Perdoar sem limites - Mt 18,21-35 - 11/09/2011

Já ouvimos o ensinamento de Jesus sobre a correção fraterna. Mas não basta "corrigir", importa que o que estava errado seja realmente superado pelo perdão. E que adianta pedir perdão a Deus, se a gente mesmo não perdoa?

Já o Antigo Testamento nos ensina que não podemos pedir perdão se não perdoamos. A 1ª leitura fundamenta o perdão fraterno na Aliança: somos todos "povo de Deus". Como posso condenar para sempre o meu irmão, que é filho de Deus? Se fizesse tal coisa, eu negaria minha comunhão com Deus, e então, o perdão de Deus não me alcançaria.

E Jesus, no evangelho. nos ensina a estarmos sempre dispostos a perdoar, inúmeras vezes. Conta a parábola do homem que foi absolvido de uma dívida enorme, mas não quis perdoar uma ninharia a seu colega.

Resultado: seu patrão o condenou a pagar tudo. Quem não é capaz de perdoar não é capaz de viver em fraternidade, em comunhão.

O que importa para Deus, em última instância, não é acertar contas, e sim, promover a comunhão, a amizade, a reconciliação. Talvez seja preciso primeiro pôr as contas em dia, mas o objetivo final é a fraternidade. Quem não sabe reconciliar-se com seu irmão não pode ser amigo de Deus, que é o Pai de todos.

Num mundo de competição, como é o nosso, nada se perdoa, não se leva desaforo para casa, vinga-se a honra etc. Devemos substituir esse modelo de competição e de vingança pelo modelo de comunhão.

Quando perdoo, não perco nada; pelo contrário, ganho a comunhão com o irmão e a realização de minha vocação: a semelhança com Deus (cf. Gn 1,26).

O ser humano é tão coitado, que qualquer coisa que alguém lhe estiver devendo lhe parece uma carência vital... Apenas Deus é bastante rico para perdoar sempre a quem se arrepende. A Igreja deve ser um sinal de Deus no mundo. Deve imitar Deus no perdão - no sacramento da reconciliação - e ensinar a mesma coisa aos homens.

O sacramento da reconciliação é uma alegria, não um desagradável dever. É uma celebração da magnanimidade de nosso Deus. "Confessar" significa proclamar não só os pecados, mas sobretudo o louvor do Deus que perdoa.

O sacramento da reconciliação é um serviço que Deus confiou à Igreja, comunidade de salvação, para ajudar o irmão a corrigir seu caminho, a reconciliar-se com Deus e com seus irmãos na fé, e a proclamar a grandeza do amor de Deus. Para quem vivia em pecado grave, é uma verdadeira ressurreição.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes
(http://www.franciscanos.org.br/)

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