A paz esteja convosco! 01/05/2011

A aparição de Jesus aos discípulos

Neste segundo Domingo da Páscoa, podemos observar que João inicia esta narrativa de aparição do ressuscitado tomando a mesma fonte da narrativa de Lucas. Veja: Jesus aparece entre os discípulos reunidos, anuncia-lhes a paz e mostra-lhes as chagas.

Em João os discípulos estão com as portas trancadas com medo dos judeus. Este detalhe exprime a situação da comunidade de João, excluída pelos judeus, os quais, inclusive, denunciavam os cristãos aos romanos. Porém, o ressuscitado liberta a comunidade do medo e lhes traz a alegria. Em João, Jesus mostra as chagas das mãos e a do lado.

É a confirmação de sua identificação com Jesus de Nazaré que foi crucificado. Agora, conforme anunciara nos discursos de despedida, Jesus comunica aos discípulos a Paz e o Espírito, com seu sopro amoroso sobre eles.

Entretanto, em Lucas há apenas a comunicação da Paz, pois o dom do Espírito, como línguas de fogo sobre cada um, no estilo de Teofania do Primeiro Testamento, é transferido para o episódio de Pentecostes, em Atos.

Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos pecadores convidados à conversão.

Importante lembrar sempre que Tomé, ausente por ocasião da aparição de Jesus, ao reencontrar os demais discípulos poderia ter acreditado no testemunho deles, afirmando sua fé sem ver o ressuscitado. Mas assim não foi.

Tomé quer ver e tocar. Oito dias depois, Jesus volta ao meio deles, agora com a presença de Tomé. Vendo e ouvindo Jesus, sem tocá-lo, Tomé faz sua confissão de fé. Tomé, ao vacilar entre o ver e o crer, motivou o pronunciamento de Jesus sobre a bem-aventurança dos que crêem sem ver o ressuscitado.

As narrativas das aparições do ressuscitado são um fator de convencimento da continuidade de Jesus em vida. Porém para crer na presença de Jesus entre nós não são necessárias aparições. A exemplo da segunda leitura somos chamados de bem-aventurados, porque cremos sem ver.

Prova marcante é a fé das primeiras comunidades que viviam a partilha no amor, conforme nos narra a primeira leitura. A fé em Jesus de Nazaré, ressuscitado, que continua vivo entre nós, leva-nos a reconhecer a sua presença nos sinais do amor que se manifesta nas inúmeras e diversas comunidades, nas mais diversas manifestações culturais dos tempos de hoje.

Assim, quando assumimos nossa fé, somos movidos pela solidariedade global que induz à paz e à vida, o que nos faz superar as situações de morte promovidas pelos impérios da fome, pobreza, miséria e as guerras que assolam os seres humanos: filhos e filhas de Deus.

É preciso que todos nós, cristãos, ressuscitemos com Jesus e, juntos, possamos devolver aos seres humanos e ao planeta a dignidade da vida plena e abundante que Deus tanto quer e deseja para cada um de nós.

Prof. Diácono Miguel A. Teodoro
http://www.teologiafeevida.com.br/

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