobretudo os do partido dos fariseus, restringiam muito os que podiam ser denominados próximo: eram só os familiares, os que tinham o mesmo sangue, os compatriotas observantes da Lei Mosaica, os pagãos que adotassem as leis, a fé e as tradições judaicas, desde que circuncidados. 

Ficavam expressamente excluídos os estrangeiros, os que trabalhavam para estrangeiros, os inimigos de qualquer espécie, a plebe ignorante, os que exerciam certas profissões que facilitavam a impureza legal – a pesca, o pastoreio, o curtimento de couros -, os pobres e os leprosos. A lição de Jesus é clara, nova e forte: a misericórdia não tem fronteiras religiosas, geográficas ou de sangue. 

A misericórdia não faz restrições. É obrigação de todos.

(*) FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.

"E vós, quem dizeis que Eu sou?" - Lc 9, 18-24 - 23/06/2019

Às vezes é perigoso sentir-se cristão “por toda a vida”, porque corremos o risco de não revisar nunca nossa fé e não entender que, definitivamente, a vida cristã não é senão um contínuo processo de passar da incredulidade para a fé no Deus vivo de Jesus Cristo.

Muitas vezes acreditamos ter uma fé inabalável em Jesus, porque o temos perfeitamente definido com fórmulas precisas, e não nos damos conta de que, na vida diária, o estamos desfigurando continuamente com nossos interesses e covardias.

Confessamo-lo abertamente como Deus e Senhor nosso, mas às vezes Ele não significa quase nada nas atitudes que inspiram nossa vida. Por isso, é bom ouvir sinceramente sua pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Na realidade, quem é Jesus para nós? Que lugar ocupa Ele em nossa vida diária?

Quando, em momentos de verdadeira graça, alguém se aproxima sinceramente do Jesus do Evangelho, encontra-se com alguém vivo e palpitante. Alguém que não é possível esquecer. Alguém que continua atraindo-nos apesar de nossas covardias e mediocridade.

Jesus, “o Messias de Deus”, nos coloca diante de nossa última verdade e se transforma, para cada um de nós, em convite prazeroso à mudança, à conversão constante, à busca humilde, mas apaixonada, de um mundo melhor para todos.

Jesus é perigoso. Nele descobrimos uma entrega incondicional aos necessitados, entrega esta que põe a descoberto nosso radical egoísmo. Uma paixão pela justiça que sacode nossas seguranças, covardias e servidões. Uma fé no Pai que nos convida a sair de nossa incredulidade e desconfiança.

Jesus é a coisa maior que nós cristãos temos. Ele infunde outro sentido e abre outro horizonte à nossa vida. Ele nos transmite outra lucidez e outra generosidade. Ele nos comunica outro amor e outra liberdade. Ele é nossa esperança.

Pe. José Antonio Pagola
Teólogo, Professor Universitário e Escritor.

Dia de Portugal/2019 - 16 de Junho - Domingo


Dia de Portugal em Santos terá festa no Centro Histórico

 Vai ter muita música, danças típicas, exposições, venda de artesanato e a tradicional gastronomia portuguesa na 10ª edição do Dia de Portugal, que acontece domingo (16), das 9h30 às 18h, no Largo Marquês de Monte Alegre, Centro Histórico.
Foto: Isabela Carrari/PMS

A maior festa da comunidade lusitana na Cidade tem início com a celebração de missa no Santuário Santo Antônio do Valongo, seguida do ato cívico.

Às 11h30, começam as apresentações musicais – a novidade desta edição será o Rancho Folclórico Infantil da Escola Portuguesa, primeiro a subir ao palco.

Programação do Dia de Portugal em Santos

A programação ainda contará com show de 13 grupos:
Filhos da Tradição, ranchos folclóricos Casa de Portugal de Praia Grande, Veteranos Apaixonados pelo Folclore, Verde Gaio, Fado por Acaso, Típico Madeirense, Tricanas de Coimbra, Vira Livre, Vasco da Gama, Portuguesa Santista e Cruz de Malta, Andreza Mariano e Banda, além da cantora de fado Ana Carla Lemos.

Durante a festa, os visitantes poderão conhecer o trabalho das bordadeiras do Morro São Bento e saborear pastéis de Belém e bolinhos de bacalhau. A venda dos tradicionais pratos será revertida à Escola Portuguesa. O Dia de Portugal é uma realização da Escola Portuguesa, com apoio da Prefeitura, Conselho das Comunidades Portuguesas e Consulado Geral de Portugal.

 (fonte: Jornal da Orla - 10/06/2019)

Festa de Santo Antonio/2019


Programação Musical 2019 

01/06 – Sábado: Daniel Prates

02/06 – Domingo: Rancho Folclórico Madeirense

06/06 – Quinta-feira: Cláudia França

07/06 – Sexta-feira: 2+1 Shows

08/06 – Sábado: Didi Gomes

09/06 – Domingo: Velha Guarda da X-9

10/06 – Segunda-feira: Cauby Shows 

11/06 – Terça-feira: a programar

12/06 – Quarta-feira: Sena Sopra Metais

13/06 – Quinta-feira: Banda Rara

Dia das mães - 12/05/2019

____________________________________________________________

Dia de celebrar a cultura do amor

Frei Vitório Mazzuco, OFM

Cada ano a vida repete a mesma celebração. Celebrar é tornar presente, de um modo repetitivo, uma verdade, uma mensagem, uma data, uma vida, até que um dia tudo nos preencha do mais belo sentido. Mas o Dia das Mães não é uma simples celebração, é uma ampliação de todos os sentidos da vida. As mães que estão vivas ganham tímidas palavras, beijos e abraços. As mães falecidas ressuscitam nas memórias e nas preces.

Cada ano flores, almoço, festa, presentes e telefonemas reacendem o sentimento de eterno pertencimento. Nós somos o que é esta mulher que nos ensinou a ser além de nós; que nos ensinou a ser família e fazer parte do sonho de alguém.  A mãe nos ensinou a existir e é impossível conceber a existência sem ela. Ela está presente assim como Deus é onipresente.

O Dia das Mães é um dia feito para lembrar quem ajudou a organizar a nossa vida, que cuidou para que tivéssemos o melhor, quem nos olhou com um olhar amoroso sem nenhum ranço de condenação. Mãe foi e é uma entrega constante, uma entrega absoluta em cada tarefa, uma renúncia de si para que possamos ser. Mãe é determinação; ela está sempre determinada em ajudar filhos a encontrarem o rumo na vida.

Mãe é o ministério da educação mais verdadeiro, que nunca se fragmenta ou experimenta a decadência, porque ela é um processo de valores para cada dia da vida. O bem-estar, a beleza, a limpeza, a harmonia, são valores caseiros que se instauram num determinado lugar e ganham espaços do mundo. Mãe ensina a arrumar quarto, lavar pratos, limpar banheiro, guardar as roupas jogadas. Quem aprendeu isto no limite da casa, vai levar para a vida. Quem não quis aprender vai saber o que é a falta de garra para enfrentar os desafios da vida.

Mãe não teve como nós, a conquista acadêmica de tantas faculdades, mas é pós-graduada em sensibilidade. Mãe não faz pregação nem curas miraculosas, mas diz que Deus está nas preces mais simples do zeloso guardador, que guarda, governa, ilumina, amém! Mãe é razão e vivência; mãe é afeto, uma usina de energia vital de amor que não se esgota. Mãe é uma farmácia aberta vinte e quatro horas nos dando remédios de emoção e bênção, para que a gente não perca a capacidade de sentir-se amado no caminho onde estivermos rumo a nossa realização, que é a felicidade que ela sonhou para nós.

Por isso, parabéns a todas as Mães em seu dia! Que dia é este? Dia de celebrar o manancial da existência, a cultura do amor, o sentido da vida, e o jeito terno e materno de Deus encarnado no colo desta mulher.

Feliz Dia das Mães!

(fonte: www.franciscanos.org.br)

São José Operário e o Dia do Trabalhador - 01/05/2019


São José Operário

Pio XII, instituindo, em 1955, a festa de São José Operário quis oferecer ao trabalhador cristão um modelo e protetor. “Todo trabalho possui dignidade inalienável e, ao mesmo tempo, ligação íntima com a pessoa em seu aperfeiçoamento: nobre dignidade e prerrogativa, que não são de modo algum aviltadas pela fadiga e pelo peso que devem ser suportados como efeito do pecado original em obediência e submissão à vontade de Deus”, disse Pio XII.

Foi no dia 1º de maio de 1886, em Chicago, maior parque industrial dos Estados Unidos na época, que os operários de uma fábrica se revoltaram com a situação desumana a que eram submetidos e pelo total desrespeito à pessoa que os patrões demonstravam. Eram trezentos e quarenta em greve e a polícia, a serviço dos poderosos, massacrou-os sem piedade. Mais de cinquenta ficaram gravemente feridos e seis deles foram assassinados num confronto desigual. Em homenagem a eles é que se consagrou este dia.

São José é o modelo ideal do operário. Sustentou sua família durante toda a vida com o trabalho de suas próprias mãos, cumpriu sempre seus deveres para com a comunidade, ensinou ao Filho de Deus a profissão de carpinteiro e, dessa maneira suada e laboriosa, permitiu que as profecias se cumprissem e seu povo fosse salvo, assim como toda a humanidade.

Proclamando São José protetor dos trabalhadores, a Igreja quis demonstrar que está ao lado deles, os mais oprimidos, dando-lhes como patrono o mais exemplar dos seres humanos, aquele que aceitou ser o pai adotivo de Deus feito homem, mesmo sabendo o que poderia acontecer à sua família. José lutou pelos direitos da vida do ser humano e, agora, coloca-se ombro a ombro na luta pelos direitos humanos dos trabalhadores do mundo, por meio dos membros da Igreja que aumentam as fileiras dos que defendem os operários e seu direito a uma vida digna.

Muito acertada mais esta celebração ao homem “justo” do Evangelho, que tradicional e particularmente também é festejado no dia 19 de março, onde sua história pessoal é relatada.

(fonte: franciscanos.org.br)

"Nem eu te condeno..." João 8,1-11 - 07/04/2019

Trecho da reflexão da 
Irmã Terezinha Cotta, rc
Religiosa da Congregação Nossa Senhora do Cenáculo. 
Mestra em Teologia pelo Centro de Estudos Superiores da Companhia de Jesus (Jesuítas)


Fonte:
Instituto Humanitas Unisinos

Palestra - Campanha da Fraternidade/2019 - 17/03/2019

O que são, quais são as principais políticas públicas?
O cidadão pode participar de sua criação, implementação e fiscalização?
Esses e outros esclarecimentos.
Convide seus amigos, mesmo não católicos.



Campanha da Fraternidade/2019 - Entrevista com Frei Vitório Mazzuco, OFM - 10/03/2019

Frei Gustavo Medella, do site FRANCISCANOS, fez entrevista com Frei Vitório Mazzuco, sobre o assunto abordado pela Campanha da Fraternidade deste ano.
O entrevistado, pede a todos os cristão, "Mais indignação profética".

Clique na imagem para acessar o conteúdo.


"A boca fala do que está cheio o coração" - 03/03/2019 - Lc 6,39-45

Do que brota do fundo do coração
Frei Almir Guimarães

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvores ruim que dê frutos bons. Toda árvore é reconhecida pelos seus frutos (Lc 6, 44)


  • Buscar a verdade é meta de nossa existência. Não apenas uma verdade intelectual e cerebral, mas verdade existencial. Ela estaria no mais íntimo de nós mesmos. As aparências enganam. Ritos e rezas, práticas e prescrições religiosas e morais têm seu valor quando partem do mistério interior da vida da pessoa. As aparências podem enganar e enganam de fato. Os bons frutos são produzidos por árvores boas, pessoas transparentes, verazes. Tudo a partir do coração.

  • A primeira leitura da liturgia deste domingo tem um tom sapiencial. Nas poucas linhas hoje proclamadas o autor sagrado afirma que é pelo falar que se conhece o homem. O forno prova os vasos do oleiro. O homem é provado por sua conversa, por sua fala. O fruto revela como foi cultivada a árvore. Desta maneira, a palavra mostra o coração do homem. Isso pode acontecer e acontece. Nem sempre, é verdade, a fala mostra a verdade do interior. O homem pode usar um jeito tal de falar que esconda quem de fato ele é. Em princípio pode-se dizer que pela conduta, pelos gestos, pelo exemplo alguém pode revelar quem ele é de fato. Há alguma coisa da luz interior do homem que vem à tona. Há uma recomendação do Sábio: “Não elogies a ninguém, antes de ouvi-lo falar, pois é no falar que o homem se revela”. O homem, no entanto, não se exprime somente pela fala da voz. Fala com todo o seu corpo, seu olhar, a perseverança de seus propósitos. Nada de elogios desmedidos antes da hora.

  • O trecho do evangelho de Lucas nos remete para nossa verdade mais íntima, para o coração, para nosso ser mais profundo que chamamos precisamente de coração. “O homem bom tira coisas boas do bom tesouro de seu coração. Mas o homem mau tira coisas más de seu mau tesouro, pois sua boca fala do que o coração está cheio”. É de dentro, do interior de nossas entranhas que partem o bem e o mal. O importante será cultivar as dimensões interiores de nossa vida. Ter a sabedoria de um coração reto e generoso.

  • Sair da superficialidade, não basear a vida em coisas acidentais e em resultados aparentemente brilhantes. Seremos pessoas profundas na medida em que procuramos o “lugar do coração”. Um pequeno e antigo fascículo da Ordem do Frades Menores (2003) falava do caminho que leva ao lugar do coração. Seus autores se dirigiam aos frades menores exortando-os a viver a partir do interior. Estas linhas, no entanto, podem ajudar a quem quer que seja a penetrar nos espaços do interior: “Esse caminho progressivo é possível à medida em que voltamos ao “lugar do coração” tomando contato com as raízes de nossa vida e de nossa fé. Nesse ponto é possível aprofundar o dinamismo que existe entre interioridade e silêncio e missão evangelizadora, como parte essencial do carisma. A interioridade, finalmente, espaço habitado é o clima, o ambiente, o húmus do encontro com Deus e com as criaturas humanas”.

  • O ser humano se constrói de dentro. É a consciência ou o coração que devem orientar e dirigir a vida da pessoa. O coração é esse lugar secreto e íntimo de nós mesmos onde não podemos nos enganar a nós mesmos. É a partir desse interior que se decide o melhor e o pior da existência.

  • Reflexão, interioridade, silêncio. Voltar à nossa verdade. “A sociedade oferece hoje um clima pouco propício para quem quer buscar silêncio e paz para encontrar-se consigo mesmo, com os outros e com Deus. É difícil libertar-se do ruído e do assédio constante de todo tipo de apelos e mensagens. Por outro lado as preocupações, problemas e pressas de cada dia nos levam de um lugar para o outro, quase sem permitir que sejamos donos de nos mesmos’ (Pagola, Lucas, p. 118).

  • Como refazer nosso interior? Silêncio, silêncio de ruídos, silêncio de nós mesmos para que tenhamos riquezas no baú da vida. Momentos de santa ociosidade. Leituras que nos façam mergulhar no mistério da vida. Terapia das coisas feitas com mais lentidão. Busca de um limpidez interior. Revisões constantes da vida. Auscultação sempre mais apurada daquilo que o Senhor nos pede neste momento de nossa vida pessoal e do mundo.

  • A página evangélica aponta posturas sábias que podem nascer da verdade do coração:
    • Não se pode condenar o irmão sem mais nem menos. Por que querer tirar o cisco do olho do irmão, quando temos a trave diante dos olhos. Que postura falsa de querer condenar o irmão por um cisquinho quando somos inteiramente cegos, frutos da superficialidade e da incapacidade de olhar para além das aparências.
    •  O Cuidado com a postura de superioridade frente aos outros. Um discípulo não é maior do que o Mestre. Quando o coração da pessoa é habitado o discípulo se reveste de sábia humildade. Nada de superioridade. Nosso Mestre foi aquele que lavava os pés dos seus.
    • Como querer exercer influência sobre os outros, quando não enxerga com clareza. Um cego não pode guiar outro cego. Os dois vão cair no buraco.

  • É pelos frutos que se reconhece a árvore boa. Uma comunidade, um grupo e religiosos, os membros da Igreja atentos à voz do Senhor, feito de pessoas que se estimam para além de simpatias e antipatias, gente que faz vibrar seu coração com o coração dos mais infelizes, pessoas que não exageram a importância de um cisco no rosto do irmãos, gente que tira do tesouro da memória da fé preciosidades. A boca, os gestos do rosto, a transparência do olhar falam da beleza do coração.

💖💖💖
Oração
A sabedoria da paz
Dá, Senhor, à nossa vida a sabedoria da paz.
Que o nosso coração não naufrague na lógica
de tanta violência disseminada ao nosso redor.
Que sentimentos de dor e de despeito
não sufoquem a necessidade de gestos de reconciliação,
a urgência de uma palavra amável
que rompa as paredes do silêncio,
o reencontro dos olhares que se desviam.
Dá-nos a força de insinuar no inverno gelado em que,
por vezes vivemos, o ramo verde, a inesperada flor,
a claridade que é esta irreprimível e pascal vontade de recomeçar.
José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança, Paulinas, p. 95.

Felizes os pobres! - Lc 6,17.20-26 - 17/02/2019

Pe Johan Konings

O Sermão da Planície do evangelho de Lucas (Lc 6) traz, de forma abreviada, a mesma mensagem que o Sermão da Montanha de Mateus (Mt 5-7). O evangelho nos apresenta Jesus anunciando com alegria a boa-nova aos pobres: “Felizes vós, os pobres, porque o Reino de Deus é vosso”. Nada demais. Até o presidente do FMI fica comovido quando os pobres são felizes. O problema é que Jesus fala o contrário para os ricos: “Ai de vós, ricos, porque já tendes vossa consolação”. Os ricos já receberam seu prêmio e agora perdem sua vez … (cf. a 1ª leitura: “Infeliz de quem coloca sua confiança em outro homem e se apoia no ser mortal, enquanto seu coração se desvia de Deus”).

O contraste entre ricos e pobres na boca de Jesus nos ajuda a entender melhor o que é esse Reino de Deus que ele vem anunciar. É o contrário do reino dos homens, o contrário daquilo que os ricos já têm. Eles possuem o que se apropriaram por caminhos humanos (nem sempre muito retos): riqueza, poder, prazer. Coisas passageiras, que, contudo, chegaram a ocupar todo o tempo e imaginação dos que pensam possuí-las, enquanto são por elas possuídos. Basta qualquer revés, um processo por sonegação, uma comparsa que fale demais … basta algo tão tremendamente comum como a morte, para que percam tudo o que tinha valor para eles. Infelizes …

O que Jesus agora anuncia aos pobres é o contrário: vem de Deus, não dos homens. Porque os pobres ainda não se encheram com as suas próprias conquistas, tem valor para eles o “Reino de Deus”, o dom de Deus, o “sistema de Deus”. Que sistema? Aquilo que Jesus anuncia e pratica: fraternidade, comunhão da vida, dos bens materiais e espirituais, partilha de tudo. É aquilo que Jesus, no evangelho, ensina aos seus discípulos: superar o ódio pelo amor, aperfeiçoar a “Lei” pela solidariedade, repartir os bens, e até sofrer por causa de tudo isso. Pois também para os que sofrem e são perseguidos há uma bem-aventurança.

Mas a nossa sociedade vai pelo caminho contrário. A propaganda e o consumismo incutem nas pessoas a mania do rico, do eterno insatisfeito. Os pobres se tornam solidários com os ricos, aderem às suas novelas, modas e compras inúteis. Não é esta a boa notícia do evangelho, e sim, o “ai” proclamado por Jesus.

A diferença entre os pobres e os ricos não é que uns sejam melhores que os outros, mas que a esperança dos pobres, quando não corrompidos, vai para as coisas que vêm de Deus, enquanto os ricos facilmente acham que vão se realizar com aquilo que eles têm em seu poder. Que experimentem … Ou então, que participem da esperança dos pobres e se tornem solidários com eles.

A esperança do reino supera a vida material. É a esperança que se baseia no Cristo ressuscitado (2ª  leitura): “Se temos esperança em Cristo tão-somente para esta vida, somos os mais lamentáveis de todos!” Aquele que se tornou pobre para nós é que nos enriquece com a dádiva do amor infinito do Pai, que ele revela no dom da própria vida. O reino que Jesus anuncia aos pobres, decerto, começa com a justiça e a fraternidade, mas tem um horizonte que nosso olhar terreno nunca alcança!

Livro: Liturgia Dominical do Pe. Johan Konings, SJ
(fonte: www.franciscanos.org.br)

1) Papa Francisco na JMJ/2019
2)Carta da OFS Nacional sobre o CRIME ambiental de Brumadinho

Papa na Jornada Mundial da Juventude/2019

Clique na imagem para acessar página com o resumo da mensagem do Papa
aos jovens (áudio) e outras informações sobre JMJ/2019



Mensagem da OFS Nacional, sobre o CRIME ambiental em Brumadinho


O Bom Vinho - Jo 2,1-11 - 20/01/2019

Jesus sempre foi conhecido como o fundador do cristianismo. Hoje, porém, começa a surgir outra atitude: Jesus é de todos, não só dos cristãos. Sua vida e sua mensagem são patrimônio da humanidade.

Ninguém no Ocidente teve um poder tão grande sobre os corações. Ninguém expressou melhor do que Ele as inquietações e interrogações do ser humano. Ninguém despertou tanta esperança. Ninguém comunicou uma experiência tão salutar de Deus, sem projetar sobre Ele ambições, medos e fantasmas. Ninguém aproximou-se da dor humana de maneira tão profunda e entranhável. Ninguém abriu uma esperança tão firme diante do mistério da morte e da finitude humana.

Dois mil anos nos separam de Jesus, mas sua pessoa e sua mensagem continuam atraindo muitas pessoas. É verdade que Ele interessa pouco em alguns ambientes, mas também é certo que a passagem do tempo não apagou sua força sedutora nem amorteceu o eco de sua palavra.

Hoje, quando as ideologias e religiões experimentam uma crise profunda, a figura de Jesus escapa de toda doutrina e transcende toda religião, para convidar diretamente os homens e mulheres de hoje para uma vida mais digna, feliz e
esperançosa.

Os primeiros cristãos experimentaram Jesus como fonte de vida nova. Dele recebiam um sopro diferente para viver. Sem Ele tudo se tornava de novo seco, estéril e apagado para eles. O evangelista João redige o episódio do casamento em Caná para apresentar simbolicamente Jesus como portador de um “vinho bom”, capaz de reavivar o espírito.

Jesus pode ser hoje fermento de nova humanidade. Sua vida, sua mensagem e sua pessoa convidam a inventar novas formas de vida proveitosa. Ele pode inspirar caminhos mais humanos numa sociedade que busca o bem-estar afogando o espírito e matando a compaixão. Ele pode despertar o gosto por uma vida mais humana em pessoas vazias de interioridade, pobres de amor e necessitadas de esperança.

Trecho do livro: "O caminho aberto por Jesus"
Autor: Pe. José Antonio Pagola

(fonte: www.franciscanos.org.br)